{"id":41072,"date":"2012-10-15T12:38:22","date_gmt":"2012-10-15T15:38:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=41072"},"modified":"2012-10-15T18:41:42","modified_gmt":"2012-10-15T21:41:42","slug":"terapia-celular-para-diabetes-tipo-1-avanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2012\/terapia-celular-para-diabetes-tipo-1-avanca\/41072","title":{"rendered":"Terapia celular para diabetes tipo 1 avan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Duas pesquisas em andamento na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) avan\u00e7am o uso da<em><strong> terapia celular<\/strong><\/em>, com diferentes abordagens, para o tratamento do diabetes tipo 1 \u2013 tamb\u00e9m conhecido como diabetes infanto-juvenil ou insulinodependente.<\/p>\n<p>Os resultados mais recentes das investiga\u00e7\u00f5es foram apresentados durante o 7\u00ba Congresso Brasileiro de C\u00e9lulas-Tronco e Terapia Celular, realizado em S\u00e3o Paulo no in\u00edcio de outubro, com apoio da FAPESP.<\/p>\n<p>No <a href=\"http:\/\/ctc.fmrp.usp.br\/ctc\" target=\"_blank\">Centro de Terapia Celular<\/a> (CTC) \u2013 um Centro de Pesquisa, Inova\u00e7\u00e3o e Difus\u00e3o (CEPID) da FAPESP na Faculdade de Medicina de Ribeir\u00e3o Preto (FMRP-USP) \u2013 a estrat\u00e9gia \u00e9 interromper o processo de destrui\u00e7\u00e3o do p\u00e2ncreas que ocorre em portadores de diabetes tipo 1 por meio de um transplante de c\u00e9lulas-tronco hematopoi\u00e9ticas retiradas da medula \u00f3ssea do pr\u00f3prio paciente.<\/p>\n<p>A t\u00e9cnica foi idealizada pelo imunologista Julio Voltarelli, que morreu em mar\u00e7o de 2012. A pesquisa continua sob a coordena\u00e7\u00e3o de Maria Carolina de Oliveira Rodrigues e Belinda Pinto Sim\u00f5es. Tamb\u00e9m colabora o endocrinologista Carlos Eduardo Couri.<\/p>\n<p>\u201cDiabetes tipo 1 \u00e9 uma doen\u00e7a autoimune: o pr\u00f3prio sistema imunol\u00f3gico do paciente ataca as c\u00e9lulas produtoras de insulina no p\u00e2ncreas. Quando os sintomas come\u00e7am a aparecer, \u00e9 sinal que aproximadamente 80% das c\u00e9lulas j\u00e1 foram danificadas\u201d, explicou Rodrigues.<\/p>\n<p>Se o processo de destrui\u00e7\u00e3o for interrompido nesse ponto e as c\u00e9lulas restantes forem preservadas, segundo a pesquisadora, \u00e9 poss\u00edvel que o paciente consiga se livrar da depend\u00eancia de insulina ou pelo menos diminuir as doses.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o falamos em cura, mas em facilitar o controle da doen\u00e7a e evitar complica\u00e7\u00f5es cr\u00f4nicas do diabetes, como retinopatia, nefropatia e neuropatia\u201d, disse Rodrigues.<\/p>\n<p>Com esse objetivo, foi iniciado em 2004 um primeiro protocolo experimental com 25 pacientes. Eles passaram por um procedimento para coletar e isolar c\u00e9lulas-tronco hematopoi\u00e9ticas da medula \u00f3ssea, que foram congeladas. Em seguida, foram submetidos a uma quimioterapia agressiva para destruir o que restava da medula e de todas as c\u00e9lulas do sangue (leia <a href=\"http:\/\/agencia.fapesp.br\/6983\">reportagem<\/a>).<\/p>\n<p>\u201cO objetivo \u00e9 zerar o sistema imunol\u00f3gico, fazendo com que ele pare de agredir o p\u00e2ncreas. Em seguida, infundimos as c\u00e9lulas-tronco congeladas para que elas produzam uma nova medula e novas c\u00e9lulas sangu\u00edneas\u201d, disse Rodrigues.<\/p>\n<p>De acordo com dados apresentados pela pesquisadora durante o congresso, tr\u00eas dos 25 pacientes permanecem at\u00e9 hoje livres de insulina. Outros 18 tiveram de voltar a tomar o horm\u00f4nio ap\u00f3s um per\u00edodo que variou entre seis meses e cinco anos, mas recebem atualmente doses menores do que antes do tratamento.<\/p>\n<p>Outros quatro pacientes n\u00e3o conseguiram se livrar da insulina e nem reduzir a dose. \u201cTr\u00eas deles tinham hist\u00f3rico de cetoacidose, uma complica\u00e7\u00e3o comum em pacientes com est\u00e1gio avan\u00e7ado da doen\u00e7a. Provavelmente, esses volunt\u00e1rios que n\u00e3o reagiram ao tratamento j\u00e1 n\u00e3o tinham mais c\u00e9lulas produtoras de insulina para serem salvas\u201d, contou Rodrigues.<\/p>\n<p>Com base nos dados preliminares do primeiro experimento, a equipe iniciou um novo protocolo em 2010. \u201cAs an\u00e1lises indicaram que a quimioterapia n\u00e3o foi forte o suficiente para destruir todas as c\u00e9lulas sangu\u00edneas em alguns pacientes, ent\u00e3o estamos testando um tratamento ainda mais agressivo\u201d, disse.<\/p>\n<p>At\u00e9 o momento, apenas dois volunt\u00e1rios foram submetidos \u00e0 quimioterapia e ao transplante. A equipe aceita inscri\u00e7\u00f5es (tmoautoimune@gmail.com) de novos candidatos maiores de 18 anos e diagnosticados h\u00e1 menos de cinco meses.<\/p>\n<p>Paralelamente, em outro protocolo experimental iniciado em 2008, os pesquisadores do CTC tentaram modular o sistema imunol\u00f3gico de oito pacientes diab\u00e9ticos por meio de aplica\u00e7\u00f5es de c\u00e9lulas mesenquimais.<\/p>\n<p>\u201cEssas c\u00e9lulas est\u00e3o presentes em praticamente todos os \u00f3rg\u00e3os do corpo humano e auxiliam no suporte dos tecidos, ajudam na nutri\u00e7\u00e3o e produzem fatores de crescimento. N\u00f3s as retiramos da medula \u00f3ssea apenas para facilitar a coleta\u201d, disse Rodrigues.<\/p>\n<p>Nesse caso, as c\u00e9lulas mesenquimais s\u00e3o retiradas de um parente do paciente diab\u00e9tico. A expectativa dos cientistas \u00e9 que elas consigam combater a inflama\u00e7\u00e3o no p\u00e2ncreas e ajudar na regenera\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cExiste ainda uma terceira hip\u00f3tese, menos prov\u00e1vel, de que as c\u00e9lulas mesenquimais seriam capazes de migrar e de se diferenciar em c\u00e9lulas do p\u00e2ncreas produtoras de insulina. Isso ainda precisa ser estudado\u201d, disse.<\/p>\n<p>A resposta, no entanto, n\u00e3o foi animadora nos primeiros pacientes tratados e a equipe pretende iniciar um novo experimento em 2013. \u201cA ideia \u00e9 aplicar quantidades maiores de c\u00e9lulas mesenquimais. Como \u00e9 um tratamento de baixa toxicidade e n\u00e3o envolve quimioterapia, poderemos testar em pacientes entre 5 e 35 anos\u201d, disse Rodrigues.<\/p>\n<p>C\u00e1psula protetora<\/p>\n<p>No N\u00facleo de Terapia Celular e Molecular (Nucel), coordenado pela professora Mari Cleide Sogayar e vinculado ao Instituto de Qu\u00edmica e \u00e0 Faculdade de Medicina da USP, a estrat\u00e9gia \u00e9 encapsular as ilhotas pancre\u00e1ticas \u2013 conjuntos de c\u00e9lulas produtoras de insulina \u2013 com um material biocompat\u00edvel capaz de evitar a rejei\u00e7\u00e3o ap\u00f3s ser aplicado no organismo do diab\u00e9tico.<\/p>\n<p>\u201cO m\u00e9todo tem funcionado muito bem nos testes com animais. Implantamos ilhotas de ratos em camundongos para provar que a c\u00e1psula \u00e9 mesmo capaz de evitar a destrui\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas pelo sistema imunol\u00f3gico\u201d, disse Sogayar.<\/p>\n<p>As c\u00e1psulas contendo ilhotas de rato s\u00e3o implantadas no perit\u00f4nio, membrana que reveste a parte interna da cavidade abdominal e recobre \u00f3rg\u00e3os como o est\u00f4mago e intestino. \u201cEvitamos mexer com o p\u00e2ncreas, pois ele \u00e9 muito sens\u00edvel e se inflama com facilidade. As ilhotas passam a produzir insulina em outra regi\u00e3o\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o tratamento, os camundongos diab\u00e9ticos livraram-se completamente da insulina, segundo Sogayar. \u201cDepois de 250 dias, retiramos as c\u00e1psulas dos animais por meio de uma lavagem do perit\u00f4nio e conseguimos mostrar que as ilhotas estavam intactas. Os camundongos, por outro lado, voltaram a ficar diab\u00e9ticos\u201d, disse.<\/p>\n<p>Como um camundongo vive aproximadamente um ano, \u00e9 poss\u00edvel afirmar que o tratamento mostrou efic\u00e1cia por quase toda a vida do roedor. \u201cMas em humanos, se for necess\u00e1rio, as c\u00e1psulas podem ser substitu\u00eddas depois de algum tempo\u201d, disse a pesquisadora.<\/p>\n<p>Para facilitar esse procedimento, a equipe do Nucel trabalha, em colabora\u00e7\u00e3o com a empresa CellProtect (spin-off do Nucel), no desenvolvimento de um dispositivo, provavelmente subcut\u00e2neo, que armazenaria as c\u00e1psulas com as ilhotas e funcionaria como um p\u00e2ncreas artificial.<\/p>\n<p>\u201cUm tubo ficaria para fora da pele e facilitaria a substitui\u00e7\u00e3o das c\u00e1psulas, quando necess\u00e1rio. Mas primeiro precisamos descobrir como manter a irriga\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea no local. Uma possibilidade seria usar fatores pept\u00eddicos como o VEGF (vascular endothelial growth factor) recombinante, que j\u00e1 \u00e9 produzido pelo Nucel\u201d, disse Sogayar.<\/p>\n<p>Embora a ideia de encapsular as ilhotas tenha sido desenvolvida em pesquisas internacionais, a equipe coordenada por Sogayar conseguiu aperfei\u00e7oar o m\u00e9todo e criou um novo material biocompat\u00edvel contendo uma prote\u00edna chamada laminina, que foi patenteado com o nome de Bioprotect. Parte da pesquisa contou com financiamento da FAPESP.<\/p>\n<p>\u201cA grande vantagem em rela\u00e7\u00e3o ao transplante de ilhotas, feito com c\u00e9lulas de um doador humano cad\u00e1ver para o paciente diab\u00e9tico tipo 1, \u00e9 que as c\u00e1psulas dispensam o uso de drogas imunossupressoras, que possuem efeitos colaterais importantes. Al\u00e9m disso, h\u00e1 poucos doadores de \u00f3rg\u00e3os\u201d, disse Sogayar.<\/p>\n<p>\u201cNo futuro, acrescentou, a ideia \u00e9 transplantar c\u00e1psulas contendo c\u00e9lulas-tronco diferenciadas em c\u00e9lulas produtoras de insulina ou, at\u00e9 mesmo, ilhotas de porcos em humanos\u201d, disse Sogayar.<\/p>\n<p>Por Karina Toledo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Duas pesquisas em andamento na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) avan\u00e7am o uso da terapia celular, com diferentes abordagens, para o tratamento do diabetes tipo 1 \u2013 tamb\u00e9m conhecido como diabetes infanto-juvenil ou insulinodependente. 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