{"id":31359,"date":"2010-09-10T15:39:53","date_gmt":"2010-09-10T19:39:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=31359"},"modified":"2010-09-10T15:39:53","modified_gmt":"2010-09-10T19:39:53","slug":"avancos-recentes-da-biodiversidade-marinha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2010\/avancos-recentes-da-biodiversidade-marinha\/31359","title":{"rendered":"Avan\u00e7os recentes da biodiversidade marinha"},"content":{"rendered":"<p>O Brasil guarda debaixo d\u2019\u00e1gua um reservat\u00f3rio  valioso para o fornecimento de produtos como medicamentos, combust\u00edveis e at\u00e9  mesmo um filtro solar natural de \u00f3timo desempenho.\u00a0S\u00e3o as algas marinhas, cujo potencial muito al\u00e9m dos sushis foi destacado  pelo professor Pio Colepicolo Neto, do Departamento de Bioqu\u00edmica do Instituto  de Qu\u00edmica da Universidade de S\u00e3o Paulo (IQ-USP), no <em>Workshop sobre  <strong>biodiversidade marinha: avan\u00e7os recentes<\/strong> em bioprospec\u00e7\u00e3o, biogeografia e  filogeografia<\/em>, realizado pelo Programa Biota-FAPESP e que termina nesta  sexta-feira (10\/9), na sede da Funda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Colepicolo coordena o Projeto Tem\u00e1tico \u201cEstudos de bioprospec\u00e7\u00e3o de  macroalgas marinhas, uso da biomassa algal como fonte de novos f\u00e1rmacos e  bioativos economicamente vi\u00e1veis e sua aplica\u00e7\u00e3o na remedia\u00e7\u00e3o de \u00e1reas  impactadas (biodiversidade marinha)\u201d, que tamb\u00e9m integra o Biota-FAPESP.<\/p>\n<p>\u201cPor estarem expostas a ambientes e situa\u00e7\u00f5es adversas, as algas desenvolvem,  como metab\u00f3litos secund\u00e1rios, mol\u00e9culas qu\u00edmicas extremamente sofisticadas e  diferentes das estruturas produzidas por plantas terrestres\u201d, disse \u00e0 <strong>Ag\u00eancia  FAPESP<\/strong>.<\/p>\n<p>Segundo o cientista, j\u00e1 se sabe que as algas marinhas desempenham uma fun\u00e7\u00e3o  fundamental no ambiente: elas respondem por cerca da metade do oxig\u00eanio liberado  na atmosfera; delas saem o dimetil sulfeto, principal g\u00e1s respons\u00e1vel pela  forma\u00e7\u00e3o de nuvens; s\u00e3o biorremediadoras de \u00e1guas polu\u00eddas; e podem ser  utilizadas como um biomarcador de polui\u00e7\u00e3o. Colepicolo tamb\u00e9m mostrou que as  algas podem ser fornecedoras de compostos \u00fanicos e extremamente complexos.<\/p>\n<p>\u201cEssas mol\u00e9culas encontram vasta aplica\u00e7\u00e3o na ind\u00fastria farmac\u00eautica ao  servir de base para a fabrica\u00e7\u00e3o de antiinflamat\u00f3rios, antif\u00fangicos, antivirais,  bactericidas, antioxidantes e mais uma enorme gama de produtos que podem ser  desenvolvidos de forma inovadora, estrat\u00e9gica e economicamente importante para o  Brasil\u201d, destacou.<\/p>\n<p>As aplica\u00e7\u00f5es dessas subst\u00e2ncias v\u00e3o al\u00e9m da medicina. Na agricultura, por  exemplo, antif\u00fangicos extra\u00eddos de macroalgas podem ser aplicados sobre frutas  como mam\u00e3o, morango e figo e, com isso, pode-se aumentar o tempo de vida \u00fatil da  fruta na prateleira de tr\u00eas a quatro semanas.<\/p>\n<p>\u201cPodemos ganhar at\u00e9 um m\u00eas de viabilidade em produtos agr\u00edcolas que s\u00e3o  exportados\u201d, disse o professor da USP, ressaltando a import\u00e2ncia econ\u00f4mica de  aplica\u00e7\u00f5es como essa.<\/p>\n<p>Outro grande potencial das micro e macroalgas marinhas \u00e9 fornecer o princ\u00edpio  ativo para protetores solares naturais. H\u00e1 cinco anos, em um outro projeto  apoiado pela FAPESP sob a coordena\u00e7\u00e3o de Colepicolo, o grupo de pesquisa isolou  de macroalgas da costa brasileira as micosporinas (MAA), subst\u00e2ncias qu\u00edmicas de  baixo peso molecular, com alta capacidade de absorver radia\u00e7\u00e3o ultravioleta  (UV).<\/p>\n<p>Algumas micosporinas s\u00e3o tamb\u00e9m antioxidantes. Essas subst\u00e2ncias t\u00eam a  finalidade de proteg\u00ea-las contra os efeitos danosos de UV, fun\u00e7\u00e3o exercida pelos  flavonoides nas plantas terrestres.<\/p>\n<p>Por ficarem mais expostas ao sol, as algas tropicais s\u00e3o as que mais  apresentam subst\u00e2ncias resistentes aos raios UV. Esses protetores solares  naturais das algas s\u00e3o particularmente importantes para os biomas marinhos, pois  tamb\u00e9m fornecem prote\u00e7\u00e3o solar a outros organismos como peixes, moluscos,  zoopl\u00e2ncton e corais.<\/p>\n<p>\u201cAs algas marinhas produzem essas subst\u00e2ncias e muitos peixes adquirem  prote\u00e7\u00e3o solar ao se alimentar desses organismos fotossintetizantes\u201d, explicou o  pesquisador.<\/p>\n<p>O fen\u00f4meno do branqueamento de corais \u00e9 causado pela aus\u00eancia desses  protetores naturais fornecidos pelas algas. A aus\u00eancia das algas que vivem em  simbiose com os corais os deixam expostos \u00e0 radia\u00e7\u00e3o. Com isso, eles acabam  sofrendo a a\u00e7\u00e3o direta dos raios UV, perdem colora\u00e7\u00e3o e morrem. Ambientalmente,  esse efeito \u00e9 extremamente danoso, pois perdem-se componentes importantes do  equil\u00edbrio ecol\u00f3gico marinho.<\/p>\n<p>O desempenho do protetor natural tamb\u00e9m chamou a aten\u00e7\u00e3o dos pesquisadores.  Em testes, o absorvedor de UV das algas apresentou um espectro de absor\u00e7\u00e3o muito  pr\u00f3ximo ao mais eficiente produto sint\u00e9tico vendido no mercado.<\/p>\n<p>\u201cA ind\u00fastria cosm\u00e9tica poder\u00e1 se beneficiar de dois efeitos do produto \u2013 sua  a\u00e7\u00e3o antioxidante e de prote\u00e7\u00e3o contra UV \u2013 e, com isso, oferecer produtos com  a\u00e7\u00e3o sin\u00e9rgica contra o estresse oxidativo, c\u00e2ncer de pele e envelhecimento  precoce\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Colepicolo estima que, al\u00e9m de protetores para a pele, as micosporinas  poder\u00e3o ser usadas na base de tintas e vernizes para proteger materiais que  ficam expostos \u00e0 luz solar, como pr\u00e9dios e barcos.<\/p>\n<p><strong>Biocombust\u00edveis<\/strong><\/p>\n<p>O pesquisador tamb\u00e9m abordou no workshop as perspectivas de produ\u00e7\u00e3o de algas  marinhas em regi\u00f5es pr\u00f3ximas \u00e0 costa brasileira, um subprojeto integrante do  Projeto Tem\u00e1tico. \u201cAs fazendas de cultivo de macroalgas ajudariam a preservar as  esp\u00e9cies, uma vez que evitam a extra\u00e7\u00e3o e eventual preda\u00e7\u00e3o dessas plantas em  seu ambiente natural\u201d, disse.<\/p>\n<p>Em parceria com a professora Eliane Marinho-Soriano, do Departamento de  Oceanografia e Limnologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN),  Colepicolo espera desenvolver sustentabilidade em cultivos integrados que  envolvam a cria\u00e7\u00e3o de organismos diferentes.<\/p>\n<p>A primeira experi\u00eancia \u00e9 o cultivo de macroalgas e a cria\u00e7\u00e3o de camar\u00f5es em  um \u00fanico tanque do tamanho de um campo de futebol, em m\u00e9dia, a 1,5 metro de  profundidade.<\/p>\n<p>A cada tr\u00eas meses, mesmo tempo de crescimento ideal das macroalgas, os  camar\u00f5es s\u00e3o coletados e as \u00e1guas eutrofizadas dos tanques s\u00e3o devolvidas aos  mangues da regi\u00e3o. Com os cultivos integrados, as macroalgas colaboram para a  purifica\u00e7\u00e3o da \u00e1gua absorvendo o excesso de nitrog\u00eanio, fosfato e outros  res\u00edduos para seu desenvolvimento, servindo assim de biorremediadoras  ambientais.<\/p>\n<p>\u201cA parceria com a professora Eliane da UFRN \u00e9 muito importante. No Rio Grande  do Norte h\u00e1 alta incid\u00eancia de radia\u00e7\u00e3o solar, o que aumenta a produtividade das  algas\u201d, disse Colepicolo, explicando que a luz solar aumenta a velocidade de  desenvolvimento e de reprodu\u00e7\u00e3o das plantas aqu\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Para o professor da USP, as algas podem ainda ser uma boa fonte de  biocombust\u00edveis e suprir a demanda por biodiesel que n\u00e3o consegue ser atendida  somente pelas fontes animais e vegetais terrestres atuais. Esse tamb\u00e9m \u00e9 um dos  bra\u00e7os de pesquisa contemplados pelo Projeto Tem\u00e1tico.<\/p>\n<p>Para esse objetivo, o pesquisador defende o melhoramento de cultivos e a  aplica\u00e7\u00e3o de engenharia molecular, al\u00e9m de pesquisas em extra\u00e7\u00e3o e refino do  \u00f3leo de alga. Esses esfor\u00e7os poderiam tornar o combust\u00edvel de alga competitivo  em rela\u00e7\u00e3o ao similar obtido do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>\u201cA bioenergia de algas tem duas frentes diferentes de pesquisa.  Primeiramente, as microalgas, ricas em lip\u00eddios, ou gorduras, s\u00e3o ideais para a  fabrica\u00e7\u00e3o de biodiesel\u201d, disse Colepicolo, ressaltando que, diferentemente dos  vegetais terrestres, o cultivo de algas n\u00e3o necessita de fertilizantes nem de  pesticidas.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 as macroalgas possuem um alto teor de a\u00e7\u00facar. Algumas esp\u00e9cies apresentam  entre 50% e 60% de seu peso seco em polissacar\u00eddeos. S\u00e3o a\u00e7\u00facares que, ao serem  degradados por enzimas espec\u00edficas, transformam-se em mon\u00f4meros ferment\u00e1veis que  d\u00e3o origem ao etanol\u201d, completou.<\/p>\n<p>As macroalgas podem participar das pesquisas do etanol de terceira gera\u00e7\u00e3o  provenientes de carboidratos. \u201cTrata-se de uma alternativa sustent\u00e1vel e  ecologicamente correta, pois s\u00f3 usa \u00e1gua salgada e luz solar para crescer e n\u00e3o  \u00e9 necess\u00e1ria a utiliza\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos e fertilizantes\u201d, disse.<\/p>\n<p>Mais informa\u00e7\u00f5es: <strong><a href=\"http:\/\/www2.iq.usp.br\/docente\/piocolep\" target=\"_blank\">www2.iq.usp.br\/docente\/piocolep<\/a><\/strong><\/p>\n<p>Por F\u00e1bio Reynol<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil guarda debaixo d\u2019\u00e1gua um reservat\u00f3rio valioso para o fornecimento de produtos como medicamentos, combust\u00edveis e at\u00e9 mesmo um filtro solar natural de \u00f3timo desempenho.\u00a0S\u00e3o as algas marinhas, cujo potencial muito al\u00e9m dos sushis foi destacado pelo professor Pio Colepicolo Neto, do Departamento de Bioqu\u00edmica do Instituto de Qu\u00edmica da Universidade de S\u00e3o Paulo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_genesis_hide_title":false,"_genesis_hide_breadcrumbs":false,"_genesis_hide_singular_image":false,"_genesis_hide_footer_widgets":false,"_genesis_custom_body_class":"","_genesis_custom_post_class":"","_genesis_layout":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[],"class_list":{"0":"post-31359","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","6":"category-brasil","7":"entry","8":"gs-1","9":"gs-odd","10":"gs-even","11":"gs-featured-content-entry"},"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31359","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31359"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31359\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31359"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31359"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31359"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}