{"id":160610,"date":"2018-12-02T23:56:36","date_gmt":"2018-12-03T01:56:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=160610"},"modified":"2018-12-02T20:30:42","modified_gmt":"2018-12-02T22:30:42","slug":"estudo-busca-desvendar-os-superpoderes-das-bacterias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2018\/estudo-busca-desvendar-os-superpoderes-das-bacterias\/160610","title":{"rendered":"Estudo busca desvendar os \u201csuperpoderes\u201d das bact\u00e9rias"},"content":{"rendered":"<p> Maria Fernanda Ziegler, de Nova York (EUA)\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 A despeito de serem impercept\u00edveis na maioria das vezes, h\u00e1 milh\u00f5es de <strong><em>bact\u00e9rias<\/em><\/strong> vivendo no corpo de uma pessoa. E n\u00e3o apenas a\u00ed: bact\u00e9rias est\u00e3o em toda a parte, gra\u00e7as \u00e0 sua capacidade de desenvolver ferramentas e mecanismos que acompanham suas especificidades e lhes garanta a sobreviv\u00eancia, como se tornar resistente a antibi\u00f3ticos.<\/p>\n<p>Nicolas Biais, professor assistente da City University of New York (CUNY), busca compreender estruturas e mecanismos \u2013 ou, como costuma dizer, \u201cos superpoderes\u201d \u2013 das bact\u00e9rias para buscar novas formas de combater doen\u00e7as. Ele lidera o laborat\u00f3rio de Microbiologia Mec\u00e2nica no Brooklyn College, onde estuda como o pat\u00f3geno que causa a gonorreia interage com as c\u00e9lulas humanas.<\/p>\n<p>\u201cA\u00a0Neisseria gonorrhoeae\u00a0costumava ser um problema anos atr\u00e1s, principalmente para o ex\u00e9rcito. Por sorte, descobriram a penicilina. Por\u00e9m, as bact\u00e9rias t\u00eam a capacidade de passar informa\u00e7\u00e3o e se tornaram mais resistentes nas \u00faltimas d\u00e9cadas, a ponto de 33% dos casos de gonorreia tratados em hospitais norte-americanos serem resistentes a antibi\u00f3ticos\u201d, disse Biais, em palestra na FAPESP Week New York.<\/p>\n<p>O encontro ocorreu na City University of New York (CUNY) de 26 a 28 de novembro de 2018 e reuniu pesquisadores brasileiros e norte-americanos com o objetivo de estreitar parcerias em pesquisa.<\/p>\n<p>Biais ressalta que a gonorreia pode ser, nos pr\u00f3ximos anos, uma das mais importantes doen\u00e7as sexualmente transmiss\u00edveis, com 100 milh\u00f5es de novos casos ao ano em todo o mundo. \u201cA causa disso \u00e9 que as bact\u00e9rias est\u00e3o ficando mais resistentes, mas todo superpoder tem tamb\u00e9m uma fraqueza\u201d, disse.<\/p>\n<p>Um dos elementos-chave para a forma\u00e7\u00e3o de microcol\u00f4nias de\u00a0Neisseria gonorrhoeae\u00a0\u2013 elas raramente s\u00e3o encontradas sozinhas, mas em hubs com centenas delas \u2013 \u00e9 a a\u00e7\u00e3o de fibras bacterianas retr\u00e1teis chamadas de pili tipo IV. Essas estruturas est\u00e3o envolvidas em muitos aspectos da fisiologia da bact\u00e9ria, incluindo motilidade, ades\u00e3o, infec\u00e7\u00e3o, capta\u00e7\u00e3o de DNA e forma\u00e7\u00e3o de biofilme.<\/p>\n<p>Em estudo realizado com a Universidade do Arizona, Biais descobriu que, ao desativar o mecanismo molecular que rege a retra\u00e7\u00e3o da pili tipo IV, a bact\u00e9ria deixa de ser infecciosa.<\/p>\n<p>\u201cEncontramos diferentes formas de estudar esse mecanismo, primeiro olhando para o movimento individual de cada bact\u00e9ria e depois conseguimos ver diretamente como elas atuam coletivamente. Descobrimos que a habilidade desses pequenos bra\u00e7os e sua for\u00e7a s\u00e3o essenciais para a infec\u00e7\u00e3o, a ponto de, se eles forem retirados, as bact\u00e9rias deixam de ser infeciosas\u201d, disse.<\/p>\n<p>Os pesquisadores tamb\u00e9m mostraram que a retra\u00e7\u00e3o nas microcol\u00f4nias de\u00a0N. gonorrhoeae\u00a0pode exercer for\u00e7a 100 mil vezes maior que o peso de uma \u00fanica bact\u00e9ria.<\/p>\n<p>\u201cQuimicamente elas s\u00e3o iguais, mas n\u00e3o h\u00e1 infec\u00e7\u00e3o. Quando interagem com c\u00e9lulas humanas, \u00e9 poss\u00edvel ver uma cadeia de rea\u00e7\u00f5es, n\u00e3o s\u00f3 qu\u00edmicas, mas f\u00edsicas. Por\u00e9m, quando n\u00e3o h\u00e1 essa for\u00e7a (vinda da pili), nada disso acontece. \u00c9 como se elas estivessem fazendo massagem. O que estamos tentando entender em nosso laborat\u00f3rio \u00e9 como podemos ter diferentes tipos de massagem, ou melhor, diferentes formas de intera\u00e7\u00e3o com diferentes hospedeiros&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Desligar o sistema, da bact\u00e9ria ao c\u00e2ncer<\/p>\n<p>Kevin Gardner, diretor da iniciativa em Biologia Estrutural do Advanced Science Research Center, de CUNY, tamb\u00e9m estuda as estruturas at\u00f4micas das mol\u00e9culas para entender como elas interagem entre si e com as atividades biol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>A partir de estudos em biologia estrutural, o grupo de pesquisadores liderado por ele descobriu que prote\u00ednas usam mecanismos sensoriais comuns, apesar da grande diversidade em suas fun\u00e7\u00f5es e ambientes biol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>\u201cQuanto mais entendermos a biologia, come\u00e7ando com a estrutura no n\u00edvel at\u00f4mico, mais f\u00e1cil ser\u00e1 entender seus mecanismos e fun\u00e7\u00f5es\u201d, disse tamb\u00e9m em palestra na FAPESP Week New York.<\/p>\n<p>Uma das descobertas feitas pelo grupo de pesquisadores \u00e9 que, para sobreviver em ambientes como, por exemplo, o fundo do mar, algumas bact\u00e9rias precisam detectar luz para se adaptar \u00e0s mudan\u00e7as no ambiente. \u201cEsse mecanismo de detec\u00e7\u00e3o da luz azul permite que elas tenham uma esp\u00e9cie de rel\u00f3gio interno. No n\u00edvel molecular, esses processos s\u00e3o alcan\u00e7ados por uma cascata de intera\u00e7\u00f5es entre prote\u00ednas.&#8221;<\/p>\n<p>Outro resultado apresentado por Gardner tem rela\u00e7\u00e3o com o c\u00e2ncer humano e sua conex\u00e3o \u00e0 sensibilidade por oxig\u00eanio. O estudo analisou tumores s\u00f3lidos que n\u00e3o t\u00eam veias sangu\u00edneas crescendo dentro deles. &#8220;No entanto, assim que um tumor se torna grande o bastante para poder ser visto, seus sensores passam a buscar oxig\u00eanio, encontrando maneiras de sequestrar oxig\u00eanio do organismo e controlando o quanto puderem de c\u00e9lulas sangu\u00edneas&#8221;, disse.<\/p>\n<p>&#8220;Ent\u00e3o fizemos uma pequena mol\u00e9cula que atua como uma droga capaz de desligar o sistema. Para nossa alegria, isso est\u00e1 sendo testado agora em ensaios cl\u00ednicos no Texas. Quem sabe encontramos uma maneira de aplicar a ci\u00eancia que estamos fazendo e dar um tratamento para um n\u00famero grande de pacientes&#8221;, disse.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>http:\/\/agencia.fapesp.br\/noticias\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Fernanda Ziegler, de Nova York (EUA)\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 A despeito de serem impercept\u00edveis na maioria das vezes, h\u00e1 milh\u00f5es de bact\u00e9rias vivendo no corpo de uma pessoa. E n\u00e3o apenas a\u00ed: bact\u00e9rias est\u00e3o em toda a parte, gra\u00e7as \u00e0 sua capacidade de desenvolver ferramentas e mecanismos que acompanham suas especificidades e lhes garanta [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":148571,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_genesis_hide_title":false,"_genesis_hide_breadcrumbs":false,"_genesis_hide_singular_image":false,"_genesis_hide_footer_widgets":false,"_genesis_custom_body_class":"","_genesis_custom_post_class":"","_genesis_layout":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[22,5],"tags":[],"class_list":{"0":"post-160610","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-brasil","8":"category-saude-e-vida","9":"entry","10":"gs-1","11":"gs-odd","12":"gs-even","13":"gs-featured-content-entry"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/saude-8.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/160610","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=160610"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/160610\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/148571"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=160610"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=160610"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=160610"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}