{"id":41193,"date":"2012-10-24T13:32:04","date_gmt":"2012-10-24T15:32:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=41193"},"modified":"2012-10-24T13:32:04","modified_gmt":"2012-10-24T15:32:04","slug":"pesquisa-avalia-impacto-de-encontros-entre-asteroides","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2012\/pesquisa-avalia-impacto-de-encontros-entre-asteroides\/41193","title":{"rendered":"Pesquisa avalia impacto de encontros entre asteroides"},"content":{"rendered":"<p>Entre os mais de 500 mil asteroides do <em><strong>Sistema Solar<\/strong> <\/em>j\u00e1 catalogados, h\u00e1 um seleto grupo \u2013 formado por aproximadamente 20 corpos \u2013 dos chamados asteroides massivos, que possuem massa (tamanho) muito superior \u00e0 dos demais.<\/p>\n<p>Quando um asteroide massivo se aproxima de outro asteroide pequeno \u2013 evento raro \u2013, ocorre uma perturba\u00e7\u00e3o na \u00f3rbita do segundo, denominada \u201cdifus\u00e3o de \u00f3rbitas\u201d. Isso provoca uma mudan\u00e7a de seus elementos orbitais, como semieixo maior, excentricidade e inclina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um trabalho feito por pesquisadores do Departamento de Matem\u00e1tica da Faculdade de Engenharia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Guaratinguet\u00e1, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do Observat\u00f3rio Nacional, no Rio de Janeiro, avaliou a mobilidade orbital causada por encontros pr\u00f3ximos com os asteroides 2 Pallas, 10 Hygiea e 31 Euphrosyne \u2013 respectivamente, o terceiro, o quarto e o vig\u00e9simo segundo asteroides mais massivos.<\/p>\n<p>Os resultados da pesquisa, realizada no \u00e2mbito de um <a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/projetos-regulares\/46312\/mobilidade-orbital-causada-encontros-proximos\/\" target=\"_blank\">projeto <\/a>apoiado pela FAPESP, foram apresentados em setembro em confer\u00eancia internacional sobre explora\u00e7\u00e3o do Sistema Solar.<\/p>\n<p>O evento foi realizado em Roma, It\u00e1lia, na Academia dei Lincei \u2013 uma das mais antigas institui\u00e7\u00f5es cient\u00edficas do mundo, da qual Galileu Galilei (1564-1642) foi membro. O trabalho tamb\u00e9m dever\u00e1 ser publicado na revista Astronomy &amp; Astrophysics.<\/p>\n<p>De acordo com as simula\u00e7\u00f5es num\u00e9ricas realizadas, o efeito da perturba\u00e7\u00e3o causada pelo asteroide 2 Pallas \u2013 de alta inclina\u00e7\u00e3o orbital e cujos n\u00fameros de encontros com outros asteroides pequenos na sua regi\u00e3o orbital ocorrem em velocidade e dist\u00e2ncia relativas muito altas \u2013 \u00e9 bastante limitado.<\/p>\n<p>Por sua vez, o 31 Euphrosyne tamb\u00e9m \u00e9 um corpo de alta inclina\u00e7\u00e3o, mas de fam\u00edlia bem maior do que a de Pallas. Por isso, foi usado pelos pesquisadores como modelo para verificar se asteroides massivos de alta inclina\u00e7\u00e3o s\u00e3o eficazes para causar mudan\u00e7as de mobilidade de elementos de asteroides pequenos ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>J\u00e1 a difus\u00e3o do semieixo maior de um asteroide pequeno provocada por um encontro com o asteroide 10 Hygiea \u00e9 quase pr\u00f3xima \u00e0 causada pelo 1 Ceres \u2013 o maior asteroide conhecido, que em 2006 passou a ser considerado planeta-an\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cOs n\u00edveis de difus\u00e3o no semieixo maior de um asteroide pequeno causados por um encontro com o 10 Hygiea s\u00e3o quase da mesma ordem da do Ceres, o que foi um pouco inesperado\u201d, disse Val\u00e9rio Carruba, professor da Unesp e um dos autores do estudo, \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>Segundo Carruba, j\u00e1 tinham sido realizados alguns estudos sobre encontros pr\u00f3ximos com dois dos maiores asteroides massivos: o 1 Ceres e o 4 Vesta, que \u00e9 o segundo maior asteroide do Sistema Solar e que foi promovido em maio \u00e0 categoria de \u201cprotoplaneta\u201d.<\/p>\n<p>Um estudo publicado em 2011 tamb\u00e9m na revista Astronomy &amp; Astrophysics por cientistas do Observat\u00f3rio de Paris, na Fran\u00e7a, demonstrou que, quando os cinco maiores asteroides massivos foram inclu\u00eddos em simula\u00e7\u00f5es com todos os outros planetas, n\u00e3o somente as \u00f3rbitas dos asteroides massivos se tornaram mais ca\u00f3ticas, mas at\u00e9 a precis\u00e3o dos elementos orbitais da Terra ficou limitada em at\u00e9 50 milh\u00f5es de anos (Myr).<\/p>\n<p>Os efeitos sobre a mobilidade asteroidal causada por encontros pr\u00f3ximos nas regi\u00f5es de 2 Pallas, 10 Hygiea e 31 Euphrosyne, que foram objeto do estudo dos pesquisadores brasileiros, ainda n\u00e3o tinham sido esmiu\u00e7ados.<\/p>\n<p>\u201cSabemos que os efeitos de difus\u00e3o ca\u00f3tica causados por encontros com asteroides massivos valem somente para asteroides cujas \u00f3rbitas cruzam com as dos asteroides maiores\u201d, explicou Carruba.<\/p>\n<p>\u201cEles podem ser particularmente importantes para objetos que s\u00e3o membros da fam\u00edlia de asteroides massivos, como o 10 Hygiea e o 31 Euphrosyne, que \u00e9 o que pretendemos estudar agora\u201d, disse.<\/p>\n<p>Encontros raros<\/p>\n<p>Em estudo realizado em colabora\u00e7\u00e3o com outros pesquisadores, publicado em julho na Astronomy &amp; Astrophysics, Carruba demonstrou que mudan\u00e7as no semieixo maior, excentricidade e inclina\u00e7\u00e3o, causadas por efeitos a longo prazo de encontros pr\u00f3ximos do asteroide Vesta com outros corpos menores, podem ter contribu\u00eddo para difus\u00e3o de alguns membros de sua fam\u00edlia para fora de sua \u00f3rbita.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a \u00f3rbita atual de alguns desses asteroides n\u00e3o poderia ser facilmente justificada pela migra\u00e7\u00e3o dos elementos por outros mecanismos, como por exemplo o efeito Yarkovsky (um pequeno \u201cempurr\u00e3o\u201d que um asteroide sofre quando absorve a luz solar e emite calor) ou resson\u00e2ncias orbitais.<\/p>\n<p>\u201cPor causa dos encontros pr\u00f3ximos com asteroides massivos, h\u00e1 uma mudan\u00e7a na energia da \u00f3rbita dos asteroides pequenos que se reflete em uma mudan\u00e7a no semieixo maior, na excentricidade e na inclina\u00e7\u00e3o da \u00f3rbita dele\u201d, explicou Carruba.<\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador, o mecanismo dos encontros com asteroides massivos \u00e9 similar ao utilizado para enviar sondas para estudar planetas, como J\u00fapiter e Saturno, e suas respectivas luas.<\/p>\n<p>Quando as sondas Voyager come\u00e7aram a ser enviadas ao espa\u00e7o pela Nasa, a ag\u00eancia espacial dos Estados Unidos \u2013 inicialmente para estudar J\u00fapiter e Saturno e, posteriormente, Netuno \u2013, elas tiveram um encontro pr\u00f3ximo com J\u00fapiter que mudou relativamente suas \u00f3rbitas. \u201cElas ganharam energia e agora podem explorar o Sistema Solar externo\u201d, disse Carruba.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 claro que os asteroides massivos s\u00e3o bem menores em compara\u00e7\u00e3o aos planetas. Mas, com o passar de centenas de milhares de anos, os efeitos da difus\u00e3o ca\u00f3tica causados por encontros pr\u00f3ximos com eles n\u00e3o s\u00e3o desprez\u00edveis\u201d, afirmou. Entretanto, segundo ele, os encontros pr\u00f3ximos com asteroides massivos s\u00e3o raros.<\/p>\n<p>Das aproximadamente 3 mil part\u00edculas que estudaram na regi\u00e3o de 10 Hygiea, que abrangem um per\u00edodo de 30 milh\u00f5es de anos, os pesquisadores brasileiros identificaram cerca de 4 mil encontros pr\u00f3ximos delas com o asteroide massivo nesse per\u00edodo.<\/p>\n<p>\u201cOs encontros pr\u00f3ximos com asteroides massivos dependem muito de como as \u00f3rbitas est\u00e3o orientadas. Quando elas se intersectam, n\u00f3s conseguimos verificar a ocorr\u00eancia de encontros pr\u00f3ximos e calcular a varia\u00e7\u00e3o do semieixo maior dos asteroides menores\u201d, disse Carruba.<\/p>\n<p>O artigo Chaotic diffusion caused by close encounters with several massive asteroids The (4) Vesta case (doi: 10.1051\/0004-6361\/201218908), de Carruba e outros, pode ser lido por assinantes da revista Astronomy &amp; Astrophysics em <a href=\"http:\/\/www.aanda.org\/index.php?option=com_article&amp;access=doi&amp;doi=10.1051\/0004-6361\/201218908&amp;Itemid=129\" target=\"_blank\">www.aanda.org\/index.php?option=com_article&amp;access=doi&amp;doi=10.1051\/0004-6361\/201218908&amp;Itemid=129<\/a>.<\/p>\n<p>Por Elton Alisson<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre os mais de 500 mil asteroides do Sistema Solar j\u00e1 catalogados, h\u00e1 um seleto grupo \u2013 formado por aproximadamente 20 corpos \u2013 dos chamados asteroides massivos, que possuem massa (tamanho) muito superior \u00e0 dos demais. 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