{"id":39404,"date":"2012-06-12T13:31:28","date_gmt":"2012-06-12T16:31:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=39404"},"modified":"2012-06-12T13:31:28","modified_gmt":"2012-06-12T16:31:28","slug":"crise-do-programa-de-bioetanol-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2012\/crise-do-programa-de-bioetanol-brasileiro\/39404","title":{"rendered":"Crise do programa de bioetanol brasileiro"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-34985\" title=\"combustivel\" src=\"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/combustivel.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"193\" srcset=\"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/combustivel.jpg 300w, https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/combustivel-250x160.jpg 250w, https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/combustivel-150x96.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>O Brasil precisa criar pol\u00edticas p\u00fablicas para assegurar a continuidade do programa de <em><strong>bioetanol<\/strong><\/em> brasileiro e evitar ou minimizar as sucessivas crises pelas quais tem passado desde que foi criado na d\u00e9cada de 1970, sob a alcunha de Programa Nacional do \u00c1lcool (Pro\u00e1lcool), para enfrentar os choques de pre\u00e7o do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o foi feita por representantes do governo, de institui\u00e7\u00f5es de pesquisa e das ind\u00fastrias sucroalcooleira e automotiva, que participaram diretamente dos processos de planejamento, implanta\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o do Pro\u00e1lcool, durante o semin\u00e1rio \u201cO renascimento do bioetanol brasileiro: os fundadores do Pro\u00e1lcool\u201d, realizado pelo Instituto de Eletrot\u00e9cnica e Energia (IEE) da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) no dia 4 de junho.<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o de participantes do evento, de todas as crises pelas quais o programa de bioetanol brasileiro passou ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas, a que est\u00e1 vivendo hoje \u2013 caracterizada pela estagna\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o do \u00e1lcool no pa\u00eds e o elevado endividamento de diversas usinas \u2013 \u00e9 a mais grave. Isso porque ela depende de uma interven\u00e7\u00e3o do governo para ser solucionada, enquanto as crises anteriores foram sanadas por meio de solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>\u201cA crise atual \u00e9 a mais s\u00e9ria, porque depende de pol\u00edticas p\u00fablicas para corrigir a distor\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o da gasolina, que est\u00e1 congelado, enquanto os custos de produ\u00e7\u00e3o do \u00e1lcool e da cana dobraram nos \u00faltimos oito anos\u201d, disse Maur\u00edlio Biagi Filho, pertencente a uma tradicional fam\u00edlia de usineiros do pa\u00eds que fundou a usina Santa Elisa e um dos primeiros signat\u00e1rios do Pro\u00e1lcool.<\/p>\n<p>A opini\u00e3o de Biagi Filho foi compartilhada por C\u00edcero Junqueira Franco, fundador da Usina Vale do Ros\u00e1rio e um dos idealizadores do Pro\u00e1lcool juntamente com o engenheiro Lamartine Navarro J\u00fanior (1932-2001).<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso iniciar uma pr\u00e1tica de pol\u00edtica p\u00fablica para o \u00e1lcool. At\u00e9 hoje estamos patinando nesse quesito, o que gera inseguran\u00e7a tanto para os produtores de \u00e1lcool como para os consumidores\u201d, avaliou Franco.<\/p>\n<p>De acordo com os participantes do evento, a fase \u00e1urea do Pro\u00e1lcool teve in\u00edcio em 1979 \u2013 quando houve a segunda crise do petr\u00f3leo e o \u00e1lcool se tornou vi\u00e1vel \u2013 e terminou em 1985.<\/p>\n<p>Nesse per\u00edodo, em que houve um esfor\u00e7o governamental para tornar o \u00e1lcool competitivo em rela\u00e7\u00e3o ao petr\u00f3leo, foram criadas mais de 200 destilarias aut\u00f4nomas \u2013 situadas principalmente no Estado de S\u00e3o Paulo \u2013 dedicadas a produzir exclusivamente \u00e1lcool.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, algumas montadoras instaladas no Brasil, como a Fiat e a Volkswagen, iniciaram a produ\u00e7\u00e3o de autom\u00f3veis movidos a \u00e1lcool, que chegaram a representar 90% da frota de ve\u00edculos novos comercializados no pa\u00eds. E institui\u00e7\u00f5es de pesquisa, como o Instituto de Pesquisas Tecnol\u00f3gicas (IPT), reativaram seus programas de pesquisa e desenvolvimento de motores automotivos.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, esse ciclo virtuoso do combust\u00edvel no pa\u00eds come\u00e7ou a ser interrompido em 1985, quando o pre\u00e7o do petr\u00f3leo voltou a cair e foram retirados os subs\u00eddios para a produ\u00e7\u00e3o do \u00e1lcool hidratado, que come\u00e7ou a faltar nas bombas dos postos de gasolina em 1989, abalando a credibilidade do programa.<\/p>\n<p>\u201cA falta de etanol nos postos foi um acontecimento dram\u00e1tico, porque eram ve\u00edculos totalmente dedicados a esse tipo de combust\u00edvel. N\u00e3o tinha como abastecer os carros com gasolina\u201d, relembrou Georg Pischinger, engenheiro austr\u00edaco, que desenvolveu o motor a \u00e1lcool utilizado pela subsidi\u00e1ria brasileira da Volkswagen nos modelos de autom\u00f3veis Kombi, Fusca, Passat e Bras\u00edlia fabricados na \u00e9poca.<\/p>\n<p>Uma das solu\u00e7\u00f5es desenvolvidas em institui\u00e7\u00f5es de pesquisa e montadoras para tentar salvar o programa foi uma mistura de etanol, metanol e gasolina. Conhecida como \u201cmistura MEG\u201d, o composto, formado por 60% de etanol hidratado, 34% de metanol e 6% de gasolina, possu\u00eda as mesmas caracter\u00edsticas do etanol e dispensava a necessidade de serem feitas modifica\u00e7\u00f5es nos ve\u00edculos movidos a \u00e1lcool.<\/p>\n<p>Com essa e outras medidas, como a continuidade da adi\u00e7\u00e3o de 25% de \u00e1lcool anidro na gasolina, o Pro\u00e1lcool conseguiu sobreviver e as ind\u00fastrias automotivas continuaram trabalhando no desenvolvimento de tecnologias, principalmente de inje\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica, para autom\u00f3veis movidos a \u00e1lcool.<\/p>\n<p>Isso tudo, segundo os pesquisadores presentes no evento, resultou na cria\u00e7\u00e3o das bases para o desenvolvimento do sistema flex fuel no Brasil em 2003, que foi o grande respons\u00e1vel por recuperar a confian\u00e7a do consumidor brasileiro no etanol.<\/p>\n<p>\u201cA tecnologia flex fuel j\u00e1 estava pronta. A inova\u00e7\u00e3o, nesse caso, n\u00e3o foi tecnol\u00f3gica, mas sim de marketing, que convenceu a popula\u00e7\u00e3o a voltar a utilizar o \u00e1lcool combust\u00edvel\u201d, disse Francisco Nigro, pesquisador do IPT que participou do desenvolvimento de motores a \u00e1lcool na institui\u00e7\u00e3o de pesquisa.<\/p>\n<p>Li\u00e7\u00f5es do Pro\u00e1lcool<\/p>\n<p>Nigro lembrou que, apesar de o pre\u00e7o do \u00e1lcool estar em baixa no in\u00edcio dos anos 2000 \u2013 quando o pre\u00e7o do petr\u00f3leo voltou novamente a subir \u2013, e da mobiliza\u00e7\u00e3o do governo e de entidades setoriais para retomar a produ\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos movidos ao combust\u00edvel, o consumidor se mantinha indiferente, sinalizando que era o momento oportuno para o lan\u00e7amento de ve\u00edculos flex fuel para recuperar a credibilidade do combust\u00edvel alternativo.<\/p>\n<p>Entretanto, os pr\u00f3prios usineiros e as montadoras n\u00e3o eram favor\u00e1veis aos ve\u00edculos flex fuel, os quais os \u00faltimos comparavam a um pato \u2013 que anda, nada e voa, mas que n\u00e3o desempenha nenhuma dessas fun\u00e7\u00f5es direito.<\/p>\n<p>\u201cEra essa vis\u00e3o que se tinha dos carros flex fuel antes de serem lan\u00e7ados. E n\u00f3s rebat\u00edamos dizendo que o pato era um animal otimizado, que sobreviveu \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies\u201d, relembrou Nigro.<\/p>\n<p>Em 2000, durante as comemora\u00e7\u00f5es do centen\u00e1rio do IPT, a institui\u00e7\u00e3o de pesquisa realizou um semin\u00e1rio sobre ve\u00edculos bicombust\u00edvel, que reuniu representantes de empresas que desenvolviam o sistema flex fuel e foram feitas demonstra\u00e7\u00f5es da tecnologia para a imprensa, contribuindo para sua divulga\u00e7\u00e3o e para convencer os integrantes da cadeia de bioetanol sobre sua viabilidade.<\/p>\n<p>\u201cUma das li\u00e7\u00f5es que podemos tirar da hist\u00f3ria do Pro\u00e1lcool no Brasil nesses quase 40 anos \u00e9 que, mesmo que n\u00e3o se beneficiem diretamente das patentes geradas pelo desenvolvimento de uma tecnologia, as institui\u00e7\u00f5es de pesquisa desempenham um papel importante de ajudar a convencer o conjunto do setor de que aquela tecnologia faz sentido\u201d, disse Nigro.<\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador, outra conclus\u00e3o do programa, reconhecido mundialmente como o de maior sucesso na inser\u00e7\u00e3o de fontes renov\u00e1veis na matriz de combust\u00edveis, \u00e9 que ele necessita de a\u00e7\u00f5es coordenadas entre as v\u00e1rias esferas, incluindo governo, institui\u00e7\u00f5es de pesquisa, ind\u00fastrias e sociedade.<\/p>\n<p>\u201cEssa mobiliza\u00e7\u00e3o em conjunto representa o principal desafio de um programa de energia. No caso do etanol, n\u00f3s conseguimos e precisamos continuar a fazer isso\u201d, destacou Nigrou.<\/p>\n<p>As experi\u00eancias dos fundadores do Pro\u00e1lcool est\u00e3o sendo registradas e reunidas por pesquisadores do IEE da USP em um projeto coordenado pelo professor Ildo Lu\u00eds Sauer.<\/p>\n<p>Por Elton Alisson<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil precisa criar pol\u00edticas p\u00fablicas para assegurar a continuidade do programa de bioetanol brasileiro e evitar ou minimizar as sucessivas crises pelas quais tem passado desde que foi criado na d\u00e9cada de 1970, sob a alcunha de Programa Nacional do \u00c1lcool (Pro\u00e1lcool), para enfrentar os choques de pre\u00e7o do petr\u00f3leo. 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