{"id":41321,"date":"2012-11-06T16:15:21","date_gmt":"2012-11-06T18:15:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=41321"},"modified":"2012-11-06T16:15:57","modified_gmt":"2012-11-06T18:15:57","slug":"fenomenos-climaticos-extremos-e-conectados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2012\/fenomenos-climaticos-extremos-e-conectados\/41321","title":{"rendered":"Fen\u00f4menos clim\u00e1ticos extremos e conectados"},"content":{"rendered":"<p>Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Teleconex\u00f5es s\u00e3o associa\u00e7\u00f5es remotas. O que acontece em um lado do planeta pode ter efeito no outro lado. Um exemplo \u00e9 o El Ni\u00f1o, <em><strong>fen\u00f4meno clim\u00e1tico<\/strong><\/em> de origem tropical provocado pelo aquecimento anormal das \u00e1guas do Oceano Pac\u00edfico, produzindo seca no Nordeste brasileiro e chuvas intensas no Sul do Brasil, entre outros efeitos.<\/p>\n<p>Outro exemplo de teleconex\u00e3o remete \u00e0 origem do El Ni\u00f1o: a causa do fen\u00f4meno \u2013 o aquecimento do Pac\u00edfico oeste \u2013 pode estar relacionada ao aquecimento do Oceano \u00cdndico.<\/p>\n<p>Segundo Jos\u00e9 Marengo, pesquisador do Centro de Ci\u00eancia do Sistema Terrestre do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a identifica\u00e7\u00e3o de teleconex\u00f5es e a an\u00e1lise de suas influ\u00eancias na circula\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica podem ser \u00fateis para a compreens\u00e3o da ocorr\u00eancia de eventos an\u00f4malos em v\u00e1rias partes do mundo.<\/p>\n<p>\u201cTeleconex\u00f5es est\u00e3o associadas a causas naturais e n\u00e3o \u00e0 influ\u00eancia antr\u00f3pica. Em uma fase de tempo de 100 anos, podem ser observados diferentes padr\u00f5es de oscila\u00e7\u00e3o, com efeitos sobre o clima de uma determinada regi\u00e3o, como o El Ni\u00f1o, a Oscila\u00e7\u00e3o Decanal do Pac\u00edfico e a Oscila\u00e7\u00e3o do Atl\u00e2ntico Norte. Estamos vivendo, por exemplo, um per\u00edodo mais frio do Oceano Pac\u00edfico, com o Atl\u00e2ntico desempenhando um papel mais importante\u201d, disse Marengo, que \u00e9 membro do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC), no Simp\u00f3sio Inter-rela\u00e7\u00f5es Oceano-Continente no Cen\u00e1rio das Mudan\u00e7as Globais, realizado pela Academia Brasileira de Ci\u00eancias (ABC) em outubro.<\/p>\n<p>Estudos recentes mostram que o El Ni\u00f1o tem diferentes facetas. Ao analisar os fen\u00f4menos ocorridos entre 1900 e 2012, o grupo liderado por Edmo Campos, professor do Instituto Oceanogr\u00e1fico (IO) da Universidade de S\u00e3o Paulo observou 14 eventos mais secos e 14 mais molhados.<\/p>\n<p>\u201cA explica\u00e7\u00e3o para isso vem do Atl\u00e2ntico Sul, que tem papel determinante para saber se o El Ni\u00f1o ser\u00e1 \u2018seco\u2019 ou \u2018molhado\u2019. No Atl\u00e2ntico ocorre uma s\u00e9rie de fen\u00f4menos importantes para o clima global. O El Ni\u00f1o n\u00e3o depende do Atl\u00e2ntico, mas, a partir das rela\u00e7\u00f5es entre este e o Oceano Pac\u00edfico, seus impactos ser\u00e3o diferentes\u201d, disse Campos, que coordena projetos de pesquisa financiados pela FAPESP, como o <a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/projetos-tematicos\/46145\/impacto-atlantico-sul-celula-circulacao\/\" target=\"_blank\">\u201cImpacto do Atl\u00e2ntico Sul na c\u00e9lula de circula\u00e7\u00e3o meridional e no clima\u201d<\/a>.<\/p>\n<p>De acordo com Campos, observa\u00e7\u00f5es e modelos indicam que varia\u00e7\u00f5es na c\u00e9lula de revolvimento meridional (em ingl\u00eas Meridional Overturning Cell, MOC) est\u00e3o fortemente relacionadas a importantes mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. At\u00e9 o momento, a maior parte das observa\u00e7\u00f5es tem se concentrado no Atl\u00e2ntico Norte.<\/p>\n<p>\u201cEntretanto, estudos indicam que o Atl\u00e2ntico Sul n\u00e3o \u00e9 um mero condutor passivo de massas de \u00e1gua formadas em outras regi\u00f5es e que mudan\u00e7as no fluxo de retorno da MOC no Atl\u00e2ntico Sul poderiam impactar significativamente o clima regional e global\u201d, disse Campos \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>\u201cDessa forma, uma MOC enfraquecida resulta em um Atl\u00e2ntico Sul mais quente, o que pode implicar mais chuva no Nordeste brasileiro. O El Ni\u00f1o passou a ter um papel mais passivo, enquanto o Oceano Atl\u00e2ntico tem hoje um papel mais ativo\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Eventos extremos<\/p>\n<p>Bj\u00f6rn Kjerfve, presidente da World Maritime University (WMU), na Su\u00e9cia, ressalta que os oceanos t\u00eam papel preponderante em qualquer cen\u00e1rio de mudan\u00e7a clim\u00e1tica. \u201cOs oceanos s\u00e3o reguladores do clima do planeta. Se a temperatura m\u00e9dia da Terra aumentar em 1 grau, uma determinada quantidade de gelo vai derreter\u201d, disse Kjerfve no simp\u00f3sio.<\/p>\n<p>O aquecimento do Atl\u00e2ntico Sul resultou no furac\u00e3o Catarina, que atingiu a regi\u00e3o sul do Brasil em mar\u00e7o de 2004. O aquecimento do Atl\u00e2ntico Norte levou \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do Sandy, que atingiu a costa leste dos Estados Unidos h\u00e1 poucos dias. \u201cFurac\u00f5es t\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima \u00e0 temperatura do mar. Eles s\u00f3 ocorrem se a temperatura da superf\u00edcie do oceano estiver acima de 26\u00ba graus. O Catarina aconteceu porque de alguma forma a temperatura da \u00e1gua estava acima da m\u00e9dia\u201d, disse Campos.<\/p>\n<p>Ao persistir a tend\u00eancia do aquecimento das \u00e1guas do Atl\u00e2ntico Sul, o Brasil poder\u00e1 ver a passagem de novos furac\u00f5es. \u201cNa m\u00e9dia global, a quantidade de chuva aumentou e a temperatura do planeta tamb\u00e9m, mas n\u00e3o sabemos se isso criar\u00e1 condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis para a ocorr\u00eancia desses eventos\u201d, disse Campos, lembrando que os relat\u00f3rios do IPCC n\u00e3o apontam para uma resposta definitiva sobre a ocorr\u00eancia de eventos extremos, como os furac\u00f5es.<\/p>\n<p>O inverno quente e in\u00edcio de primavera frio experimentados pelo Brasil em 2012 podem significar um ajuste natural. \u201cEstamos saindo de um per\u00edodo seco. Isso \u00e9 atribu\u00eddo ao aquecimento global, que tem causas naturais e antr\u00f3picas. O ser humano amplifica o aquecimento. Por\u00e9m, n\u00e3o se pode atribuir essas anomalias exclusivamente \u00e0 a\u00e7\u00e3o antr\u00f3pica\u201d, disse Campos, que coordena o <a href=\"http:\/\/www.goosbrasil.org\/pirata\/index.php\" target=\"_blank\">Projeto Pirata<\/a>, programa de coopera\u00e7\u00e3o entre Brasil, Fran\u00e7a e Estados Unidos criado em 1995 para observar o Oceano Atl\u00e2ntico.<\/p>\n<p>\u201cSabemos muito mais do Pac\u00edfico do que do Atl\u00e2ntico. A conex\u00e3o mais importante entre o oceano e a nossa costa \u00e9 a regi\u00e3o tropical, por isso \u00e9 importante monitorar a regi\u00e3o de bifurca\u00e7\u00e3o com o Sul equatorial. O pr\u00e9-sal, por exemplo, ser\u00e1 afetado por fen\u00f4menos que ocorrem muito distante dali\u201d, disse o professor do IO-USP.<\/p>\n<p>\u201cEm termos de ci\u00eancia oceanogr\u00e1fica, ainda n\u00e3o avan\u00e7amos muito. Mas o primeiro pa\u00eds a sofrer altera\u00e7\u00f5es diretas em fun\u00e7\u00e3o das varia\u00e7\u00f5es do Atl\u00e2ntico Sul ser\u00e1 o Brasil. Estamos conectados com o Atl\u00e2ntico, por isso o pa\u00eds precisa ser a refer\u00eancia dos estudos sobre o Atl\u00e2ntico Sul\u201d, disse Campos.<\/p>\n<p>Por Washington Castilhos, do Rio de Janeiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Teleconex\u00f5es s\u00e3o associa\u00e7\u00f5es remotas. O que acontece em um lado do planeta pode ter efeito no outro lado. 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