{"id":40917,"date":"2012-10-03T10:15:32","date_gmt":"2012-10-03T13:15:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=40917"},"modified":"2012-10-03T10:15:32","modified_gmt":"2012-10-03T13:15:32","slug":"bacteria-pode-atuar-como-vacina-para-dengue","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2012\/bacteria-pode-atuar-como-vacina-para-dengue\/40917","title":{"rendered":"Bact\u00e9ria pode atuar como \u201cvacina\u201d para dengue"},"content":{"rendered":"<p>Primeiramente encontrada em 1924 no mosquito Culex pipiens, a Wolbachia pipientis \u00e9 uma bact\u00e9ria presente nas c\u00e9lulas de cerca de 70% dos insetos, desde borboletas ao pernilongo. O Aedes aegypti, vetor da<em><strong> dengue<\/strong><\/em> \u2013 considerada a mais importante doen\u00e7a viral transmitida por mosquitos no mundo \u2013, pertence aos 30% de invertebrados que n\u00e3o t\u00eam a bact\u00e9ria. Ou n\u00e3o tinham.<\/p>\n<p>Pesquisadores descreveram, durante o 28\u00ba Congresso Internacional de Medicina Tropical, evento realizado no Rio de Janeiro entre os dias 24 e 27 de setembro pela Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, como a Wolbachia pode atuar como uma \u201cvacina\u201d para o Aedes, bloqueando a multiplica\u00e7\u00e3o do v\u00edrus dentro do inseto ao ser inoculada no mosquito.<\/p>\n<p>Cada cepa da bact\u00e9ria \u00e9 respons\u00e1vel por uma rea\u00e7\u00e3o em seu hospedeiro. H\u00e1 alguns anos, ao observarem que ela diminu\u00eda pela metade o tempo de vida da Drosophila (a mosca-das-frutas), cientistas do programa internacional \u201cEliminar a Dengue: Nosso Desafio\u201d, liderados por Scott O\u2019Neill, da Universidade de Monash (Melbourne, Austr\u00e1lia), demonstraram que a Wolbachia, se inoculada no Aedes aegypti, poderia tamb\u00e9m reduzir a longevidade do mosquito, diminuindo a sua capacidade de transmitir o v\u00edrus.<\/p>\n<p>\u201cSe o mosquito vivesse pela metade, ele teria menor chance de transmitir o v\u00edrus, j\u00e1 que esse precisa ficar incubado de oito a dez dias dentro do corpo do vetor. Ent\u00e3o, pensamos que, se vivesse 15 em vez de 30 dias, o inseto morreria antes de se alimentar e de haver a incuba\u00e7\u00e3o do v\u00edrus\u201d, disse o entomologista molecular Luciano Moreira, da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz), institui\u00e7\u00e3o brasileira parceira do projeto mundial.<\/p>\n<p>\u201cMas, quando inoculamos a bact\u00e9ria, ficamos surpresos ao ver que ela, al\u00e9m de diminuir o tempo de vida do mosquito, tamb\u00e9m fazia com que o v\u00edrus n\u00e3o se desenvolvesse\u201d, disse.<\/p>\n<p>\u201cAgora, h\u00e1 uma nova cepa da bact\u00e9ria que est\u00e1 sendo usada na Austr\u00e1lia e que n\u00e3o encurta a vida do inseto, mas apenas bloqueia o v\u00edrus. Ent\u00e3o, a ideia de encurtamento da vida do mosquito j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o importante. O importante \u00e9 o bloqueio do v\u00edrus\u201d, disse Moreira \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>A Wolbachia foi transferida da mosca-das-frutas para o Aedes aegypti por meio da t\u00e9cnica de microinje\u00e7\u00e3o, que consiste em uma agulha fina que insere a bact\u00e9ria nos ovos do mosquito.<\/p>\n<p>Em 2008, Moreira se mudou para a Austr\u00e1lia e passou a trabalhar com a equipe de pesquisadores que desenvolviam o projeto no pa\u00eds. \u201cA partir do momento que tivemos a linhagem de mosquitos com a bact\u00e9ria, trouxemos os ovos para o Brasil e fizemos o cruzamento com as popula\u00e7\u00f5es brasileiras de mosquitos, ainda mantidos em laborat\u00f3rio\u201d, contou.<\/p>\n<p>No Brasil, o projeto em sua primeira fase foi focado na manuten\u00e7\u00e3o de col\u00f4nias dos mosquitos com a bact\u00e9ria e no cruzamento com Aedes aegypti de popula\u00e7\u00f5es brasileiras.<\/p>\n<p>A soltura da nova linhagem de mosquitos na natureza deve ocorrer no come\u00e7o de 2014, no Rio de Janeiro, escolhido por este ser o estado campe\u00e3o de casos da doen\u00e7a e pela quantidade de mosquitos encontrada ao longo do ano inteiro. Na Austr\u00e1lia, os mosquitos com as bact\u00e9rias j\u00e1 foram soltos. No Vietn\u00e3 e na Indon\u00e9sia, a soltura ocorrer\u00e1 no ano que vem.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 um processo de prepara\u00e7\u00e3o. Temos que trabalhar primeiro com as comunidades e inform\u00e1-las sobre o projeto. Al\u00e9m disso, precisamos conhecer dados entomol\u00f3gicos sobre as popula\u00e7\u00f5es de mosquitos locais\u201d, explicou Moreira.<\/p>\n<p>Projeto seguro e sustent\u00e1vel<\/p>\n<p>A Wolbachia s\u00f3 pode ser transmitida verticalmente (de m\u00e3e para filho) por meio do ovo da f\u00eamea do mosquito. F\u00eameas com Wolbachia sempre geram filhotes com a bact\u00e9ria no processo de reprodu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cPor isso, uma vez estabelecido o m\u00e9todo em campo, os mosquitos continuam a transmitir a bact\u00e9ria naturalmente para seus descendentes\u201d, disse Moreira.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s soltos em campo, o n\u00famero de mosquitos machos e f\u00eameas com Wolbachia tende a aumentar, at\u00e9 que a popula\u00e7\u00e3o inteira de mosquitos tenha a bact\u00e9ria e o v\u00edrus n\u00e3o se estabele\u00e7a mais.<\/p>\n<p>\u201cNossa estrat\u00e9gia \u00e9 completamente compat\u00edvel com outras. N\u00e3o ser\u00e1 a \u00fanica forma de controle da dengue. As pessoas ter\u00e3o que continuar a tirar os criadouros e os cientistas a continuar as pesquisas em vacinas\u201d, disse Moreira.<\/p>\n<p>O entomologista ressalta as principais caracter\u00edsticas do projeto, como a seguran\u00e7a e a autossustentabilidade. \u201c\u00c9 um projeto seguro, pois a bact\u00e9ria j\u00e1 est\u00e1 presente na natureza. \u00c9 autossustent\u00e1vel porque, a partir do momento em que \u00e9 colocada no campo, a bact\u00e9ria \u00e9 passada para a natureza. Al\u00e9m de tudo isso, n\u00e3o tem fins lucrativos. Os mosquitos n\u00e3o ser\u00e3o vendidos. Ser\u00e3o espalhados e assim utilizados\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Assim como o A. aegypti, o Anopheles, principal vetor da mal\u00e1ria no Brasil, n\u00e3o tem a bact\u00e9ria. \u201cMas j\u00e1 foi demonstrado que se a Wolbachia for injetada no corpo do mosquito ela bloquear\u00e1 o parasita causador da mal\u00e1ria\u201d, destacou Moreira.<\/p>\n<p>Por Washington Castilhos<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Primeiramente encontrada em 1924 no mosquito Culex pipiens, a Wolbachia pipientis \u00e9 uma bact\u00e9ria presente nas c\u00e9lulas de cerca de 70% dos insetos, desde borboletas ao pernilongo. 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