{"id":1721,"date":"2009-05-17T20:09:23","date_gmt":"2009-05-18T00:09:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=1721"},"modified":"2009-05-17T20:09:23","modified_gmt":"2009-05-18T00:09:23","slug":"espacos-abandonados-de-sao-paulo-viram-palco-de-grupos-teatrais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2009\/espacos-abandonados-de-sao-paulo-viram-palco-de-grupos-teatrais\/1721","title":{"rendered":"Espa\u00e7os abandonados de S\u00e3o Paulo viram palco de grupos teatrais"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-family: Arial;\">Grupos culturais transformam espa\u00e7os na capital paulista em palco para apresenta\u00e7\u00e3o de espet\u00e1culos teatrais <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-family: Arial;\">S\u00e3o Paulo &#8211; Em 2004, um grupo de jovens atores da cidade de S\u00e3o Paulo pediu permiss\u00e3o para usar um pr\u00e9dio que um dia foi uma &#8220;pharmacia&#8221;. Na \u00e9poca em que foi constru\u00eddo o im\u00f3vel, farm\u00e1cia ainda se escrevia com &#8220;ph&#8221; ou se chamava apenas botic\u00e1rio. O pr\u00e9dio projetado pelo arquiteto franc\u00eas Paul Pedarrieux foi entregue, no ano de 1917, aos moradores da Vila Maria Z\u00e9lia, na zona leste de S\u00e3o Paulo, para curar suas doen\u00e7as.<\/p>\n<p><span> <\/span>&#8220;Eu adorei quando eles [<em>os atores<\/em>] vieram. Se cai uma t\u00e1bua ou aparece uma goteira, eles mesmo arrumam. Acabou a deteriora\u00e7\u00e3o&#8221;, diz a dona de casa Rosalva Nascimento, que nasceu na regi\u00e3o h\u00e1 75 anos.<\/p>\n<p>O grupo que come\u00e7ou a curar as feridas da Vila Maria Z\u00e9lia \u00e9 o XIX. Em 2004, os atores sa\u00edram de Higien\u00f3polis e foram para a Maria Z\u00e9lia encenar <em>Hygiene<\/em>, um texto que fala sobre o come\u00e7o da industrializa\u00e7\u00e3o e a higieniza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds no come\u00e7o do s\u00e9culo 20. O &#8220;palco&#8221; ia da porta da igreja \u00e0 porta da escola. <em>Hygiene<\/em> ganhou muitos pr\u00eamios mundo afora.<\/p>\n<p>&#8220;Mas o maior dos pr\u00eamios foi o come\u00e7o do processo de revitaliza\u00e7\u00e3o da vila&#8221;, diz Edelcio Pereira Pinto, conhecido como Ded\u00e9, um dos moradores mais antigos e &#8220;guardi\u00e3o volunt\u00e1rio&#8221; do local. &#8220;Legalmente, o pr\u00e9dio n\u00e3o pode ser nosso por quest\u00f5es jur\u00eddicas e burocr\u00e1ticas. Mas todos nos apoiam ali&#8221;, conta Paulo Celestino, ator da companhia.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as ao sucesso da pe\u00e7a, a Vila Maria Z\u00e9lia foi cen\u00e1rio de filmes, novelas e programas de TV. Em 2005, Ano do Brasil na Fran\u00e7a, o grupo teatral XIX levou as fotos do espet\u00e1culo para a Europa e encantou os franceses.<\/p>\n<p>Segundo Ded\u00e9, alguns franceses quiseram ver de perto o trabalho de um de seus arquitetos. Indignados com o abandono da vila, voltaram \u00e0 Europa, onde juntaram for\u00e7as e dinheiro. &#8220;Eles j\u00e1 arrecadaram 17 milh\u00f5es de euros para a restaura\u00e7\u00e3o dos edif\u00edcios&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>As duas escolas da vila &#8211; na \u00e9poca, meninos e meninas estudavam em pr\u00e9dios separados &#8211; n\u00e3o v\u00e3o perder suas fun\u00e7\u00f5es. Apenas os alunos mudar\u00e3o: &#8220;teremos uma escola t\u00e9cnica de restaura\u00e7\u00e3o para jovens&#8221;, diz Ded\u00e9. Ainda n\u00e3o foi definido o destino dos demais edif\u00edcios.<\/p>\n<p>Emocionado, Ded\u00e9 agradece at\u00e9 hoje o dia em que os seus &#8220;meninos&#8221;, como ele chama os atores e produtores do grupo XIX, pisaram ali e deram in\u00edcio \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o da vila.<\/p>\n<p>A revitaliza\u00e7\u00e3o pela cultura n\u00e3o \u00e9 privil\u00e9gio apenas da Maria Z\u00e9lia. Longe dali, no centro de S\u00e3o Paulo, uma pra\u00e7a de nome imponente e antes habitada apenas por prostitutas, traficantes e moradores de rua ganhou vida nova, gra\u00e7as ao Satyros, grupo de teatro que resolveu se instalar na Pra\u00e7a Roosevelt em 2001, por ser de f\u00e1cil acesso ao p\u00fablico.<\/p>\n<p>&#8220;T\u00ednhamos feito um trabalho semelhante na Europa e sab\u00edamos que o teatro tinha poder para iluminar um local abandonado. Enquanto h\u00e1 escurid\u00e3o, h\u00e1 viol\u00eancia. O teatro trouxe luz e seguran\u00e7a para a pra\u00e7a&#8221;, lembra Ivan Cabral, ator e diretor do Satyros.<\/p>\n<p>Hoje, a Pra\u00e7a Roosevelt \u00e9 um importante p\u00f3lo cultural da cidade, com dezenas de espet\u00e1culos, todos a pre\u00e7os acess\u00edveis. &#8220;Moradores da pra\u00e7a pagam apenas R$ 5 para ver nossas pe\u00e7as&#8221;, diz Ivan.<\/p>\n<p>A revitaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi apenas na pra\u00e7a. &#8220;Conseguir um im\u00f3vel nos arredores \u00e9 praticamente imposs\u00edvel. Um apartamento que valia R$ 20 mil, em 2001, custa hoje R$ 90 mil. Foi um <em>boom<\/em> imobili\u00e1rio&#8221;, acrescenta o diretor.<\/p>\n<p>Quem j\u00e1 andou na Pra\u00e7a Roosevelt anos atr\u00e1s n\u00e3o reconhece hoje o lugar, que recebeu bares, restaurantes e outros grupos de teatro. Se a caminhada for em uma noite do m\u00eas de outubro, quando ocorre a maratona Satyrianas, com 80 horas de espet\u00e1culos ininterruptos, o reconhecimento fica imposs\u00edvel: milhares de pessoas v\u00e3o assistir a centenas de produ\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00e3o Paulo \u00e9 uma cidade que se renova na cultura&#8221;, explica Cibele Forjaz, professora de dire\u00e7\u00e3o e ilumina\u00e7\u00e3o de teatro na Escola de Comunica\u00e7\u00f5es e Artes (ECA) da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). Cibele tamb\u00e9m \u00e9 diretora da Companhia Livre de Teatro e testemunhou a revitaliza\u00e7\u00e3o da Barra Funda, na zona oeste, para onde seu grupo se mudou. &#8220;Lembro de uma senhora que nunca sa\u00eda de casa e passou a vender doces na porta do teatro depois que nos mudamos para o bairro.&#8221;<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o de Cibele, os grupos teatrais aumentam a autoestima dos moradores e movimentam a economia local, gerando emprego e renda onde s\u00f3 havia abandono. &#8220;Como n\u00e3o temos uma praia, precisamos criar um o\u00e1sis no meio da asfalto. E fazemos isso pela cultura. Essa \u00e9 a tend\u00eancia para a cidade de S\u00e3o Paulo: a cultura trazendo cores ao cinza&#8221;.<br \/>\n<!--[if !supportLineBreakNewLine]--><br \/>\n<!--[endif]--><\/span><\/p>\n<p><!-- .replace('','').replace('\n\n','') --><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt;\"><span class=\"assinatura11\"><span style=\"font-family: Arial; color: windowtext;\">Ivy Farias <\/span><\/span><span style=\"font-family: Arial;\"><br \/>\n<span class=\"assinatura11\"><em><span style=\"font-family: Arial; color: windowtext;\">Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil<\/span><\/em><\/span><span class=\"assinatura11\"><span style=\"font-family: Arial; color: windowtext;\"> <\/span><\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Grupos culturais transformam espa\u00e7os na capital paulista em palco para apresenta\u00e7\u00e3o de espet\u00e1culos teatrais S\u00e3o Paulo &#8211; Em 2004, um grupo de jovens atores da cidade de S\u00e3o Paulo pediu permiss\u00e3o para usar um pr\u00e9dio que um dia foi uma &#8220;pharmacia&#8221;. Na \u00e9poca em que foi constru\u00eddo o im\u00f3vel, farm\u00e1cia ainda se escrevia com &#8220;ph&#8221; [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_genesis_hide_title":false,"_genesis_hide_breadcrumbs":false,"_genesis_hide_singular_image":false,"_genesis_hide_footer_widgets":false,"_genesis_custom_body_class":"","_genesis_custom_post_class":"","_genesis_layout":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[],"class_list":{"0":"post-1721","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","6":"category-brasil","7":"entry","8":"gs-1","9":"gs-odd","10":"gs-even","11":"gs-featured-content-entry"},"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1721","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1721"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1721\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1721"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1721"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1721"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}