{"id":156216,"date":"2018-10-23T23:56:53","date_gmt":"2018-10-24T02:56:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=156216"},"modified":"2018-10-23T20:02:28","modified_gmt":"2018-10-23T23:02:28","slug":"desafios-globais-envolvem-acesso-a-agua-alimento-e-energia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2018\/desafios-globais-envolvem-acesso-a-agua-alimento-e-energia\/156216","title":{"rendered":"Desafios globais envolvem acesso \u00e0 \u00e1gua, alimento e energia"},"content":{"rendered":"<p>Maria Fernanda Ziegler\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Entre os principais <strong><em>problemas do mundo<\/em><\/strong> que ainda n\u00e3o t\u00eam solu\u00e7\u00e3o est\u00e1 a necessidade de maior acesso \u00e0 \u00e1gua, alimento e energia. A quest\u00e3o \u00e9 resultado de fatores como crescimento populacional, urbaniza\u00e7\u00e3o, altera\u00e7\u00e3o no padr\u00e3o alimentar e, \u00e9 claro, das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. O problema tem um forte impacto social e ambiental, principalmente porque as tr\u00eas \u00e1reas tendem a entrar em conflito.<\/p>\n<p>De acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura (FAO), a agricultura \u00e9 o maior consumidor dos recursos de \u00e1gua doce do mundo, e mais de um quarto da energia utilizada globalmente \u00e9 gasta na produ\u00e7\u00e3o e no fornecimento de alimentos.<\/p>\n<p>Alimentar uma popula\u00e7\u00e3o global que dever\u00e1 atingir 9 bilh\u00f5es de pessoas at\u00e9 2050 exigir\u00e1 um aumento de 60% na produ\u00e7\u00e3o de alimentos. Como consequ\u00eancia, haver\u00e1 maior consumo de \u00e1gua e energia.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse contexto que se insere a\u00a0, que ocorre at\u00e9 26 de outubro na Faculdade de Engenharia, Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A Escola tamb\u00e9m conta com o apoio do N\u00facleo Interdisciplinar de Planejamento Energ\u00e9tico (Nipe-Unicamp).<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um tema que tem relev\u00e2ncia social, ambiental e econ\u00f4mica para o pa\u00eds. \u00c9 um novo modo de pensar a ci\u00eancia, levando em conta os conflitos e aspectos que envolvem essas tr\u00eas dimens\u00f5es: \u00e1gua, energia e alimento\u201d, disse Jos\u00e9 Roberto Guimar\u00e3es, professor titular da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC-Unicamp) e pesquisador respons\u00e1vel pela ESPCA no Nexo \u00c1gua, Alimento e Energia.<\/p>\n<p>A Escola, apoiada pela FAPESP por meio da modalidade Escola S\u00e3o Paulo de Ci\u00eancia Avan\u00e7ada (), re\u00fane 80 estudantes, sendo 40 de fora do Brasil, e tamb\u00e9m tem o intuito de atrair talentos para cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e centros de pesquisa no Estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>O evento visa discutir sistemas complexos, compreendendo impactos sociais, econ\u00f4micos e ambientais envolvidos nas decis\u00f5es relativas \u00e0 inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, gest\u00e3o e ao desenho de pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>\u201cTodas essas mudan\u00e7as pelas quais estamos passando ultimamente precisam ser articuladas em pol\u00edticas de planejamento. Foi percebido, no entanto, que se houver um tratamento sist\u00eamico entre essas tr\u00eas \u00e1reas \u00e9 poss\u00edvel reduzir conflitos e conseguir ganho em efici\u00eancia. Portanto, a ideia dessa Escola \u00e9 integrar a pesquisa em \u00e1gua, alimento e energia\u201d, disse\u00a0, professor do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Recursos H\u00eddricos, Energ\u00e9ticos e Ambientais da Unicamp e um dos organizadores da ESPCA no Nexo \u00c1gua, Alimento e Energia.<\/p>\n<p>Essa nova abordagem em lidar e propor solu\u00e7\u00f5es integradas para os tr\u00eas temas \u00e9 uma tend\u00eancia de pesquisa. Na FAPESP, programas como o\u00a0\u00a0e de Pesquisa sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas Globais () representam esfor\u00e7os para oferecer oportunidades integradas em ci\u00eancia. Outras ag\u00eancias de fomento, como a National Science Foundation (NSF), nos Estados Unidos, tamb\u00e9m disp\u00f5em de programas nesse mesmo sentido.<\/p>\n<p>Lado humano<\/p>\n<p>\u201cAs discuss\u00f5es sobre as tens\u00f5es e interdepend\u00eancia de alimento, \u00e1gua e energia t\u00eam potencial para uma ci\u00eancia mais integrativa ao juntar engenharia, agronomia, hidrologia e ci\u00eancias sociais. No entanto, \u00e9 importante lembrar que estamos preocupados com o nexo \u00e1gua, alimento e energia porque estamos preocupados com o acesso das pessoas a esses tr\u00eas fatores. \u00c9 essencial que elas sejam levadas em conta j\u00e1 no primeiro dia dos projetos\u201d, disse\u00a0, professor visitante da Unicamp e professor da Michigan State University, durante a palestra.<\/p>\n<p>Moran coordena projeto de pesquisa com apoio da FAPESP, no \u00e2mbito da modalidade S\u00e3o Paulo Excellence Chair (), que examina o impacto social e ambiental da constru\u00e7\u00e3o da usina hidrel\u00e9trica de Belo Monte, pr\u00f3xima \u00e0 cidade de Altamira, no Par\u00e1.<\/p>\n<p>\u201cNo caso de Belo Monte, se as pessoas fossem levadas em considera\u00e7\u00e3o j\u00e1 no primeiro dia do projeto, talvez nem tivessem constru\u00eddo a hidrel\u00e9trica, ou provavelmente dariam mais tempo para que o munic\u00edpio pudesse se preparar para os impactos que efetivamente sofreu. Haveria uma avalia\u00e7\u00e3o mais cuidadosa do impacto da usina na pesca, seriam constru\u00eddos mais hospitais, escolas e haveria mais policiais antes de come\u00e7ar a obra\u201d, disse Moran \u00e0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>Moran critica o fato de ser relativamente comum as pesquisas n\u00e3o levarem em conta o lado humano. \u201cPor isso, meu objetivo nessa Escola S\u00e3o Paulo de Ci\u00eancia Avan\u00e7ada foi conscientizar o grupo sobre as dimens\u00f5es humanas. \u00c9 preciso haver um esfor\u00e7o em integrar a comunidade social ao estudo da tr\u00edade \u00e1gua-alimento-energia\u201d, disse.<\/p>\n<p>Um exemplo concreto, segundo Barbosa, de que projetos que envolvam o nexo \u00e1gua, energia e alimento conferem maior efici\u00eancia pode ser sentido no Nordeste do Brasil. \u201cO fato de a regi\u00e3o ter mudado o perfil regional da matriz el\u00e9trica, expandindo as e\u00f3licas nos \u00faltimos quatro anos, foi muito importante para o enfrentamento da seca e reduzir o estresse h\u00eddrico da seca severa e prolongada dos \u00faltimos tr\u00eas anos\u201d, disse \u00e0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador, existem iniciativas que podem atuar nas tr\u00eas dimens\u00f5es (\u00e1gua, energia e alimento). \u201c\u00c9 o meio que a comunidade cient\u00edfica internacional tem encontrado para pesquisa e tamb\u00e9m para propor pol\u00edticas p\u00fablicas\u201d, disse.<\/p>\n<p>Ainda sobre o exemplo do nexo ocorrido no Nordeste, Barbosa destaca que a expans\u00e3o em energia e\u00f3lica poupou cerca de 40% do volume de \u00e1gua dispon\u00edvel nos reservat\u00f3rios das usinas hidrel\u00e9tricas do rio S\u00e3o Francisco durante a seca de 2014 e 2015.<\/p>\n<p>\u201cEstima-se que, em 12 meses, foi poupado das hidrel\u00e9tricas cerca de 40% do volume total de \u00e1gua. Portanto, sem a expans\u00e3o el\u00e9trica, haveria falta de luz, ou preju\u00edzo ainda mais grave aos outros usos de \u00e1gua para a irriga\u00e7\u00e3o e abastecimento de \u00e1gua nas cidades\u201d, disse.<\/p>\n<p>Para a estudante Paula Prado Siqueira, mestranda na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e uma das alunas da Escola, participar do evento \u00e9 uma \u00f3tima oportunidade de se integrar com o que est\u00e1 sendo estudado de mais avan\u00e7ado em outras universidades e outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>Siqueira desenvolve projeto tamb\u00e9m no Nordeste. \u201cEstudo o nexo na bacia do rio S\u00e3o Francisco e l\u00e1 tamb\u00e9m n\u00e3o tem como fugir de um conflito entre esses tr\u00eas aspectos. Se n\u00e3o houver um n\u00edvel m\u00ednimo nos reservat\u00f3rios, n\u00e3o tem produ\u00e7\u00e3o de energia. Se n\u00e3o chover e tiver \u00e1gua, ou se a \u00e1gua estiver sendo usada para irriga\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tem mais produ\u00e7\u00e3o de energia\u201d, disse.<\/p>\n<p>Mais informa\u00e7\u00f5es sobre a Escola S\u00e3o Paulo de Ci\u00eancia Avan\u00e7ada no Nexo \u00c1gua, Alimento e Energia:\u00a0.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Fernanda Ziegler\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Entre os principais problemas do mundo que ainda n\u00e3o t\u00eam solu\u00e7\u00e3o est\u00e1 a necessidade de maior acesso \u00e0 \u00e1gua, alimento e energia. A quest\u00e3o \u00e9 resultado de fatores como crescimento populacional, urbaniza\u00e7\u00e3o, altera\u00e7\u00e3o no padr\u00e3o alimentar e, \u00e9 claro, das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. 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