{"id":41682,"date":"2012-12-12T09:47:42","date_gmt":"2012-12-12T11:47:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=41682"},"modified":"2012-12-12T09:47:42","modified_gmt":"2012-12-12T11:47:42","slug":"teste-molecular-podera-evitar-cirurgia-desnecessaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2012\/teste-molecular-podera-evitar-cirurgia-desnecessaria\/41682","title":{"rendered":"Teste molecular poder\u00e1 evitar cirurgia desnecess\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p>Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 O tratamento padr\u00e3o para c\u00e2ncer de reto atualmente envolve a chamada <em><strong>terapia neoadjuvante<\/strong><\/em> \u2013 que consiste em aplicar quimioterapia e radioterapia para reduzir o tamanho do tumor \u2013, seguida por uma cirurgia invasiva que, na maioria dos casos, tem grande impacto na qualidade de vida do doente.<\/p>\n<p>Uma parcela significativa dos pacientes reponde t\u00e3o bem \u00e0 terapia neoadjuvante que poderia at\u00e9 mesmo ser dispensada da cirurgia. Cientistas do Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o C\u00e2ncer, do Centro de Oncologia Molecular do Hospital S\u00edrio-Liban\u00eas e do Instituto Angelita &amp; Joaquim Gama trabalham no desenvolvimento de um teste molecular com o objetivo de auxiliar os m\u00e9dicos a identificar esses casos.<\/p>\n<p>Os resultados preliminares da pesquisa, que conta com\u00a0<a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/projetos-regulares\/31898\/tratamento-neoadjuvante-cancer-reto-identificacao\" target=\"_blank\">apoio da FAPESP<\/a>, foram apresentados por Anamaria Aranha Camargo, diretora do Instituto Ludwig, no dia 11 de dezembro, durante o evento\u00a0<a href=\"http:\/\/www.fapesp.br\/fronteras\" target=\"_blank\">\u201cFronteras de la Ciencia \u2013 Brasil y Espa\u00f1a en los 50 a\u00f1os de la FAPESP<\/a>.<\/p>\n<p>O simp\u00f3sio integra as comemora\u00e7\u00f5es dos 50 anos da FAPESP e re\u00fane, nas cidades de Salamanca (10 a 12\/12) e Madri (13 e 14\/12), pesquisadores do Estado de S\u00e3o Paulo e de diferentes institui\u00e7\u00f5es de ensino e pesquisa do pa\u00eds ib\u00e9rico, em uma programa\u00e7\u00e3o intensa, diversificada e aberta ao p\u00fablico.<\/p>\n<p>Segundo Camargo, aproximadamente 3% dos pacientes n\u00e3o respondem \u00e0 terapia neoadjuvante e s\u00e3o submetidos desnecessariamente aos efeitos adversos da quimioterapia e da radioterapia. No outro extremo, por\u00e9m, h\u00e1 30% que respondem t\u00e3o bem que nem sequer precisariam ser operados.<\/p>\n<p>\u201cEsse n\u00famero pode chegar a 60% dependendo do protocolo usado. Precisamos de ferramentas mais eficientes para diferenciar esses casos e fazer um tratamento mais personalizado\u201d, disse Camargo \u00e0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>Hoje, a avalia\u00e7\u00e3o dos resultados da terapia neoadjuvante \u00e9 feita por meio de an\u00e1lises sorol\u00f3gicas, toque retal e exames de imagem, como ultrassom e tomografia. Mas nenhuma dessas t\u00e9cnicas \u00e9 suficiente para dar ao m\u00e9dico a certeza de que o tumor desapareceu. Na d\u00favida, os cirurgi\u00f5es preferem operar.<\/p>\n<p>Dependendo da \u00e1rea afetada, a cirurgia pode prejudicar a fun\u00e7\u00e3o sexual e causar incontin\u00eancia urin\u00e1ria e fecal. A boa not\u00edcia, por\u00e9m, \u00e9 que os avan\u00e7os na \u00e1rea de gen\u00f4mica est\u00e3o permitindo a identifica\u00e7\u00e3o de marcadores e o desenvolvimento de testes personalizados que poder\u00e3o livrar boa parte dos pacientes desse sofrimento.<\/p>\n<p>Em parceria com os pesquisadores Angelita Habr-Gama e Rodrigo Oliva Perez, do Instituto Angelita &amp; Joaquim Gama, o grupo de Camargo sequenciou o genoma do tumor de sete pacientes e identificou todos os rearranjos cromoss\u00f4micos presentes em cada caso. Em seguida, foram desenvolvidos ensaios moleculares que permitem rastrear a presen\u00e7a dessas altera\u00e7\u00f5es cromoss\u00f4micas em amostras de sangue.<\/p>\n<p>\u201cSe o exame molecular detectar a presen\u00e7a do DNA alterado, \u00e9 sinal de que ainda h\u00e1 c\u00e9lulas tumorais produzindo e liberando esse material na corrente sangu\u00ednea. J\u00e1 se o resultado for negativo, o paciente poder\u00e1 repetir o teste de tempos em tempos para ter certeza de que n\u00e3o houve uma recidiva\u201d, explicou Camargo.<\/p>\n<p>Valida\u00e7\u00e3o em grupo diferente<\/p>\n<p>O m\u00e9todo j\u00e1 foi testado em dois dos sete pacientes que tiveram o genoma sequenciado. \u201cComo controle positivo, escolhemos um caso em que o exame cl\u00ednico havia confirmado que o tumor continuava presente e o teste molecular, de fato, conseguiu rastrear o DNA tumoral no sangue\u201d, contou Camargo.<\/p>\n<p>Como controle negativo, os pesquisadores aplicaram o teste molecular em um paciente que j\u00e1 havia sido operado e a bi\u00f3psia n\u00e3o havia revelado c\u00e9lulas tumorais. O resultado do exame molecular tamb\u00e9m foi negativo, refor\u00e7ando a hip\u00f3tese de que a cirurgia foi desnecess\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u201cCome\u00e7amos pelos extremos e agora vamos testar os pacientes em que haveria d\u00favida. Se conseguirmos reunir evid\u00eancias de que o m\u00e9todo tem, de fato, utilidade cl\u00ednica, o pr\u00f3ximo passo \u00e9 test\u00e1-lo em uma amostra maior\u201d, disse Camargo.<\/p>\n<p>A grande dificuldade, segundo a pesquisadora, \u00e9 que nos casos de c\u00e2ncer retal n\u00e3o existe um padr\u00e3o recorrente de rearranjos cromoss\u00f4micos. \u201cAlguns pacientes podem ter dez rearranjos e outros podem ter mais de cem. Com a tecnologia de sequenciamento dispon\u00edvel hoje a um custo relativamente baixo, \u00e9 poss\u00edvel analisar cada um dos tumores e desenhar os ensaios moleculares de forma individualizada\u201d, disse.<\/p>\n<p>Paralelamente, os cientistas analisam o perfil de express\u00e3o g\u00eanica em outra amostra de 30 pacientes para tentar identificar um conjunto de genes capaz de indicar antecipadamente a resposta ao tratamento neoadjuvante.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 achamos uma assinatura g\u00eanica capaz de dividir os pacientes em dois grupos \u2013 aqueles que respondem completamente ao tratamento e aqueles que t\u00eam resposta incompleta. Mas, para ter certeza, precisamos fazer a valida\u00e7\u00e3o em um grupo diferente de volunt\u00e1rios\u201d, explicou Camargo.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora, a estimativa \u00e9 que no in\u00edcio de 2013 o sequenciamento de um genoma humano completo poder\u00e1 ser feito a um custo de US$ 1 mil.<\/p>\n<p>\u201cAinda \u00e9 uma metodologia cara e poder\u00e1 levar um tempo at\u00e9 ser incorporada ao Sistema \u00danico de Sa\u00fade. Mas \u00e9 um avan\u00e7o importante e, como toda tecnologia nova, leva um tempo para ser incorporada e socializada\u201d, disse.<\/p>\n<p>Por Karina Toledo, de Salamanca<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 O tratamento padr\u00e3o para c\u00e2ncer de reto atualmente envolve a chamada terapia neoadjuvante \u2013 que consiste em aplicar quimioterapia e radioterapia para reduzir o tamanho do tumor \u2013, seguida por uma cirurgia invasiva que, na maioria dos casos, tem grande impacto na qualidade de vida do doente. 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