{"id":40673,"date":"2012-09-14T16:08:34","date_gmt":"2012-09-14T19:08:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=40673"},"modified":"2012-09-14T16:08:34","modified_gmt":"2012-09-14T19:08:34","slug":"estudos-da-usp-ganham-destaque-internacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2012\/estudos-da-usp-ganham-destaque-internacional\/40673","title":{"rendered":"Estudos da USP ganham destaque internacional"},"content":{"rendered":"<p>Estudos realizados nos \u00faltimos anos por pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos mostraram que, ao contr\u00e1rio do que se pensava anteriormente,<em><strong> tipos distintos de medo<\/strong><\/em> \u2013 como o medo de est\u00edmulos dolorosos, o medo de predadores naturais e o medo de membros agressivos da mesma esp\u00e9cie \u2013 s\u00e3o processados em circuitos neurais independentes entre si.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de distinguir as vias neurais de processamento dos \u201cmedos instintivos\u201d e de diferentes tipos de \u201cmedos aprendidos\u201d \u2013, os pesquisadores tamb\u00e9m descobriram que esses mecanismos podem se reproduzir tamb\u00e9m em seres humanos. Com isso, os estudos poder\u00e3o contribuir para uma melhor compreens\u00e3o sobre problemas como s\u00edndrome do p\u00e2nico e estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico.<\/p>\n<p>As pesquisas, coordenadas por Newton Canteras, do Laborat\u00f3rio de Neuroanatomia Funcional do Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas (ICB) da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) \u2013 realizadas com apoio do Projeto Tem\u00e1tico \u201cBases neurais dos comportamentos motivados\u201d, da FAPESP, foram capa da revista Nature Reviews Neuroscience de setembro.<\/p>\n<p>Segundo Canteras, os estudos realizados em ratos no ICB-USP se basearam na indu\u00e7\u00e3o nos animais de est\u00edmulos de \u201cmedos instintivos\u201d, que se caracterizam como um mecanismo de sobreviv\u00eancia, e de \u201cmedos aprendidos\u201d, que s\u00e3o culturais e adquiridos ao longo da vida.<\/p>\n<p>\u201cUm dos pontos importantes destacados no artigo foi a descoberta de que, em roedores, o circuito relacionado ao medo causado por amea\u00e7a de um predador natural pode ser o mesmo circuito acionado em seres humanos quando eles enfrentam amea\u00e7as \u00e0 pr\u00f3pria vida. Esse achado poder\u00e1 nos ajudar a entender situa\u00e7\u00f5es como o estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico\u201d, disse Canteras \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>De acordo com Canteras, quando o tema come\u00e7ou a ser estudado por seu grupo, por volta de 1995, predominava na comunidade cient\u00edfica uma teoria unit\u00e1ria de organiza\u00e7\u00e3o das respostas de medo no sistema nervoso.<\/p>\n<p>\u201cEsse processo foi descoberto a partir de experimentos que associavam um est\u00edmulo doloroso \u2013 como um choque, por exemplo \u2013 e um som ou ambiente espec\u00edfico. Depois de ser submetido a essa associa\u00e7\u00e3o v\u00e1rias vezes, o animal apresentava uma rea\u00e7\u00e3o de medo ao ser exposto ao som ou ambiente, mesmo sem o est\u00edmulo doloroso. Achava-se que esse tipo de experimento era suficiente para explicar integralmente a rea\u00e7\u00e3o de medo\u201d, disse.<\/p>\n<p>No entanto, quando come\u00e7aram a estudar o sistema neural que est\u00e1 envolvido com uma situa\u00e7\u00e3o natural de medo, os pesquisadores da USP perceberam que os mecanismos n\u00e3o eram t\u00e3o simples quanto pareciam.<\/p>\n<p>\u201cQuando testamos a exposi\u00e7\u00e3o do roedor a um gato, que \u00e9 seu predador natural, descobrimos que a resposta de medo ativava uma regi\u00e3o cerebral completamente diferente da que era ativada pelo medo de um simples est\u00edmulo doloroso. A partir da\u00ed passamos v\u00e1rios anos realizando estudos com foco na reprodu\u00e7\u00e3o mais precisa de medos naturais\u201d, afirmou Canteras.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, o animal \u00e9 constitu\u00eddo de forma a ter uma rea\u00e7\u00e3o de medo quando \u00e9 exposto a algo que amea\u00e7a sua vida. Assim, as rea\u00e7\u00f5es inatas de medo s\u00e3o divididas em duas categorias: a amea\u00e7a predat\u00f3ria \u2013 que \u00e9 a presen\u00e7a de um predador \u2013 e a amea\u00e7a social, que \u00e9 o medo de um animal agressivo da mesma esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>\u201cO animal n\u00e3o aprende a ter esse tipo de medo, \u00e9 uma rea\u00e7\u00e3o inata. Descobrimos que n\u00e3o havia apenas distin\u00e7\u00e3o entre as vias neurais ativadas para a rea\u00e7\u00e3o inata de medo e a rea\u00e7\u00e3o de medo aprendido \u2013 que \u00e9 o caso do est\u00edmulo doloroso \u2013, mas o medo causado pelo predador e pela amea\u00e7a social tamb\u00e9m percorre caminhos diferentes no c\u00e9rebro\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Segundo Canteras, as descobertas foram consideradas importantes porque uma s\u00e9rie de patologias humanas derivam do medo \u2013 como a ansiedade, a s\u00edndrome do p\u00e2nico e o estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico.<\/p>\n<p>\u201cO fato de serem distintas as vias neurais do processamento do medo tem v\u00e1rias consequ\u00eancias. Um indiv\u00edduo que toma um choque n\u00e3o entra em p\u00e2nico quando v\u00ea uma tomada posteriormente. Mas quem foi assaltado e sofreu amea\u00e7a de morte, acaba tendo uma rea\u00e7\u00e3o de p\u00e2nico ao ser submetido a um est\u00edmulo associado \u00e0quele evento\u201d, declarou.<\/p>\n<p>Entender o sistema neural usado em cada situa\u00e7\u00e3o nos ajudar\u00e1 a entender como s\u00e3o organizadas as respostas de medo aprendido. \u201cAs vias neurais do medo aprendido \u00e9 que est\u00e3o relacionadas \u00e0s patologias humanas\u201d, disse.<\/p>\n<p>De acordo com Canteras, em 2010 se descobriu que os est\u00edmulos em um n\u00facleo do hipot\u00e1lamo \u2013 que era importante para que os ratos manifestassem o medo do predador \u2013 utilizam um circuito que tamb\u00e9m existe nos seres humanos e que possivelmente pode ser acionado em uma situa\u00e7\u00e3o de amea\u00e7a de vida.<\/p>\n<p>\u201cO sistema que no rato est\u00e1 envolvido com a detec\u00e7\u00e3o de amea\u00e7as \u00e0 vida \u2013 como a presen\u00e7a de predadores \u2013 est\u00e1 presente tamb\u00e9m no homem. O fato de haver esse paralelismo nos d\u00e1 uma perspectiva de desenvolver abordagens para entender como esses mecanismos se organizam no c\u00e9rebro humano\u201d, declarou.<\/p>\n<p>O artigo The many paths to fear , de Newton Canteras e Cornelius Gross, pode ser lido por assinantes da Nature Reviews Neuroscience em <a href=\"http:\/\/www.nature.com\/nrn\/journal\/v13\/n9\/full\/nrn3301.html\" target=\"_blank\">http:\/\/www.nature.com\/nrn\u00a0<\/a><\/p>\n<p>Por F\u00e1bio de Castro<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudos realizados nos \u00faltimos anos por pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos mostraram que, ao contr\u00e1rio do que se pensava anteriormente, tipos distintos de medo \u2013 como o medo de est\u00edmulos dolorosos, o medo de predadores naturais e o medo de membros agressivos da mesma esp\u00e9cie \u2013 s\u00e3o processados em circuitos neurais independentes entre [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":34767,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_genesis_hide_title":false,"_genesis_hide_breadcrumbs":false,"_genesis_hide_singular_image":false,"_genesis_hide_footer_widgets":false,"_genesis_custom_body_class":"","_genesis_custom_post_class":"","_genesis_layout":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[],"class_list":{"0":"post-40673","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-brasil","8":"entry","9":"gs-1","10":"gs-odd","11":"gs-even","12":"gs-featured-content-entry"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/bolsa-de-estudo.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40673","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40673"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40673\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/34767"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40673"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40673"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40673"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}