{"id":42201,"date":"2013-01-21T14:00:42","date_gmt":"2013-01-21T16:00:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=42201"},"modified":"2013-01-21T14:00:42","modified_gmt":"2013-01-21T16:00:42","slug":"exercicio-fisico-ajuda-a-evitar-o-agravamento-da-insuficiencia-cardiaca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2013\/exercicio-fisico-ajuda-a-evitar-o-agravamento-da-insuficiencia-cardiaca\/42201","title":{"rendered":"Exerc\u00edcio f\u00edsico ajuda a evitar o agravamento da insufici\u00eancia card\u00edaca"},"content":{"rendered":"<p>Um estudo realizado na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e divulgado na revista\u00a0PLoS One\u00a0mostrou que a pr\u00e1tica de <em><strong>exerc\u00edcios f\u00edsicos<\/strong><\/em> aer\u00f3bicos \u00e9 capaz de interromper o processo degenerativo observado na insufici\u00eancia card\u00edaca, doen\u00e7a caracterizada pela incapacidade do cora\u00e7\u00e3o de bombear sangue adequadamente.<\/p>\n<p>O trabalho \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o de uma pesquisa anterior, na qual o grupo coordenado por Julio Cesar Batista Ferreira, do Departamento de Anatomia do Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas da USP, descobriu que o cora\u00e7\u00e3o insuficiente n\u00e3o bate bem por causa de um defeito no sistema de controle de qualidade das c\u00e9lulas card\u00edacas \u2013 respons\u00e1vel por destruir prote\u00ednas danificadas.<\/p>\n<p>Sem esse mecanismo de limpeza, prote\u00ednas altamente reativas se acumulam no citoplasma, interagem com outras estruturas e acabam causando a morte da c\u00e9lula card\u00edaca, agravando ainda mais o quadro.<\/p>\n<p>No estudo anterior, os cientistas testaram em ratos uma mol\u00e9cula, a ?IIV5-3, que foi capaz de normalizar o controle de qualidade e reverter o processo degenerativo (leia mais em<a href=\"http:\/\/agencia.fapesp.br\/15571\" target=\"_blank\">agencia.fapesp.br\/15571<\/a>).<\/p>\n<p>No experimento mais recente, tamb\u00e9m feito com ratos e com\u00a0<a href=\"http:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/47928\/contribuicao-enzima-aldeido-desidrogenase-2\" target=\"_blank\">apoio<\/a>\u00a0da FAPESP, o treinamento aer\u00f3bico se mostrou t\u00e3o eficaz quanto o tratamento farmacol\u00f3gico na reativa\u00e7\u00e3o do \u201csistema de limpeza\u201d celular.<\/p>\n<p>\u201cUsamos o mesmo modelo animal, que consiste em amarrar uma das art\u00e9rias coron\u00e1rias do rato para induzir um infarto no mioc\u00e1rdio. A falta de irriga\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea causa a morte imediata de aproximadamente 30% das c\u00e9lulas card\u00edacas. Ap\u00f3s um m\u00eas, o animal j\u00e1 apresenta sinais de insufici\u00eancia\u201d, contou Ferreira.<\/p>\n<p>Embora o infarto seja a principal causa de insufici\u00eancia card\u00edaca, explicou o pesquisador, esse processo degenerativo \u00e9 o resultado final comum de diferentes doen\u00e7as cr\u00f4nicas n\u00e3o tratadas, entre elas a hipertens\u00e3o, o diabetes e a obesidade. O mal leva \u00e0 morte 70% dos pacientes afetados nos primeiros cinco anos.<\/p>\n<p>\u201cAp\u00f3s o dano prim\u00e1rio, as c\u00e9lulas restantes t\u00eam de trabalhar em dobro para compensar a les\u00e3o cr\u00f4nica. Como n\u00e3o est\u00e3o preparadas para isso, acabam entrando em colapso ao longo do tempo\u201d, disse.<\/p>\n<p>Para avaliar o impacto do exerc\u00edcio f\u00edsico aer\u00f3bico em um cora\u00e7\u00e3o nessas condi\u00e7\u00f5es, foi feito um experimento com 27 ratos divididos em tr\u00eas grupos. No primeiro, composto por dez animais, os pesquisadores induziram o infarto e os animais permaneceram sedent\u00e1rios. No segundo, o infarto foi induzido em oito roedores, posteriormente submetidos a um programa de corrida na esteira de uma hora di\u00e1ria, cinco vezes por semana, durante dois meses. O terceiro grupo, considerado o controle, n\u00e3o teve o infarto induzido nem praticou atividade f\u00edsica.<\/p>\n<p>Uma s\u00e9rie de medidas foi feita na quarta semana ap\u00f3s o infarto para confirmar o quadro de insufici\u00eancia card\u00edaca. Os testes foram repetidos ap\u00f3s as oito semanas de treinamento f\u00edsico.<\/p>\n<p>No grupo dos ratos corredores, a fun\u00e7\u00e3o card\u00edaca \u2013 que \u00e9 a capacidade do cora\u00e7\u00e3o em bombear sangue para as art\u00e9rias \u2013 melhorou em torno de 70% quando comparado aos animais infartados e sedent\u00e1rios. A toler\u00e2ncia ao esfor\u00e7o, que corresponde \u00e0 dist\u00e2ncia que os animais conseguem correr na esteira, aumentou de 280 metros para 760 metros. J\u00e1 o consumo m\u00e1ximo de oxig\u00eanio, antes reduzido em 20%, atingiu valores equivalentes aos do grupo controle, ou seja, normalizou.<\/p>\n<p>Para entender como o treinamento f\u00edsico beneficiou o cora\u00e7\u00e3o, os cientistas realizaram an\u00e1lises moleculares no \u00f3rg\u00e3o ap\u00f3s o per\u00edodo experimental. \u201cQuer\u00edamos descobrir se os exerc\u00edcios tamb\u00e9m modulam o sistema de controle de qualidade de prote\u00edna e vimos que sim. Tanto quanto o tratamento farmacol\u00f3gico\u201d, disse Ferreira.<\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador, um complexo intracelular conhecido como proteassoma \u00e9 o principal respons\u00e1vel pela degrada\u00e7\u00e3o das prote\u00ednas danificadas. No estudo anterior, o grupo constatou que no cora\u00e7\u00e3o de portadores de insufici\u00eancia card\u00edaca sua atividade diminui mais de 50%.<\/p>\n<p>\u201cO exerc\u00edcio f\u00edsico normalizou a atividade do proteassoma no cora\u00e7\u00e3o dos ratos e, com isso, restaurou o controle de qualidade\u201d, contou Ferreira.<\/p>\n<p>O passo seguinte foi descobrir por que a atividade do proteassoma estava reduzida e como ela voltou ao normal com o treinamento f\u00edsico. \u201cEsse complexo demanda muita energia para funcionar. Como a principal produtora de energia na c\u00e9lula \u00e9 a mitoc\u00f4ndria, levantamos a hip\u00f3tese de que o metabolismo mitoncondrial poderia estar comprometido\u201d, explicou o pesquisador.<\/p>\n<p>An\u00e1lises moleculares feitas com os cora\u00e7\u00f5es dos animais e com cultura de c\u00e9lulas card\u00edacas mostraram que, de fato, a mitoc\u00f4ndria deixa de funcionar bem na insufici\u00eancia card\u00edaca.<\/p>\n<p>\u201cEla passa a consumir menos oxig\u00eanio, a produzir menos ATP (adenosina trifosfato, mol\u00e9cula que armazena a energia) e a gerar esp\u00e9cies reativas de oxig\u00eanio e de nitrog\u00eanio em excesso\u201d, contou Ferreira.<\/p>\n<p>Esses radicais livres podem reagir com diferentes mol\u00e9culas na c\u00e9lula e causar um colapso, afirmou o pesquisador. A oxida\u00e7\u00e3o dos fosfolip\u00eddeos presentes na membrana da mitoc\u00f4ndria, por exemplo, gera um alde\u00eddo extremamente reativo, o 4-hidroxinonenal (4-HNE), que ataca diretamente o proteassoma e inibe seu funcionamento na insufici\u00eancia card\u00edaca.<\/p>\n<p>\u201cO exerc\u00edcio f\u00edsico foi capaz de restaurar o metabolismo da mitoc\u00f4ndria e, consequentemente, reduzir a libera\u00e7\u00e3o de radicais livres e seus subprodutos no cora\u00e7\u00e3o dos animais com insufici\u00eancia card\u00edaca\u201d, explicou o pesquisador.<\/p>\n<p>No cora\u00e7\u00e3o dos animais que praticaram exerc\u00edcio f\u00edsico, os n\u00edveis de 4HNE estavam menores e, consequentemente, o proteassoma sofria menor ataque do 4-HNE e funcionava melhor. \u201cO entendimento da integra\u00e7\u00e3o dos sistemas intracelulares \u00e9 pe\u00e7a chave na melhor compreens\u00e3o da biologia da c\u00e9lula card\u00edaca\u201d, disse Ferreira.<\/p>\n<p>Os experimentos foram realizados durante o mestrado de Juliane Cruz Campos, sob orienta\u00e7\u00e3o de Ferreira e com\u00a0<a href=\"http:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/112089\/caracterizacao-funcao-dinamica-mitocondrial-modelo\" target=\"_blank\">Bolsa<\/a>\u00a0da FAPESP. O estudo contou com a colabora\u00e7\u00e3o dos pesquisadores Alicia Kowaltowski e Patricia Chakur Brum, da USP, al\u00e9m de Daria Mochly-Rosen, da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Complemento<\/p>\n<p>A mol\u00e9cula ?IIV5-3, desenvolvida pelo grupo de Ferreira em parceria com Stanford, desativa uma prote\u00edna chamada PKC?II, que tamb\u00e9m se liga ao proteassoma e prejudica o controle de qualidade de prote\u00ednas.<\/p>\n<p>Os estudos para transformar a ?IIV5-3 em um medicamento continuam e, enquanto aguardam financiamento para iniciar os testes em seres humanos, os pesquisadores investigam melhor o funcionamento da mol\u00e9cula no organismo.<\/p>\n<p>No trabalho mais recente, verificou-se que a PKC?II tamb\u00e9m \u00e9 uma das respons\u00e1veis pelo mau funcionamento das mitoc\u00f4ndrias e, portanto, a ?IIV5-3 poderia ajudar tamb\u00e9m nesse caso.<\/p>\n<p>\u201cEstamos tentando desenvolver um f\u00e1rmaco capaz de atuar em pontos-chave na biologia da c\u00e9lula card\u00edaca. A ?IIV5-3, por exemplo, melhora o controle de qualidade de prote\u00edna e restaura o metabolismo celular. Mas n\u00e3o adianta restaurar o controle de qualidade se tiver pouco ATP na c\u00e9lula, pois o proteassoma precisa de muita energia para funcionar\u201d, disse o pesquisador.<\/p>\n<p>Para Ferreira, o exerc\u00edcio f\u00edsico \u00e9 uma terapia complementar importante. Pode ajudar a diminuir a dose do rem\u00e9dio e, consequentemente, seus efeitos adversos, al\u00e9m de melhorar a qualidade de vida.<\/p>\n<p>O pesquisador ressaltou, no entanto, a import\u00e2ncia de acompanhamento profissional durante o treinamento f\u00edsico de portadores de doen\u00e7as cardiovasculares. \u201cO esfor\u00e7o excessivo e mal planejado pode piorar o quadro em vez de ajudar\u201d, alertou.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0Exercise Training Restores Cardiac Protein Quality Control in Heart Failure\u00a0(doi: 10.1371\/journal.pone.0052764), pode ser lido em<a href=\"http:\/\/www.plosone.org\/article\/info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pone.0052764\" target=\"_blank\">www.plosone.org\/article\/info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pone.0052764<\/a>.<\/p>\n<p>Por Karina Toledo<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um estudo realizado na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e divulgado na revista\u00a0PLoS One\u00a0mostrou que a pr\u00e1tica de exerc\u00edcios f\u00edsicos aer\u00f3bicos \u00e9 capaz de interromper o processo degenerativo observado na insufici\u00eancia card\u00edaca, doen\u00e7a caracterizada pela incapacidade do cora\u00e7\u00e3o de bombear sangue adequadamente. 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