{"id":37523,"date":"2011-12-08T18:07:00","date_gmt":"2011-12-08T20:07:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=37523"},"modified":"2011-12-08T18:07:00","modified_gmt":"2011-12-08T20:07:00","slug":"regeneracao-cardiaca-e-objeto-de-pesquisa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2011\/regeneracao-cardiaca-e-objeto-de-pesquisa\/37523","title":{"rendered":"Regenera\u00e7\u00e3o card\u00edaca \u00e9 objeto de pesquisa"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-37376\" title=\"saude doutor\" src=\"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/saude-doutor.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"193\" srcset=\"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/saude-doutor.jpg 300w, https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/saude-doutor-250x161.jpg 250w, https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/saude-doutor-150x97.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>O tratamento de doen\u00e7as isqu\u00eamicas do <em><strong>cora\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em>, como o infarto agudo do mioc\u00e1rdio, \u00e9 uma das \u00e1reas que mais evolu\u00edram na medicina nos \u00faltimos anos por meio do desenvolvimento de novas drogas, da cirurgia de revasculariza\u00e7\u00e3o e de t\u00e9cnicas como a angioplastia ou a utiliza\u00e7\u00e3o de stents para desobstru\u00e7\u00e3o de art\u00e9rias.<\/p>\n<p>Uma nova t\u00e9cnica promete revolucionar, ainda mais, o avan\u00e7o na \u00e1rea. Pesquisadores do Brasil e de outros pa\u00edses pretendem substituir m\u00fasculos card\u00edacos danificados e induzir a forma\u00e7\u00e3o de novos vasos em pacientes que sofreram infarto agudo do mioc\u00e1rdio por meio do uso de c\u00e9lulas-tronco e embrion\u00e1rias.<\/p>\n<p>Denominada repara\u00e7\u00e3o card\u00edaca biol\u00f3gica, a t\u00e9cnica come\u00e7ou a ser explorada nos \u00faltimos dez anos por grupos de pesquisa como o de Jos\u00e9 Eduardo Krieger, diretor do Laborat\u00f3rio de Gen\u00e9tica e Cardiologia Molecular do Instituto do Cora\u00e7\u00e3o (InCor) e professor titular em Gen\u00e9tica e Medicina Molecular do Departamento de Cardiopneumologia da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (FMUSP).<\/p>\n<p>Mas o m\u00e9todo precisa superar diversos desafios antes de chegar \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o cl\u00ednica. \u201cApesar de j\u00e1 termos evid\u00eancias de que a indu\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o de novos vasos card\u00edacos \u00e9 poss\u00edvel, a t\u00e3o necess\u00e1ria substitui\u00e7\u00e3o de m\u00fasculos card\u00edacos danificados ainda \u00e9 uma miragem\u201d, disse Krieger durante o Simp\u00f3sio Regional sobre Medicina Translacional realizado em 2 de dezembro no Audit\u00f3rio da FAPESP. O evento integrou as comemora\u00e7\u00f5es dos 60 anos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq), completados em 2011.<\/p>\n<p>Segundo Krieger, desde a d\u00e9cada de 1980 h\u00e1 evid\u00eancias de que \u00e9 poss\u00edvel induzir a forma\u00e7\u00e3o de novos vasos card\u00edacos e que isso pode ser um bom alvo terap\u00eautico. Por outro lado, as primeiras indica\u00e7\u00f5es de que os m\u00fasculos card\u00edacos t\u00eam capacidade de regenera\u00e7\u00e3o em mam\u00edferos s\u00f3 come\u00e7aram a surgir nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>Em um estudo publicado em 2009 na revista Science, um grupo da Su\u00e9cia conseguiu estabelecer a idade de m\u00fasculos card\u00edacos por meio de t\u00e9cnicas de data\u00e7\u00e3o por incorpora\u00e7\u00e3o de carbono 14 ao DNA de pessoas expostas \u00e0 radioatividade gerada por testes de bombas nucleares durante a Guerra Fria.<\/p>\n<p>Os cientistas suecos constataram que os m\u00fasculos card\u00edacos humanos apresentam capacidade de renova\u00e7\u00e3o de 1% a 2% anualmente nas primeiras d\u00e9cadas de vida e de 0,45% a partir da quarta d\u00e9cada, em que a probabilidade de um infarto do mioc\u00e1rdio \u00e9 maior.<\/p>\n<p>As taxas de renova\u00e7\u00e3o indicaram que cerca de 50% das c\u00e9lulas dos m\u00fasculos card\u00edacos humanos s\u00e3o substitu\u00eddos ao longo de toda a vida de uma pessoa com 70 anos, sugerindo que o desenvolvimento de estrat\u00e9gias terap\u00eauticas, como a repara\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica card\u00edaca, poder\u00e1 estimular esse processo.<\/p>\n<p>\u201cEsse percentual de renova\u00e7\u00e3o dos m\u00fasculos card\u00edacos na quarta a s\u00e9tima d\u00e9cada de vida pode parecer insuficiente para reparar um infarto, mas \u00e9 uma evid\u00eancia muito importante de que mesmo nessa fase ainda existe renova\u00e7\u00e3o celular. E o que estamos querendo fazer \u00e9, eventualmente, explorar isso do ponto de vista terap\u00eautico\u201d, disse Krieger.<\/p>\n<p>Uma das estrat\u00e9gias estudadas para a repara\u00e7\u00e3o card\u00edaca \u00e9 a utiliza\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas tronco adultas da medula \u00f3ssea ou derivadas do tecido adiposo, e de c\u00e9lulas adultas geneticamente modificadas para estimular a forma\u00e7\u00e3o de novos vasos. Entretanto, em estudos feitos em ratos, os pesquisadores brasileiros constataram que poucas c\u00e9lulas permaneceram no cora\u00e7\u00e3o dos animais quando injetadas na corrente sangu\u00ednea um a sete dias ap\u00f3s sofrerem um infarto do mioc\u00e1rdio. E, quando as c\u00e9lulas s\u00e3o injetadas diretamente no tecido card\u00edaco, h\u00e1 um aumento de 7% na reten\u00e7\u00e3o, o que ainda n\u00e3o \u00e9 satisfat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Para aumentar a reten\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas no cora\u00e7\u00e3o, o grupo de Krieger em parceria com outro no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, est\u00e3o utilizando uma s\u00e9rie de biopol\u00edmeros e compostos naturais, como a fibrina e o col\u00e1geno, como \u201ccola\u201d para elevar a fixa\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas no \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p>Injetados juntamente com as c\u00e9lulas, esses biopol\u00edmeros que podem ser extra\u00eddos dos pr\u00f3prios pacientes s\u00e3o capazes de aumentar para 15% a reten\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas no mioc\u00e1rdio e em seu entorno, no caso da fibrina, e para at\u00e9 25%, no caso do col\u00e1geno.<\/p>\n<p>\u201cEstamos aprendendo que, al\u00e9m de fazer com que as c\u00e9lulas se fixem onde queremos, esses biopol\u00edmeros contribuem para proteger as c\u00e9lulas injetadas e facilitar a dissemina\u00e7\u00e3o de fatores de crescimento produzidos por elas para as c\u00e9lulas vizinhas\u201d, disse Krieger.<\/p>\n<p>O <a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/projetos-regulares\/29801\/injectable-biopolymers-cells-therapy-improvement\/\" target=\"_blank\">projeto<\/a>, que ser\u00e1 conclu\u00eddo no fim de dezembro, foi aprovado em uma <a href=\"http:\/\/www.fapesp.br\/5677\" target=\"_blank\">chamada<\/a> realizada pela FAPESP em parceria com o MIT.<\/p>\n<p>No laborat\u00f3rio do MIT, os cientistas priorizam experimentos com c\u00e9lulas humanas. J\u00e1 no InCor, os testes s\u00e3o realizados com c\u00e9lulas de su\u00ednos, que s\u00e3o considerados o modelo mais pr\u00f3ximo do homem.<\/p>\n<p>Agora, a equipe brasileira coordena um estudo, que est\u00e1 em fase final, com 140 pacientes isqu\u00eamicos cr\u00f4nicos, em que metade dos pacientes submetidos a cirurgia de ponte para revascularizar o mioc\u00e1rdio receber\u00e1 c\u00e9lulas de medula \u00f3ssea e a outra metade placebo, para testar se a c\u00e9lula \u00e9 capaz de aumentar a perfus\u00e3o sangu\u00ednea tecidual para inibir ou ao menos retardar a deteriora\u00e7\u00e3o de tecidos card\u00edacos ap\u00f3s o infarto do mioc\u00e1rdio.<\/p>\n<p>\u201cOs desafios atuais nessa \u00e1rea s\u00e3o, por um lado, entender os mecanismos de a\u00e7\u00e3o pelos quais diferentes c\u00e9lulas tronco podem contribuir para minimizar o dano card\u00edaco ap\u00f3s o infarto e, por outro, avaliar se esses efeitos podem ou n\u00e3o ser substitu\u00eddos por f\u00e1rmacos para que possamos de maneira racional avaliar o potencial dessa tecnologia e a eventual aplica\u00e7\u00e3o dela no dia-a-dia da pr\u00e1tica cl\u00ednica\u201d, disse Krieger.<\/p>\n<p>Por Elton Alisson<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O tratamento de doen\u00e7as isqu\u00eamicas do cora\u00e7\u00e3o, como o infarto agudo do mioc\u00e1rdio, \u00e9 uma das \u00e1reas que mais evolu\u00edram na medicina nos \u00faltimos anos por meio do desenvolvimento de novas drogas, da cirurgia de revasculariza\u00e7\u00e3o e de t\u00e9cnicas como a angioplastia ou a utiliza\u00e7\u00e3o de stents para desobstru\u00e7\u00e3o de art\u00e9rias. 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