{"id":158129,"date":"2018-11-08T22:24:41","date_gmt":"2018-11-09T00:24:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=158129"},"modified":"2018-11-08T22:24:41","modified_gmt":"2018-11-09T00:24:41","slug":"transformacao-do-trabalho-exigira-novas-habilidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2018\/transformacao-do-trabalho-exigira-novas-habilidades\/158129","title":{"rendered":"Transforma\u00e7\u00e3o do trabalho exigir\u00e1 novas habilidades"},"content":{"rendered":"<p> Maria Fernanda Ziegler e Andr\u00e9 Juli\u00e3o\u00a0 |\u00a0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Est\u00e1 em curso uma grande transforma\u00e7\u00e3o na organiza\u00e7\u00e3o do trabalho. Mudan\u00e7as referentes \u00e0 chamada <strong><em>Quarta Revolu\u00e7\u00e3o Industrial<\/em><\/strong> perpassam por quest\u00f5es que envolvem automa\u00e7\u00e3o, rob\u00f4s, an\u00e1lise de big data e aprendizado de m\u00e1quina. Nesse contexto, \u00e9 preciso atentar para o saldo do desemprego crescente e a cria\u00e7\u00e3o de postos de trabalho mais qualificados ou at\u00e9 novos padr\u00f5es de trabalho.<\/p>\n<p>O futuro do trabalho e do aprendizado foi tema do\u00a0, ocorrido nos dias 30 e 31 de outubro na sede da\u00a0FAPESP. No evento, pesquisadores brasileiros e alem\u00e3es discutiram novas tecnologias, processos de trabalho em empresas e a necessidade de aprendizado de novas habilidades.<\/p>\n<p>\u201cExiste uma rela\u00e7\u00e3o entre intelig\u00eancia artificial e seu impacto no mercado de trabalho. Por isso, o tema n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 discutido por cientistas, mas tamb\u00e9m por empresas e pol\u00edticos. A quest\u00e3o \u00e9 t\u00e3o premente que alguns pa\u00edses est\u00e3o criando Minist\u00e9rios de Intelig\u00eancia Artificial para lidar com as dificuldades que envolvem a transi\u00e7\u00e3o no trabalho\u201d, disse\u00a0, professor e pr\u00f3-reitor de pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).<\/p>\n<p>Lamb defende que \u00e9 preciso incluir esses temas na educa\u00e7\u00e3o e, principalmente \u2013 em tempos de intelig\u00eancia artificial e aprendizado de m\u00e1quina \u2013, aprender a raciocinar. \u201cNa minha opini\u00e3o, n\u00e3o estamos educando as pessoas para trabalharem nesse mundo\u201d, disse.<\/p>\n<p>H\u00e1 vis\u00f5es pessimistas e algumas otimistas quanto ao futuro. De acordo com relat\u00f3rio do\u00a0, publicado este ano, as m\u00e1quinas far\u00e3o mais tarefas do que os humanos j\u00e1 em 2025, por\u00e9m a revolu\u00e7\u00e3o dos rob\u00f4s criar\u00e1 58 milh\u00f5es de novos empregos nos pr\u00f3ximos cinco anos.<\/p>\n<p>\u201cEsses novos postos viriam a partir da ado\u00e7\u00e3o de novas tecnologias em empresas e na ind\u00fastria, como uso e an\u00e1lise de big data, internet das coisas e aprendizado de m\u00e1quina. Enquanto se perde de um lado, ganha-se com novas habilidades, e isso n\u00e3o necessariamente tem um saldo positivo\u201d, disse Bernd Dworschak, pesquisador s\u00eanior do Fraunhofer Institute for Industrial Engineering.<\/p>\n<p>Ainda de acordo com o relat\u00f3rio, a r\u00e1pida evolu\u00e7\u00e3o de rob\u00f4s, m\u00e1quinas e algoritmos no mercado de trabalho pode criar 133 milh\u00f5es de novos postos de trabalho, enquanto outros 75 milh\u00f5es perder\u00e3o lugar at\u00e9 2022.<\/p>\n<p>Essa mudan\u00e7a na organiza\u00e7\u00e3o do trabalho j\u00e1 passa a ser sentida nos empregos. \u201cNa Alemanha, existe um s\u00f3 setor que est\u00e1 perdendo postos de trabalho, e n\u00e3o \u00e9 a ind\u00fastria, \u00e9 o setor banc\u00e1rio e de seguros. A automatiza\u00e7\u00e3o desses servi\u00e7os j\u00e1 est\u00e1 tomando empregos\u201d, disse Joachim M\u00f6ller, diretor do Instituto para a Pesquisa do Emprego da Alemanha (IAB).<\/p>\n<p>No Brasil<\/p>\n<p>Outro participante do evento,\u00a0, professor na Escola Polit\u00e9cnica da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), afirmou que a organiza\u00e7\u00e3o do trabalho se tornou mais complexa conforme o tempo foi passando.<\/p>\n<p>\u201cA escolha pela tecnologia \u00e9 sempre interessante, mas n\u00e3o podemos esquecer que ela passa tamb\u00e9m pela cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas industriais, de ci\u00eancia e tecnologia. Enfim, \u00e9 uma decis\u00e3o que deve ser feita em cada pa\u00eds\u201d, disse.<\/p>\n<p>Para ele, a situa\u00e7\u00e3o brasileira n\u00e3o serve como boa base para o enfrentamento da revolu\u00e7\u00e3o 4.0. \u201cNo Brasil, temos algum avan\u00e7o no setor agroindustrial e no de servi\u00e7os, mas estamos enfrentando a desindustrializa\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o necessariamente na ind\u00fastria digital\u201d, disse Fleury.<\/p>\n<p>Estudo realizado pela\u00a0\u00a0(CNI) indicou que atualmente apenas 1,6% da ind\u00fastria brasileira est\u00e1 na chamada ind\u00fastria 4.0 \u2013 quando a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 conectada por meio de tecnologias da informa\u00e7\u00e3o integradas e processos inteligentes, com capacidade de subsidiar gestores com informa\u00e7\u00f5es para tomada de decis\u00e3o.<\/p>\n<p>No mesmo estudo, a chamada ind\u00fastria 3.0 corresponde a 20,5%. J\u00e1 as ind\u00fastrias 2.0 e 1.0 correspondem a 39,1% e 38,7%, respectivamente.<\/p>\n<p>Segundo pesquisadores, no Brasil existem ainda dois entraves principais para a transi\u00e7\u00e3o do trabalho: produtividade e qualidade educacional.<\/p>\n<p>\u201cO Brasil tem um problema grave de baixa produtividade e baixa qualidade educacional. Como podemos pensar em rob\u00f4s, m\u00e1quinas e intelig\u00eancia artificial?\u201d, disse\u00a0, coordenador do Centro de Pol\u00edticas P\u00fablicas do Insper.<\/p>\n<p>Aprender e ensinar<\/p>\n<p>Outro ponto abordado no 7\u00ba Di\u00e1logo Brasil-Alemanha de Ci\u00eancia, Pesquisa e Inova\u00e7\u00e3o foi a import\u00e2ncia do aprendizado de novas habilidades para um mundo digitalizado.<\/p>\n<p>\u201cAs discuss\u00f5es sobre as mudan\u00e7as digitais v\u00eam muito associadas a outra sobre o que vai ocorrer aos trabalhadores. Ser\u00e1 que eles est\u00e3o sendo preparados para esses novos tempos? E aqueles que j\u00e1 est\u00e3o no mercado de trabalho, como eles ser\u00e3o preparados? Aqui buscamos organizar as ideias em torno da educa\u00e7\u00e3o para essa nova era\u201d, disse\u00a0, professora da Escola de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e mediadora da sess\u00e3o sobre educa\u00e7\u00e3o no evento.<\/p>\n<p>Markus Feufel, professor do Departamento de Psicologia e Ergonomia da Universidade T\u00e9cnica de Berlim, falou sobre como as habilidades humanas continuam tendo valor em um mundo digital e como este pode ser ben\u00e9fico, aumentando as compet\u00eancias dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, apesar dos avan\u00e7os em intelig\u00eancia artificial e outras tecnologias, h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es em que as compet\u00eancias humanas s\u00e3o necess\u00e1rias e \u00e9 preciso trein\u00e1-las nos estudantes.<\/p>\n<p>\u201cPara algumas situa\u00e7\u00f5es, computadores s\u00e3o \u00f3timos, devemos us\u00e1-los porque realmente melhoram nossas compet\u00eancias. Mas, em outras situa\u00e7\u00f5es, isso n\u00e3o ocorre. As compet\u00eancias humanas devem ser o foco principal. Especialmente na universidade, n\u00e3o estamos treinando nossa intui\u00e7\u00e3o, nossa tomada de decis\u00f5es. Nossas compet\u00eancias acad\u00eamicas n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o \u00fateis em muitos contextos\u201d, disse Feufel.<\/p>\n<p>, do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (IETS), do Rio de Janeiro, afirmou que um primeiro passo seria uma reforma no ensino m\u00e9dio brasileiro, atualmente muito focado na entrada na universidade. O problema \u00e9 que muito poucos acabam entrando e, mesmo os que se formam, atuam fora de suas \u00e1reas.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso que os alunos realmente aprendam habilidades, n\u00e3o apenas repitam o conhecimento dos professores\u201d, disse.<\/p>\n<p>Desigualdades<\/p>\n<p>Participantes do evento destacaram que, no entanto, para se pensar uma educa\u00e7\u00e3o mais avan\u00e7ada ainda \u00e9 preciso superar desigualdades muito prementes na Alemanha, mas principalmente no Brasil. Enquanto no pa\u00eds europeu chama-se a aten\u00e7\u00e3o para alguns pequenos grupos como de pessoas mais pobres, portadores de defici\u00eancias, imigrantes e que precisam cuidar de filhos pequenos ou pessoas doentes, no Brasil ainda h\u00e1 diferen\u00e7as baseadas em renda e ra\u00e7a.<\/p>\n<p>Monika Hackel, professora do Instituto Federal de Educa\u00e7\u00e3o Vocacional e Treinamento da Alemanha, disse que o sistema de ensino profissionalizante de seu pa\u00eds teve de desenvolver formas de n\u00e3o deixar ningu\u00e9m para tr\u00e1s no processo de industrializa\u00e7\u00e3o alem\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cTemos leis para dar suporte a alguns grupos especiais, como pessoas que cuidam de filhos pequenos ou de pessoas doentes ou mais velhas. N\u00f3s oferecemos flexibilidade na dura\u00e7\u00e3o dos cursos profissionalizantes. H\u00e1 ainda m\u00f3dulos especiais para pessoas com dificuldades de aprendizado e a possibilidade de treinar novamente aqueles que n\u00e3o conseguem mais trabalhar em suas antigas fun\u00e7\u00f5es\u201d, disse.<\/p>\n<p>, professora da USP e pesquisadora s\u00eanior do Centro Brasileiro de Pesquisa e Planejamento (Cebrap), disse que para avan\u00e7ar no debate sobre aprendizado de novas habilidades e tecnologias \u00e9 preciso ter em mente, pelo menos no Brasil, as desigualdades educacionais extremas e como grande parte dos avan\u00e7os nesse campo \u00e9 recente.<\/p>\n<p>\u201cO paradoxo da educa\u00e7\u00e3o \u00e9 que ela pode reduzir desigualdades dando oportunidades. No entanto, o sistema educacional reproduz desigualdades em vez de corrigi-las. Por isso, \u00e9 imperativo refletir como essas novas habilidades e tecnologias v\u00e3o aumentar a lacuna social e racial\u201d, disse.<\/p>\n<p>Mais informa\u00e7\u00f5es sobre o 7\u00ba Di\u00e1logo Brasil-Alemanha de Ci\u00eancia, Pesquisa e Inova\u00e7\u00e3o:\u00a0.<\/p>\n<p>http:\/\/agencia.fapesp.br\/noticias\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Fernanda Ziegler e Andr\u00e9 Juli\u00e3o\u00a0 |\u00a0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Est\u00e1 em curso uma grande transforma\u00e7\u00e3o na organiza\u00e7\u00e3o do trabalho. Mudan\u00e7as referentes \u00e0 chamada Quarta Revolu\u00e7\u00e3o Industrial perpassam por quest\u00f5es que envolvem automa\u00e7\u00e3o, rob\u00f4s, an\u00e1lise de big data e aprendizado de m\u00e1quina. 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