{"id":157680,"date":"2018-11-05T21:57:58","date_gmt":"2018-11-05T23:57:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=157680"},"modified":"2018-11-05T21:57:58","modified_gmt":"2018-11-05T23:57:58","slug":"genes-que-podem-levar-a-melhoria-no-gado-bovino-sao-identificados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2018\/genes-que-podem-levar-a-melhoria-no-gado-bovino-sao-identificados\/157680","title":{"rendered":"Genes que podem levar \u00e0 melhoria no gado bovino s\u00e3o identificados"},"content":{"rendered":"<p>Peter Moon\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Por d\u00e9cadas, os programas de <strong><em>melhoramento de gado bovino<\/em><\/strong> se concentraram em promover um crescimento r\u00e1pido dos novilhos. Agora, busca-se o melhoramento de outras caracter\u00edsticas, como mais maciez na carne ou maior \u00e1rea do m\u00fasculo no olho da costela.<\/p>\n<p>Investigando o genoma da ra\u00e7a zebu\u00edna Gir, pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) identificaram 35 genes associados a caracter\u00edsticas como reprodu\u00e7\u00e3o, composi\u00e7\u00e3o do leite e crescimento. Trata-se de um passo fundamental para desenvolver novas linhagens com caracter\u00edsticas desejadas por produtores e consumidores.<\/p>\n<p>Resultados do estudo foram publicados na revista\u00a0\u00a0pelo grupo liderado por Josineudson Augusto II de Vasconcelos Silva, professor na Faculdade de Ci\u00eancias Agr\u00e1rias e Veterin\u00e1rias da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Botucatu (SP). A pesquisa contou com\u00a0. Participam do trabalho pesquisadores da Universidade da Ge\u00f3rgia, nos Estados Unidos, e dos Institutos de Zootecnia de Nova Odessa e de Sert\u00e3ozinho.<\/p>\n<p>A ra\u00e7a zebu\u00edna Gir \u00e9 origin\u00e1ria da \u00cdndia e foi introduzida com sucesso em regi\u00f5es tropicais. \u00c9 uma das principais ra\u00e7as de gado criadas nos pa\u00edses tropicais da Am\u00e9rica do Sul, em especial no Brasil. Mas as diversas popula\u00e7\u00f5es de Gir por aqui guardam diferen\u00e7as marcantes. A forte sele\u00e7\u00e3o artificial da ra\u00e7a levada a cabo nas \u00faltimas d\u00e9cadas levou ao aumento da diferencia\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica entre os animais em diversos pa\u00edses.<\/p>\n<p>No Brasil, atualmente a ra\u00e7a Gir \u00e9 criada principalmente como gado leiteiro, mas no passado tamb\u00e9m despontava como op\u00e7\u00e3o dos criadores no gado de corte, que \u00e9 hoje dominado pela ra\u00e7a Nelore.<\/p>\n<p>Para conseguir localizar os genes associados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de carne e leite em Gir, os pesquisadores analisaram os gen\u00f3tipos de animais de duas popula\u00e7\u00f5es distintas. Uma delas foi um rebanho criado entre 1976 e 2003 no Instituto de Zootecnia de Sert\u00e3ozinho.<\/p>\n<p>Em 1976, iniciou-se em Sert\u00e3ozinho a cria\u00e7\u00e3o de um rebanho Gir cujos animais foram sendo selecionados para desenvolver caracter\u00edsticas ligadas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de carne, como aumento r\u00e1pido de tamanho dos novilhos. A consequ\u00eancia \u00e9 que os novilhos ficaram cada vez maiores. Mas em 2003, devido \u00e0 reorienta\u00e7\u00e3o dos produtores em rela\u00e7\u00e3o ao Gir, de gado de corte para gado leiteiro, aquele rebanho de Sert\u00e3ozinho foi vendido.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, iniciou-se o Programa Nacional de Melhoramento Gen\u00e9tico do Gir Leiteiro (PNMGL), selecionado para caracter\u00edsticas ligadas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de leite. Com o passar dos anos, as vacas foram desenvolvendo \u00faberes cada vez maiores e produzindo cada vez mais leite.<\/p>\n<p>Para o trabalho de genotipagem, foram utilizadas amostras de pelos retiradas, em 2003, de 173 touros, vacas e animais jovens do rebanho selecionado para corte. Tamb\u00e9m foram usadas amostras de pelo de 273 animais do rebanho do PNMGL, criados em cinco fazendas localizadas nos estados de Minas Gerais e S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foram levantados registros espec\u00edficos de cada animal, como peso ao nascer, peso antes da desmama, peso na p\u00f3s-desmama e tamb\u00e9m no momento do abate.<\/p>\n<p>&#8220;Selecionamos um grupo de Gir para corte e outro para leite. A diferen\u00e7a na morfologia dos animais era muito grande. Enquanto os animais selecionados para corte tinham maior musculatura e eram mais fortes, as vacas selecionadas para leite possu\u00edam \u00faberes muito pronunciados\u201d, disse Vasconcelos Silva.<\/p>\n<p>&#8220;Os resultados obtidos s\u00e3o claros e consistentes com a hist\u00f3ria de ambas as popula\u00e7\u00f5es, que estavam sob diferentes programas de melhoramento; portanto, os animais foram submetidos \u00e0 segrega\u00e7\u00e3o intencional de genes dentro de cada popula\u00e7\u00e3o, promovendo o completo isolamento e varia\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica entre eles\u201d, disse.<\/p>\n<p>Confrontando os genomas de todos os 446 animais, ou seja, os genomas dos 173 animais selecionados para corte com o genoma dos 273 animais selecionados para leite, foram detectadas as regi\u00f5es no genoma bovino, em Gir, onde se localizam os genes ligados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de carne e aqueles ligados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de leite.<\/p>\n<p>&#8220;Identificamos 282 genes nas regi\u00f5es eleitas como assinaturas de sele\u00e7\u00e3o nos rebanhos de corte e leite da ra\u00e7a Gir, dentre os quais 35 genes est\u00e3o associados \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o, composi\u00e7\u00e3o do leite, crescimento, carne e carca\u00e7a, sa\u00fade ou caracter\u00edsticas de conforma\u00e7\u00e3o corporal\u201d, disse Vasconcelos Silva.<\/p>\n<p>Rebanhos maiores<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o de genes mostrou que caracter\u00edsticas associadas \u00e0 fertilidade, produ\u00e7\u00e3o de leite, qualidade da carne e crescimento est\u00e3o envolvidas no processo de diferencia\u00e7\u00e3o das duas popula\u00e7\u00f5es, a selecionada para corte e a selecionada para leite. Alguns desses 35 genes j\u00e1 eram conhecidos dos cientistas. Outros s\u00e3o descobertas novas para a ci\u00eancia.<\/p>\n<p>Os pr\u00f3ximos passos da pesquisa envolvem o trabalho com rebanhos maiores, realizando genotipagem de ao menos 2 mil animais. O objetivo ser\u00e1 entender melhor como cada um desses genes antes desconhecidos se expressa e de que forma est\u00e3o relacionados com as caracter\u00edsticas investigadas.<\/p>\n<p>&#8220;Talvez possamos descobrir que existem genes que se expressam mais na ra\u00e7a Gir, e menos em Nelore, por exemplo&#8221;, disse Vasconcelos Silva.<\/p>\n<p>Outra possibilidade ser\u00e1 comparar os genes de Gir com os genes de uma ra\u00e7a europeia, como por exemplo Angus, que \u00e9 privilegiada nas churrascarias.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0Assessing genetic architecture and signatures of selection of dual purpose Gir cattle populations using genomic information, de Amanda Marchi Maiorano, Daniela Lino Lourenco, Shogo Tsuruta, Alejandra Maria Toro Ospina, Nedenia Bonvino Stafuzza, Yutaka Masuda, Anibal Eugenio Vercesi Filho, Joslaine Noely dos Santos Goncalves Cyrillo, Rog\u00e9rio Abdallah Curi e Josineudson Augusto II de Vasconcelos Silva, pode ser lido em:\u00a0.<\/p>\n<p>http:\/\/agencia.fapesp.br\/genes-que-podem-levar-a-melhoria-no-gado-bovino-sao-identificados-\/29107\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Peter Moon\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Por d\u00e9cadas, os programas de melhoramento de gado bovino se concentraram em promover um crescimento r\u00e1pido dos novilhos. 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