{"id":157021,"date":"2018-10-30T16:11:24","date_gmt":"2018-10-30T19:11:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=157021"},"modified":"2018-10-30T16:11:24","modified_gmt":"2018-10-30T19:11:24","slug":"emissoes-globais-de-metano-podem-estar-subestimadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2018\/emissoes-globais-de-metano-podem-estar-subestimadas\/157021","title":{"rendered":"Emiss\u00f5es globais de metano podem estar subestimadas"},"content":{"rendered":"<p> Andr\u00e9 Juli\u00e3o, de Ilhabela\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Mudan\u00e7as recentes na compreens\u00e3o sobre o comportamento do <strong><em>metano<\/em><\/strong> na Terra, al\u00e9m de dificuldades para fazer amplas medi\u00e7\u00f5es do que \u00e9 emitido pelos oceanos, podem ter feito com que as emiss\u00f5es globais do g\u00e1s \u2013 cujas mol\u00e9culas ret\u00eam 25 vezes mais calor do que as de g\u00e1s carb\u00f4nico \u2013 tenham sido subestimadas.<\/p>\n<p>As consequ\u00eancias dessa emiss\u00e3o maior v\u00e3o desde um aumento ainda mais acentuado nas temperaturas globais at\u00e9 a concretiza\u00e7\u00e3o da chamada hip\u00f3tese da bomba de clatrato (estrutura cristalina). Segunda essa hip\u00f3tese, o metano hoje depositado no subsolo marinho poderia subir \u00e0 atmosfera e gerar uma extin\u00e7\u00e3o em massa como as que ocorreram na transi\u00e7\u00e3o dos per\u00edodos Permiano e Tri\u00e1ssico (h\u00e1 cerca de 250 milh\u00f5es de anos) e no fim do Paleoceno e in\u00edcio no Eoceno (h\u00e1 55 milh\u00f5es de anos, aproximadamente).<\/p>\n<p>\u201cCom o derretimento do \u00c1rtico e da Ant\u00e1rtica, provocado pelo aquecimento global, muito desse metano que estava preso embaixo das geleiras, na forma de hidrato de g\u00e1s, come\u00e7a a ser liberado\u201d, disse Antje Boetius, pesquisadora do Instituto Max Planck de Microbiologia Marinha, em Bremen, na Alemanha.<\/p>\n<p>Boetius foi uma das participantes da\u00a0, realizada em Ilhabela de 16 a 23 de outubro e encerrada na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de S\u00e3o Paulo (Esalq-USP), em Piracicaba, no dia 26.<\/p>\n<p>\u201cA ideia da Escola foi conseguir avan\u00e7ar nas novas fronteiras do conhecimento dessa \u00e1rea da ci\u00eancia, principalmente em rela\u00e7\u00e3o aos microrganismos que produzem metano na natureza\u201d, disse\u00a0, professora do Instituto Oceanogr\u00e1fico da USP e organizadora do evento. Al\u00e9m de palestrantes brasileiros e estrangeiros, participaram da Escola 73 alunos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e pesquisadores de p\u00f3s-doutorado de 13 pa\u00edses al\u00e9m do Brasil.<\/p>\n<p>\u201cPara poder controlar as emiss\u00f5es \u00e9 preciso conhecer a parte b\u00e1sica do metabolismo dos microrganismos e dos seus hospedeiros. Novos grupos desses microrganismos t\u00eam sido descritos nos \u00faltimos anos e ainda precisam ser mais bem compreendidos\u201d, disse Pellizari \u00e0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>No Brasil, os maiores respons\u00e1veis pelas emiss\u00f5es de metano s\u00e3o a cria\u00e7\u00e3o de gado e as \u00e1reas alagadas, presentes na Amaz\u00f4nia e no Pantanal. Elas acumulam mat\u00e9ria org\u00e2nica em decomposi\u00e7\u00e3o, reduzindo a concentra\u00e7\u00e3o de oxig\u00eanio e gerando metano.<\/p>\n<p>O gado, por sua vez, emite o g\u00e1s como resultado do processo de digest\u00e3o. Al\u00e9m disso, mudan\u00e7as no uso do solo tamb\u00e9m impactam a propor\u00e7\u00e3o entre o metano que \u00e9 liberado na atmosfera e o que \u00e9 consumido.<\/p>\n<p>Os microrganismos do ambiente desempenham um grande papel na emiss\u00e3o global de metano. Embora recentes avan\u00e7os tenham dado origem a novos conhecimentos, ainda h\u00e1 mais perguntas do que respostas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quantidade global do g\u00e1s, ciclagem biogeoqu\u00edmica e microbiologia da metanog\u00eanese (gera\u00e7\u00e3o) e da metanotrofia (consumo).<\/p>\n<p>Atualmente, a busca por organismos que geram e consomem metano vai de ambientes criados pelo homem a alguns dos locais mais extremos na Terra. Na Escola tamb\u00e9m foram discutidas metodologias que poder\u00e3o ser usadas para detectar presen\u00e7a de metano fora da Terra, como em luas de J\u00fapiter. O metano seria um poss\u00edvel indicador de vida extraterrestre.<\/p>\n<p>\u201cO metano \u00e9 um elemento-chave para a Astrobiologia e para conhecer mais sobre a origem da vida\u201d, disse Ken Takai, da Jamstec, ag\u00eancia japonesa para ci\u00eancia e tecnologia marinha e terrestre e um dos palestrantes no evento.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, outro tema discutido foi a recente aplica\u00e7\u00e3o do conhecimento em produ\u00e7\u00e3o de bioenergia, gerenciamento de res\u00edduos e em Agronomia.<\/p>\n<p>\u201cO metano formado no solo dificilmente chega \u00e0 atmosfera se houver uma atividade biol\u00f3gica que consome esse g\u00e1s. Mas, quando h\u00e1 desequil\u00edbrio entre produ\u00e7\u00e3o e consumo, acaba havendo libera\u00e7\u00e3o para a atmosfera. Para agricultura e solo, essa \u00e9 uma das principais discuss\u00f5es colocadas aqui\u201d, disse\u00a0, professor da Esalq-USP.<\/p>\n<p>Gelo que queima<\/p>\n<p>O hidrato de clatrato (ou hidrato de g\u00e1s) \u00e9 um cristal de \u00e1gua que encapsula gases, a maior parte metano, e que queima com facilidade. Por isso, \u00e9 considerado pelo setor de energia como um poss\u00edvel combust\u00edvel no futuro. Quando no subsolo marinho, sob baixas temperaturas, ele mant\u00e9m est\u00e1vel o g\u00e1s em seu interior.<\/p>\n<p>\u201cNo entanto, temos evid\u00eancias de que houve uma grande mudan\u00e7a no n\u00edvel do mar ao longo da nossa hist\u00f3ria. A diminui\u00e7\u00e3o da press\u00e3o dos oceanos decorrente disso, al\u00e9m do aquecimento da \u00e1gua, \u00e9 uma forma de liberar esse hidrato de g\u00e1s. Como sabemos que houve um aumento das temperaturas marinhas, estamos provavelmente chegando a uma era ou per\u00edodo em que nunca antes na hist\u00f3ria humana houve tanto hidrato de g\u00e1s sendo exposto\u201d, disse Boetius.<\/p>\n<p>A cientista alerta que no \u00c1rtico o quadro \u00e9 especialmente preocupante, j\u00e1 que h\u00e1 muitos dep\u00f3sitos de hidrato de g\u00e1s em partes rasas, apenas alguns metros abaixo do gelo.<\/p>\n<p>\u201cO \u00c1rtico tem muitos e muitos quil\u00f4metros de mares rasos e eles podem ter grandes dep\u00f3sitos desses hidratos de g\u00e1s. Atualmente, a maior parte do \u00c1rtico est\u00e1 congelado, mas n\u00e3o sabemos se estar\u00e1 at\u00e9 o fim do s\u00e9culo\u201d, disse.<\/p>\n<p>Investimento em pesquisa<\/p>\n<p>Al\u00e9m da quantidade de hidrato de g\u00e1s, a pr\u00f3pria emiss\u00e3o de metano dos oceanos como um todo \u00e9 apenas estimada. Embora m\u00e9todos para fazer as medi\u00e7\u00f5es sejam conhecidos, seriam precisos muito mais pontos de medi\u00e7\u00e3o do que os poucos existentes atualmente.<\/p>\n<p>\u201cPara esse tipo de levantamento precisamos de navios, rob\u00f4s e engenheiros. \u00c9 um esfor\u00e7o de muita alta tecnologia. Logo, poucos pa\u00edses no mundo t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de fazer esse trabalho, embora devessem medir emiss\u00f5es pelo menos em sua pr\u00f3pria zona econ\u00f4mica exclusiva. Por isso, temos muito poucos dados\u201d, disse Boetius.<\/p>\n<p>A quantidade de metano emitida, portanto, pode estar subestimada, o que \u00e9 dito nos \u00faltimos relat\u00f3rios do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC): \u201cTemos apenas estimativas baseadas em poucos dados cient\u00edficos\u201d.<\/p>\n<p>Mudar esse quadro exige altos investimentos em pesquisa. No entanto, os Estados Unidos, segundo maior emissor de gases do efeito estufa do mundo, atr\u00e1s apenas da China, recuou seus investimentos nos \u00faltimos dois anos.<\/p>\n<p>\u201cOs Estados Unidos t\u00eam um impacto desproporcional no clima por causa do estilo de vida, do jeito que gerimos nossa ind\u00fastria. Contribu\u00edmos bastante para a quantidade de metano no mundo. Por conta disso, temos responsabilidade de fazer algo sobre isso\u201d, disse Brendan Bohanann, da University of Oregon, um dos organizadores da Escola.<\/p>\n<p>\u201cAo mesmo tempo, o financiamento para ci\u00eancia nos Estados Unidos tem sido est\u00e1vel ou mesmo tem ca\u00eddo ao longo do tempo. Isso sem contar que tem havido uma queda geral na import\u00e2ncia da ci\u00eancia em determinar pol\u00edticas no n\u00edvel federal e isso \u00e9 uma grande preocupa\u00e7\u00e3o. Infelizmente, quando os Estados Unidos tomam uma decis\u00e3o em n\u00edvel nacional, isso tem um impacto global. Espero que o Brasil tome os Estados Unidos como um mau exemplo e n\u00e3o fa\u00e7a a mesma coisa\u201d, disse Bohanann.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de assistir a palestras, apresentar trabalhos e realizar atividades em grupo os participantes fizeram visitas t\u00e9cnicas \u00e0 Esalq e ao Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena).<\/p>\n<p>Mais informa\u00e7\u00f5es sobre a Escola S\u00e3o Paulo de Ci\u00eancia Avan\u00e7ada em Metano:\u00a0.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Andr\u00e9 Juli\u00e3o, de Ilhabela\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Mudan\u00e7as recentes na compreens\u00e3o sobre o comportamento do metano na Terra, al\u00e9m de dificuldades para fazer amplas medi\u00e7\u00f5es do que \u00e9 emitido pelos oceanos, podem ter feito com que as emiss\u00f5es globais do g\u00e1s \u2013 cujas mol\u00e9culas ret\u00eam 25 vezes mais calor do que as de g\u00e1s carb\u00f4nico [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":148472,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_genesis_hide_title":false,"_genesis_hide_breadcrumbs":false,"_genesis_hide_singular_image":false,"_genesis_hide_footer_widgets":false,"_genesis_custom_body_class":"","_genesis_custom_post_class":"","_genesis_layout":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[22,5],"tags":[],"class_list":{"0":"post-157021","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-brasil","8":"category-saude-e-vida","9":"entry","10":"gs-1","11":"gs-odd","12":"gs-even","13":"gs-featured-content-entry"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/previsao-tempo-nordeste-1.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/157021","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=157021"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/157021\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/148472"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=157021"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=157021"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=157021"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}