{"id":17954,"date":"2009-11-19T20:39:25","date_gmt":"2009-11-20T00:39:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=17954"},"modified":"2009-11-19T20:39:25","modified_gmt":"2009-11-20T00:39:25","slug":"combate-a-desnutricao-faz-deficit-de-altura-cair-mais-de-75-em-criancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2009\/combate-a-desnutricao-faz-deficit-de-altura-cair-mais-de-75-em-criancas\/17954","title":{"rendered":"Combate \u00e0 desnutri\u00e7\u00e3o faz d\u00e9ficit de altura cair mais de 75% em crian\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p>O acesso \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o est\u00e1 aumentando a estatura das crian\u00e7as brasileiras. O d\u00e9ficit de altura nas meninas menores de cinco anos, um dos principais indicadores de desnutri\u00e7\u00e3o, caiu 85% de 1974 a 2007. Entre os meninos, a redu\u00e7\u00e3o foi de 77% no mesmo per\u00edodo. Pesquisa in\u00e9dita Sa\u00fade Brasil 2008, do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, avaliou o crescimento da popula\u00e7\u00e3o e verificou que, caso o Brasil mantenha o ritmo, a desnutri\u00e7\u00e3o ser\u00e1 praticamente nula entre 10 e 15 anos. Por\u00e9m, isso n\u00e3o significa que, necessariamente, a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 se alimentando de maneira saud\u00e1vel. O mesmo estudo mostrou que o risco de obesidade vem aumentando no pa\u00eds, principalmente entre os jovens do sexo masculino.<\/p>\n<p>\u201cO aumento da altura do brasileiro \u00e9 um reflexo da melhoria do padr\u00e3o nutricional. Os investimentos em pol\u00edticas p\u00fablicas de distribui\u00e7\u00e3o de renda, de saneamento e de melhorias na alimenta\u00e7\u00e3o e nutri\u00e7\u00e3o contribu\u00edram para avan\u00e7os e supera\u00e7\u00e3o da desnutri\u00e7\u00e3o no pa\u00eds\u201d, analisa Deborah Malta, uma das respons\u00e1veis pela pesquisa Sa\u00fade Brasil 2008 e coordenadora-geral de Doen\u00e7as e Agravos N\u00e3o-transmiss\u00edveis do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Ela destaca que o crescimento na estatura das crian\u00e7as, o maior entre todas as faixas et\u00e1rias, permite ao pa\u00eds uma vis\u00e3o otimista quanto ao fim da desnutri\u00e7\u00e3o infantil, considerado um problema de sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p>Segundo Deborah Malta, os dados apontam exatamente a mudan\u00e7a no perfil nutricional do brasileiro, de um estado de desnutri\u00e7\u00e3o para o sobrepeso. O aumento do risco de obesidade entre os adolescentes alerta para o padr\u00e3o de alimenta\u00e7\u00e3o dos jovens. \u201cEles optam cada vez mais por produtos gordurosos e deixam os exerc\u00edcios f\u00edsicos de lado. Um comportamento que pode continuar na vida adulta\u201d, avalia a coordenadora.<\/p>\n<p>A pesquisa Sa\u00fade Brasil 2008 comparou o resultado de cinco question\u00e1rios domiciliares sobre estatura e \u00cdndice de Massa Corporal (IMC) realizados no Brasil entre 1974 e 2007. \u00c9 a primeira vez que o estudo, feito anualmente pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, traz informa\u00e7\u00f5es sobre altura e risco de obesidade.<\/p>\n<p>BRASILEIRO EST\u00c1 MAIS ALTO &#8211; A an\u00e1lise sobre a redu\u00e7\u00e3o no d\u00e9ficit de altura mostra que as crian\u00e7as brasileiras est\u00e3o cada vez mais pr\u00f3ximas do padr\u00e3o internacional estipulado pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS), que \u00e9 feito a partir das medidas antropom\u00e9tricas (peso e altura) de meninos e meninas sadias. Dados da Pesquisa Nacional de Demografia e Sa\u00fade (PNDS), do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, apontam\u00a0 que a desnutri\u00e7\u00e3o atingia, em 1996, 13,4%\u00a0 das crian\u00e7as com menos de cinco anos. Caiu para 6,7% em 2006 \u2013 queda de 50% em dez anos.<\/p>\n<p>O Sa\u00fade Brasil 2008 demonstra ainda que os ganhos em altura ocorrem tamb\u00e9m nos adolescentes de 10 a 19 anos. Nessa faixa et\u00e1ria, a redu\u00e7\u00e3o foi de 70%, aproximadamente, em 29 anos (1974-2003). \u201cUma vez que se tem maior acesso a alimentos, as crian\u00e7as podem crescer em todo o seu potencial gen\u00e9tico. Assim, as novas gera\u00e7\u00f5es est\u00e3o ganhando em altura\u201d explica Deborah Malta.<\/p>\n<p>Os avan\u00e7os s\u00e3o observados tamb\u00e9m na popula\u00e7\u00e3o adulta. O estudo comprova que o brasileiro est\u00e1 mais alto. As mulheres ganharam 3,3 cm em 14 anos. Elas cresceram quase duas vezes mais que os homens, passando de uma m\u00e9dia de 1,55m, em 1989, para 1,58m, em 2003. Eles, nesse per\u00edodo, aumentaram 1,9 cm no tamanho e chegaram a uma m\u00e9dia de 1,70 m em 2003 \u2013 contra 1,68m em 1989. Entretanto, esse ganho de altura entre os adultos ainda est\u00e1 abaixo do padr\u00e3o mundial usado como refer\u00eancia.<\/p>\n<p>HOMENS COM MAIS RISCO DE OBESIDADE \u2013 O estudo aponta tamb\u00e9m um aumento na rela\u00e7\u00e3o entre peso e altura (\u00cdndice de Massa Corporal &#8211; IMC). A tend\u00eancia de crescimento \u00e9 maior entre os meninos de 10 a 19 anos. Esse grupo apresentou o maior risco de obesidade, com um aumento de 82,2% do IMC em 29 anos. \u201cEmbora os n\u00fameros demonstrem que os meninos est\u00e3o abaixo do padr\u00e3o refer\u00eancia da OMS, preocupa o aumento crescente do peso deles\u201d, analisa Deborah Malta.<\/p>\n<p>Entre as meninas de 10 a 19 anos, o aumento do IMC foi de 70,3%. Contudo, no caso delas, existe uma tend\u00eancia a estabilidade. Elas apresentam \u00edndices pr\u00f3ximos do padr\u00e3o de refer\u00eancia. Tamb\u00e9m h\u00e1 diferen\u00e7a entre os dois sexos na idade adulta. Enquanto o risco de obesidade dos homens aumentou constantemente em 29 anos, as mulheres mantiveram o \u00edndice est\u00e1vel nos \u00faltimos 15 anos da an\u00e1lise.<\/p>\n<p>\u201cO estudo aponta uma rea\u00e7\u00e3o das mulheres contra o sobrepeso. Dos anos 90 \u00e0 atual d\u00e9cada, o peso delas tende \u00e0 estabilidade. Esta situa\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 mais clara entre mulheres com maior escolaridade e renda. Elas demonstram muito mais preocupa\u00e7\u00e3o com o corpo e a sa\u00fade do que os homens\u201d, afirma Deborah Malta. Ela acrescenta que o aumento do peso \u00e9 uma tend\u00eancia mundial que reflete as mudan\u00e7as no padr\u00e3o de alimenta\u00e7\u00e3o e do estilo sedent\u00e1rio da popula\u00e7\u00e3o. \u201cEm todo o mundo, aumentou o consumo de alimentos industrializados, com mais gordura e a\u00e7\u00facar\u201d.<\/p>\n<p>No Brasil, entre 1974 e 2003, as mulheres ganharam 1,6 kg\/m\u00b2 e os homens, 2,2 kg\/m\u00b2. O estudo Sa\u00fade Brasil 2008 indica que, apesar do aumento, a m\u00e9dia do IMC do brasileiro ao fim do per\u00edodo avaliado est\u00e1 muito pr\u00f3xima dos 25 kg\/m\u00b2. O sobrepeso \u00e9 caracterizado quando o IMC ultrapassa esse valor e a obesidade, quando o \u00edndice fica acima de 30. O excesso de peso atinge uma parcela significativa da popula\u00e7\u00e3o. Dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade de 2008 apontam que 43,3% das pessoas com mais de 18 anos que vivem nas capitais est\u00e3o com sobrepeso.<\/p>\n<p>PROMO\u00c7\u00c3O DA SA\u00daDE &#8211; Nos \u00faltimos tr\u00eas anos, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade repassou mais de R$ 92 milh\u00f5es para projetos de promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade, incentivo \u00e0 atividade f\u00edsica e h\u00e1bitos alimentares saud\u00e1veis. Ao todo, 460 munic\u00edpios foram beneficiados. Em novembro deste ano, mais R$ 51 milh\u00f5es ser\u00e3o destinados \u00e0s iniciativas no setor. Ao todo foram selecionados projetos de 1.260 munic\u00edpios. \u201cCom isso, esperamos aumentar os n\u00edveis de atividade f\u00edsica da popula\u00e7\u00e3o, contribuindo com o controle do sobrepeso\u201d, afirma Deborah Malta.<\/p>\n<p>SUPLEMENTO ALIMENTAR &#8211; O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade investe, anualmente, R$ 37 milh\u00f5es em a\u00e7\u00f5es de promo\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitos alimentares saud\u00e1veis, preven\u00e7\u00e3o e controle de dist\u00farbios nutricionais e doen\u00e7as associadas \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o nos estados e munic\u00edpios, al\u00e9m da capacita\u00e7\u00e3o de profissionais. Desse total, R$ 22 milh\u00f5es destinam-se a compra e a distribui\u00e7\u00e3o de suplemento de ferro e vitamina A. Esses produtos ajudam no combate \u00e0 desnutri\u00e7\u00e3o e \u00e0 mortalidade de crian\u00e7as de seis meses a cinco anos de idade. Em 2009, 450,5 milh\u00f5es de comprimidos e 9 milh\u00f5es de frascos desses dois suplementos foram distribu\u00eddos aos estados, beneficiando 10,9 milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>Com o objetivo de fortalecer as a\u00e7\u00f5es de promo\u00e7\u00e3o e orienta\u00e7\u00e3o para uma alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel nas cidades, o Minist\u00e9rio aumentou o n\u00famero de munic\u00edpios que recebem recursos diretos para iniciativas no setor. Em 2009, 172 munic\u00edpios receberam o incentivo, contra 132, em 2008. Isso porque antes apenas as cidades com mais de 200 mil habitantes recebiam a verba. Agora, conforme portaria publicada em outubro de 2009, o crit\u00e9rio passou a ser munic\u00edpios com mais de 150 mil. Os governos locais das 172 cidades receber\u00e3o R$ 6,33 milh\u00f5es. Contando com os valores repassados aos estados, o total ser\u00e1 de R$ 8,63 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>H\u00c1BITOS SAUD\u00c1VEIS &#8211; Al\u00e9m desse investimento, o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) conta hoje com 526 nutricionistas e 382 profissionais de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica que acompanham o trabalho das equipes de Sa\u00fade da Fam\u00edlia em todo o pa\u00eds. Eles atuam nos N\u00facleos de Apoio da Sa\u00fade da Fam\u00edlia em a\u00e7\u00f5es de promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade, incentivo e orienta\u00e7\u00e3o para uma alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel e pr\u00e1tica de exerc\u00edcios, acompanhamento do peso e estatura dos pacientes. Os n\u00facleos foram criados em 2008, com o objetivo de refor\u00e7ar o trabalho das equipes de sa\u00fade da fam\u00edlia. Atualmente, 769 est\u00e3o em funcionamento em todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>A promo\u00e7\u00e3o e orienta\u00e7\u00e3o sobre alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel \u00e9 tamb\u00e9m uma das diretrizes do programa Sa\u00fade na Escola, em que as equipes de sa\u00fade da fam\u00edlia atuam nas institui\u00e7\u00f5es, com o apoio dos professores. A iniciativa, criada em 2008, atende 2,6 milh\u00f5es de alunos em 608 munic\u00edpios de todos os estados brasileiros e Distrito Federal. O programa funciona em 16.470 escolas, onde atuam 2.700 equipes de sa\u00fade da fam\u00edlia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O acesso \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o est\u00e1 aumentando a estatura das crian\u00e7as brasileiras. O d\u00e9ficit de altura nas meninas menores de cinco anos, um dos principais indicadores de desnutri\u00e7\u00e3o, caiu 85% de 1974 a 2007. Entre os meninos, a redu\u00e7\u00e3o foi de 77% no mesmo per\u00edodo. 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