{"id":42150,"date":"2013-01-17T14:58:19","date_gmt":"2013-01-17T16:58:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=42150"},"modified":"2013-01-17T14:58:19","modified_gmt":"2013-01-17T16:58:19","slug":"brasil-deve-liderar-integracao-economica-da-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2013\/brasil-deve-liderar-integracao-economica-da-america-latina\/42150","title":{"rendered":"Brasil deve liderar integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"<p>A expans\u00e3o dos investimentos das empresas de pa\u00edses centrais para perif\u00e9ricos nos \u00faltimos 30 anos provocou uma polariza\u00e7\u00e3o sem precedentes na <em><strong>economia global<\/strong> <\/em>em que, de um lado, h\u00e1 hoje um conjunto de na\u00e7\u00f5es, como as do Leste Asi\u00e1tico, que se beneficiaram desse fluxo de capital e se tornaram industrializadas. No outro extremo restou outro grupo, formado por pa\u00edses desenvolvidos, como os Estados Unidos e os da Uni\u00e3o Europeia, al\u00e9m de emergentes, a exemplo do Brasil, que passam atualmente por um processo de desindustrializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para sobreviver a essas mudan\u00e7as na din\u00e2mica da economia global, os pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina precisam se integrar economicamente. E esse processo pode \u2013 e deve \u2013 ser liderado pelo Brasil.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o foi feita por Luiz Gonzaga Belluzzo, professor do Instituto de Economia (IE) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Faculdade de Campinas (Facamp), durante oThe Fourth Latin American Advanced Programme on Rethinking Macro and Development Economics\u00a0(Laporde), realizado nos dias 7 a 11 de janeiro na Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV), em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Organizado pelo Centro de Estudos de Macroeconomia Estruturalista do Desenvolvimento (Cemacro) da Escola de Economia de S\u00e3o Paulo (EESP), da FGV, o objetivo do evento, realizado no \u00e2mbito do programa Escola S\u00e3o Paulo de Ci\u00eancia Avan\u00e7ada (ESPCA) da FAPESP, foi discutir sobre macroeconomia do desenvolvimento sob diferentes perspectivas.<\/p>\n<p>O encontro contou com a participa\u00e7\u00e3o dos professores Ha-Joon Chang e Gabriel Palma, da Universidade de Cambridge (Inglaterra), Jan Kregel, da Universidade do Missouri (Estados Unidos), e Jan Priewe, da Universidade HTW Berlin (Alemanha). Al\u00e9m de Beluzzo, Luiz Carlos Bresser-Pereira, da FGV, e Nelson Barbosa, secret\u00e1rio-executivo do Minist\u00e9rio da Fazenda, foram os conferencistas brasileiros.<\/p>\n<p>De acordo com Belluzzo, a reconfigura\u00e7\u00e3o da economia global observada hoje &#8211; na qual alguns pa\u00edses, como a China, conseguiram obter saltos econ\u00f4micos e passaram a concentrar a produ\u00e7\u00e3o manufatureira mundial &#8211; n\u00e3o tem paralelo na Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Isso porque, diferentemente do que ocorreu no s\u00e9culo 19, quando pa\u00edses como por exemplo os Estados Unidos e a Alemanha emergiram como pot\u00eancias industriais de forma isolada e mudaram os rumos da economia mundial, o que se assiste atualmente na \u00c1sia \u00e9 \u00e0 forma\u00e7\u00e3o in\u00e9dita de uma economia regional com alto grau de integra\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o manufatureira.<\/p>\n<p>\u201cA economia asi\u00e1tica se transformou em um polo manufatureiro de grande produtividade e integra\u00e7\u00e3o em que alguns pa\u00edses, como a China, produzem pe\u00e7as e componentes de bens de consumo, e outros, como o Jap\u00e3o, s\u00e3o fornecedores de bens de capital &#8211; o que \u00e9 espantoso e n\u00e3o tem precedentes hist\u00f3ricos. Ainda h\u00e1 2,6 bilh\u00f5es de pessoas na regi\u00e3o que est\u00e3o dispon\u00edveis para serem incorporados [como m\u00e3o de obra] a esse sistema produtivo\u201d, ressaltou Belluzzo, que \u00e9 membro do Conselho Superior da FAPESP.<\/p>\n<p>A China j\u00e1 exporta mais bens de consumo, como vestu\u00e1rio, para os Estados Unidos, Canad\u00e1 e M\u00e9xico do que os 27 pa\u00edses que formam a Uni\u00e3o Europeia. E, al\u00e9m de produzir e exportar produtos de menor valor agregado, o pa\u00eds asi\u00e1tico avan\u00e7a para \u00e1reas de tecnologia mais avan\u00e7ada, como maquin\u00e1rios el\u00e9tricos e componentes e equipamentos de inform\u00e1tica.<\/p>\n<p>Por meio de mecanismos de absor\u00e7\u00e3o de tecnologias, a China tamb\u00e9m j\u00e1 atraiu boa parte dos sistemas de pesquisa e desenvolvimento que estavam ligados a grandes empresas europeias e norte-americanas.<\/p>\n<p>\u201cSe esse movimento de gradua\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e integra\u00e7\u00e3o regional continuar no atual ritmo na \u00c1sia, provavelmente haver\u00e1 uma tremenda polariza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o manufatureira global pelos pa\u00edses da regi\u00e3o, que \u00e9 insuport\u00e1vel do ponto de vista do desenvolvimento de outras na\u00e7\u00f5es, inclusive das desenvolvidas\u201d, afirmou Belluzzo.<\/p>\n<p>Para enfrentar o avan\u00e7o da economia regional asi\u00e1tica, que come\u00e7a a desenvolver institui\u00e7\u00f5es monet\u00e1rias e financeiras pr\u00f3prias, segundo Belluzzo, os pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina devem se integrar economicamente.<\/p>\n<p>Isso porque, de acordo com ele, os pa\u00edses da regi\u00e3o n\u00e3o t\u00eam escala de produ\u00e7\u00e3o para sobreviver isoladamente como uma economia industrial moderna.<\/p>\n<p>\u201cO \u00fanico pa\u00eds na Am\u00e9rica Latina que re\u00fane os requisitos para enfrentar o avan\u00e7o dos asi\u00e1ticos com aumento de escala de produ\u00e7\u00e3o \u00e9 o Brasil. Mas o Brasil tamb\u00e9m n\u00e3o ir\u00e1 sobreviver sem avan\u00e7ar na integra\u00e7\u00e3o com os outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina. Em fun\u00e7\u00e3o disso e por ser a economia que tem mais condi\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o, ter\u00e1 que liderar esse processo\u201d, disse Belluzzo.<\/p>\n<p>Segundo o professor, com o Mercosul foi poss\u00edvel avan\u00e7ar na quest\u00e3o da integra\u00e7\u00e3o comercial dos pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul. Mas, a fim de ampliar esse projeto para a Am\u00e9rica Latina, \u00e9 preciso se pensar na cria\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es financeiras, como um banco, para apoiar projetos de investimento nos pa\u00edses da regi\u00e3o e auxili\u00e1-los a caminhar na dire\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o econ\u00f4mico \u00fanico, a exemplo do que se constr\u00f3i na \u00c1sia.<\/p>\n<p>\u201cA integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da Am\u00e9rica Latina \u00e9 inevit\u00e1vel para os pa\u00edses da regi\u00e3o sobreviverem ao surgimento do espa\u00e7o econ\u00f4mico que surgiu na \u00c1sia a partir de um novo movimento competitivo\u201d, afirmou Belluzzo.<\/p>\n<p>\u201cHoje, n\u00e3o h\u00e1 mais competitividade entre os pa\u00edses. S\u00e3o sistemas empresariais e produtivos que competem. Por isso, os pa\u00edses t\u00eam que adotar pol\u00edticas de defesa de suas economias nacionais, que s\u00e3o muito diferentes daquelas que prevaleciam no passado\u201d, destacou Bellluzzo, que foi secret\u00e1rio de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica do Minist\u00e9rio da Fazenda (1985 a 1987) e secret\u00e1rio de Ci\u00eancia e Tecnologia do Estado de S\u00e3o Paulo (1988 a 1990).<\/p>\n<p>Origens do fen\u00f4meno<\/p>\n<p>De acordo com Beluzzo, essa nova forma de funcionamento da economia global, com o deslocamento dos investimentos produtivos dos pa\u00edses centrais para os perif\u00e9ricos, foi iniciada na d\u00e9cada de 1980 e se acentuou na seguinte. O movimento coincide com mudan\u00e7as que ocorreram nas pol\u00edticas econ\u00f4micas dos pa\u00edses desenvolvidos.<\/p>\n<p>A partir da d\u00e9cada de 1990, em fun\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as no regime de pol\u00edtica econ\u00f4mica dos Estados Unidos, a conta de capital americana (que registra as transa\u00e7\u00f5es de fundos, empr\u00e9stimos e transfer\u00eancias do pa\u00eds) come\u00e7ou a se tornar superavit\u00e1ria (positiva).<\/p>\n<p>Em contrapartida, sua conta corrente \u2013 que registra as entradas e sa\u00eddas relacionadas ao com\u00e9rcio de bens e servi\u00e7os e pagamentos de transfer\u00eancias, como o financiamento das empresas para realiza\u00e7\u00e3o de investimento externo \u2013 passou a ser sistematicamente deficit\u00e1ria (negativa).<\/p>\n<p>J\u00e1 a conta corrente chinesa, que at\u00e9 o in\u00edcio dos anos de 1990 oscilava entre pequenos d\u00e9ficits e pequenos super\u00e1vits, a partir de dessa \u00e9poca come\u00e7ou a ficar claramente superavit\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u201cIsso bate exatamente com o movimento de capitais americanos para o exterior. Nessa \u00e9poca, houve um grande deslocamento de empresas americanas para a China\u201d, explicou Belluzzo.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, segundo o economista, intensificou-se o investimento de empresas tanto norte-americanas como europeias na \u00c1sia \u2013 sobretudo na China. Como consequ\u00eancia desse fen\u00f4meno, a economia dos pa\u00edses de origem desses investimentos e dos que concorrem com a China, como o Brasil, passam hoje por um processo de desindustrializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cClaramente, assim como a economia americana, a europeia e a brasileira est\u00e3o se desindustrializando. O Brasil est\u00e1 perdendo elos importantes da cadeia industrial, como o setor de bens de capital, que est\u00e1 encolhendo\u201d, disse Belluzzo.<\/p>\n<p>Entretanto, na opini\u00e3o do economista, o pa\u00eds n\u00e3o est\u00e1 condenado a sofrer uma desindustrializa\u00e7\u00e3o devastadora. \u201cO Brasil tem uma possibilidade muito grande de desenvolver certos setores que est\u00e3o ligados, por exemplo, \u00e0 explora\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-sal, e exercer o protagonismo na integra\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Apoio da FAPESP<\/p>\n<p>Realizado desde 2008 pela FGV, o Laporde \u00e9 baseado na experi\u00eancia do Cambridge Advance Programme on Rethinking Development Economics (Caporde), promovido pela Universidade de Cambridge no per\u00edodo de 2002 a 2008.<\/p>\n<p>O evento, apoiado pela primeira vez pela FAPESP, reuniu 40 estudantes de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o &#8211; metade do Brasil e o restante de diversos pa\u00edses -, que tiveram suas despesas de viagem, transporte, acomoda\u00e7\u00e3o e alimenta\u00e7\u00e3o, pagas pela Funda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cO apoio da FAPESP fez com que receb\u00eassemos um n\u00famero maior de estudantes estrangeiros, de diferentes regi\u00f5es do mundo, e de melhor qualidade do que das edi\u00e7\u00f5es anteriores\u201d, disse Bresser-Pereira, coordenador do evento, \u00e0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>\u201cTivemos que recusar a participa\u00e7\u00e3o de um n\u00famero grande tanto de estudantes brasileiros, como de estrangeiros, em fun\u00e7\u00e3o do aumento do n\u00famero de candidaturas. E isso foi gra\u00e7as \u00e0 FAPESP\u201d, avaliou Bresser-Pereira.<\/p>\n<p>Por Elton Alisson<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A expans\u00e3o dos investimentos das empresas de pa\u00edses centrais para perif\u00e9ricos nos \u00faltimos 30 anos provocou uma polariza\u00e7\u00e3o sem precedentes na economia global em que, de um lado, h\u00e1 hoje um conjunto de na\u00e7\u00f5es, como as do Leste Asi\u00e1tico, que se beneficiaram desse fluxo de capital e se tornaram industrializadas. 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