{"id":41740,"date":"2012-12-18T14:25:18","date_gmt":"2012-12-18T16:25:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=41740"},"modified":"2012-12-18T14:25:18","modified_gmt":"2012-12-18T16:25:18","slug":"dende-fonte-de-oleo-para-biodiesel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2012\/dende-fonte-de-oleo-para-biodiesel\/41740","title":{"rendered":"Dend\u00ea: fonte de \u00f3leo para biodiesel"},"content":{"rendered":"<p>Do DNA ao aproveitamento de res\u00edduos, o <em><strong>dend\u00ea<\/strong><\/em> \u00e9 objeto de estudo em v\u00e1rias \u00e1reas de trabalho da Embrapa em conjunto com seus parceiros. O interesse dos pesquisadores pela palmeira est\u00e1 na alta produtividade de \u00f3leo, que pode chegar a 6.000 quilos por hectare (kg\/ha). A planta tem sido apontada como principal alternativa para aumentar a participa\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o Norte do pa\u00eds no Programa Nacional de Produ\u00e7\u00e3o e Uso de Biodiesel, bem como para diversificar as mat\u00e9rias-primas para esse biocombust\u00edvel. Atualmente, mais de 80% do \u00f3leo utilizado na produ\u00e7\u00e3o de biodiesel vem da soja, que produz cerca de 550 kg de \u00f3leo\/ha.<\/p>\n<p>H\u00e1 que se considerar tamb\u00e9m a necessidade de um maior volume de \u00f3leos para atender ao crescimento da demanda por biodiesel. S\u00f3 nos \u00faltimos doze anos, a frota brasileira de autom\u00f3veis aumentou 150%. Al\u00e9m disso, o governo estuda aumentar de 5% para 10% ou mais a adi\u00e7\u00e3o do biocombust\u00edvel ao \u00f3leo diesel. Soma-se a isso a necessidade de mat\u00e9ria-prima para o mercado de biocombust\u00edveis de avia\u00e7\u00e3o, que come\u00e7a a despontar.<\/p>\n<p>Contudo, \u201cpara que o dend\u00ea possa ganhar uma fatia maior nos gr\u00e1ficos que apresentam a participa\u00e7\u00e3o das diferentes mat\u00e9rias-primas na fabrica\u00e7\u00e3o de biodiesel, ser\u00e1 preciso aumentar significativamente a produ\u00e7\u00e3o brasileira dessa palmeira\u201d, pondera o chefe-geral da Embrapa Agroenergia, Manoel Teixeira Souza J\u00fanior. Atualmente, o Pa\u00eds importa aproximadamente 60% do \u00f3leo de dend\u00ea que consome. Terras dispon\u00edveis existem. O zoneamento realizado pela Embrapa identificou mais de 30 milh\u00f5es de hectares de terras fora de \u00e1reas protegidas que s\u00e3o aptas para o cultivo.<\/p>\n<p>Barreiras<br \/>\nA expans\u00e3o, no entanto, depende do aumento de oferta de sementes de variedades de alta qualidade gen\u00e9tica desenvolvidas especialmente para o Brasil. Com objetivo de avan\u00e7ar nesta \u00e1rea, a Embrapa Agroenergia tem usado recursos como a Gen\u00f4mica, a Fen\u00f4mica e a Metabol\u00f4mica para construir uma base de dados que d\u00ea suporte aos programas de melhoramento gen\u00e9tico da cultura, que s\u00e3o desenvolvidos principalmente nas unidades Amaz\u00f4nia Ocidental e Oriental. O trabalho est\u00e1 focado n\u00e3o s\u00f3 no dend\u00ea, mas tamb\u00e9m no caiau\u00e9.<br \/>\nEnquanto o dend\u00ea tem origem africana, o caiau\u00e9 \u00e9 nativo das Am\u00e9ricas. A caracter\u00edstica dessa esp\u00e9cie que tem despertado a aten\u00e7\u00e3o dos pesquisadores \u00e9 a resist\u00eancia ao amarelecimento fatal, principal doen\u00e7a que acomete o dend\u00ea, cuja causa \u00e9 ainda desconhecida apesar de ser buscada h\u00e1 mais de 20 anos. A Embrapa j\u00e1 desenvolveu um h\u00edbrido interespec\u00edfico entre o caiau\u00e9 e o dend\u00ea, o BRS Manicor\u00e9. Al\u00e9m de ser resistente ao amarelecimento fatal, ele possui produ\u00e7\u00e3o de cachos e \u00f3leo bastante pr\u00f3xima ao dend\u00ea \u2013 quando a poliniza\u00e7\u00e3o assistida \u00e9 realizada.<\/p>\n<p>Apesar da import\u00e2ncia que tem para os programas de melhoramento, pouco se conhece sobre a diversidade gen\u00e9tica do caiau\u00e9. Por isso, a Embrapa Agroenergia extraiu o DNA de amostras de folhas dos mais de 200 acessos pertencentes ao Banco Ativo de Germoplasma (BAG) de caiau\u00e9 da Embrapa Amaz\u00f4nia Ocidental, a fim de realizar um amplo estudo de diversidade baseado na aplica\u00e7\u00e3o de marcadores moleculares. \u201cConhecer a diversidade gen\u00e9tica do caiau\u00e9 \u00e9 fundamental para otimizar os programas de melhoramento do dend\u00ea e o desenvolvimento de novos h\u00edbridos entre as duas esp\u00e9cies\u201d, afirma o pesquisador Alexandre Alonso, da Embrapa Agroenergia.<\/p>\n<p>Genoma<br \/>\nAl\u00e9m de contribuir na elucida\u00e7\u00e3o da diversidade gen\u00e9tica do caiau\u00e9, a Embrapa Agroenergia tamb\u00e9m est\u00e1 criando um grande banco de dados gen\u00f4micos. O primeiro trabalho foi reestimar o tamanho do genoma de esp\u00e9cies do g\u00eanero Elaeis, ao qual pertencem tanto o dend\u00ea quanto caiau\u00e9, por meio de citometria de fluxo. Os resultados deste trabalho demonstraram que os genomas das esp\u00e9cies s\u00e3o similares em tamanho e que, de fato, o do caiau\u00e9 \u00e9 ligeiramente maior. \u201cEsse grande banco de dados gen\u00f4micos que estamos criando servir\u00e1 de base posteriormente para a descoberta e valida\u00e7\u00e3o de genes de interesse e marcadores moleculares para utilizarmos nos programa de melhoramento\u201d, ressalta Alonso. Em paralelo, uma planta de caiau\u00e9 foi totalmente sequenciada, o que resultou em uma montagem inicial para este gen\u00f3tipo na qual a Embrapa esta trabalhando. Nos pr\u00f3ximos anos a &#8220;Embrapa Agroenergia, em conjunto com outras unidades parceiras, vai publicar o draft do genoma de Elaeis oleifera, incluindo a descri\u00e7\u00e3o dos genes da esp\u00e9cie&#8221;, adianta o pesquisador.<\/p>\n<p>Amostras de folhas de dendezeiros tamb\u00e9m est\u00e3o sendo estudadas utilizando duas t\u00e9cnicas avan\u00e7adas: a Metabol\u00f4mica e a Metagen\u00f4mica. Por meio da primeira delas, \u00e9 poss\u00edvel identificar e quantificar os metab\u00f3litos de um organismo, o que permite a defini\u00e7\u00e3o de alvos para o melhoramento gen\u00e9tico. \u201cAtualmente, a equipe est\u00e1 desenvolvendo um protocolo de extra\u00e7\u00e3o eficiente para os metab\u00f3litos majorit\u00e1rios presentes em folhas de dend\u00ea, aperfei\u00e7oando as condi\u00e7\u00f5es desde colheita, moagem e secagem do material, extra\u00e7\u00e3o com solventes, at\u00e9 armazenamento do extrato, para preservar os metab\u00f3litos presentes na folha sem que haja degrada\u00e7\u00e3o qu\u00edmica\u201d, conta a pesquisadora Patr\u00edcia Abdelnur, tamb\u00e9m da Embrapa Agroenergia.<\/p>\n<p>A Metagen\u00f4mica, por sua vez, est\u00e1 sendo empregada com o objetivo de estudar os microrganismos presentes no solo associado a essas plantas e identificar poss\u00edveis agentes causadores do amarelecimento fatal. Com as ferramentas metagen\u00f4micas, os cientistas conseguem isolar genes de microrganismos mesmo sem cultiv\u00e1-los. A pesquisadora Bet\u00e2nia Quirino explica que isso \u00e9 importante porque apenas 1% dos microrganismos \u00e9 cultiv\u00e1vel. \u201cCom essa ferramenta que estamos utilizando, podemos explorar toda a diversidade metab\u00f3lica dos microrganismos presentes no solo\u201d, diz. Os microrganismos encontrados tamb\u00e9m ser\u00e3o analisados quanto \u00e0 sua capacidade de produzir insumos para a produ\u00e7\u00e3o de etanol celul\u00f3sico \u2013 produzido a partir de baga\u00e7o de cana, capins, res\u00edduos florestais etc.<\/p>\n<p>Biodiesel e aproveitamento de res\u00edduos<\/p>\n<p>A equipe da Embrapa Agroenergia dedicada \u00e0 pesquisa de processos para a obten\u00e7\u00e3o de produtos agroenerg\u00e9ticos est\u00e1 estudando a produ\u00e7\u00e3o de biodiesel a partir do \u00f3leo de dend\u00ea. De acordo com a pesquisadora It\u00e2nia Soares, esse \u00f3leo normalmente apresenta uma acidez maior do que o \u00f3leo de soja. Por causa disso, as condi\u00e7\u00f5es para a rea\u00e7\u00e3o qu\u00edmica que produz o biodiesel (a transesterifica\u00e7\u00e3o) s\u00e3o diferentes, o que implica a necessidade de ajustes. \u201cNossos estudos visam \u00e0 redu\u00e7\u00e3o de custos, etapas e gera\u00e7\u00e3o de efluentes na produ\u00e7\u00e3o do biodiesel de palma\u201d, especifica. O desenvolvimento de metodologia de controle de qualidade da mistura diesel\/biodiesel de palma \u00e9 outro objetivo das pesquisas.<br \/>\nPensando no aproveitamento m\u00e1ximo da biomassa proveniente do dend\u00ea, tamb\u00e9m est\u00e3o sendo estudados usos para os cachos vazios, chamados de enga\u00e7os. Para cada tonelada de \u00f3leo de dend\u00ea, \u00e9 gerada cerca de 1,1 tonelada desse res\u00edduo. O aproveitamento dele agregaria valor \u00e0 cadeia produtiva e evitaria que eles se tornassem um passivo ambiental. Na opini\u00e3o do pesquisador Leonardo Valadares, \u201ca utiliza\u00e7\u00e3o integral do dend\u00ea \u00e9 essencial para a sustentabilidade do neg\u00f3cio\u201d.<br \/>\nOs enga\u00e7os s\u00e3o ricos em celulose. O trabalho da Embrapa consiste justamente em extrair deles nanofibras de celulose, que podem ter v\u00e1rios usos, entre eles produ\u00e7\u00e3o de papel e refor\u00e7o da borracha natural. \u201cA celulose \u00e9 um material biodegrad\u00e1vel e com propriedades que a tornam \u00fatil em diversas aplica\u00e7\u00f5es\u201d, destaca Valadares.<\/p>\n<p>Outro res\u00edduo que a Embrapa Agronergia vai estudar \u00e9 o POME, um efluente gerado no processo de extra\u00e7\u00e3o do \u00f3leo. Rico em nutriente, atualmente ele \u00e9 utilizado na fertirriga\u00e7\u00e3o dos dendezais. Com o trabalho que vai desenvolver, o centro pretende encontrar alternativas de uso para o efluente.<\/p>\n<p>Agroenergia: focando em solu\u00e7\u00f5es &#8211; da biomassa \u00e0 energia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Do DNA ao aproveitamento de res\u00edduos, o dend\u00ea \u00e9 objeto de estudo em v\u00e1rias \u00e1reas de trabalho da Embrapa em conjunto com seus parceiros. O interesse dos pesquisadores pela palmeira est\u00e1 na alta produtividade de \u00f3leo, que pode chegar a 6.000 quilos por hectare (kg\/ha). 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