{"id":26071,"date":"2010-04-14T11:25:48","date_gmt":"2010-04-14T15:25:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=26071"},"modified":"2010-04-14T11:25:48","modified_gmt":"2010-04-14T15:25:48","slug":"previsao-do-tempo-modelagem-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2010\/previsao-do-tempo-modelagem-brasileira\/26071","title":{"rendered":"Previs\u00e3o do tempo &#8211; Modelagem brasileira"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Previs\u00e3o do tempo<\/em><\/strong> &#8211; o Brasil deu um passo fundamental para se tornar um agente central na elabora\u00e7\u00e3o do pr\u00f3ximo relat\u00f3rio do Painel Intergovernamental de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC). O motivo \u00e9 que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) concluiu o processo de licita\u00e7\u00e3o para a compra de um supercomputador que ser\u00e1 usado em previs\u00f5es meteorol\u00f3gicas e estudos sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>O supercomputador, que dever\u00e1 estar em funcionamento at\u00e9 o fim do ano, colocar\u00e1 o pa\u00eds entre os primeiros do mundo em aplica\u00e7\u00f5es de modelagem clim\u00e1tica. O an\u00fancio foi feito nesta segunda-feira (12\/4), pelo ministro de Ci\u00eancia e Tecnologia, Sergio Rezende, na presen\u00e7a do pelo diretor cient\u00edfico da FAPESP, Carlos Henrique de Brito Cruz, durante a Confer\u00eancia Paulista de C&amp;T&amp;I, realizada na sede da Funda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo o ministro, a compra do supercomputador permitir\u00e1 ao pa\u00eds dar um salto tecnol\u00f3gico significativo em termos de servi\u00e7os meteorol\u00f3gicos. &#8220;Sem d\u00favida, \u00e9 parte importante do esfor\u00e7o que o pa\u00eds realiza\u00a0na supera\u00e7\u00e3o de problemas ligados ao monitoramento e \u00e0s previs\u00f5es meteorol\u00f3gicas. Nesse sentido, a parceria com a FAPESP\u00a0foi fundamental para ajudar a responder a esse e outros desafios da ci\u00eancia brasileira nessa \u00e1rea&#8221;, destacou\u00a0Rezende.<\/p>\n<p>\u201cQuando recebemos o supercomputador anterior chegamos ao 25\u00ba lugar no mundo em estudos clim\u00e1ticos e previs\u00f5es de tempo. Quando o novo estiver plenamente operacional, ficaremos entre os tr\u00eas ou quatro no cen\u00e1rio mundial\u201d, disse Carlos Nobre, pesquisador do Centro de Previs\u00e3o do Tempo e Estudos Clim\u00e1ticos (CPTEC) do Inpe e coordenador executivo do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas Globais.<\/p>\n<p>Segundo Nobre, esse \u00e9 o quarto computador comprado pelo Inpe com essa finalidade \u2013 o anterior foi adquirido em 2003 \u2013 e a cada quatro ou cinco anos as m\u00e1quinas precisam ser renovadas.<\/p>\n<p>A empresa norte-americana Cray ganhou a concorr\u00eancia, com um supercomputador com 1.272 n\u00f3s, cada um com dois processadores de 2 GHz e velocidade m\u00e1xima de 192 gigaflops (bilh\u00f5es de opera\u00e7\u00f5es de ponto flutuante) por segundo. Al\u00e9m da Cray, a japonesa NEC apresentou proposta.<\/p>\n<p>O desempenho te\u00f3rico m\u00e1ximo do novo supercomputador do Inpe \u00e9 de 244 teraflops (trilh\u00f5es de opera\u00e7\u00f5es) por segundo, e o desempenho efetivo no benchmark do CPTEC foi de 15,8 teraflops.<\/p>\n<p>\u201cEle tem cerca de 30 mil processadores instalados, o que seria equivalente a dezenas de sistemas de grande porte que o CPTEC tem instalado atualmente\u201d, disse Nobre.<\/p>\n<p>O valor total do investimento \u00e9 de cerca de R$ 50 milh\u00f5es, sendo que o Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia e Tecnologia entrar\u00e1 com R$ 35 milh\u00f5es, por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), e R$ 15 milh\u00f5es ser\u00e3o provenientes da FAPESP. O pre\u00e7o do sistema da Cray ficou em R$ 31,3 milh\u00f5es e o restante ser\u00e1 usado na infraestrutura, suporte e atualiza\u00e7\u00e3o dos equipamentos.<\/p>\n<p>O pre\u00e7o do supercomputador foi um dos pontos destacados pelo ministro. \u201cA proposta da Cray foi mais interessante que a da NEC, que pediu cerca de R$ 50 milh\u00f5es. A m\u00e1quina oferecida pela empresa vencedora tem velocidade tr\u00eas vezes maior do que a outra e apresenta menor consumo de energia\u201d, disse.<\/p>\n<p>Previs\u00f5es a cada hora<\/p>\n<p>Nobre ressalta que a capacidade de previs\u00e3o do tempo existente hoje no Brasil \u00e9 boa e, ao lado da China, \u00e9 a melhor entre os pa\u00edses em desenvolvimento. \u201cMas, com essa nova m\u00e1quina, muda a resolu\u00e7\u00e3o das imagens projetadas, o tempo para apura\u00e7\u00e3o dos dados e, principalmente, a precis\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Segundo ele, com o modelo atual as previs\u00f5es s\u00e3o feitas, em m\u00e9dia, com tr\u00eas dias de anteced\u00eancia. \u201cPor dia, s\u00e3o feitas duas previs\u00f5es. Para analisar todas as situa\u00e7\u00f5es de c\u00f3digos gerados, demoramos dois dias em m\u00e9dia para concluir as an\u00e1lises. Com o novo sistema, vamos conseguir gerar previs\u00f5es com resolu\u00e7\u00e3o muito melhor em uma hora. Ou seja, teremos condi\u00e7\u00f5es de fazer previs\u00f5es a cada hora, diariamente\u201d, disse.<\/p>\n<p>Segundo Nobre, melhor resulo\u00e7\u00e3o significa que ser\u00e1 poss\u00edvel prever e modelar muito melhor a quantidade de chuva que poder\u00e1 cair em determinadas regi\u00f5es. \u201cCom o sistema atual, \u00e9 poss\u00edvel ver a m\u00e9dia do volume de chuva por \u00e1reas, mas n\u00e3o se vai chover dez vezes mais a 10 quil\u00f4metros do ponto analisado, por exemplo\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Outro destaque \u00e9 que o Brasil ser\u00e1 capaz de projetar cen\u00e1rios com modelos globais. Segundo Nobre, at\u00e9 ent\u00e3o o Inpe projetava esses cen\u00e1rios de forma limitada, utilizando modelos regionais.<\/p>\n<p>O grande obst\u00e1culo para o pa\u00eds fazer parte do seleto grupo do IPCC, segundo Nobre, era computacional. \u201cJ\u00e1 temos uma comunidade cient\u00edfica que tem condi\u00e7\u00e3o de desenvolver o modelo matem\u00e1tico necess\u00e1rio\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor cient\u00edfico da FAPESP, destacou que boa parte da discuss\u00e3o sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais est\u00e1 pautada em resultados cient\u00edficos recentes. \u201cQuem est\u00e1 mais \u00e0 frente da ci\u00eancia est\u00e1 em melhor situa\u00e7\u00e3o no debate mundial sobre os efeitos dessas mudan\u00e7as e precisamos p\u00f4r o Brasil em uma posi\u00e7\u00e3o mais favor\u00e1vel nessa discuss\u00e3o\u201d, disse.<\/p>\n<p>Brito destacou que parte do Programa FAPESP de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas Globais consiste no desenvolvimento de um modelo clim\u00e1tico global.<\/p>\n<p>\u201cIsso \u00e9 muito relevante, porque para fazer pesquisa competitiva em assuntos relacionados com mudan\u00e7as clim\u00e1ticas ajuda muito se tivermos capacidade de rodar modelos pr\u00f3prios, que olhem melhor para a Amaz\u00f4nia e para o Atl\u00e2ntico Sul, por exemplo\u201d, disse.<\/p>\n<p>Conclu\u00edda a licita\u00e7\u00e3o, agora a Cray tem seis meses para entregar o supercomputador. O pr\u00f3ximo passo ser\u00e1 montar a estrutura de energia el\u00e9trica. A previs\u00e3o \u00e9 que at\u00e9 o fim do ano o sistema esteja funcionando. \u201cEm dois anos, deveremos iniciar os testes das primeiras vers\u00f5es do modelo brasileiro para a previs\u00e3o clim\u00e1tica global\u201d, disse Nobre.<br \/>\n\u00a0Por Alex Sander Alc\u00e2ntara<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Previs\u00e3o do tempo &#8211; o Brasil deu um passo fundamental para se tornar um agente central na elabora\u00e7\u00e3o do pr\u00f3ximo relat\u00f3rio do Painel Intergovernamental de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC). 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