{"id":41598,"date":"2012-12-04T16:49:19","date_gmt":"2012-12-04T18:49:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=41598"},"modified":"2012-12-04T16:49:19","modified_gmt":"2012-12-04T18:49:19","slug":"pico-do-jaragua-registra-mais-raios-ascendentes-do-que-a-media","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2012\/pico-do-jaragua-registra-mais-raios-ascendentes-do-que-a-media\/41598","title":{"rendered":"Pico do Jaragu\u00e1 registra mais raios ascendentes do que a m\u00e9dia"},"content":{"rendered":"<p>Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Pesquisadores do Grupo de Eletricidade Atmosf\u00e9rica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) registraram no per\u00edodo de janeiro a outubro deste ano a ocorr\u00eancia de 35 <em><strong>raios<\/strong><\/em> ascendentes no Pico do Jaragu\u00e1 \u2013 o ponto culminante da cidade de S\u00e3o Paulo, que est\u00e1 a 1.135 metros acima do n\u00edvel do mar.<\/p>\n<p>De acordo com os pesquisadores, o n\u00famero \u00e9 superior \u00e0 m\u00e9dia de outros lugares no mundo onde foi observada a ocorr\u00eancia desse tipo de raio que, em vez de descer das nuvens de tempestade e atingir o solo \u2013 como ocorre com a maioria das descargas atmosf\u00e9ricas \u2013, parte de algo na superf\u00edcie e se propaga em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 nuvem.<\/p>\n<p>\u201cS\u00f3 no m\u00eas de outubro registramos no Pico do Jaragu\u00e1 o mesmo n\u00famero de raios ascendentes observados durante um ano no Empire State Building, em Nova York, que registra anualmente, em m\u00e9dia, 22 raios ascendentes\u201d, disse Marcelo Magalh\u00e3es Fares Saba, pesquisador do Elat, \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>O grupo de pesquisadores do Elat registrou em <a href=\"http:\/\/agencia.fapesp.br\/15373\" target=\"_blank\">janeiro<\/a>, pela primeira vez no Brasil, a ocorr\u00eancia desse tipo de raio originado por estruturas altas, como torres de telecomunica\u00e7\u00e3o ou para-raios de edif\u00edcios altos que, em fun\u00e7\u00e3o de suas altitudes, podem concentrar em seus topos grande quantidade de carga el\u00e9trica induzida e de sinal oposto \u00e0 carga da base de uma nuvem de tempestade.<\/p>\n<p>Por meio de um <a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/projetos-tematicos\/6603\/deteccao-sinais-variabilidade-relacionados-mudancas\" target=\"_blank\">sistema de detec\u00e7\u00e3o<\/a> adquirido com apoio da FAPESP, que conta com uma c\u00e2mera de alta velocidade capaz de registrar 4 mil quadros por segundo, os pesquisadores gravaram no in\u00edcio de 2012, durante uma tempestade, a forma\u00e7\u00e3o de quatro raios ascendentes, partindo de uma torre de transmiss\u00e3o de 130 metros no Pico do Jaragu\u00e1, onde ocorrem, praticamente, tr\u00eas vezes mais raios do que no restante da cidade.<\/p>\n<p>No in\u00edcio de mar\u00e7o, voltaram a registrar a ocorr\u00eancia de mais tr\u00eas raios ascendentes, originados do mesmo ponto da primeira observa\u00e7\u00e3o, em apenas 7 minutos \u2013 o que \u00e9 considerado um n\u00famero muito alto, principalmente quando considerado o curto intervalo de tempo.<\/p>\n<p>Em <a href=\"http:\/\/agencia.fapesp.br\/16037\" target=\"_blank\">julho<\/a>, durante uma tempestade de inverno, registraram mais um raio ascendente, que partiu de uma das torres de telecomunica\u00e7\u00f5es instaladas no Pico do Jaragu\u00e1<\/p>\n<p>No dia 23 de outubro, durante uma tempestade em S\u00e3o Paulo, os pesquisadores registraram nove raios ascendentes em um intervalo de apenas 37 minutos tamb\u00e9m no Pico do Jaragu\u00e1. A sequ\u00eancia de descargas el\u00e9tricas em um curto intervalo de tempo provocou um princ\u00edpio de inc\u00eandio em um dos equipamentos instalados no local.<\/p>\n<p>\u201cEssa frequ\u00eancia de raios ascendentes em uma mesma estrutura \u00e9 muito superior \u00e0 observada em outros lugares no mundo. Em Rapid City, em Dakota do Sul, nos Estados Unidos, por exemplo, onde tamb\u00e9m foram instaladas c\u00e2meras de alta velocidade para registrar a ocorr\u00eancia de raios ascendentes desencadeados por dez torres de telecomunica\u00e7\u00e3o instaladas no local, foram registradas cinco descargas atmosf\u00e9ricas desse g\u00eanero nos \u00faltimos dois anos\u201d, disse Saba.<\/p>\n<p>De acordo com Saba, ainda n\u00e3o se sabe por que o Pico do Jaragu\u00e1 registra um n\u00famero de raios ascendentes maior do que a m\u00e9dia de outros lugares no mundo e o que favorece a forma\u00e7\u00e3o desse tipo de descarga el\u00e9trica. \u201cAlgo de especial, que ainda n\u00e3o foi descoberto, ocorre na tempestade que favorece a ocorr\u00eancia r\u00e1pida e sequencial de raios para cima\u201d, disse.<\/p>\n<p>O grupo do Elat observou que, enquanto o impacto de um raio descendente \u00e9 mais distribu\u00eddo \u2013 metade das descargas toca pontos diferentes no solo \u2013, o dos raios ascendentes acaba sendo sempre em um mesmo ponto, o de partida, que pode ser uma torre de televis\u00e3o ou celular, por exemplo. E que essas descargas atmosf\u00e9ricas podem ocorrer em intervalos muito curtos de tempo, de um minuto ou menos.<\/p>\n<p>\u201cIsso \u00e9 algo extremamente preocupante para os sistemas de prote\u00e7\u00e3o convencionais, que foram projetados para raios descendentes\u201d, disse Saba.<\/p>\n<p>Por Elton Alisson<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Pesquisadores do Grupo de Eletricidade Atmosf\u00e9rica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) registraram no per\u00edodo de janeiro a outubro deste ano a ocorr\u00eancia de 35 raios ascendentes no Pico do Jaragu\u00e1 \u2013 o ponto culminante da cidade de S\u00e3o Paulo, que est\u00e1 a 1.135 metros acima do n\u00edvel do mar. 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