{"id":32529,"date":"2010-11-24T08:43:53","date_gmt":"2010-11-24T12:43:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=32529"},"modified":"2010-11-24T08:43:53","modified_gmt":"2010-11-24T12:43:53","slug":"pesquisa-da-usp-usa-celula-tronco-na-cicatrizacao-de-queimadura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2010\/pesquisa-da-usp-usa-celula-tronco-na-cicatrizacao-de-queimadura\/32529","title":{"rendered":"Pesquisa da USP usa c\u00e9lula-tronco na cicatriza\u00e7\u00e3o de queimadura"},"content":{"rendered":"<h2><span style=\"font-weight: normal; font-size: 13px;\">A <\/span><span style=\"font-size: 13px;\"><em>c\u00e9lula-tronco<\/em><\/span><span style=\"font-weight: normal; font-size: 13px;\"> mesenquimal,\u00a0que vem de um precursor da medula \u00f3ssea,acelera  cicatriza\u00e7\u00e3o de feridas geradas por queimaduras graves, conforme constatado por  pesquisa da Faculdade de Medicina de Ribeir\u00e3o Preto (FMRP) da USP. O estudo  utilizou as c\u00e9lulas-tronco em ratos que tinham queimaduras de terceiro grau em  aproximadamente 40% da superf\u00edcie corporal queimada. No teste, houve ratos que  receberam as c\u00e9lulas e os que n\u00e3o receberam, sendo que ambos tinham sofrido  queimaduras. Enquanto no segundo grupo os animais tiveram uma porcentagem de  cicatriza\u00e7\u00e3o de 80%, 60 dias ap\u00f3s a queimadura , no primeiro grupo quase todos\u00a0  tiveram 100% da superf\u00edcie queimada cicatrizada nesse per\u00edodo.<\/span><\/h2>\n<p>&#8220;O efeito  se deve ao uso das c\u00e9lulas-tronco mesenquimais,\u00a0 que s\u00e3o respons\u00e1veis por gerar  tecidos da linhagem mesod\u00e9rmica, como osso, cartilagem, m\u00fasculo e derme&#8221;,  explica a bi\u00f3loga Carolina Caliari Oliveira, autora da pesquisa.<\/p>\n<p>Ela  comenta que ainda n\u00e3o se sabe exatamente como a c\u00e9lula atua no corpo de modo a  agilizar a cicatriza\u00e7\u00e3o. Uma das hip\u00f3teses est\u00e1 relacionada a um dos efeitos que  a c\u00e9lula ocasiona. Carolina percebeu que os animais tratados apresentaram maior  quantidade de tecido de granula\u00e7\u00e3o (tecido provis\u00f3rio que \u00e9 formado quando h\u00e1  alguma les\u00e3o) e de vasos sangu\u00edneos na regi\u00e3o queimada ap\u00f3s o tratamento, o que  pode ajudar na cicatriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da cicatriza\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida, os animais  tratados tamb\u00e9m apresentaram melhorias quanto a outros efeitos de queimadura  grave. &#8220;A queimadura dessa gravidade comumente causa efeitos sist\u00eamicos como  hipermetabolismo e a S\u00edndrome da Resposta Inflamat\u00f3ria Sist\u00eamica (SIRS), que \u00e9  uma inflama\u00e7\u00e3o exagerada. Em um segundo momento, o grande queimado desenvolve  imunossupress\u00e3o sist\u00eamica, que diminui a resposta imunol\u00f3gica do paciente,  deixando-o sujeito a infec\u00e7\u00f5es graves&#8221;, aponta Carolina. A bi\u00f3loga explica que a  c\u00e9lula mesenquimal pode ser capaz de suprimir a resposta imunol\u00f3gica exagerada  num primeiro momento, ajudando a controlar a SIRS.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, no estudo  se observou que no s\u00e9timo dia ap\u00f3s a queimadura os ratos tratados mantiveram o  equil\u00edbrio de c\u00e9lulas do sistema imunol\u00f3gico. Segundo Carolina, a manuten\u00e7\u00e3o do  equil\u00edbrio entre as c\u00e9lulas TCD4 e TCD8, ambos linf\u00f3citos, \u00e9 importante para um  bom progn\u00f3stico do paciente queimado. &#8220;Ap\u00f3s queimaduras graves, a quantidade de  linf\u00f3citos TCD8 pode aumentar consideravelmente, o que n\u00e3o \u00e9 bom para o  paciente. As c\u00e9lulas mesenquimais podem ter auxiliado no equil\u00edbrio original  deles, com mais TCD4 e menos TCD8&#8221;.<\/p>\n<p>Tratamento<\/p>\n<p>As  c\u00e9lulas-tronco mesenquimais usadas advieram de medulas \u00f3sseas de camundongos, as  quais foram cultivadas em laborat\u00f3rio. Elas s\u00e3o colocadas em placas de cultivo  feitas de pl\u00e1stico. Quando cultivadas em um meio de cultura especial, ap\u00f3s  alguns dias e certos procedimentos, somente as c\u00e9lulas mesenquimais aderem ao  pl\u00e1stico das placas de cultivo. Depois, aplicam-se com uma seringa as  c\u00e9lulas-troncos mesenquimais ao redor das regi\u00f5es queimadas.<\/p>\n<p>A pesquisa  fez parte da disserta\u00e7\u00e3o de mestrado de Carolina pela FMRP, sob orienta\u00e7\u00e3o do  professor J\u00falio C\u00e9sar Voltarelli. A bi\u00f3loga destaca que seu estudo foi o  primeiro a testar as c\u00e9lulas mesenquimais em modelo experimental de queimaduras  graves. Sobre a aplica\u00e7\u00e3o em seres humanos, ela comenta que &#8220;o modelo  experimental n\u00e3o \u00e9 perfeito, mas \u00e9 a melhor ferramenta que dispomos para  mimetizar o que acontece com seres humanos&#8221;.<\/p>\n<p>A biologa pretende dar  continuidade ao seu estudo em seu doutorado pela FMRP. &#8220;A ideia agora \u00e9 utilizar  c\u00e9lulas mesenquimais de seres humanos, que podem ser obtidas da veia do cord\u00e3o  umbilical e do tecido adiposo&#8221;.<\/p>\n<p>Da USP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A c\u00e9lula-tronco mesenquimal,\u00a0que vem de um precursor da medula \u00f3ssea,acelera cicatriza\u00e7\u00e3o de feridas geradas por queimaduras graves, conforme constatado por pesquisa da Faculdade de Medicina de Ribeir\u00e3o Preto (FMRP) da USP. O estudo utilizou as c\u00e9lulas-tronco em ratos que tinham queimaduras de terceiro grau em aproximadamente 40% da superf\u00edcie corporal queimada. 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