{"id":159864,"date":"2018-11-25T23:55:35","date_gmt":"2018-11-26T01:55:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=159864"},"modified":"2018-11-25T22:40:37","modified_gmt":"2018-11-26T00:40:37","slug":"pesquisadores-propoem-diretrizes-para-uso-da-melatonina-com-fins-terapeuticos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2018\/pesquisadores-propoem-diretrizes-para-uso-da-melatonina-com-fins-terapeuticos\/159864","title":{"rendered":"Pesquisadores prop\u00f5em diretrizes para uso da melatonina com fins terap\u00eauticos"},"content":{"rendered":"<p> Elton Alisson\u00a0|\u00a0Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Sessenta anos ap\u00f3s o isolamento da <strong><em>melatonina<\/em><\/strong> e com mais de 23 mil estudos publicados demonstrando que esse horm\u00f4nio da gl\u00e2ndula pineal exerce diversas fun\u00e7\u00f5es, \u00e9 preciso discutir e estabelecer diretrizes para seu uso com fins terap\u00eauticos. A avalia\u00e7\u00e3o foi feita por\u00a0, professor do Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas da Universidade de S\u00e3o Paulo (ICB-USP), e Fernanda Gaspar do Amaral, professora da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), em artigo publicado na revista\u00a0Endocrine Reviews.<\/p>\n<p>Cipolla Neto coordena um projeto,\u00a0\u00a0pela FAPESP sobre o papel da melatonina na regula\u00e7\u00e3o do metabolismo energ\u00e9tico.<\/p>\n<p>\u201cA melatonina n\u00e3o s\u00f3 tem a fun\u00e7\u00e3o de adaptar o organismo para o repouso noturno, como tamb\u00e9m prepar\u00e1-lo metabolicamente para o dia seguinte, quando ser\u00e1 preciso ter alta sensibilidade para absorver os alimentos, por exemplo\u201d, explicou Cipolla Neto. A melatonina \u00e9 produzida exclusivamente \u00e0 noite.<\/p>\n<p>\u201cSe a produ\u00e7\u00e3o noturna da melatonina \u00e9 bloqueada pela luz durante \u00e0 noite \u2013 especialmente na faixa azul, como a luz dos smartphones \u2013, isso pode contribuir para a gera\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as, como dist\u00farbios de sono, hipertens\u00e3o e dist\u00farbios metab\u00f3licos, como obesidade e diabetes. Essa situa\u00e7\u00e3o potencialmente patog\u00eanica deve-se n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 pura e simples redu\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de melatonina, mas tamb\u00e9m a uma das suas consequ\u00eancias mais imediatas, que \u00e9 um quadro chamado de cronorruptura \u2013 uma desorganiza\u00e7\u00e3o temporal r\u00edtmica circadiana das fun\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas\u201d, disse Cipolla Neto para a\u00a0Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>Presente em quase todos os seres vivos \u2013 desde bact\u00e9rias at\u00e9 os seres humanos \u2013, a melatonina tem sido alvo de diversos estudos cl\u00ednicos. S\u00f3 nos \u00faltimos cinco anos foram publicados resultados de mais de 4 mil que usaram a melatonina. Desses, quase 200 envolveram testes cl\u00ednicos randomizados, com integrantes escolhidos de forma aleat\u00f3ria.<\/p>\n<p>De 1996 a julho de 2017, por exemplo, foram publicadas 195 revis\u00f5es sistem\u00e1ticas sobre os efeitos do uso cl\u00ednico da melatonina, das quais 96 foram sobre o uso de melatonina para o tratamento de doen\u00e7as psiqui\u00e1tricas e dist\u00farbios neurol\u00f3gicos \u2013 incluindo dist\u00farbios do sono \u2013 e 43 sobre melatonina e c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>J\u00e1 os pedidos de patentes relacionados a aplica\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas de melatonina e an\u00e1logos da mol\u00e9cula depositados no mundo entre 2012 e setembro de 2014 foram predominantemente focados em efeitos no sistema nervoso central \u2013 incluindo dist\u00farbio do sono, no ciclo circadiano e neuroprote\u00e7\u00e3o \u2013, c\u00e2ncer e aplica\u00e7\u00f5es imunol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>Apesar da quantidade de dados sobre melatonina e de estudos sobre a gl\u00e2ndula pineal, faltava um referencial te\u00f3rico padronizado e sistem\u00e1tico de an\u00e1lise, entre pesquisadores e cl\u00ednicos. Isso levaria a uma interpreta\u00e7\u00e3o apropriada dos dados obtidos e \u00e0 compreens\u00e3o adequada do papel desempenhado pela melatonina na fisiologia e fisiopatologia humana, avaliam os autores.<\/p>\n<p>\u201cNossa inten\u00e7\u00e3o \u00e9 lan\u00e7ar uma primeira proposta de um quadro de an\u00e1lise que possa auxiliar pesquisadores e profissionais da \u00e1rea da sa\u00fade a analisar, compreender e interpretar os efeitos da melatonina e seu papel em v\u00e1rias patologias\u201d, ressaltam os pesquisadores.<\/p>\n<p>Varia\u00e7\u00e3o individual<\/p>\n<p>Caracterizada quimicamente em 1959, a melatonina, que \u00e9 derivada do triptofano \u2013 um amino\u00e1cido essencial encontrado em prote\u00ednas \u2013, \u00e9 altamente eficiente na elimina\u00e7\u00e3o de radicais livres, com not\u00e1veis propriedades antioxidantes. O horm\u00f4nio interage diretamente com os radicais livres e tamb\u00e9m tem a capacidade de mobilizar os mecanismos das enzimas antioxidantes de diferentes tecidos.<\/p>\n<p>Esse papel tem sido proposto como fun\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria da melatonina, mas nas \u00faltimas d\u00e9cadas se descobriu que, devido \u00e0s suas caracter\u00edsticas especiais, o horm\u00f4nio \u00e9 uma mol\u00e9cula privilegiada, que atua atrav\u00e9s de v\u00e1rios mecanismos e modos de a\u00e7\u00e3o e em quase todos os n\u00edveis e sistemas fisiol\u00f3gicos. Entre eles, todos os componentes dos sistemas cardiovascular, reprodutivo, imunol\u00f3gico, respirat\u00f3rio, end\u00f3crino e o metabolismo energ\u00e9tico, entre outros, destacam os autores.<\/p>\n<p>\u201cAs formas de a\u00e7\u00e3o da melatonina e o papel integrador dela permitem a amplifica\u00e7\u00e3o e a diversifica\u00e7\u00e3o de sua a\u00e7\u00e3o funcional principalmente no dom\u00ednio do tempo, de modo a permitir que a fisiologia do organismo possa lidar com desafios atuais, presentes enquanto a melatonina est\u00e1 sendo secretada pela gl\u00e2ndula pineal, e, ao mesmo tempo, prepar\u00e1-la para os eventos futuros. Da mesma maneira, a melatonina temporiza o nosso organismo, tanto na escala de tempo das 24 horas do dia como na escala de tempo sazonal\u201d, disse Cipolla Neto.<\/p>\n<p>\u201cConsequentemente, todas essas maneiras particulares de a\u00e7\u00e3o da melatonina devem sempre ser levadas em considera\u00e7\u00e3o tanto em experimentos\u00a0in vitro\u00a0[em c\u00e9lulas], como em estudos com animais de experimenta\u00e7\u00e3o e, em particular, nos estudos cl\u00ednicos e tratamentos. Nesse caso, em particular, deve-se levar em conta que os efeitos da melatonina dependem, al\u00e9m das habituais vias de administra\u00e7\u00e3o e concentra\u00e7\u00e3o, do momento em que \u00e9 administrada, entre outros fatores\u201d, disse.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, deve-se considerar que o perfil e a fase de in\u00edcio de produ\u00e7\u00e3o de melatonina variam de pessoa a pessoa. Indiv\u00edduos matutinos iniciam a produ\u00e7\u00e3o di\u00e1ria de melatonina mais cedo do que as pessoas chamadas de vespertinas ou mais noturnas, e a dura\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o noturna do horm\u00f4nio \u00e9 maior em quem costuma dormir mais.<\/p>\n<p>Adicionalmente, deve-se considerar que uma certa dosagem de melatonina pode resultar em diferentes concentra\u00e7\u00f5es no sangue dos pacientes de acordo com suas diferen\u00e7as individuais na absor\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o, metabolismo e elimina\u00e7\u00e3o do horm\u00f4nio. Essas diferen\u00e7as est\u00e3o relacionadas com a idade, condi\u00e7\u00e3o cl\u00ednica, exist\u00eancia de patologias e integridade funcional de alguns sistemas, como o trato gastrointestinal, o f\u00edgado e os rins, explicam os pesquisadores.<\/p>\n<p>\u201cEssas diferen\u00e7as substanciais, se n\u00e3o forem adequadamente tomadas em considera\u00e7\u00e3o, podem afetar potencialmente a efic\u00e1cia cl\u00ednica desejada. Os efeitos cl\u00ednicos desejados de uma terapia de reposi\u00e7\u00e3o de melatonina s\u00f3 podem ser alcan\u00e7ados se a dosagem e a formula\u00e7\u00e3o forem cuidadosamente escolhidas, individualizadas e controladas\u201d, ressaltam.<\/p>\n<p>O primeiro e importante aspecto para estabelecer diretrizes para o uso cl\u00ednico da melatonina para fins terap\u00eauticos seria determinar a dura\u00e7\u00e3o do sinal di\u00e1rio e a fase de in\u00edcio de produ\u00e7\u00e3o do horm\u00f4nio de cada paciente e prescrever a melatonina de acordo com esse tempo de refer\u00eancia, chamado DLMO (sigla de\u00a0dim light melatonin onset).<\/p>\n<p>Esse momento particular da curva di\u00e1ria de produ\u00e7\u00e3o de melatonina \u00e9 um referencial temporal importante para a adequada administra\u00e7\u00e3o do horm\u00f4nio para os pacientes. Dependendo do instante da administra\u00e7\u00e3o \u2013 sempre tendo como referencial o DLMO \u2013, a melatonina ex\u00f3gena pode adiantar, atrasar ou n\u00e3o mexer na fase dos ritmos circadianos end\u00f3genos.<\/p>\n<p>Como o procedimento para a determina\u00e7\u00e3o do DLMO \u00e9 de dif\u00edcil realiza\u00e7\u00e3o na pr\u00e1tica cl\u00ednica cotidiana, outra abordagem mais pr\u00e1tica seria usar como refer\u00eancia do tempo de ingest\u00e3o da melatonina o tempo usual de sono durante a noite do paciente.<\/p>\n<p>Como a maioria das formula\u00e7\u00f5es orais de melatonina leva, aproximadamente, entre 45 minutos e uma hora para estar biodispon\u00edvel, \u00e9 aconselh\u00e1vel prescrever o horm\u00f4nio para ser ingerido cerca de uma hora antes da hora normal de dormir relatada todos os dias, indicam os autores.<\/p>\n<p>\u201cUma vez que a melatonina \u00e9 um poderoso temporizador da fisiologia do organismo, o consumo do horm\u00f4nio deve ser mantido rigorosamente no mesmo hor\u00e1rio diariamente\u201d, afirmam os autores do estudo.<\/p>\n<p>Segundo eles, a dosagem de melatonina \u00e9 outro ponto crucial a ser discutido e n\u00e3o h\u00e1 consenso na literatura sobre essa quest\u00e3o. Em m\u00e9dia, jovens que tomam de 0,1 a 0,3 miligrama de horm\u00f4nio apresentar\u00e3o concentra\u00e7\u00e3o no sangue na faixa de 100 a 200 picogramas por mililitro (pg\/ml), equivalentes \u00e0s dosagens fisiol\u00f3gicas habituais esperadas.<\/p>\n<p>Uma dosagem de 1 grama, por exemplo, resulta em uma concentra\u00e7\u00e3o plasm\u00e1tica de cerca de 500 a 600 pg\/ml \u2013 o que \u00e9 muito superior \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica.<\/p>\n<p>\u201cEm resumo, v\u00e1rios cuidados devem ser tomados em uma terapia com melatonina. Entre eles, restringir a administra\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica \u00e0 noite, o tempo de administra\u00e7\u00e3o deve ser cuidadosamente escolhido de acordo com o efeito desejado e a dosagem e formula\u00e7\u00e3o devem ser adaptadas individualmente para construir um perfil de melatonina no sangue que imite o perfil noturno esperado e que termine ao fim da noite, no come\u00e7o da manh\u00e3\u201d, avaliam.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0Melatonin as a hormone: new physiological and clinical insights\u00a0(doi: 10.1210\/er.2018-00084), de Jos\u00e9 Cipolla-Neto e Fernanda Gaspar do Amaral, pode ser lido por assinantes da revista\u00a0Endocrine Reviews\u00a0em\u00a0.<\/p>\n<p>http:\/\/agencia.fapesp.br\/noticias\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elton Alisson\u00a0|\u00a0Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Sessenta anos ap\u00f3s o isolamento da melatonina e com mais de 23 mil estudos publicados demonstrando que esse horm\u00f4nio da gl\u00e2ndula pineal exerce diversas fun\u00e7\u00f5es, \u00e9 preciso discutir e estabelecer diretrizes para seu uso com fins terap\u00eauticos. 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