{"id":30793,"date":"2010-08-13T15:22:59","date_gmt":"2010-08-13T19:22:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=30793"},"modified":"2010-08-13T15:22:59","modified_gmt":"2010-08-13T19:22:59","slug":"brucelose-mapeada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2010\/brucelose-mapeada\/30793","title":{"rendered":"Brucelose mapeada"},"content":{"rendered":"<p>O impacto negativo da <strong><em>brucelose<\/em><\/strong> e da tuberculose bovinas sobre a sa\u00fade humana e sobre a pecu\u00e1ria \u00e9 t\u00e3o grande que, em 2001, o Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento (MAPA) implementou um programa nacional de erradica\u00e7\u00e3o e controle das duas doen\u00e7as. Mas, at\u00e9 agora, n\u00e3o havia sido feito um diagn\u00f3stico amplo e detalhado sobre a preval\u00eancia das duas zoonoses no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Essa lacuna come\u00e7ou finalmente a ser preenchida com o lan\u00e7amento da publica\u00e7\u00e3o Situa\u00e7\u00e3o da brucelose no Brasil, que re\u00fane uma ampla s\u00e9rie de estudos sobre a situa\u00e7\u00e3o epidemiol\u00f3gica da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>A brucelose causa preju\u00edzos importantes \u00e0 pecu\u00e1ria e pode ser transmitida para o homem. Tamb\u00e9m conhecida como febre de Malta, \u00e9 causada por bact\u00e9rias do g\u00eanero Brucella. Entre os animais, o principal sinal cl\u00ednico \u00e9 o aborto no ter\u00e7o final da gesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os humanos s\u00e3o infectados ao entrar em contato com os animais, ou consumir produtos animais contaminados com a bact\u00e9ria, em especial latic\u00ednios produzidos com o leite n\u00e3o pasteurizado. Os sintomas, no homem, s\u00e3o similares aos da gripe, incluindo febre, dores e fraqueza. Nos casos mais graves, pode acometer os rins, f\u00edgado e cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Abrangendo 15 estados onde se concentra a maior parte do rebanho nacional, os estudos foram reunidos em volume da revista Arquivo Brasileiro de Medicina Veterin\u00e1ria e Zootecnia. Os textos est\u00e3o dispon\u00edveis na biblioteca on-line SciELO (FAPESP\/Bireme).<\/p>\n<p>O estudo, financiado pelo MAPA, pela FAPESP e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq), foi realizado por um grupo de pesquisadores da Faculdade de Medicina Veterin\u00e1ria e Zootecnia (FMVZ) da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) que presta apoio t\u00e9cnico-cient\u00edfico ao Programa Nacional de Controle e Erradica\u00e7\u00e3o da Brucelose e Tuberculose (PNCEBT).<\/p>\n<p>A publica\u00e7\u00e3o foi lan\u00e7ada na quarta-feira (11\/8), durante o semin\u00e1rio \u201cAvalia\u00e7\u00e3o do andamento do Programa Nacional de Controle e Erradica\u00e7\u00e3o de Brucelose e Tuberculose\u201d, na FMVZ, em S\u00e3o Paulo. O evento reuniu pesquisadores, gestores do PNCEBT e representantes dos v\u00e1rios segmentos das cadeias produtivas da carne e leite para divulgar o estudo e apresentar resultados e perspectivas do programa.<\/p>\n<p>De acordo com Jos\u00e9 Soares Ferreira Neto, coordenador do evento e do Centro Colaborador do MAPA para Sa\u00fade Animal da FMVZ, respons\u00e1vel pela publica\u00e7\u00e3o, o estudo sobre a situa\u00e7\u00e3o da brucelose tem um grau de detalhamento, abrang\u00eancia e sofistica\u00e7\u00e3o sem precedentes.<\/p>\n<p>\u201cPara combater essas doen\u00e7as \u00e9 preciso conhecer com precis\u00e3o sua situa\u00e7\u00e3o epidemiol\u00f3gica no pa\u00eds. Isso permite escolher estrat\u00e9gias e gerar um diagn\u00f3stico inicial para, com o passar do tempo, avaliar o desempenho do programa de controle e erradica\u00e7\u00e3o\u201d, disse \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>A realiza\u00e7\u00e3o de estudos de preval\u00eancia desse porte, segundo Ferreira Neto, \u00e9 de alta complexidade e requer investimentos elevados. O projeto, que gerou mais de 20 teses e disserta\u00e7\u00f5es, custou mais de R$ 20 milh\u00f5es. \u201cConseguimos um enorme avan\u00e7o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 brucelose. Agora, estamos realizando tamb\u00e9m trabalhos sobre tuberculose bovina, que j\u00e1 est\u00e3o gerando os primeiros resultados\u201d, disse o professor titular da FMVZ-USP.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do lan\u00e7amento da publica\u00e7\u00e3o, o semin\u00e1rio teve a proposta de reunir gestores do PNCEBT a fim de discutir o programa e realizar um exerc\u00edcio de reflex\u00e3o com o objetivo de corrigir eventuais desvios. \u201cA partir do que foi debatido, teremos elementos para reorientar o programa de acordo com as necessidades. O estudo tamb\u00e9m ter\u00e1 um papel fundamental nesse debate\u201d, disse.<\/p>\n<p>Segundo Ferreira Neto, at\u00e9 o in\u00edcio da d\u00e9cada, o Brasil lidava muito mal com a brucelose e a tuberculose em termos de programas sanit\u00e1rios de controle e erradica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cOs riscos e os preju\u00edzos causados por elas fizeram com que entrassem na pauta do mercado internacional de animais vivos e de produtos de origem animal. Por isso, em 2001 o Brasil se mobilizou e lan\u00e7ou o PNCEBT. O MAPA, no entanto, n\u00e3o agiu isoladamente, mas montou um comit\u00ea cient\u00edfico de especialistas de todo o pa\u00eds e elaborou um programa consistente, atualizado com o que h\u00e1 de mais moderno em termos internacionais\u201d, disse Ferreira Neto.<\/p>\n<p>Os estudos cient\u00edficos sobre a brucelose, que, segundo ele, cobriram 85% do rebanho bovino brasileiro, correspondem a uma vertente fundamental do programa. Os resultados gerados, sintetizados na nova publica\u00e7\u00e3o, ser\u00e3o a base para a ado\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias de erradica\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cO Brasil \u00e9 muito heterog\u00eaneo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 brucelose. \u00c9 fundamental conhecer essas heterogeneidades por meio do estudo, a fim de desenvolver as melhores estrat\u00e9gias poss\u00edveis dentro da realidade de cada estado\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O estudo mostrou que h\u00e1 \u00e1reas de baix\u00edssima preval\u00eancia da brucelose, como Santa Catarina, o sul do Paran\u00e1 e o norte do Rio Grande do Sul. \u201cConforme vamos em dire\u00e7\u00e3o ao Centro-Oeste, a preval\u00eancia aumenta dramaticamente\u201d, disse Ferreira Neto.<\/p>\n<p>Estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rond\u00f4nia, por exemplo, t\u00eam preval\u00eancias pr\u00f3ximas de 50%. Isto \u00e9, de cada duas propriedades, uma est\u00e1 infectada pela brucelose.<\/p>\n<p>\u201cAgora sabemos muitos detalhes sobre a preval\u00eancia da doen\u00e7a e podemos tra\u00e7ar pol\u00edticas p\u00fablicas. Al\u00e9m disso, estudamos fatores de risco. Isto \u00e9, identificamos quais as pr\u00e1ticas dos produtores que est\u00e3o associadas ao risco de ser foco de brucelose\u201d, apontou.<\/p>\n<p>Parte central dos estudos foi viabilizada, segundo Ferreira Neto, pelo projeto \u201cEpidemiologia e controle da brucelose e tuberculose bovinas no Brasil: bases para as interven\u00e7\u00f5es\u201d, apoiado pela FAPESP por meio da modalidade Aux\u00edlio \u00e0 Pesquisa \u2013 Regular.<\/p>\n<p>\u201cOs recursos provenientes da FAPESP foram fundamentais para a aquisi\u00e7\u00e3o de computadores e para a manuten\u00e7\u00e3o da rotina do nosso Laborat\u00f3rio de Epidemiologia, que centralizou e coordenou os trabalhos\u201d, disse.<\/p>\n<p>Procedimentos padronizados<\/p>\n<p>Pelas dist\u00e2ncias envolvidas e pela heterogeneidade da preval\u00eancia da brucelose no Brasil, opera\u00e7\u00f5es de campo envolvidas no estudo tiveram alto grau de complexidade operacional. O primeiro passo, para os servi\u00e7os oficiais dos estados, \u00e9 solicitar uma visita do Grupo de Epidemiologia da FMVZ.<\/p>\n<p>O grupo visita o estado e explica como proceder para realizar os estudos, indicando que equipamentos devem ser adquiridos e que treinamento deve ser dado ao pessoal envolvido.<\/p>\n<p>\u201cDepois disso, fazemos todo o levantamento e planejamento de amostragem. Quando o estado j\u00e1 tem tudo pronto \u2013 pessoal capacitado, insumos comprados, propriedades sorteadas \u2013 fazemos uma segunda visita para um detalhado treinamento com as equipes que realizar\u00e3o o trabalho de campo\u201d, explicou Ferreira Neto.<\/p>\n<p>Todos os procedimentos s\u00e3o absolutamente padronizados. \u201cA homogeneidade de m\u00e9todos \u00e9 imprescind\u00edvel. Do contr\u00e1rio, seria imposs\u00edvel comparar resultados. O trabalho de campo gera um volume enorme de dados, que incluem amostras para serem processadas em laborat\u00f3rios, resultados de question\u00e1rios e medidas das propriedades. Tudo isso \u00e9 inserido em um banco de dados e, dessa forma, reunimos informa\u00e7\u00e3o epidemiol\u00f3gica \u00fatil para as an\u00e1lises\u201d, disse.<\/p>\n<p>Para o estudo, os estados s\u00e3o divididos em regi\u00f5es \u2013 o territ\u00f3rio paulista, por exemplo, foi repartido em sete delas \u2013 e em cada uma \u00e9 feita uma amostra. \u201cSorteamos, nessas regi\u00f5es, um n\u00famero de amostras que varia entre 150 e 300 propriedades. Assim, conseguimos uma amostra estatisticamente representativa\u201d, explicou.<\/p>\n<p>O estudo dever\u00e1 ser retomado de forma sistem\u00e1tica ao longo do tempo. Isso permitir\u00e1 a obten\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie hist\u00f3rica que ser\u00e1 usada para comparar dados e acompanhar a din\u00e2mica da evolu\u00e7\u00e3o da brucelose. \u201cOs estados que t\u00eam preval\u00eancia m\u00e9dia e alta precisam organizar bons programas de vacina\u00e7\u00e3o\u201d, disse Ferreira Neto.<\/p>\n<p>Segundo ele, a vacina\u00e7\u00e3o, obrigat\u00f3ria em todo o pa\u00eds, \u00e9 feita em f\u00eameas de 3 a 8 meses, apenas uma vez na vida. \u201cN\u00e3o \u00e9 uma tarefa t\u00e3o dif\u00edcil, mas os servi\u00e7os oficiais precisam estruturar bons programas de vacina\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso que todos os anos pelo menos 80% das novilhas sejam vacinadas\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da vacina\u00e7\u00e3o, outra estrat\u00e9gia central do programa \u00e9 a certifica\u00e7\u00e3o de propriedades livres. Os produtores devem submeter os animais a um regime planejado de testes e sacrificar aqueles que estiverem infectados. \u201cDepois de tr\u00eas testes consecutivos negativos para todos os animais, a propriedade \u00e9 certificada\u201d, disse Ferreira Neto.<\/p>\n<p>Para ler os textos publicados no Arquivo Brasileiro de Medicina Veterin\u00e1ria e Zootecnia, dispon\u00edvel na biblioteca SciELO (Bireme\/FAPESP), <a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_issuetoc&amp;pid=0102-093520090007&amp;lng=pt&amp;nrm=iso\" target=\"_blank\">clique aqui<\/a>.<\/p>\n<p>Por F\u00e1bio de Castro<\/p>\n<p>FAPESP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O impacto negativo da brucelose e da tuberculose bovinas sobre a sa\u00fade humana e sobre a pecu\u00e1ria \u00e9 t\u00e3o grande que, em 2001, o Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento (MAPA) implementou um programa nacional de erradica\u00e7\u00e3o e controle das duas doen\u00e7as. 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