{"id":42133,"date":"2013-01-16T14:20:56","date_gmt":"2013-01-16T16:20:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=42133"},"modified":"2013-01-16T14:20:56","modified_gmt":"2013-01-16T16:20:56","slug":"terapia-com-celulas-tronco-pode-estimular-a-regeneracao-do-figado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2013\/terapia-com-celulas-tronco-pode-estimular-a-regeneracao-do-figado\/42133","title":{"rendered":"Terapia com c\u00e9lulas-tronco pode estimular a regenera\u00e7\u00e3o do f\u00edgado"},"content":{"rendered":"<p>Uma terapia \u00e0 base de<em><strong> c\u00e9lulas-tronco<\/strong><\/em> da placenta humana reduziu em 50% o desenvolvimento de fibrose hep\u00e1tica em experimento feito com ratos. Os pesquisadores acreditam que o benef\u00edcio se deve a subst\u00e2ncias produzidas pelas c\u00e9lulas da membrana amni\u00f3tica \u2013 parte interna da placenta \u2013 capazes de estimular a regenera\u00e7\u00e3o do f\u00edgado. O pr\u00f3ximo passo \u00e9 identificar e isolar essas mol\u00e9culas, o que abriria caminho para o desenvolvimento de novos medicamentos.<\/p>\n<p>A fibrose hep\u00e1tica \u00e9 uma doen\u00e7a resultante de agress\u00f5es sucessivas ao f\u00edgado, como aquelas causadas pelo consumo excessivo de \u00e1lcool ou por hepatites virais, explicou Luciana Barros Sant\u2019Anna, pesquisadora da Universidade do Vale do Para\u00edba (Univap), onde a investiga\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo conduzida com\u00a0<a href=\"http:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/46457\/potencial-transplante-membrana-amniotica-humana\/\" target=\"_blank\">apoio da FAPESP.\u00a0<\/a><\/p>\n<p>\u201cEmbora as c\u00e9lulas do f\u00edgado tenham enorme capacidade de se proliferar e de regenerar o \u00f3rg\u00e3o, elas acabam morrendo depois de inflama\u00e7\u00f5es recorrentes e s\u00e3o substitu\u00eddas por col\u00e1geno\u201d, explicou a pesquisadora.<\/p>\n<p>A cirrose \u00e9 o est\u00e1gio terminal da doen\u00e7a e o \u00fanico tratamento dispon\u00edvel nesse caso \u00e9 o transplante de f\u00edgado. Mas essa op\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 vi\u00e1vel para muitos pacientes e, por esse motivo, pesquisadores de todo o mundo buscam meios de impedir o agravamento do problema.<\/p>\n<p>A metodologia desenvolvida pelo grupo da Univap, em parceria com o Centro di Ricerca E.Menni (CREM), na It\u00e1lia, consiste em envolver o f\u00edgado dos ratos com a membrana amni\u00f3tica humana ainda fresca, ou seja, menos de 48 horas ap\u00f3s a coleta no hospital.<\/p>\n<p>\u201cEssa membrana faz parte da placenta e \u00e9 a respons\u00e1vel pela produ\u00e7\u00e3o do l\u00edquido amni\u00f3tico durante a gesta\u00e7\u00e3o. Normalmente, todo esse tecido \u00e9 descartado ap\u00f3s o parto\u201d, disse Sant\u2019Anna.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a assinatura de um termo de consentimento pelas gestantes, a membrana \u2013 que tem aproximadamente 20 por 30 cent\u00edmetros de tamanho e entre 2 e 3 mil\u00edmetros de espessura \u2013 foi coletada, destacada da placenta e levada para o laborat\u00f3rio, onde passou por lavagem com uma solu\u00e7\u00e3o de antibi\u00f3ticos e antif\u00fangicos.<\/p>\n<p>Em seguida, o tecido foi fragmentado em peda\u00e7os de 6 por 9 cent\u00edmetros, tamanho suficiente para envolver completamente o f\u00edgado de um rato.<\/p>\n<p>Para induzir o surgimento de fibrose nos animais, os cientistas amarraram em dois pontos o ducto biliar, canal que liga o f\u00edgado ao duodeno e serve para o transporte de bile.<\/p>\n<p>\u201cEm muitos casos, a fibrose \u00e9 causada pelo estreitamento do ducto biliar, que pode ser resultado de um problema cong\u00eanito ou de um c\u00e1lculo. Como a bile n\u00e3o consegue passar, a press\u00e3o no f\u00edgado aumenta e o \u00f3rg\u00e3o fica inflamado. O modelo animal usado no experimento simula essa situa\u00e7\u00e3o\u201d, explicou Sant\u2019Anna.<\/p>\n<p>Quinze dias ap\u00f3s a ligadura do ducto, os animais come\u00e7aram a desenvolver a fibrose. Aos 28 dias, j\u00e1 apresentavam a doen\u00e7a em est\u00e1gio avan\u00e7ado.<\/p>\n<p>O experimento foi feito com um grupo de 40 ratos. Metade recebeu a membrana logo ap\u00f3s a sutura do ducto biliar. Na outra metade, os cientistas apenas simularam a coloca\u00e7\u00e3o do tecido, para que todas as cobaias fossem submetidas ao estresse da cirurgia.<\/p>\n<p>\u201cA membrana tem uma flexibilidade muito boa e adere facilmente ao f\u00edgado. A fixa\u00e7\u00e3o foi auxiliada por uma cola espec\u00edfica\u201d, disse a pesquisadora.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s quatro semanas, metade dos animais de cada grupo foi sacrificada e teve o f\u00edgado retirado para an\u00e1lise. Na sexta semana ap\u00f3s a coloca\u00e7\u00e3o da membrana, a outra metade teve o \u00f3rg\u00e3o removido.<\/p>\n<p>Redu\u00e7\u00e3o de danos<\/p>\n<p>Os animais que receberam a membrana apresentaram 50% menos fibrose do que os membros do outro grupo. Ao comparar os animais em per\u00edodos diferentes, de quatro e de seis semanas, os cientistas verificaram que a terapia n\u00e3o impediu o surgimento da doen\u00e7a, mas reduziu a severidade e inibiu a progress\u00e3o para o est\u00e1gio de cirrose.<\/p>\n<p>As an\u00e1lises foram feitas com aux\u00edlio de Nilson Sant\u2019 Anna, chefe do Laborat\u00f3rio de Computa\u00e7\u00e3o Aplicada do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). A quantifica\u00e7\u00e3o da fibrose foi realizada por meio de um sistema digital de imagem que permitiu identificar, isolar e medir precisamente as \u00e1reas do f\u00edgado ocupadas pelo excesso de col\u00e1geno.<\/p>\n<p>\u201cEste sistema de an\u00e1lise quantitativa de imagem opera de maneira autom\u00e1tica e possibilitou a an\u00e1lise r\u00e1pida e simult\u00e2nea da fibrose em 1.800 imagens histol\u00f3gicas\u201d, explicou Nilson.<\/p>\n<p>Os resultados foram premiados no 3\u00ba Tissue Engineeringand Regenerative Medicine World Congress, realizado na \u00c1ustria em 2012. Tamb\u00e9m foram publicados em<a href=\"http:\/\/www.ingentaconnect.com\/content\/cog\/ct\/2011\/00000020\/00000003\/art00008\" target=\"_blank\">\u00a0artigo<\/a>\u00a0na revista\u00a0Cell Transplantation.<\/p>\n<p>\u201cAlguns grupos de pesquisa j\u00e1 isolaram as c\u00e9lulas-tronco da membrana amni\u00f3tica e est\u00e3o trabalhando com elas separadamente. Optamos por usar a membrana amni\u00f3tica fresca por ser um processo r\u00e1pido e menos custoso, al\u00e9m de preservar as c\u00e9lulas em seu habitat, isto \u00e9, na matriz extracelular\u201d, disse Sant\u2019Anna.<\/p>\n<p>O objetivo do grupo agora, de acordo com a pesquisadora, \u00e9 descobrir exatamente quais s\u00e3o as subst\u00e2ncias produzidas pelas c\u00e9lulas da membrana amni\u00f3tica e como elas atuam.<\/p>\n<p>\u201cTeremos de isolar as c\u00e9lulas-tronco e coloc\u00e1-las em um meio de cultura para depois analisar, por t\u00e9cnicas de biologia molecular, quais mol\u00e9culas elas est\u00e3o produzindo. No futuro, isso poderia ser sintetizado em laborat\u00f3rio e virar um medicamento\u201d, disse.<\/p>\n<p>Antes disso, por\u00e9m, os pesquisadores est\u00e3o conduzindo um novo experimento com ratos no qual a membrana \u00e9 aplicada no f\u00edgado duas semanas ap\u00f3s a ligadura do ducto biliar, quando o processo de fibrose j\u00e1 teve in\u00edcio.<\/p>\n<p>\u201cA ideia \u00e9 simular uma situa\u00e7\u00e3o mais parecida com a que acontece com os humanos. Geralmente, quando a doen\u00e7a \u00e9 diagnosticada, boa parte do \u00f3rg\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 comprometida\u201d, contou.<\/p>\n<p>O grupo n\u00e3o descarta a possibilidade de fazer o experimento tamb\u00e9m em humanos. Nesse caso, por\u00e9m, ainda n\u00e3o poderia ser usada a membrana fresca por causa do risco de infec\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s apenas coletamos a placenta de mulheres cujos exames sorol\u00f3gicos sejam negativos para doen\u00e7as como s\u00edfilis, HIV, toxoplasmose e hepatite. Mas a gestante pode estar em uma janela imunol\u00f3gica no momento do parto\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Para evitar riscos, a membrana tem de ser congelada a menos 70 graus Celsius ap\u00f3s a desinfec\u00e7\u00e3o, e a gestante deve ser submetida a novos exames seis meses ap\u00f3s o parto. O congelamento, no entanto, parece reduzir em cerca de 40% a viabilidade das c\u00e9lulas-tronco.<\/p>\n<p>A grande vantagem do m\u00e9todo, afirmou a pesquisadora, \u00e9 que a placenta \u00e9 uma fonte de c\u00e9lulas-tronco segura e de f\u00e1cil acesso. Como elas produzem subst\u00e2ncias imunomoduladoras, que originalmente t\u00eam a fun\u00e7\u00e3o de evitar que o beb\u00ea seja rejeitado pelo organismo materno, n\u00e3o h\u00e1 risco de causarem rejei\u00e7\u00e3o nos receptores, sejam eles humanos ou de outras esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m disso, n\u00e3o existem complica\u00e7\u00f5es legais, \u00e9ticas ou religiosas para a coleta e uso dessas c\u00e9lulas em pesquisas, uma vez que n\u00e3o s\u00e3o c\u00e9lulas embrion\u00e1rias e sua obten\u00e7\u00e3o n\u00e3o requer procedimentos invasivos\u201d, acrescentou Sant\u2019Anna.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0Amniotic Membrane Application Reduces Liver Fibrosis in a Bile Duct Ligation Rat Model(doi: 10.3727\/096368910X522252), de\u00a0Luciana Sant&#8217;Anna e outros, pode ser lido em:\u00a0<a href=\"http:\/\/%20http\/\/www.ingentaconnect.com\/content\/cog\/ct\/2011\/00000020\/00000003\/art00008\" target=\"_blank\">www.ingentaconnect.com\/content\/cog\/ct\/2011\/00000020\/00000003\/art00008<\/a>.<\/p>\n<p>Por Karina Toledo<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma terapia \u00e0 base de c\u00e9lulas-tronco da placenta humana reduziu em 50% o desenvolvimento de fibrose hep\u00e1tica em experimento feito com ratos. 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