{"id":159181,"date":"2021-07-29T11:55:08","date_gmt":"2021-07-29T14:55:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=159181"},"modified":"2021-07-29T14:47:00","modified_gmt":"2021-07-29T17:47:00","slug":"depressao-deve-ser-prevenida-a-partir-da-infancia-avaliam-especialistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2021\/depressao-deve-ser-prevenida-a-partir-da-infancia-avaliam-especialistas\/159181","title":{"rendered":"Depress\u00e3o deve ser prevenida desde a inf\u00e2ncia"},"content":{"rendered":"<p> Elton Alisson\u00a0\u00a0|\u00a0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Considerada o mal do s\u00e9culo pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS), a <strong><em>depress\u00e3o<\/em><\/strong> j\u00e1 desponta como a terceira maior doen\u00e7a entre adolescentes e \u00e9 a segunda principal causa de morte de jovens entre 15 e 25 anos no mundo.<\/p>\n<p>A fim de prevenir o desenvolvimento desse transtorno mental nessa fase da vida \u00e9 preciso dotar as crian\u00e7as de habilidades socioemocionais para que sejam capazes, desde cedo, de lidar melhor com emo\u00e7\u00f5es e situa\u00e7\u00f5es de estresse que possam desencadear a doen\u00e7a no futuro.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o foi feita por especialistas participantes do programa\u00a0\u00a0sobre depress\u00e3o em jovens e adolescentes, exibido em 6 de novembro a partir do audit\u00f3rio da FAPESP. Realizado mensalmente, o programa \u00e9 produzido pela FAPESP em parceria com o jornal\u00a0Folha de S.Paulo.<\/p>\n<p>\u201cSe desde crian\u00e7as as pessoas forem capazes de processar, entender e compreender melhor emo\u00e7\u00f5es, como tristeza, raiva e medo, elas ter\u00e3o muito mais clareza e condi\u00e7\u00f5es para lidar com elas e, provavelmente, ser\u00e3o menos afetadas pelo estresse e outros sentimentos\u201d, disse Adriana F\u00f3z, pesquisadora do Laborat\u00f3rio Interdisciplinar de Neuroci\u00eancias Cl\u00ednicas da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), em participa\u00e7\u00e3o por v\u00eddeo.<\/p>\n<p>De acordo com\u00a0, professor do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (FMUSP), a maioria dos casos de depress\u00e3o e de outros transtornos mentais come\u00e7a na puberdade, provavelmente por influ\u00eancia dos horm\u00f4nios sexuais. Segundo ele, nessa fase da vida, o n\u00famero de casos de depress\u00e3o aumenta substancialmente, principalmente entre meninas.<\/p>\n<p>\u201cEssa diferen\u00e7a de casos de depress\u00e3o entre os sexos se mant\u00e9m ao longo da vida. J\u00e1 em crian\u00e7as, a preval\u00eancia de depress\u00e3o est\u00e1 em torno de 1%\u201d, comparou Polanczyk, que coordena o N\u00facleo de Pesquisa em Neurodesenvolvimento e Sa\u00fade Mental da USP e \u00e9 chefe da Unidade de Interna\u00e7\u00e3o do Servi\u00e7o de Psiquiatria da Inf\u00e2ncia e Adolesc\u00eancia do Instituto de Psiquiatria da mesma universidade.<\/p>\n<p>Em adolescentes, os sintomas de depress\u00e3o mais comuns s\u00e3o altera\u00e7\u00e3o de humor, caracterizada por predom\u00ednio de tristeza, melancolia e irritabilidade, juntamente com a perda de entusiasmo por atividades que despertavam interesse e prazer, al\u00e9m de mudan\u00e7as nos padr\u00f5es de sono e de apetite, maior sensa\u00e7\u00e3o de cansa\u00e7o e a persist\u00eancia de pensamentos negativos sobre si e em rela\u00e7\u00e3o ao futuro.<\/p>\n<p>A exist\u00eancia desses sintomas por um per\u00edodo maior do que duas semanas e refer\u00eancias \u00e0 morte e ao suic\u00eddio s\u00e3o sinais de alerta do desenvolvimento de uma quadro de depress\u00e3o, que pode ocorrer uma \u00fanica vez ou se repetir ao longo do tempo e resultar em um transtorno depressivo, explicaram os especialistas.<\/p>\n<p>\u201cEsse conjunto de sintomas n\u00e3o necessariamente implica um quadro de depress\u00e3o, mas \u00e9 um sinal de alerta\u201d, ponderou Polanczyk.<\/p>\n<p>O desconhecimento sobre sa\u00fade mental, a fantasia de que adolesc\u00eancia e juventude s\u00e3o per\u00edodos excelentes da vida e, portanto, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel estar deprimido nelas, al\u00e9m da opini\u00e3o deturpada de que a depress\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de fraqueza, dificultam o diagn\u00f3stico e, consequentemente, o tratamento da doen\u00e7a, apontaram os participantes.<\/p>\n<p>\u201cA depress\u00e3o \u00e9 uma vulnerabilidade que algumas pessoas apresentam em raz\u00e3o de um desequil\u00edbrio neuroqu\u00edmico e que precisa ser identificada e tratada. Quanto menor o tempo em que isso for feito, melhor para o paciente, que ter\u00e1 menos complica\u00e7\u00f5es ao longo da vida\u201d, disse\u00a0, professora de Psiquiatria da Inf\u00e2ncia e Adolesc\u00eancia no Departamento de Psiquiatria da FMUSP. A pesquisadora \u00e9 respons\u00e1vel pela execu\u00e7\u00e3o da orienta\u00e7\u00e3o acad\u00eamica do Servi\u00e7o de Psiquiatria da Inf\u00e2ncia e Adolesc\u00eancia e pela resid\u00eancia em Psiquiatria da Inf\u00e2ncia e Adolesc\u00eancia no Instituto de Psiquiatria da FMUSP.<\/p>\n<p>Papel da escola<\/p>\n<p>Alguns fatores de risco para o desenvolvimento de depress\u00e3o e outros transtornos mentais em adolescentes s\u00e3o a exposi\u00e7\u00e3o ao\u00a0bullying\u00a0\u2013 atos reiterados de intimida\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia f\u00edsica ou psicol\u00f3gica \u2013, a exposi\u00e7\u00e3o a maus-tratos e situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia na comunidade, al\u00e9m do uso de drogas.<\/p>\n<p>Um dos fatores mais importantes, contudo, \u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o de rejei\u00e7\u00e3o ou exclus\u00e3o social, ressaltaram os pesquisadores. Alguns estudos mostraram que a sensa\u00e7\u00e3o de solid\u00e3o tem um impacto importante nos jovens e contribui para aumentar o risco de desenvolvimento de problemas de sa\u00fade mental, destacou Polanczyk.<\/p>\n<p>\u201cO adolescente, em raz\u00e3o de todos os processos pelos quais passa durante essa fase da vida, precisa de um grupo para se identificar e se sentir pertencente. Ele \u00e9 muito mais sens\u00edvel \u00e0s rejei\u00e7\u00f5es sociais do que o adulto e a crian\u00e7a\u201d, disse.<\/p>\n<p>Uma vez que a escola \u00e9 reconhecida como um espa\u00e7o de aprendizado coletivo, al\u00e9m de um lugar tradicional de acolhimento, essa institui\u00e7\u00e3o pode exercer um papel importante para ajudar crian\u00e7as e adolescentes a desenvolver habilidades emocionais, indicaram os participantes do evento.<\/p>\n<p>\u201cA aposta de ter uma escola para todos imp\u00f5e para a pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o e para todo mundo uma experi\u00eancia de conviv\u00eancia de lidar com as intoler\u00e2ncias e com certos processos de exclus\u00e3o que acontecem ali. A escola \u00e9 um campo riqu\u00edssimo para acolher e criar espa\u00e7os de conv\u00edvio\u201d, disse\u00a0, professora do Curso de Psicologia e do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Psicologia Social da Faculdade de Ci\u00eancias Humanas e da Sa\u00fade da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo (PUC-SP).<\/p>\n<p>Algumas das formas como a escola pode contribuir para a preven\u00e7\u00e3o da depress\u00e3o em adolescentes \u00e9 falar mais abertamente sobre esse e outros problemas de sa\u00fade mental, desenvolver habilidades de media\u00e7\u00e3o de conflitos para manejar o estresse e fortalecer os la\u00e7os de conv\u00edvio. \u00c9 tamb\u00e9m fundamental combater fatores de risco, como o\u00a0bullying\u00a0f\u00edsico e o virtual \u2013 nas redes sociais \u2013, e saber identificar os sinais de instaura\u00e7\u00e3o de um quadro de depress\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA escola n\u00e3o \u00e9 o lugar para se fazer o diagn\u00f3stico de casos de depress\u00e3o em adolescentes, mas o professor pode identificar um aluno que est\u00e1 tendo alguma dificuldade e indicar uma avalia\u00e7\u00e3o por um especialista\u201d, disse Scivoletto.<\/p>\n<p>Os professores, por\u00e9m, precisam de apoio, em termos de desenvolvimento de compet\u00eancias para discutir sobre depress\u00e3o em sala de aula, e outros atores importantes, como a fam\u00edlia e a comunidade, precisam participar desse di\u00e1logo, ponderou Vicentin.<\/p>\n<p>\u201cO que a gente sabe \u00e9 que o suporte, em termos de desenvolvimento de habilidades socioemocionais, e a provis\u00e3o de uma estrutura de apoio pela fam\u00edlia e, de uma maneira mais ampliada, pela comunidade s\u00e3o fatores importantes de promo\u00e7\u00e3o de resili\u00eancia pelos adolescentes para enfrentar situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis e lidar com o estresse\u201d, disse Scivoletto.<\/p>\n<p>\u201cSem esse apoio, o adolescente vai se sentindo sozinho para enfrentar uma situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil e isso pode gerar uma situa\u00e7\u00e3o de desespero e, naquele momento, ele tomar uma atitude que pode ser definitiva em uma situa\u00e7\u00e3o que era moment\u00e2nea\u201d, explicou. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elton Alisson\u00a0\u00a0|\u00a0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Considerada o mal do s\u00e9culo pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS), a depress\u00e3o j\u00e1 desponta como a terceira maior doen\u00e7a entre adolescentes e \u00e9 a segunda principal causa de morte de jovens entre 15 e 25 anos no mundo. A fim de prevenir o desenvolvimento desse transtorno mental nessa fase da vida [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":195969,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_genesis_hide_title":false,"_genesis_hide_breadcrumbs":false,"_genesis_hide_singular_image":false,"_genesis_hide_footer_widgets":false,"_genesis_custom_body_class":"","_genesis_custom_post_class":"","_genesis_layout":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[],"class_list":{"0":"post-159181","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-brasil","8":"entry","9":"gs-1","10":"gs-odd","11":"gs-even","12":"gs-featured-content-entry"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/saude-crianca-frio-caminhada.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/159181","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=159181"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/159181\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/195969"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=159181"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=159181"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=159181"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}