{"id":32341,"date":"2010-11-11T12:07:04","date_gmt":"2010-11-11T16:07:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=32341"},"modified":"2010-11-11T12:07:04","modified_gmt":"2010-11-11T16:07:04","slug":"panorama-da-ciencia-no-brasil-e-no-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2010\/panorama-da-ciencia-no-brasil-e-no-mundo\/32341","title":{"rendered":"Panorama da ci\u00eancia no Brasil e no mundo"},"content":{"rendered":"<div>\n<h3><span style=\"font-size: 13px;\"><span style=\"font-weight: normal;\"> A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a  Ci\u00eancia e a Cultura (Unesco) lan\u00e7ou nesta quarta-feira (10\/11), em Bras\u00edlia e em  Paris, simultaneamente, o <\/span><em>Relat\u00f3rio Unesco sobre Ci\u00eancia<\/em><span style=\"font-weight: normal; font-style: italic;\"> 2010<\/span><span style=\"font-weight: normal;\">. A data  corresponde ao Dia Mundial da Ci\u00eancia pela Paz e pelo Desenvolvimento.<\/span><\/span><\/h3>\n<\/div>\n<div>\n<p>O documento \u00e9 editado a cada cinco anos para apresentar um diagn\u00f3stico do  desenvolvimento mundial da ci\u00eancia. No Brasil, o lan\u00e7amento ocorreu em audi\u00eancia  p\u00fablica no Senado Federal, em evento proposto pelo senador Flexa Ribeiro  (PSDB-PA), que preside a Comiss\u00e3o de Ci\u00eancia, Tecnologia, Inova\u00e7\u00e3o, Comunica\u00e7\u00e3o  e Inform\u00e1tica do Senado e ressaltou o fato de o estudo dar destaque ao  Brasil.<\/p>\n<p>O pa\u00eds foi o \u00fanico da Am\u00e9rica do Sul a ser contemplado com um cap\u00edtulo  exclusivo, de autoria de Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor cient\u00edfico da  FAPESP e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e Hernan  Chaimovich, coordenador dos Centros de Pesquisa, Inova\u00e7\u00e3o e Difus\u00e3o (CEPID) da  FAPESP e professor da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<\/p>\n<p>Al\u00e9m de Brito Cruz e de Ribeiro, participaram da audi\u00eancia Vincent Defourny,  representante da Unesco no Brasil, Jailson Bittencourt de Andrade, representando  a Academia Brasileira de Ci\u00eancia (ABC), e Roosevelt Tom\u00e9 Filho, secret\u00e1rio de  Ci\u00eancia e Tecnologia para a Inclus\u00e3o Social.<\/p>\n<p>De acordo com Defourny, o relat\u00f3rio apresenta an\u00e1lises extensas sobre a  evolu\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia e tecnologia por regi\u00f5es no mundo e destaca alguns pa\u00edses  que apresentam caracter\u00edsticas de evolu\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas ou de investimentos que  podem se tornar exemplares no contexto global.<\/p>\n<p>\u201cO relat\u00f3rio mostra que, ao lado da cl\u00e1ssica tr\u00edade que sempre se destaca na  ci\u00eancia e tecnologia \u2013 Estados Unidos, Jap\u00e3o e Uni\u00e3o Europeia \u2013, h\u00e1 a crescente  import\u00e2ncia de pa\u00edses emergentes como a Coreia do Sul, a India e a China. E  tamb\u00e9m o Brasil, que aparece ainda de forma modesta, mas com um papel que lhe  permite crescer e avan\u00e7ar\u201d, disse Defourny \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>Segundo ele, no caso do Brasil, os n\u00fameros indicam grande evolu\u00e7\u00e3o recente no  setor, mas uma relativa estagna\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos anos. \u201cO pa\u00eds desenvolveu uma  base acad\u00eamica competitiva em ci\u00eancias, mas h\u00e1 ainda uma s\u00e9rie de desafios. A  taxa de crescimento no n\u00famero de doutores, por exemplo, foi de 15% ao ano por  muito tempo. Nos \u00faltimos tr\u00eas anos, o crescimento continuou, mas foi de apenas  5% por ano. \u00c9 um sinal de estagna\u00e7\u00e3o. Ser\u00e1 uma tarefa do novo governo federal  olhar para esses dados de forma muito detalhada\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Um dos problemas diagnosticados pelo relat\u00f3rio no pa\u00eds \u00e9 a falta de  investimento no setor por parte do governo e, especialmente, das empresas  privadas. \u201cA pesquisa e desenvolvimento na ind\u00fastria precisa receber uma aten\u00e7\u00e3o  maior at\u00e9 mesmo do que a pesquisa acad\u00eamica\u201d, disse.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio indica que o investimento em ci\u00eancia no Brasil deriva  principalmente do setor p\u00fablico: 55%. O pa\u00eds est\u00e1 abaixo da m\u00e9dia da Organiza\u00e7\u00e3o  para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE) na rela\u00e7\u00e3o entre o  investimento bruto em pesquisa e desenvolvimento (GERD, em ingl\u00eas) e o produto  interno bruto (PIB) do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Para alcan\u00e7ar a m\u00e9dia da OCDE de financiamento p\u00fablico \u00e0 pesquisa e  desenvolvimento (P&amp;D), o Brasil precisaria investir um adicional de R$ 3,3  bilh\u00f5es ao ano, montante que corresponde a tr\u00eas vezes o or\u00e7amento do Conselho  Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq).<\/p>\n<p>Nos gastos empresariais com P&amp;D, a m\u00e9dia dos pa\u00edses membros da OCDE \u00e9 o  triplo da encontrada no Brasil. Para igualar esse patamar, seria preciso  aumentar os gastos privados no setor de US$ 9,95 bilh\u00f5es ao ano para US$ 33  bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>O desafio, de acordo com o cap\u00edtulo produzido por Brito Cruz e Chaimovich,  pede instrumentos de pol\u00edticas p\u00fablicas muito mais efetivos que os empregados  at\u00e9 agora pelo Estado Brasileiro. Segundo Brito Cruz, al\u00e9m de reiterar a grande  desigualdade regional na produ\u00e7\u00e3o de ci\u00eancias no Brasil, o relat\u00f3rio destacou a  necessidade de uma melhor articula\u00e7\u00e3o entre as iniciativas federais e  estaduais.<\/p>\n<p>\u201cUma articula\u00e7\u00e3o entre pol\u00edticas federais e estaduais n\u00e3o se resume a  transferir recursos da Uni\u00e3o para os estados. \u00c9 essencial, por exemplo, que os  estados participem diretamente da produ\u00e7\u00e3o de indicadores de ci\u00eancia e  tecnologia. Precisamos de uma pol\u00edtica nacional de ci\u00eancia, tecnologia e  inova\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o de uma pol\u00edtica federal desconectada dos estados\u201d, disse \u00e0  Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio da Unesco revela um mapa no qual \u00e9 poss\u00edvel comparar,  periodicamente, o desempenho das v\u00e1rias regi\u00f5es do mundo em ci\u00eancia e tecnologia  e avaliar suas pol\u00edticas. Trata-se de um exemplo de como o Brasil deveria mapear  o desempenho em suas regi\u00f5es, de acordo com Brito Cruz.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o Paulo tem feito isso, mas n\u00e3o temos os dados do Brasil para diagnosticar  o que ocorre nos v\u00e1rios estados, para fazer compara\u00e7\u00f5es e para pensar em  solu\u00e7\u00f5es integradas. Sem isso, fazemos um voo cego. A Unesco est\u00e1 dando um \u00f3timo  exemplo\u201d, disse.<\/p>\n<p>Menos cientistas em empresas<\/p>\n<p>Entre as principais preocupa\u00e7\u00f5es manifestadas por Brito Cruz em rela\u00e7\u00e3o aos  diagn\u00f3sticos inclu\u00eddos no relat\u00f3rio est\u00e1 o fato de a mais recente Pesquisa de  Inova\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica (Pintec), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia  e Estat\u00edstica (IBGE), ter mostrado que o n\u00famero de pesquisadores que trabalham  em empresas no Brasil diminuiu entre 2005 e 2008.<\/p>\n<p>\u201cIsso \u00e9 algo que deve nos preocupar muito, porque toda a estrat\u00e9gia e as  pol\u00edticas s\u00e3o feitas para levar mais pesquisadores para a empresa e esse n\u00famero  nem sequer ficou constante: diminuiu em 10% no per\u00edodo. \u00c9 um problema que  precisa ser bem entendido. Precisamos ter esses indicadores com frequ\u00eancia para  podermos realimentar as pol\u00edticas p\u00fablicas\u201d, destacou. O n\u00famero de pesquisadores  em empresas era de 35 mil em 2000, passou a 40 mil em 2003, 50 mil em 2005 e  caiu para 45 mil em 2008.<\/p>\n<p>Para Brito Cruz, houve evolu\u00e7\u00f5es importantes no setor no Brasil, mas n\u00e3o  basta observar que os indicadores de resultados est\u00e3o crescendo. \u201c\u00c9 preciso  saber se est\u00e3o crescendo em rela\u00e7\u00e3o ao resto do mundo, com quem o pa\u00eds compete\u201d,  afirmou.<\/p>\n<p>\u201cA Coreia do Sul edita esse tipo de dados a cada tr\u00eas meses. No Brasil,  depois de tr\u00eas anos descobrimos que h\u00e1 menos pesquisadores em empresas. Com  tantas pol\u00edticas, como isso est\u00e1 acontecendo? \u00c9 preciso entender. Foi  identificado o problema e pode haver uma explica\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o sabemos qual \u00e9.  Trata-se de um alerta para nos perguntarmos que resultados essas pol\u00edticas est\u00e3o  trazendo\u201d, disse.<\/p>\n<p>Outra preocupa\u00e7\u00e3o, segundo Brito Cruz, \u00e9 que, apesar da necessidade de formar  mais recursos humanos, nas universidades federais o n\u00famero de concluintes deixou  de crescer desde 2004.<\/p>\n<p>\u201cEm 2008 houve menos concluintes do que em 2004. As federais t\u00eam uma  importante qualidade acad\u00eamica no Brasil, ainda que com heterogeneidade.  Precisamos recuperar o crescimento desse sistema\u201d, disse.<\/p>\n<ul>\n<li>Relat\u00f3rio: <a href=\"http:\/\/www.unesco.org\/science\/psd\/publications\/usr_2010.pdf\" target=\"_blank\">www.unesco.org\/science\/psd\/publications\/usr_2010.pdf<\/a><\/li>\n<li>Sum\u00e1rio executivo: <a href=\"http:\/\/unesdoc.unesco.org\/images\/0018\/001898\/189883E.pdf\" target=\"_blank\">http:\/\/unesdoc.unesco.org\/images\/0018\/001898\/189883E.pdf<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>Mais informa\u00e7\u00f5es: <a href=\"http:\/\/www.unesco.org\/pt\/brasilia\/dynamic-content-single-view\/news\/brazil_is_highlighted_at_unesco_science_report_2010\/back\/9669\/cHash\/90334a5bbd\/\" target=\"_blank\">www.unesco.org\/pt\/brasilia<\/a><\/p>\n<div>\n<h3><span style=\"font-weight: normal;\">Por F\u00e1bio de Castro, de Bras\u00edla<\/span><\/h3>\n<\/div>\n<div>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (Unesco) lan\u00e7ou nesta quarta-feira (10\/11), em Bras\u00edlia e em Paris, simultaneamente, o Relat\u00f3rio Unesco sobre Ci\u00eancia 2010. 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