{"id":158470,"date":"2018-11-12T23:55:31","date_gmt":"2018-11-13T01:55:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=158470"},"modified":"2018-11-12T21:24:34","modified_gmt":"2018-11-12T23:24:34","slug":"inadimplencia-atinge-62-milhoes-de-brasileiros-e-afeta-3-do-credito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2018\/inadimplencia-atinge-62-milhoes-de-brasileiros-e-afeta-3-do-credito\/158470","title":{"rendered":"Inadimpl\u00eancia atinge 62 milh\u00f5es de brasileiros e afeta 3% do cr\u00e9dito"},"content":{"rendered":"<p> A <strong><em>taxa de inadimpl\u00eancia<\/em><\/strong> ao cr\u00e9dito do sistema financeiro no Brasil chegou a 3,04%, ou em termos absolutos R$ 96,6 bilh\u00f5es de um saldo total de R$ 3,168 trilh\u00f5es. Os dados preliminares, relativos ao m\u00eas de setembro, s\u00e3o do Banco Central (BC). Os valores n\u00e3o discriminam as contas em vermelho de empresas e pessoas f\u00edsicas. A inadimpl\u00eancia diz respeito a d\u00edvidas em atraso h\u00e1 mais de 90 dias.<\/p>\n<p>A d\u00edvida a bancos, operadores de cart\u00e3o de cr\u00e9dito, financeiras e leasing aflige metade (52%) dos brasileiros com \u201cnome sujo\u201d no Servi\u00e7o de Prote\u00e7\u00e3o ao Cr\u00e9dito, o SPC Brasil. Conforme o bir\u00f4 de cr\u00e9dito, em setembro, 62,6 milh\u00f5es de pessoas estavam \u201cnegativados\u201d, equivalente \u00e0 popula\u00e7\u00e3o da It\u00e1lia ou pouco menos de um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o adulta com 20 anos ou mais &#8211; conforme c\u00e1lculo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), h\u00e1 209 milh\u00f5es de brasileiros,194 milh\u00f5es com idade a partir de 20 anos (conforme c\u00e1lculo estimado na \u00faltima quinta-feira,8).<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s institui\u00e7\u00f5es financeiras, tabela das Estat\u00edsticas Monet\u00e1rias de Cr\u00e9dito, dispon\u00edvel para download na p\u00e1gina do BC, a inadimpl\u00eancia junto a essas institui\u00e7\u00f5es equivalem a 2,7% dos saldos. No caso das institui\u00e7\u00f5es financeiras privadas nacionais, a propor\u00e7\u00e3o \u00e9 de 3,8%. Para as institui\u00e7\u00f5es financeiras estrangeiras, o percentual \u00e9 de 2,6%.<\/p>\n<p>A maior parte do montante da inadimpl\u00eancia \u00e9 devida aos bancos p\u00fablicos (46,27%). Em segundo lugar, \u00e0s institui\u00e7\u00f5es privadas de capital nacional (41,28%). Em terceiro lugar, \u00e0s institui\u00e7\u00f5es de capital estrangeiro (12,45%).<\/p>\n<p>Crise, desemprego e d\u00edvida<br \/>\n\u201cA inadimpl\u00eancia sempre cresce com o desemprego. Quando o pa\u00eds entrou em crise, a partir de 2014, n\u00f3s t\u00ednhamos 51,8 milh\u00f5es de CPF negativados. A crise, de 2014 pra c\u00e1, colocou mais 10 milh\u00f5es na inadimpl\u00eancia\u201d, descreve Luiz Rabi, economista da Serasa Experian.<\/p>\n<p>Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil, confirma que a recupera\u00e7\u00e3o do trabalho, e portanto da renda, \u00e9 o que faz com que quem esteja inadimplente possa colocar em dia as contas em atraso, especialmente os mais pobres. \u201cQuando o consumidor que tem a renda menor voltar para o mercado de trabalho, ele vai pagar a d\u00edvida, resolver esse problema\u201d.<\/p>\n<p>Entre 2014 e 2017, cerca de 6,5 milh\u00f5es de pessoas ficaram sem ocupa\u00e7\u00e3o (dessas 3,3 milh\u00f5es tinham empregos formais). Os n\u00fameros do IBGE contabilizam que no per\u00edodo a m\u00e9dia anual da taxa de desocupa\u00e7\u00e3o das pessoas de 14 anos ou mais idade no Brasil passou de 6,8% (o menor \u00edndice da hist\u00f3ria) para 12,7% &#8211; mesmo percentual de junho de 2018, quando a inadimpl\u00eancia atingiu recorde na Serasa.<\/p>\n<p>Cart\u00e3o, cheque e empr\u00e9stimo<br \/>\nAs d\u00edvidas com o setor financeiro s\u00e3o monitoradas pelo Banco Central. Segundo a autoridade monet\u00e1ria, R$ 2 de cada R$ 5 do saldo inadimplente s\u00e3o de cart\u00e3o de cr\u00e9dito rotativo, que junto com o cheque especial tem o maior custo de financiamento.<\/p>\n<p>O peso da d\u00edvida no cart\u00e3o \u00e9 desproporcional ao volume de opera\u00e7\u00f5es realizadas. \u201cEmbora represente apenas 2% do saldo de opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito, o cart\u00e3o de cr\u00e9dito na modalidade rotativo corresponde a 20,8% da carteira inadimplente\u201d, descreve o Banco Central em documento preparado para IV F\u00f3rum de Cidadania Financeira, que ocorreu semana passada em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da d\u00edvida do cart\u00e3o, 13,5% s\u00e3o de cr\u00e9dito pessoal; 12,9% de cr\u00e9dito consignado; 11% de financiamento habitacional e 9,8% de aquisi\u00e7\u00e3o de carros \u2013 um ter\u00e7o do restante inadimplente \u00e9 formado por diferentes tipos de cr\u00e9ditos e financiamentos.<\/p>\n<p>D\u00edvida em fam\u00edlia<br \/>\nNo m\u00eas de maior inadimpl\u00eancia, a faixa et\u00e1ria com a propor\u00e7\u00e3o de mais inadimplentes em junho era a de 36 a 40 anos (47,3%). Mas preocupava especialmente \u00e0 Serasa o crescimento do percentual de pessoas inadimplentes com mais de 61 anos (35%), 2,6 pontos percentuais a mais do que o verificado em 2016.<\/p>\n<p>Por tr\u00e1s de cada modalidade de cr\u00e9dito \u00e9 poss\u00edvel levantar in\u00fameras hist\u00f3rias de pessoas e fam\u00edlias que passam por dificuldades. Esse \u00e9 o caso da empres\u00e1ria e rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, de 33 anos, moradora de Recife, Maria Clara, nome fict\u00edcio a pedido para n\u00e3o ser identificada, que se viu for\u00e7ada pelo banco a ter que contrair dois empr\u00e9stimos para quitar d\u00edvida do cart\u00e3o de cr\u00e9dito de sua empresa de eventos.<\/p>\n<p>\u201cA d\u00edvida de um m\u00eas que estava em R$ 18 mil passou para R$ 60 mil. Est\u00e1 no nome da pessoa jur\u00eddica, mas quem sofre \u00e9 a pessoa f\u00edsica\u201d, descreve a empres\u00e1ria que relata que tem todo m\u00eas descontados R$ 1.910 do faturamento e ainda encontra dificuldades com o cheque especial. \u201cTem meses que o plano de sa\u00fade fica atrasado&#8221;, conta.<\/p>\n<p>O pai de Maria Clara \u00e9 funcion\u00e1rio p\u00fablico federal, tem estabilidade de emprego, mas mesmo sem se arriscar ao abrir um neg\u00f3cio como a filha se v\u00ea endividado e sempre renegociando seus empr\u00e9stimos consignados e pessoais. \u201cA gente pensa que voltando ao banco e mais uma vez pegando o dinheiro emprestado vai finalmente resolver\u201d, diz L\u00e9ssio Ferreira, nome fict\u00edcio.<\/p>\n<p>Segundo ele, com 61 anos, j\u00e1 poderia estar aposentado do trabalho de t\u00e9cnico laboratorista, mas segue trabalhando e agora tenta voltar a ter um segundo emprego \u201cpara reequilibrar as contas\u201d.<\/p>\n<p>Dados do Banco Central mostram que a propor\u00e7\u00e3o de endividamento das fam\u00edlias brasileiras com o sistema financeiro em agosto era de 41,93% da renda acumulada em 12 meses &#8211; excluindo as d\u00edvidas com a casa pr\u00f3pria, essa propor\u00e7\u00e3o cai para 23,68%. O pico da propor\u00e7\u00e3o do endividamento das fam\u00edlias foi em abril de 2015 (46,39%).<\/p>\n<p> Gilberto Costa &#8211; Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil<br \/>\nEdi\u00e7\u00e3o: Carolina Pimentel<br \/>\n12\/11\/2018<br \/>\nhttp:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/economia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A taxa de inadimpl\u00eancia ao cr\u00e9dito do sistema financeiro no Brasil chegou a 3,04%, ou em termos absolutos R$ 96,6 bilh\u00f5es de um saldo total de R$ 3,168 trilh\u00f5es. Os dados preliminares, relativos ao m\u00eas de setembro, s\u00e3o do Banco Central (BC). Os valores n\u00e3o discriminam as contas em vermelho de empresas e pessoas f\u00edsicas. 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