{"id":160520,"date":"2018-12-02T23:55:37","date_gmt":"2018-12-03T01:55:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=160520"},"modified":"2018-12-02T20:30:29","modified_gmt":"2018-12-02T22:30:29","slug":"internet-dos-animais-entrara-em-operacao-em-2019","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2018\/internet-dos-animais-entrara-em-operacao-em-2019\/160520","title":{"rendered":"\u201cInternet dos animais\u201d entrar\u00e1 em opera\u00e7\u00e3o em 2019"},"content":{"rendered":"<p> Elton Alisson\u00a0|\u00a0Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Diariamente, bilh\u00f5es de animais se movimentam por terra, pelo ar e pelos oceanos, conectando as regi\u00f5es mais remotas e inacess\u00edveis da Terra. A observa\u00e7\u00e3o da movimenta\u00e7\u00e3o desses animais em tempo quase real, contudo, \u00e9 dif\u00edcil hoje em raz\u00e3o das tecnologias convencionais para <strong><em>rastreamento global de animais<\/em><\/strong> via sat\u00e9lite exclu\u00edrem cerca de 75% das aves e mam\u00edferos, pois a maioria deles \u00e9 de pequeno porte.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as redes de telefonia m\u00f3vel usadas para fazer o rastreamento de animais n\u00e3o funcionam em muitas partes do mundo, especialmente em regi\u00f5es de terra aberta, montanhas, florestas, desertos e mares. J\u00e1 os sistemas de comunica\u00e7\u00e3o direta baseados em UHF e VHF n\u00e3o fornecem a faixa necess\u00e1ria, e os sistemas de comunica\u00e7\u00e3o por telefone via sat\u00e9lite n\u00e3o podem ser miniaturizados o suficiente, dizem especialistas na \u00e1rea.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o para esse problema pode vir do c\u00e9u. Um cons\u00f3rcio internacional de pesquisa est\u00e1 se preparando para iniciar a opera\u00e7\u00e3o de um ambicioso projeto de rastreamento de todos os tipos de fluxos migrat\u00f3rios de animais, em escala mundial, a partir do espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Os dados coletados pelo projeto, batizado de Icarus (sigla de International Cooperation for Animal Research Using Space) e liderado pelo\u00a0, em parceria com a ag\u00eancia espacial russa (Roscosmos) e o Centro Espacial Alem\u00e3o (DLR), est\u00e3o previstos para serem liberados para uso cient\u00edfico em janeiro de 2019.<\/p>\n<p>\u201cAs informa\u00e7\u00f5es obtidas por meio do projeto permitir\u00e3o compreender a hist\u00f3ria de vida dos animais de forma muito melhor, identificar\u00a0hot spots\u00a0de biodiversidade animal ou regi\u00f5es onde essa biodiversidade tem sido perdida\u201d, disse Daniel Piechowski, pesquisador do Instituto Max Planck de Ornitologia e participante do projeto em palestra na ter\u00e7a-feira (27\/11) no\u00a0, organizado pelo Instituto Max Planck e pela FAPESP.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m disso, possibilitar\u00e3o compreender melhor a dissemina\u00e7\u00e3o de zoonoses [doen\u00e7as transmitidas por animais], fazer novas descobertas sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e prever desastres naturais, entre outras aplica\u00e7\u00f5es\u201d, avaliou Piechowski.<\/p>\n<p>Para rastre\u00e1-los, os pesquisadores integrantes do projeto ir\u00e3o implantar nos animais min\u00fasculos radiotransmissores, conhecidos como\u00a0tags\u00a0(etiquetas), que desenvolveram ao longo dos \u00faltimos 16 anos.<\/p>\n<p>As\u00a0tags\u00a0s\u00e3o carregadas com um receptor GPS, aceler\u00f4metro 3D e sensores de temperatura, umidade, press\u00e3o, altitude e frequ\u00eancia card\u00edaca. Dessa forma, conseguem coletar dados sobre a acelera\u00e7\u00e3o, a temperatura ambiente e a orienta\u00e7\u00e3o dos animais em rela\u00e7\u00e3o ao campo magn\u00e9tico da Terra e registrar suas rotas.<\/p>\n<p>Os dispositivos tamb\u00e9m s\u00e3o equipados com pain\u00e9is solares e baterias recarreg\u00e1veis, com o intuito de operarem em modo econ\u00f4mico de baixa energia.<\/p>\n<p>As\u00a0tags\u00a0de geolocaliza\u00e7\u00e3o existentes hoje, que est\u00e3o implantados nos animais, queimam muita energia transmitindo dados por meio de redes de telefonia celular ou sistemas de sat\u00e9lite, explicou Piechowski.<\/p>\n<p>\u201cAs\u00a0tags\u00a0desenvolvidas no projeto usam um esquema especial de codifica\u00e7\u00e3o de acesso m\u00faltiplo por divis\u00e3o de c\u00f3digo [CDMA, na sigla em ingl\u00eas] para se comunicar com sat\u00e9lites, usando muito pouca energia\u201d, disse.<\/p>\n<p>Os menores dispositivos pesam 2,5 gramas, mas os pesquisadores pretendem diminuir ainda mais o peso e o tamanho deles de forma que seja poss\u00edvel implant\u00e1-los em abelhas e gafanhotos, por exemplo.<\/p>\n<p>\u201cO ideal \u00e9 que os dispositivos ligados aos animais n\u00e3o tenham peso superior a 3% da massa corporal deles, de modo a n\u00e3o afetar seu comportamento natural\u201d, explicou Piechowski.<\/p>\n<p>Os dados coletados pelos sensores das\u00a0tags\u00a0de geolocaliza\u00e7\u00e3o s\u00e3o captados por tr\u00eas antenas receptoras, de 200 quilos cada, enviadas para a Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional (ISS) em um foguete Soyuz, em fevereiro de 2017, e instaladas em agosto deste ano. As antenas juntaram-se a um computador, tamb\u00e9m enviado \u00e0 ISS em outubro de 2017, que funcionar\u00e1 como o \u201cc\u00e9rebro\u201d do projeto.<\/p>\n<p>Ao entrarem no feixe da ISS \u2013 o que acontece, aproximadamente, quatro vezes ao dia \u2013, os transmissores implantados nos animais recebem um sinal do computador em \u00f3rbita para serem ativados. A partir desse momento, eles t\u00eam dois segundos para enviar os dados coletados para as antenas receptoras.<\/p>\n<p>O computador a bordo da ISS separa, analisa, limpa os dados e os retransmite para uma esta\u00e7\u00e3o terrestre. Todos os dados \u2013 exceto os mais sens\u00edveis para a conserva\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies, como a localiza\u00e7\u00e3o de rinocerontes \u2013 ser\u00e3o publicados em um banco de dados on-line de c\u00f3digo aberto desenvolvido pela equipe do projeto: o\u00a0.<\/p>\n<p>\u201cEm suma, o projeto \u00e9 uma internet das coisas, via sat\u00e9lite, ou \u201cinternet dos animais\u201d, que permitir\u00e1 conect\u00e1-los com os humanos, avaliou Piechowski.<\/p>\n<p>At\u00e9 o in\u00edcio de 2019, o projeto contar\u00e1 com 1.000 transmissores em campo. Os pesquisadores pretendem, por\u00e9m, aumentar esse n\u00famero para 100.000 em um curto per\u00edodo de tempo.<\/p>\n<p>Combate de epidemias globais<\/p>\n<p>A expectativa do cons\u00f3rcio \u00e9 que o conhecimento sobre a movimenta\u00e7\u00e3o dos animais em diferentes partes da Terra e as maneiras pelas quais eles interagem com os humanos ajude no combate das epidemias globais, por exemplo.<\/p>\n<p>Aproximadamente 70% das epidemias globais, como a SARS (S\u00edndrome Respirat\u00f3ria Aguda Grave), o v\u00edrus do Nilo Ocidental e a gripe avi\u00e1ria, originam-se como zoonoses, provocadas pela intera\u00e7\u00e3o entre os animais e os seres humanos. Dados globais sobre movimenta\u00e7\u00e3o de animais, em rede internacional, ajudariam a prever a ocorr\u00eancia de surtos dessas doen\u00e7as e proteger a sa\u00fade humana, avaliam os pesquisadores.<\/p>\n<p>Para isso, por\u00e9m, \u00e9 preciso obter respostas para quest\u00f5es fundamentais, como a localiza\u00e7\u00e3o de um animal em qualquer ponto de sua vida, qual seu estado interno, que atividade est\u00e1 realizando e quais as raz\u00f5es de sua morte \u2013 o que ajudaria a proteg\u00ea-los.<\/p>\n<p>\u201cNenhuma dessas quest\u00f5es fundamentais foi suficientemente respondida para animais que vivem na natureza em per\u00edodos de m\u00e9dio ou longo prazo, especialmente para aqueles pequenos, que s\u00e3o de suma import\u00e2ncia para a humanidade, como aves e morcegos, porque s\u00e3o disseminadores de doen\u00e7as\u201d, afirmou Piechowski.<\/p>\n<p>O rastreamento da movimenta\u00e7\u00e3o dos animais tamb\u00e9m poderia ajudar a prever pragas agr\u00edcolas e desastres geol\u00f3gicos, como terremotos, erup\u00e7\u00f5es vulc\u00e2nicas e tsunamis, apontaram os pesquisadores.<\/p>\n<p>No caminho para o sul, por exemplo, as cegonhas geralmente descansam nas proximidades de criadouros de gafanhotos na borda sul do Saara. Dessa forma, esses p\u00e1ssaros indicam, exatamente, onde esses enxames de insetos est\u00e3o e para onde poderiam migrar.<\/p>\n<p>E em testes do sistema em campo, equipando animais maiores com as\u00a0tags\u00a0e coletando dados via uma antena terrestre, os pesquisadores alem\u00e3es foram capazes de prever erup\u00e7\u00f5es do Monte Etna, na It\u00e1lia, com seis horas de anteced\u00eancia, observando padr\u00f5es de movimento de cabras nas encostas do vulc\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cSabemos que esp\u00e9cies de animais como elefantes tamb\u00e9m s\u00e3o capazes de prever terremotos. Podemos estudar o comportamento desses e outros animais para prever desastres naturais e avaliar os impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e do desmatamento de florestas, por exemplo, com maior acur\u00e1cia\u201d, disse Piechowski.<\/p>\n<p>Coopera\u00e7\u00e3o Brasil-Alemanha<\/p>\n<p>Realizado pela primeira vez no Brasil, o Frontiers of Science Symposium FAPESP Max Planck, que aconteceu nos dias 27 e 28\/11, em S\u00e3o Paulo, teve o objetivo de estimular a colabora\u00e7\u00e3o em pesquisa cient\u00edfica e desenvolvimento tecnol\u00f3gico entre pesquisadores do Estado de S\u00e3o Paulo e dos Institutos Max Planck, fomentando a coopera\u00e7\u00e3o bilateral em diversas \u00e1reas.<\/p>\n<p>\u201cEsse simp\u00f3sio representa uma grande oportunidade para a FAPESP aumentar a coopera\u00e7\u00e3o em pesquisa com a Sociedade Max Planck, com a qual mantemos um acordo que tem sido muito efetivo. J\u00e1 lan\u00e7amos duas chamadas de propostas voltadas \u00e0 sele\u00e7\u00e3o de projetos de jovens pesquisadores\u201d, disse Eduardo Moacyr Krieger, vice-presidente da FAPESP, na abertura do evento.<\/p>\n<p>Antes de S\u00e3o Paulo, o evento aconteceu em Valpara\u00edso, no Chile, em Buenos Aires, na Argentina, e na Cidade do M\u00e9xico. A pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o do evento est\u00e1 prevista para ocorrer em Havana, em Cuba.<\/p>\n<p>\u201cA Sociedade Max Planck tem tradi\u00e7\u00e3o de se envolver em colabora\u00e7\u00f5es internacionais em pesquisa. Os projetos que apoiamos no Brasil em parceria com ag\u00eancias de fomento \u00e0 pesquisa, como a FAPESP, t\u00eam sido muito bem sucedidos\u201d, avaliou Hajo Freund, representante da Sociedade Max Planck.<\/p>\n<p>http:\/\/agencia.fapesp.br\/noticias\/ <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elton Alisson\u00a0|\u00a0Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Diariamente, bilh\u00f5es de animais se movimentam por terra, pelo ar e pelos oceanos, conectando as regi\u00f5es mais remotas e inacess\u00edveis da Terra. 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