{"id":32019,"date":"2010-10-18T11:29:20","date_gmt":"2010-10-18T15:29:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=32019"},"modified":"2010-10-18T11:29:20","modified_gmt":"2010-10-18T15:29:20","slug":"politicas-publicas-para-mudancas-climaticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2010\/politicas-publicas-para-mudancas-climaticas\/32019","title":{"rendered":"Pol\u00edticas p\u00fablicas para mudan\u00e7as clim\u00e1ticas"},"content":{"rendered":"<div>\n<h3><span style=\"font-weight: normal; font-size: 13px;\">Se o Estado de S\u00e3o Paulo fosse um pa\u00eds estaria em 39\u00ba  no ranking das na\u00e7\u00f5es que mais emitem di\u00f3xido de carbono (CO2) na atmosfera. Em  2003, foram 83 milh\u00f5es de toneladas do g\u00e1s, praticamente um quarto do montante  brasileiro. <\/span><span style=\"font-weight: normal; font-size: 13px;\">Esses n\u00fameros lan\u00e7am ao estado um enorme desafio para reduzir as emiss\u00f5es e  j\u00e1 estimularam a implanta\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias <\/span><span style=\"font-size: 13px;\"><em>pol\u00edticas p\u00fablicas<\/em><\/span><span style=\"font-weight: normal; font-size: 13px;\">, entre as quais a  ativa\u00e7\u00e3o do Conselho Estadual de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas, ocorrida na sexta-feira  (15\/10).<\/span><\/h3>\n<\/div>\n<div>\n<p>O tema foi tratado em mesa durante o f\u00f3rum \u201c<strong><em>Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas<\/em><\/strong> Globais \u2013  Desafios e oportunidades de pesquisa\u201d, realizado na Universidade Estadual de  Campinas (Unicamp) nos dias 14 e 15 de outubro. A mesa teve a participa\u00e7\u00e3o do  diretor-presidente da Companhia Ambiental do Estado de S\u00e3o Paulo (Cetesb),  Fernando Rei, do diretor cient\u00edfico da FAPESP, Carlos Henrique de Brito Cruz, e  do diretor do Instituto de Estudos Avan\u00e7ados da Faculdade de Economia e  Administra\u00e7\u00e3o da USP, Jacques Marcovitch.<\/p>\n<p>\u201cAs emiss\u00f5es de CO2 em S\u00e3o Paulo s\u00e3o t\u00edmidas em rela\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses  desenvolvidos, mas, ao se considerar o \u00edndice de ocupa\u00e7\u00e3o do solo, s\u00e3o emiss\u00f5es  superiores \u00e0 m\u00e9dia nacional\u201d, disse Rei.<\/p>\n<p>O executivo fez um hist\u00f3rico das pol\u00edticas p\u00fablicas paulistas desde o  Programa Estadual de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas do Estado de S\u00e3o Paulo (Proclima),  lan\u00e7ado em 1995, e destacou a participa\u00e7\u00e3o paulista em organiza\u00e7\u00f5es  internacionais de estados subnacionais, que englobam regi\u00f5es internas de pa\u00edses  como estados e prov\u00edncias. \u201cS\u00e3o Paulo \u00e9 copresidente pela segunda vez da rede de  Governos Regionais para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel\u201d, destacou.<\/p>\n<p>O Conselho Estadual de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas estava previsto na Lei Estadual  13.798, assinada em novembro de 2009, e possui uma estrutura tripartite: um  ter\u00e7o de representantes do governo estadual, um ter\u00e7o vindo de governos  municipais e um ter\u00e7o de membros da sociedade civil.<\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo tamb\u00e9m iniciou o Registro P\u00fablico de Emiss\u00f5es a fim de identificar,  por setores e por empresas, os maiores emissores de gases de efeito estufa.  Todas essas medidas t\u00eam como objetivo tentar alcan\u00e7ar uma redu\u00e7\u00e3o de 20% do CO2  emitido at\u00e9 o ano de 2020 em rela\u00e7\u00e3o aos valores de 2005, meta que o Estado se  comprometeu a cumprir.<\/p>\n<p>\u201cTrata-se de um objetivo extremamente dif\u00edcil e que exigir\u00e1 a participa\u00e7\u00e3o da  sociedade civil\u201d, salientou Rei. No ano de 2005, S\u00e3o Paulo lan\u00e7ou na atmosfera  122 milh\u00f5es de toneladas de CO2, o que significa que em 2020 poderia lan\u00e7ar at\u00e9  98 milh\u00f5es de toneladas, de acordo com a meta.<\/p>\n<p>A tarefa \u00e9 ainda mais complexa ao considerar que S\u00e3o Paulo j\u00e1 substituiu  quase a metade das fontes energ\u00e9ticas de origem f\u00f3ssil para fontes renov\u00e1veis na  \u00faltima d\u00e9cada, como ressaltou Brito Cruz. \u201cCerca de 60% do consumo de energia do  estado era de origem f\u00f3ssil e hoje esse \u00edndice \u00e9 de apenas 33%\u201d, disse.<\/p>\n<p>O diretor cient\u00edfico da FAPESP focou na contribui\u00e7\u00e3o que a ci\u00eancia deu ao  longo da hist\u00f3ria \u00e0 quest\u00e3o do clima, desde o matem\u00e1tico franc\u00eas Jean Jacques  Baptiste Fourier, que em 1827 publicou um artigo no qual concebeu o conceito de  efeito estufa, at\u00e9 as experi\u00eancias do norte-americano Charles Kelling, que de  1957 a 1972 escalou periodicamente o vulc\u00e3o inativo Mauna Loa, no Hava\u00ed, para  coletar amostras de ar e medir o teor de carbono da atmosfera.<\/p>\n<p>\u201cForam pesquisas que pareciam in\u00fateis em suas \u00e9pocas e que hoje se mostram  extremamente pertinentes em rela\u00e7\u00e3o aos problemas que estamos enfrentando\u201d,  disse, destacando que o Painel Intergovernamental de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC)  foi criado pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para que as lideran\u00e7as pol\u00edticas  pudessem entender a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica a respeito do clima.<\/p>\n<p>Brito Cruz tamb\u00e9m apresentou os principais pontos abordados pelo Programa  FAPESP de Pesquisa sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas Globais (PFPMCG), que tem procurado  intensificar a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica nacional no clima e conta com projetos em  andamento em \u00e1reas como agronomia, qu\u00edmica, geoci\u00eancias, demografia e  economia.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o queremos apenas aumentar a quantidade dos trabalhos cient\u00edficos, mas  tamb\u00e9m a sua qualidade para que ganhem visibilidade internacional\u201d, disse. Nesse  sentido, a FAPESP financiou a compra de um <strong><a href=\"http:\/\/www.agencia.fapesp.br\/materia\/12874\" target=\"_blank\">supercomputador<\/a><\/strong> em  parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) do Minist\u00e9rio da  Ci\u00eancia e Tecnologia.<\/p>\n<p>A m\u00e1quina est\u00e1 sendo instalada no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais  (Inpe) em Cachoeira Paulista (SP) e ser\u00e1 dedicada a processar modelos de  simula\u00e7\u00e3o do clima.<\/p>\n<p>O supercomputador dever\u00e1 colocar o Brasil entre os maiores do mundo em  investiga\u00e7\u00e3o do clima e poder\u00e1 processar modelos que contemplem os sistemas  clim\u00e1ticos nacionais, como a Floresta Amaz\u00f4nica, a Mata Atl\u00e2ntica e o  Cerrado.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do computador, Brito Cruz anunciou que a FAPESP tamb\u00e9m est\u00e1 financiando  a compra de um barco e de um navio oceanogr\u00e1fico que dever\u00e3o auxiliar pesquisas  sobre a temperatura, acidifica\u00e7\u00e3o e n\u00edvel dos oceanos, entre outras  pesquisas.<\/p>\n<p>Aprimorar incentivos e aumentar san\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>Marcovitch falou sobre os impactos econ\u00f4micos e a participa\u00e7\u00e3o do setor  empresarial no esfor\u00e7o para mitigar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. O professor, que foi  reitor da USP entre 1997 e 2001, afirmou que \u00e9 preciso respeitar o tempo de a\u00e7\u00e3o  de cada ator social para que o esfor\u00e7o conjunto funcione.<\/p>\n<p>\u201cAs pautas de cada um s\u00e3o diferentes: membros do governo enfatizam o poder,  cientistas se pautam na busca pela verdade, empresas focam no resultado e a  sociedade civil trabalha com valores. \u00c9 preciso enxergar isso para haver o  di\u00e1logo e avan\u00e7ar\u201d, disse.<\/p>\n<p>No caso do setor empresarial, Marcovitch defende pol\u00edticas p\u00fablicas que  promovam incentivos mais eficientes para as companhias que participarem e, ao  mesmo tempo, san\u00e7\u00f5es mais rigorosas para aquelas que n\u00e3o quiserem colaborar.<\/p>\n<p>Por fim, o pesquisador apresentou partes do <strong><a href=\"http:\/\/economiadoclima.org.br\/site\/?p=\" target=\"_blank\">Estudo Econ\u00f4mico das  Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas no Brasil<\/a><\/strong>, que coordenou junto a 11  institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O trabalho procurou identificar as vulnerabilidades que a economia e a  sociedade brasileira possuem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s altera\u00e7\u00f5es do clima. \u201cOs pa\u00edses que  promoveram os maiores saltos da civiliza\u00e7\u00e3o foram os mais ousados e que  enfrentaram grandes desafios, a \u00e1rea do clima \u00e9 um deles\u201d, disse.<\/p>\n<p>Por Fabio Reynol, de Campinas (SP)<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se o Estado de S\u00e3o Paulo fosse um pa\u00eds estaria em 39\u00ba no ranking das na\u00e7\u00f5es que mais emitem di\u00f3xido de carbono (CO2) na atmosfera. Em 2003, foram 83 milh\u00f5es de toneladas do g\u00e1s, praticamente um quarto do montante brasileiro. 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