{"id":158599,"date":"2018-11-13T23:55:50","date_gmt":"2018-11-14T01:55:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=158599"},"modified":"2018-11-13T19:57:01","modified_gmt":"2018-11-13T21:57:01","slug":"cientistas-da-unesp-sintetizam-molecula-capaz-de-eliminar-o-virus-da-hepatite-c","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2018\/cientistas-da-unesp-sintetizam-molecula-capaz-de-eliminar-o-virus-da-hepatite-c\/158599","title":{"rendered":"Cientistas da Unesp sintetizam mol\u00e9cula capaz de eliminar o v\u00edrus da hepatite C"},"content":{"rendered":"<p> Jos\u00e9 Tadeu Arantes\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013\u00a0Um novo composto que inibe a replica\u00e7\u00e3o do v\u00edrus da <strong><em>hepatite C<\/em><\/strong> (HCV) em diversos est\u00e1gios de seu ciclo \u2013 e \u00e9 capaz de agir tamb\u00e9m em bact\u00e9rias, fungos e c\u00e9lulas cancerosas \u2013 foi sintetizado por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp).<\/p>\n<p>O estudo \u2013 apoiado pela FAPESP por meio de v\u00e1rios instrumentos de fomento \u00e0 pesquisa [veja a rela\u00e7\u00e3o adiante] \u2013 foi descrito em artigo publicado na revista\u00a0, do grupo Nature.<\/p>\n<p>\u201cO que fizemos foi combinar mol\u00e9culas j\u00e1 existentes, por meio de s\u00edntese em laborat\u00f3rio, para produzir novos compostos com potencial biol\u00f3gico. Esse m\u00e9todo \u00e9 chamado de bioconjuga\u00e7\u00e3o. Por meio da bioconjuga\u00e7\u00e3o, sintetizamos seis compostos e os testamos nos gen\u00f3tipos 2a e 3a do HCV. E conseguimos chegar a um composto com grande potencial terap\u00eautico\u201d, disse o qu\u00edmico\u00a0, um dos dois autores principais do estudo, \u00e0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>O v\u00edrus da hepatite C apresenta significativa variabilidade gen\u00f4mica, exibindo pelo menos seis gen\u00f3tipos principais, cada qual com subtipos. Os gen\u00f3tipos 2a e 3a s\u00e3o os subtipos mais comuns do HCV circulante. O composto capaz de destru\u00ed-los \u2013 o AG-hecate \u2013 foi sintetizado a partir do \u00e1cido g\u00e1lico e do pept\u00eddeo hecate.<\/p>\n<p>\u201cDescobrimos que esse composto atua em quase todas as etapas do ciclo replicativo do HCV \u2013 o que n\u00e3o \u00e9 uma caracter\u00edstica comum nos antivirais. Esses geralmente t\u00eam alvos pontuais e isolados, como prote\u00ednas do caps\u00eddeo, receptores de membranas ou prote\u00ednas espec\u00edficas como a NS3, inibindo processos espec\u00edficos como a entrada do v\u00edrus nas c\u00e9lulas, a s\u00edntese do material gen\u00e9tico e de prote\u00ednas, a montagem e libera\u00e7\u00e3o de novas part\u00edculas virais. O AG-hecate, ao contr\u00e1rio, apresentou ampla atividade, agindo em diversas etapas do ciclo\u201d, explicou Sanches.<\/p>\n<p>\u201cO composto tamb\u00e9m apresentou atividade nos chamados \u2018lipid droplets\u2019 \u2013 gotas de lip\u00eddeo no interior das quais o v\u00edrus circula nas c\u00e9lulas e que o protegem do ataque de enzimas. O AG-hecate desestrutura essas gotas de lip\u00eddeo e deixa o complexo replicativo do v\u00edrus exposto \u00e0 a\u00e7\u00e3o das enzimas celulares\u201d, prosseguiu.<\/p>\n<p>Os pesquisadores testaram o AG-hecate tanto no v\u00edrus completo quanto nos chamados \u201creplicons subgen\u00f4micos\u201d, que possuem todos os elementos para a replica\u00e7\u00e3o do material gen\u00e9tico do v\u00edrus nas c\u00e9lulas, mas s\u00e3o incapazes de sintetizar prote\u00ednas respons\u00e1veis pela infec\u00e7\u00e3o. E o composto foi eficiente em todos os testes.<\/p>\n<p>Outra virtude apresentada pelo composto foi seu alto \u00edndice de seletividade. Isso significa que ele ataca muito mais o v\u00edrus do que a c\u00e9lula hospedeira. E, assim, tem potencial para ser utilizado como f\u00e1rmaco no tratamento da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cApesar de o composto apresentar pequena atividade nos eritr\u00f3citos, os \u2018gl\u00f3bulos vermelhos\u2019 do sangue, a mol\u00e9cula precisa passar por altera\u00e7\u00f5es em sua estrutura para reduzir ainda mais a sua toxicidade. \u00c9 nisso que estamos trabalhando agora, para que a pesquisa possa evoluir da fase\u00a0in vitro\u00a0para a fase\u00a0in vivo\u201d, disse o pesquisador da Unesp.<\/p>\n<p>Como informou o professor\u00a0, orientador do doutorado de Sanches no Instituto de Qu\u00edmica da Unesp em Araraquara (SP), \u201co tempo m\u00e9dio para o planejamento e desenvolvimento de pept\u00eddeos terap\u00eauticos \u00e9 de 10 anos. Acabou de sair um estudo com esses dados. At\u00e9 agora, foram despendidos aproximadamente dois anos no desenvolvimento da mol\u00e9cula de AG-hecate\u201d. \u201cConsiderando a m\u00e9dia estat\u00edstica, ser\u00e3o necess\u00e1rios mais oito anos antes que a droga chegue ao mercado.\u201d<\/p>\n<p>Cilli participou do estudo e tamb\u00e9m assina o artigo publicado em\u00a0Scientific Reports. \u201cA \u00f3tima not\u00edcia \u00e9 que essa mol\u00e9cula n\u00e3o age apenas no HCV. Pode agir tamb\u00e9m em bact\u00e9rias, fungos e c\u00e9lulas cancerosas. Al\u00e9m disso, como os v\u00edrus do zika e da febre amarela apresentam ciclos replicativos bastante parecidos com o do HCV, vamos testar a efetividade do AG-hecate tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o a esses v\u00edrus\u201d, disse.<\/p>\n<p>No caso do c\u00e2ncer, a mol\u00e9cula interage e destr\u00f3i a membrana da c\u00e9lula afetada. Aqui, a seletividade da a\u00e7\u00e3o do AG-hecate deve-se ao fato de que a c\u00e9lula modificada pelo c\u00e2ncer tem uma quantidade maior de cargas negativas na superf\u00edcie do que a c\u00e9lula normal. E o pept\u00eddeo tem carga positiva. Ent\u00e3o, a a\u00e7\u00e3o se d\u00e1 por atra\u00e7\u00e3o eletrost\u00e1tica. No caso do v\u00edrus, o mecanismo de a\u00e7\u00e3o da mol\u00e9cula \u00e9 mais complexo, como mostra a ilustra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os estudos foram realizados no Laborat\u00f3rio de S\u00edntese e Estudos de Biomol\u00e9culas do Instituto de Qu\u00edmica da Unesp em Araraquara, coordenado pelo professor Eduardo Maffud Cilli, e no Laborat\u00f3rio de Estudos Gen\u00f4micos do Instituto de Bioci\u00eancias, Letras e Ci\u00eancias Exatas da Unesp em S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto, coordenado pela professora Paula Rahal, orientadora do doutorado de Mariana Nogueira Batista, pesquisadora que divide autoria deste trabalho com Sanches.<\/p>\n<p>Apoio da FAPESP<\/p>\n<p>Al\u00e9m de Sanches e Cilli, participaram do estudo\u00a0,\u00a0,\u00a0,\u00a0\u00a0e\u00a0.<\/p>\n<p>A pesquisa foi apoiada pela FAPESP no \u00e2mbito do Centro de Inova\u00e7\u00e3o em Biodiversidade e F\u00e1rmacos (CIBFar), um dos Centros de Pesquisa, Inova\u00e7\u00e3o e Difus\u00e3o (CEPIDs) financiados pela FAPESP. A Funda\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m concedeu bolsas aos seguintes projetos:<\/p>\n<p>\u201c\u201d.<\/p>\n<p>\u201c\u201d.<\/p>\n<p>\u201c\u201d<\/p>\n<p>O artigo\u00a0GA-Hecate antiviral properties on HCV whole cycle represent a new antiviral class and open the door for the development of broad spectrum antivirals\u00a0pode ser lido em\u00a0.<\/p>\n<p>http:\/\/agencia.fapesp.br\/noticias\/ <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Tadeu Arantes\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013\u00a0Um novo composto que inibe a replica\u00e7\u00e3o do v\u00edrus da hepatite C (HCV) em diversos est\u00e1gios de seu ciclo \u2013 e \u00e9 capaz de agir tamb\u00e9m em bact\u00e9rias, fungos e c\u00e9lulas cancerosas \u2013 foi sintetizado por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp). 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