{"id":30798,"date":"2010-08-13T15:37:46","date_gmt":"2010-08-13T19:37:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=30798"},"modified":"2010-08-13T15:37:46","modified_gmt":"2010-08-13T19:37:46","slug":"pesquisa-analisa-pecuaria-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2010\/pesquisa-analisa-pecuaria-na-amazonia\/30798","title":{"rendered":"Pesquisa analisa pecu\u00e1ria na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p><strong><em><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-30801\" title=\"gado amazonia\" src=\"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/gado-amazonia.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"193\" srcset=\"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/gado-amazonia.jpg 300w, https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/gado-amazonia-250x160.jpg 250w, https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/gado-amazonia-150x96.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Pecu\u00e1ria na Amaz\u00f4nia<\/em><\/strong> &#8211; o\u00a0incessante aumento do consumo de carne bovina no mundo contribuiu para que a pecu\u00e1ria assumisse um papel central na economia da Amaz\u00f4nia, com impactos ambientais negativos. Em determinadas regi\u00f5es, a explora\u00e7\u00e3o de produtos alternativos poderia atrair os produtores para outras atividades, limitando a cria\u00e7\u00e3o de gado e reduzindo a press\u00e3o sobre a floresta. Mas as pol\u00edticas p\u00fablicas de valoriza\u00e7\u00e3o dos produtos amaz\u00f4nicos t\u00eam sido insuficientes e as pastagens seguem ganhando terreno.<\/p>\n<p>Essas s\u00e3o algumas das conclus\u00f5es de um estudo de caso realizado na regi\u00e3o de Xapuri, no Acre, por pesquisadores da Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica (FSP) da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). Relacionando dados sobre desnutri\u00e7\u00e3o, consumo de carne bovina e desmatamento para cria\u00e7\u00e3o de pastagens, o trabalho teve o objetivo de avaliar as motiva\u00e7\u00f5es da crescente pecuariza\u00e7\u00e3o em territ\u00f3rio acriano.<\/p>\n<p>A pesquisa, que teve apoio da FAPESP na modalidade Aux\u00edlio \u00e0 Pesquisa \u2013 Regular, foi coordenada pela professora Helena Ribeiro, do Departamento de Sa\u00fade Ambiental da FSP-USP. O estudo tamb\u00e9m correspondeu \u00e0 disserta\u00e7\u00e3o de mestrado de Gabriela Bordini Prado, sob orienta\u00e7\u00e3o de Helena.<\/p>\n<p>A literatura cient\u00edfica mostra que vastas \u00e1reas da Amaz\u00f4nia foram ocupadas por pastagens nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Atualmente, segundo Helena, cerca de 40% do abate bovino no Brasil \u2013 maior exportador mundial de carne \u2013 \u00e9 proveniente da regi\u00e3o amaz\u00f4nica.<\/p>\n<p>\u201cNosso objetivo foi compreender a din\u00e2mica da produ\u00e7\u00e3o de gado na regi\u00e3o. O consumo de carne vem crescendo aceleradamente no Brasil e no mundo e est\u00e1 associado ao aumento de doen\u00e7as como a obesidade e o c\u00e2ncer colorretal. Por outro lado, \u00e9 apontado tamb\u00e9m como um importante fator de desmatamento na Amaz\u00f4nia\u201d, disse \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de dados da literatura internacional sobre o desmatamento na Amaz\u00f4nia, o estudo utilizou como base informa\u00e7\u00f5es sobre desnutri\u00e7\u00e3o, consumo de carne e produ\u00e7\u00e3o de alimentos no mundo do Escrit\u00f3rio Regional da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Agricultura e Alimenta\u00e7\u00e3o (FAO).<\/p>\n<p>\u201cEm paralelo \u00e0 pesquisa sobre dados indiretos, fizemos um amplo trabalho de campo na reserva extrativista Chico Mendes, na regi\u00e3o de Xapuri. Um dos dados que verificamos \u00e9 que nas pr\u00f3prias reservas extrativistas, originalmente criadas para a explora\u00e7\u00e3o de recursos naturais das florestas, o avan\u00e7o da cria\u00e7\u00e3o de gado \u00e9 vis\u00edvel. O trabalho de campo permitiu compreender essa din\u00e2mica\u201d, disse.<\/p>\n<p>Segundo a professora da FSP-USP, o consumo de carne, em ascens\u00e3o, gera um mercado cada vez mais robusto e impulsiona o valor da mercadoria. No entanto, como alternativa alimentar, o consumo de carne \u00e9 altamente ineficiente, aponta.<\/p>\n<p>\u201cUm hectare de terra utilizada para a pecu\u00e1ria produz 34 quilos de carne. Na mesma \u00e1rea \u00e9 poss\u00edvel produzir 6.500 quilos de milho, ou 3.800 quilos de feij\u00e3o. Assim, uma regi\u00e3o de pastagens poderia alimentar uma parcela maior da popula\u00e7\u00e3o, sem necessidade de desmatamento e ocupa\u00e7\u00e3o de novas terras. Al\u00e9m disso, a dieta baseada em cereais diminuiria os impactos na sa\u00fade\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>J\u00e1 na d\u00e9cada de 1970 grupos ambientalistas argumentavam que era preciso favorecer alternativas ao consumo de carne. Grande parte da literatura cient\u00edfica sobre o tema foi produzida naquela \u00e9poca, nos Estados Unidos. \u201cRetomamos essa reflex\u00e3o. Hoje, sabemos que quando se fala em coibir o desmatamento da Amaz\u00f4nia \u00e9 preciso criar alternativas econ\u00f4micas \u00e0 pecu\u00e1ria\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Nas entrevistas realizadas no Acre, no entanto, verificou-se que a ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio pela pecu\u00e1ria, tanto por grandes como pequenos produtores, \u00e9 uma forma de acomoda\u00e7\u00e3o de capital e reserva monet\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u201cMuitos dos entrevistados trabalhavam originalmente com atividades extrativistas. Mas a queda no pre\u00e7o de produtos como a borracha, por exemplo, levou essas pessoas a optar pela cria\u00e7\u00e3o de cabe\u00e7as de gado\u201d, disse Helena.<\/p>\n<p>O governo criou, em Xapuri, uma f\u00e1brica de preservativos com o objetivo de absorver a produ\u00e7\u00e3o dos seringais locais. No entanto, a medida n\u00e3o foi suficiente para incentivar a atividade, j\u00e1 que o pre\u00e7o da carne era mais atraente.<\/p>\n<p>\u201cA regi\u00e3o tamb\u00e9m produz castanha-do-brasil. Inicialmente, a atividade atraiu muita gente, mas n\u00e3o foram estabelecidas pol\u00edticas p\u00fablicas para criar um mercado. Assim, o aumento da oferta derrubou o pre\u00e7o da castanha e a cooperativa que existia na regi\u00e3o acabou fechando. Os produtores tamb\u00e9m foram atra\u00eddos pela atividade pecu\u00e1ria\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Reserva de valor<\/p>\n<p>A tradi\u00e7\u00e3o pecuarista na regi\u00e3o teve in\u00edcio na d\u00e9cada de 1970, durante a ditadura militar, que incentivou a atividade como forma de ocupa\u00e7\u00e3o das fronteiras. Essa pol\u00edtica atraiu para a regi\u00e3o muitos paulistas e paranaenses que se dedicaram \u00e0 atividade pecu\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u201cUsada como forma de ocupa\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica, a pecu\u00e1ria se tornou uma tradi\u00e7\u00e3o. O governo criou fundos de investimentos que incentivavam essa atividade, atraindo frigor\u00edficos do Sudeste. O processo de pecuariza\u00e7\u00e3o continuou nas d\u00e9cadas seguintes. Entre 1998 e 2004, no Acre, o rebanho bovino passou de 900 mil cabe\u00e7as para 2,5 milh\u00f5es de cabe\u00e7as\u201d, disse.<\/p>\n<p>Para os pequenos produtores, a cria\u00e7\u00e3o de gado representa uma reserva de valor. \u201cCada vez que juntam um pouco de dinheiro, eles compram uma cabe\u00e7a de gado. Quando h\u00e1 necessidade, eles vendem essa reserva. O plano da reserva extrativista permite que se tenha at\u00e9 30 cabe\u00e7as de gado por coloca\u00e7\u00e3o. Mas vimos coloca\u00e7\u00f5es com at\u00e9 600 cabe\u00e7as. Aos poucos, essa atividade vai avan\u00e7ando sobre a floresta\u201d, disse Helena.<\/p>\n<p>As pol\u00edticas p\u00fablicas para valoriza\u00e7\u00e3o dos produtos amaz\u00f4nicos, que poderiam reverter esse quadro, s\u00e3o incipientes, afirma. \u201cH\u00e1 uma s\u00e9rie de alternativas, mas a cria\u00e7\u00e3o de gado acaba se impondo. Um dos aspectos apurados pela pesquisa \u00e9 a facilidade encontrada pelo pequeno produtor para escoar a produ\u00e7\u00e3o de carne. Os frigor\u00edficos buscam a mercadoria quando eles querem vender. No caso da castanha, da madeira e da borracha, ao contr\u00e1rio, \u00e9 preciso se deslocar at\u00e9 a cidade para vender os produtos\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Helena explica que, de acordo com a FAO, o mundo produz mais calorias que o necess\u00e1rio para alimentar todos os habitantes do planeta. Ainda assim, pelo menos 850 milh\u00f5es de pessoas sofrem com a fome. \u201cMesmo na Amaz\u00f4nia, a maior parte da carne produzida n\u00e3o \u00e9 utilizada para alimentar a popula\u00e7\u00e3o local, mas enviada ao Sudeste ou exportada\u201d, disse.<\/p>\n<p>Os dados da FAO mostram, segundo ela, que o planeta produz, em gr\u00e3os, cerca de 7 quadrilh\u00f5es de calorias, o que excede em 1,5 quadrilh\u00e3o a quantidade total de calorias necess\u00e1ria para alimentar todos os habitantes da Terra.<\/p>\n<p>Esse excedente de gr\u00e3os \u00e9 utilizado para alimentar o gado, incentivando a produ\u00e7\u00e3o de carne. \u201cO problema \u00e9 que a perda da substitui\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os pela carne \u00e9 muito grande: para produzir uma quilocaloria de carne \u00e9 preciso alimentar o gado com 17 quilocalorias de gr\u00e3os\u201d, disse.<\/p>\n<p>Por F\u00e1bio de Castro<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pecu\u00e1ria na Amaz\u00f4nia &#8211; o\u00a0incessante aumento do consumo de carne bovina no mundo contribuiu para que a pecu\u00e1ria assumisse um papel central na economia da Amaz\u00f4nia, com impactos ambientais negativos. 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