{"id":30958,"date":"2010-08-20T12:43:17","date_gmt":"2010-08-20T16:43:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=30958"},"modified":"2010-08-20T12:43:17","modified_gmt":"2010-08-20T16:43:17","slug":"especialistas-discutem-rumos-da-ciencia-e-tecnologia-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2010\/especialistas-discutem-rumos-da-ciencia-e-tecnologia-no-brasil\/30958","title":{"rendered":"Especialistas discutem rumos da Ci\u00eancia e Tecnologia no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Rumos da <strong><em>Ci\u00eancia e Tecnologia no Brasil<\/em><\/strong> &#8211;\u00a0\u201cO Brasil criou ao longo de sua hist\u00f3ria um sistema  de ci\u00eancia e tecnologia razoavelmente moderno e oper\u00e1vel. O pa\u00eds tem hoje uma  base acad\u00eamica forte, forma mais de 10 mil doutores e produz cerca de 14 mil  artigos cient\u00edficos por ano. Mas as discuss\u00f5es pol\u00edticas sobre ci\u00eancia e  tecnologia precisam agora abordar a qualidade e n\u00e3o a quantidade de incentivos\u201d,  disse Carlos Henrique de Brito Cruz.<\/p>\n<p>A afirma\u00e7\u00e3o do diretor cient\u00edfico da FAPESP foi feita durante encontro que  reuniu especialistas em ci\u00eancia e tecnologia e jornalistas. O evento, realizado  na quinta-feira (19\/8), em S\u00e3o Paulo, foi organizado pelo Portal Universia  Brasil.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de Brito Cruz, tamb\u00e9m foram palestrantes Ricardo Fasti, diretor-geral do  Universia, Angel Landabaso, chefe do setor em Coopera\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancia e Tecnologia  da Delega\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia no Brasil, e Ester Dal-Poz, professora da  Faculdade de Ci\u00eancias Aplicadas da Universidade Estadual de Campinas  (Unicamp).<\/p>\n<p>Os palestrantes discutiram os rumos da ci\u00eancia e tecnologia no Brasil com  foco na participa\u00e7\u00e3o de empresas e amplia\u00e7\u00e3o da coopera\u00e7\u00e3o e visibilidade  internacionais, al\u00e9m de estrat\u00e9gias de aproxima\u00e7\u00e3o dos pesquisadores com os  meios de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Brito Cruz tra\u00e7ou um panorama da ci\u00eancia e tecnologia no Brasil, cujos  investimentos no setor respondem por 1,09% do Produto Interno Bruto (dados de  2008) do pa\u00eds. \u201cApesar de esse valor superar o de pa\u00edses como a R\u00fassia, \u00c1frica  do Sul, \u00cdndia e Chile, entre outros, ainda est\u00e1 abaixo de pa\u00edses como Espanha,  China ou Portugal. H\u00e1 um desafio n\u00e3o s\u00f3 em\u00a0intensificar, mas tamb\u00e9m em\u00a0melhorar  esse disp\u00eandio\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Mas, segundo ele, \u00e9 preciso considerar as nuances desses gastos. \u201cUma coisa \u00e9  o disp\u00eandio em ci\u00eancia e tecnologia, outra \u00e9 o gasto em pesquisa, que \u00e9 a parte  criativa do processo. Quando uma empresa compra um computador novo, isso vale  como disp\u00eandio em ci\u00eancia em tecnologia, mas n\u00e3o\u00a0envolveu processo\u00a0criativo para  compr\u00e1-lo\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Segundo Brito Cruz, a parte em que o pa\u00eds est\u00e1 mais atrasado \u00e9 o disp\u00eandio  feito com pesquisa nas empresas. \u201cIsso se reflete no fato de s\u00f3 30% dos nossos  cientistas trabalharem em empresas\u201d, disse.<\/p>\n<p>Mas a mudan\u00e7a de perfil das pesquisas no pa\u00eds tem mudado na \u00faltima d\u00e9cada.  \u201cAntes de 1999, toda a pol\u00edtica de ci\u00eancia e tecnologia era voltada apenas para  as universidades. A partir da\u00ed, a pol\u00edtica nessa \u00e1rea passou a perceber que a  pesquisa na empresa era importante\u201d, disse.<\/p>\n<p>Brito Cruz salientou ainda que, apesar da vantagem competitiva do Brasil em  rela\u00e7\u00e3o a v\u00e1rios pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina \u2013 que se reflete no n\u00famero de doutores  e na produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica \u2013, desde 2003 os n\u00fameros apontam uma certa estagna\u00e7\u00e3o  no setor.\u00a0De 1995 a 2002, a quantidade de artigos cient\u00edficos produzidos no  Brasil cresceu a uma m\u00e9dia de 15% por ano. De 2003 a 2009, o \u00edndice foi de 7%  por ano, embora o volume de investimento tenha crescido, mas\u00a0em ritmo mais  lento.<\/p>\n<p>\u201cAs pol\u00edticas para pesquisa no Brasil precisam se adaptar \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.  Tem sido a mesma pol\u00edtica h\u00e1 tempo demais, ou seja, est\u00e1 sendo feita de modo a  buscar muito recurso para pesquisa, mas est\u00e1 se buscando pouco melhorar a  qualidade de aplica\u00e7\u00e3o desses investimentos. \u00c9 preciso uma pol\u00edtica diferente e  mais eficaz\u201d, destacou.<\/p>\n<p><strong>Orienta\u00e7\u00e3o para internacionaliza\u00e7\u00e3o <\/strong><\/p>\n<p>A import\u00e2ncia de se estabelecer estrat\u00e9gias de coopera\u00e7\u00e3o internacional foi  destacada por Angel Landabaso. Segundo ele, apesar de o Brasil ser  estrategicamente interessante para coopera\u00e7\u00f5es, falta uma cultura de elabora\u00e7\u00e3o  de projetos com participa\u00e7\u00e3o de outros pa\u00edses na pesquisa brasileira.<\/p>\n<p>\u201cEm julho deste ano foram lan\u00e7ados 51 novos editais em v\u00e1rias \u00e1reas para  coopera\u00e7\u00e3o do Brasil com a Uni\u00e3o Europeia, mas temos tido volume muito grande de  projetos que s\u00e3o rejeitados por quest\u00f5es t\u00e9cnicas\u201d, disse.<\/p>\n<p>Segundo o executivo da Uni\u00e3o Europeia, o Brasil precisa de institui\u00e7\u00f5es ou  unidades dentro das universidades que possam auxiliar os pesquisadores na  orienta\u00e7\u00e3o de projetos de coopera\u00e7\u00e3o. \u201cFaltam informa\u00e7\u00e3o e instrumentos que  avaliem o n\u00edvel de exig\u00eancia de cada edital, principalmente nos casos de  projetos de coopera\u00e7\u00e3o em que h\u00e1 dificuldades adicionais\u201d, disse.<\/p>\n<p>Os Framework Programmes (\u201cprogramas-quadro\u201d) s\u00e3o o principal instrumento de  financiamento utilizado pela Uni\u00e3o Europeia para apoiar atividades de pesquisa e  desenvolvimento de coopera\u00e7\u00e3o com pa\u00edses fora do continente.<\/p>\n<p>O Bureau Brasileiro para a Amplia\u00e7\u00e3o da Coopera\u00e7\u00e3o Internacional com a Uni\u00e3o  Europeia (<a href=\"http:\/\/www.bbice.unb.br\/\">B.Bice<\/a>), criado em 2005, \u00e9  respons\u00e1vel por divulgar e esclarecer os programas dispon\u00edveis para participa\u00e7\u00e3o  de brasileiros.<\/p>\n<p>Para Landabaso, o futuro da coopera\u00e7\u00e3o cient\u00edfica entre Brasil e UE depende  de uma s\u00e9rie de fatores. &#8220;Interesse m\u00fatuo, compatilhamento de\u00a0fundos ,  organiza\u00e7\u00e3o de\u00a0centros conjuntos de excel\u00eancia, inclus\u00e3o de pol\u00edtica de inova\u00e7\u00e3o  no setor privado, al\u00e9m de capacita\u00e7\u00e3o e otimiza\u00e7\u00e3o das estruturas s\u00e3o medidas  que podem ajudar muito nesse processo&#8221;, indica.<\/p>\n<p>Outro ponto destacado por Landabaso foi o papel dos meios de comunica\u00e7\u00e3o em  rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ci\u00eancia. \u201c\u00c9 preciso que os ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o fiquem presos  apenas no presente, no factual. \u00c9 preciso valorizar os temas do futuro\u201d,  afirmou.<\/p>\n<p>Ricardo Fasti destacou o\u00a0papel da Universia, uma rede de coopera\u00e7\u00e3o  universit\u00e1ria que re\u00fane 1.176 institui\u00e7\u00f5es de ensino superior na Am\u00e9rica Latina  e Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica e que tem como parceiro financeiro o grupo Santander.<\/p>\n<p>\u201cO principal objetivo da rede \u00e9 apoiar o desenvolvimento de projetos comuns e  a gera\u00e7\u00e3o de novas oportunidades para a comunidade universit\u00e1ria. Ou seja,  dentro da ideia de rede, nossa miss\u00e3o \u00e9 identificar demandas de mercado  preenchendo \u2018vazios&#8217; estrat\u00e9gicos que englobam\u00a0forma\u00e7\u00e3o, fomento \u00e0  empregabilidade, observat\u00f3rios e atividades de extens\u00e3o nas redes sociais\u2019\u201d,  disse.<\/p>\n<p>Fasti falou sobre a necessidade de se repensar o tema da inova\u00e7\u00e3o dentro dos  curr\u00edculos\u00a0universit\u00e1rios. &#8220;Como preparar os curr\u00edculos e programas\u00a0de gradua\u00e7\u00e3o  e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o para a inova\u00e7\u00e3o?&#8221;, destacou.<\/p>\n<p>Segundo\u00a0o  diretor,\u00a0dentro\u00a0do tema da\u00a0inova\u00e7\u00e3o, uma das linhas de atua\u00e7\u00e3o da entidade  \u00e9\u00a0identificar as\u00a0demandas\u00a0do mercado,\u00a0identifica\u00e7\u00e3o de potencialidades  desenvolvidas dentro das universidades, aproxima\u00e7\u00e3o entre os dois grupos e a  media\u00e7\u00e3o quando necess\u00e1rio.&#8221;Em geral os c\u00f3digos universit\u00e1rios s\u00e3o diferentes  dos c\u00f3digos empresariais. Nossa tarefa \u00e9 facilitar esse contato&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Ester Dal-Poz falou da experi\u00eancia do Observat\u00f3rio de Inova\u00e7\u00e3o em  Biotecnologia, criado recentemente e abrigado na Unicamp. Inserido dentro da  plataforma de Biotecnologia no Mercosul (Biotecsur), uma iniciativa de  coopera\u00e7\u00e3o entre a Uni\u00e3o Europeia e o Mercosul. O objetivo do observat\u00f3rio \u00e9  auxiliar empresas brasileiras na \u00e1rea de biotecnologia.<\/p>\n<p>\u201cNossa meta \u00e9  aproveitar as capacidades cient\u00edficas e tecnol\u00f3gicas das institui\u00e7\u00f5es  brasileiras. Oferecemos um conjunto de instrumentos que permite que a inova\u00e7\u00e3o  v\u00e1 em frente, que n\u00e3o fique parada na empresa nem na universidade. Auxiliamos  empresas que queiram conseguir recursos ou desenvolver projetos, bem como  identificamos\u00a0as barreiras para se\u00a0colocar um produto no mercado\u201d, disse.<\/p>\n<p>Por Alex Sander Alc\u00e2ntara<\/p>\n<p><strong><\/strong>Ag\u00eancia FAPESP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rumos da Ci\u00eancia e Tecnologia no Brasil &#8211;\u00a0\u201cO Brasil criou ao longo de sua hist\u00f3ria um sistema de ci\u00eancia e tecnologia razoavelmente moderno e oper\u00e1vel. O pa\u00eds tem hoje uma base acad\u00eamica forte, forma mais de 10 mil doutores e produz cerca de 14 mil artigos cient\u00edficos por ano. 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