{"id":165006,"date":"2019-01-09T23:55:10","date_gmt":"2019-01-10T01:55:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=165006"},"modified":"2019-01-09T19:46:21","modified_gmt":"2019-01-09T21:46:21","slug":"ecossistemas-poderao-ser-restaurados-por-meio-da-engenharia-da-biodiversidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2019\/ecossistemas-poderao-ser-restaurados-por-meio-da-engenharia-da-biodiversidade\/165006","title":{"rendered":"Ecossistemas poder\u00e3o ser restaurados por meio da engenharia da biodiversidade"},"content":{"rendered":"<p> Elton Alisson\u00a0\u00a0|\u00a0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Muitos cientistas consideram que as atividades humanas come\u00e7aram a ter, a partir do fim do s\u00e9culo 18, um impacto t\u00e3o significativo no clima e nos <strong><em>ecossistemas<\/em><\/strong> da Terra a ponto de der dado origem a uma \u00e9poca geol\u00f3gica que denominaram Antropoceno.<\/p>\n<p>As elimina\u00e7\u00f5es de esp\u00e9cies nesse per\u00edodo mais recente da hist\u00f3ria do planeta Terra podem rivalizar com as grandes extin\u00e7\u00f5es em massa registradas ao longo de outras eras geol\u00f3gicas. A fim de restaurar essa perda de biodiversidade e o funcionamento do ecossistema terrestre seria preciso aplicar, urgentemente, o conhecimento ecol\u00f3gico existente.<\/p>\n<p>Um estudo de autoria de pesquisadores brasileiros e brit\u00e2nicos indicou que h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas, metodol\u00f3gicas e tecnol\u00f3gicas sem precedentes para enfrentar esse desafio.<\/p>\n<p>Resultado de uma pesquisa\u00a0\u00a0e de um p\u00f3s-doutorado realizado com\u00a0, o trabalho teve resultados publicados na revista\u00a0.<\/p>\n<p>\u201cEstamos a apenas alguns passos de possibilitar a realiza\u00e7\u00e3o da \u2018engenharia da biodiversidade\u2019, ou seja, manipular a biodiversidade para projetar a composi\u00e7\u00e3o de comunidades ecol\u00f3gicas e garantir a perman\u00eancia das fun\u00e7\u00f5es de um ecossistema\u201d, disse Rafael Lu\u00eds Galdini Raimundo, professor do Departamento de Engenharia e Meio Ambiente da Universidade Federal da Para\u00edba (UFPB) e primeiro autor do estudo, \u00e0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>\u201cTemos agora todas as condi\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas e metodol\u00f3gicas para entender e prever melhor as consequ\u00eancias da inclus\u00e3o ou da retirada de uma esp\u00e9cie de uma comunidade para fim de manejo na diversidade funcional de um ecossistema\u201d, avaliou.<\/p>\n<p>De acordo com os autores do estudo, a manipula\u00e7\u00e3o de comunidades ecol\u00f3gicas para restaura\u00e7\u00e3o tem uma longa hist\u00f3ria cient\u00edfica e \u00e9 feita h\u00e1 mais de um s\u00e9culo, principalmente em pa\u00edses da Europa e nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Tradicionalmente, contudo, as iniciativas de restaura\u00e7\u00e3o t\u00eam sido focadas na inclus\u00e3o ou na remo\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies com o intuito de resgatar padr\u00f5es de riqueza de plantas e animais, sem se concentrar nas intera\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas entre popula\u00e7\u00f5es, esp\u00e9cies e predadores e presas, por exemplo.<\/p>\n<p>Essas intera\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas s\u00e3o determinantes para os padr\u00f5es de biodiversidade e de funcionamento de um ecossistema por moldar a for\u00e7a e os modos de sele\u00e7\u00e3o natural. Eventuais mudan\u00e7as nos padr\u00f5es dessas intera\u00e7\u00f5es provocadas pela extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies ou pela entrada de esp\u00e9cies invasoras, por exemplo, afetam a evolu\u00e7\u00e3o de caracter\u00edsticas funcionais ecologicamente relevantes, como o tamanho do bico de aves que se alimentam de frutos (frug\u00edvoras) e o tamanho dos frutos que dispersam.<\/p>\n<p>Na Mata Atl\u00e2ntica, a perda de grandes esp\u00e9cies de aves como tucanos (Ramphastidae) e jacutingas (Pipile jacutinga) tem levado \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o da dispers\u00e3o de \u00e1rvores com sementes grandes. J\u00e1 a diminui\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies dispersoras do palmito-ju\u00e7ara (Euterpe edulis) tem feito com que suas sementes passem a ser distribu\u00eddas por poucas \u00e1reas do bioma. Consequentemente, tem diminu\u00eddo o tamanho das sementes da planta, dizem os autores do estudo.<\/p>\n<p>\u201cAs intera\u00e7\u00f5es entre esp\u00e9cies representam a liga\u00e7\u00e3o entre processos ecol\u00f3gicos e evolutivos e tamb\u00e9m podem ser vistas como a conex\u00e3o entre a estrutura da biodiversidade e o funcionamento do ecossistema\u201d, disse Galdini Raimundo.<\/p>\n<p>Condi\u00e7\u00f5es prop\u00edcias<\/p>\n<p>O desenvolvimento de modelos matem\u00e1ticos de redes adaptativas permitiu a ec\u00f3logos compreender melhor como mudan\u00e7as nos padr\u00f5es de intera\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas \u2013 que definem a estrutura de uma rede de intera\u00e7\u00f5es \u2013 s\u00e3o seguidas por mudan\u00e7as na din\u00e2mica e nas propriedades das popula\u00e7\u00f5es de cada esp\u00e9cie, como sua abund\u00e2ncia e caracter\u00edsticas.<\/p>\n<p>Essas mudan\u00e7as ecol\u00f3gicas e evolutivas nas propriedades das esp\u00e9cies podem desencadear novas reconfigura\u00e7\u00f5es no n\u00edvel da rede de intera\u00e7\u00f5es, fechando um ciclo.<\/p>\n<p>\u201cA aplica\u00e7\u00e3o da abordagem de rede \u00e0 ecologia permite gerar previs\u00f5es para o que acontece com processos evolutivos e ecol\u00f3gicos nessas redes de intera\u00e7\u00f5es complexas e criar hip\u00f3teses test\u00e1veis de diferentes estrat\u00e9gias de manejo\u201d, disse Galdini Raimundo. \u201cCom isso, \u00e9 poss\u00edvel construir comunidades est\u00e1veis, com todas as fun\u00e7\u00f5es ecossist\u00eamicas operando normalmente.\u201d<\/p>\n<p>Apesar do potencial dos modelos de redes adaptativas na gest\u00e3o de ecossistemas, at\u00e9 recentemente os dados necess\u00e1rios para aliment\u00e1-los impediam sua aplica\u00e7\u00e3o como uma ferramenta preditiva na ecologia da restaura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As t\u00e9cnicas de sequenciamento do genoma desenvolvidas nos \u00faltimos anos permitiram obter dados de intera\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies em uma escala sem precedentes, dando origem ao\u00a0big data\u00a0da biodiversidade.<\/p>\n<p>Segundo os pesquisadores, essas t\u00e9cnicas de sequenciamento possibilitaram n\u00e3o apenas obter dados da estrutura ecol\u00f3gica de redes, mas tamb\u00e9m sobre as rela\u00e7\u00f5es filogen\u00e9ticas entre esp\u00e9cies dentro de uma comunidade \u2013 o que \u00e9 fundamental para prever como uma rede ecol\u00f3gica ir\u00e1 reconectar sua estrutura e como novas din\u00e2micas ir\u00e3o remodelar caracter\u00edsticas e a abund\u00e2ncia de esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>\u201cFundir t\u00e9cnicas de sequenciamento de genoma de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o com redes ecol\u00f3gicas fornece novas ferramentas para estudar a resili\u00eancia de comunidades interagentes \u00e0s mudan\u00e7as ambientais, ao mesmo tempo que incorpora importantes atributos, como a diversidade funcional\u201d, disse Darren Evans, professor da Newcastle University, na Inglaterra, e coautor do estudo.<\/p>\n<p>Alguns dos gargalos para o uso desses modelos ecol\u00f3gicos evolutivos e preditivos s\u00e3o ampliar as colabora\u00e7\u00f5es em pesquisa, de modo a permitir monitorar locais para fazer as previs\u00f5es de rede adaptativas, e aumentar a intera\u00e7\u00e3o entre pesquisadores que realizam os trabalhos em campo e implementam as pr\u00e1ticas de restaura\u00e7\u00e3o e os te\u00f3ricos.<\/p>\n<p>\u201cA aplica\u00e7\u00e3o desses modelos depende do estabelecimento de uma via de m\u00e3o dupla entre o pesquisador que faz os modelos e gera as predi\u00e7\u00f5es e quem est\u00e1 em campo, testando as pr\u00e1ticas de restaura\u00e7\u00e3o nessa escala de comunidade, para aprimorar os modelos, gerar predi\u00e7\u00f5es mais acuradas e, com o tempo, em longo prazo, conseguirmos refinar essa engenharia da biodiversidade\u201d, disse Galdini Raimundo.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0Adaptive networks for restoration ecology\u00a0(doi: doi.org\/10.1016\/j.tree.2018.06.002), de Rafael L. G. Raimundo, Paulo R. Guimar\u00e3es Jr e Darren M. Evans, pode ser lido por assinantes da revista\u00a0Trends in Ecology &amp; Evolution\u00a0em\u00a0<\/p>\n<p>http:\/\/agencia.fapesp.br\/noticias\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elton Alisson\u00a0\u00a0|\u00a0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Muitos cientistas consideram que as atividades humanas come\u00e7aram a ter, a partir do fim do s\u00e9culo 18, um impacto t\u00e3o significativo no clima e nos ecossistemas da Terra a ponto de der dado origem a uma \u00e9poca geol\u00f3gica que denominaram Antropoceno. 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