{"id":155571,"date":"2018-10-17T23:55:50","date_gmt":"2018-10-18T02:55:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=155571"},"modified":"2018-10-17T22:17:27","modified_gmt":"2018-10-18T01:17:27","slug":"pesquisas-buscam-melhores-formas-de-usar-a-biomassa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2018\/pesquisas-buscam-melhores-formas-de-usar-a-biomassa\/155571","title":{"rendered":"Pesquisas buscam melhores formas de usar a biomassa"},"content":{"rendered":"<p> Heitor Shimizu, de Bruxelas\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 <strong><em>Desenvolvimento sustent\u00e1vel<\/em><\/strong> \u00e9 \u201co desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gera\u00e7\u00f5es futuras de suprir suas pr\u00f3prias necessidades\u201d, de acordo com o Relat\u00f3rio Brundtland, publicado em 1987 pela Comiss\u00e3o Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento.<\/p>\n<p>O mesmo relat\u00f3rio, intitulado Nosso Futuro Comum, sugere uma s\u00e9rie de medidas a serem tomadas pelos pa\u00edses para promover o desenvolvimento sustent\u00e1vel, entre elas o desenvolvimento de tecnologias com uso de fontes energ\u00e9ticas renov\u00e1veis.<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 um dos pa\u00edses que mais usam fontes energ\u00e9ticas renov\u00e1veis e, al\u00e9m disso, n\u00e3o depende tanto do petr\u00f3leo para seus ve\u00edculos como os demais pa\u00edses. O motivo \u00e9 o uso de biocombust\u00edveis, especialmente o etanol, feito \u00e0 base do caldo extra\u00eddo da cana-de-a\u00e7\u00facar. Mas h\u00e1 outro tipo de etanol de potencial imenso, o etanol celul\u00f3sico, obtido do baga\u00e7o e da palha da cana \u2013 tamb\u00e9m chamado de etanol de segunda gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O etanol celul\u00f3sico \u00e9 um dos mais importantes exemplos do uso de biomassa lignocelul\u00f3sica para produ\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis l\u00edquidos renov\u00e1veis.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um consenso que uma economia sustent\u00e1vel depender\u00e1 de uma multiplicidade de fontes de energia, mas a biomassa ir\u00e1 desempenhar um papel importante\u201d, disse\u00a0, professor titular no Departamento de Engenharia Qu\u00edmica da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar), na\u00a0, realizada nas cidades de Bruxelas, Li\u00e8ge e Leuven de 8 a 10 de outubro de 2018.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m disso, as biorrefinarias ter\u00e3o de produzir mol\u00e9culas e mon\u00f4meros [que se combinam na forma\u00e7\u00e3o de pol\u00edmeros] para substituir os derivados do petr\u00f3leo. No entanto, uma lacuna importante ainda precisa ser superada: como fazer essa transi\u00e7\u00e3o na economia real?\u201d, disse Giordano, que dirige o Laborat\u00f3rio de Desenvolvimento e Automa\u00e7\u00e3o de Bioprocessos, e falou no evento sobre a contribui\u00e7\u00e3o da engenharia de processos e sistemas para viabilizar o uso da biomassa em uma economia de baixo carbono.<\/p>\n<p>Segundo Giordano, muito trabalho ainda deve ser feito em duas vertentes: o desenvolvimento de bioprocessos avan\u00e7ados e o desenvolvimento de ferramentas computacionais que \u201capoiem a an\u00e1lise de viabilidade tecno-econ\u00f4mica-ambiental desde o in\u00edcio da pesquisa de processos produtivos com baixo impacto de carbono\u201d.<\/p>\n<p>Ambos os aspectos est\u00e3o sendo abordados por um grupo interinstitucional de oito laborat\u00f3rios reunidos no Projeto Tem\u00e1tico\u00a0\u201c\u201d, coordenado por Giordano e que integra o Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia ().<\/p>\n<p>\u201cO projeto se prop\u00f5e a enfrentar desafios tecnol\u00f3gicos colocados por uma nova concep\u00e7\u00e3o de biorrefinaria integrada, aproveitando sinergias entre os processos de produ\u00e7\u00e3o dos dois mais importantes biocombust\u00edveis no contexto brasileiro: bioetanol de primeira e segunda gera\u00e7\u00f5es, a partir da cana-de-a\u00e7\u00facar, e biodiesel, a partir de \u00f3leos vegetais e, tamb\u00e9m, de fonte microbiana\u201d, disse.<\/p>\n<p>\u201cPara tanto, reunimos pesquisadores com larga experi\u00eancia na \u00e1rea, de v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es do Estado de S\u00e3o Paulo. Biocombust\u00edveis l\u00edquidos de fontes renov\u00e1veis s\u00e3o a espinha dorsal dessa biorrefinaria, baseada em rotas bioqu\u00edmicas, mas mol\u00e9culas de maior valor agregado tamb\u00e9m t\u00eam sua produ\u00e7\u00e3o estudada\u201d, disse.<\/p>\n<p>O Projeto Tem\u00e1tico re\u00fane v\u00e1rias linhas de pesquisa, como: S\u00edntese, otimiza\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise tecno-econ\u00f4mica-ambiental integrada \u00e0 simula\u00e7\u00e3o da refinaria de bioetanol; Obten\u00e7\u00e3o de biomol\u00e9culas de valor agregado a partir de subprodutos dos processos de produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edveis ou da biomassa presente na biorrefinaria; e Integra\u00e7\u00e3o dos processos de produ\u00e7\u00e3o de etanol de segunda gera\u00e7\u00e3o e do biodiesel et\u00edlico usando subprodutos da produ\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis como mat\u00e9ria-prima.<\/p>\n<p>Fungos que gostam do calor<\/p>\n<p>A biomassa \u00e9 uma fonte abundante de polissacar\u00eddeos \u2013 carboidratos compostos por mol\u00e9culas de a\u00e7\u00facares menores \u2013 como a celulose, que podem ser utilizados como mat\u00e9ria-prima renov\u00e1vel para a produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edveis (como o etanol de segunda gera\u00e7\u00e3o) e de compostos de qu\u00edmica verde (fertilizantes), entre outros.<\/p>\n<p>\u201cO problema \u00e9 que a convers\u00e3o desses polissacar\u00eddeos em a\u00e7\u00facares que podem ser fermentados por via enzim\u00e1tica ainda \u00e9 um processo lento e de alto custo\u201d, disse\u00a0, professor na Escola de Engenharia de Lorena da Universidade de S\u00e3o Paulo, na FAPESP Week Belgium.<\/p>\n<p>Segato falou no evento em Bruxelas sobre o uso de enzimas produzidas por fungos que sobrevivem a temperaturas elevadas na produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facares a partir da biomassa lignocelul\u00f3sica, composta de lignina, hemicelulose e celulose.<\/p>\n<p>\u201cA produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edveis e de outros compostos qu\u00edmicos a partir de materiais renov\u00e1veis como a biomassa lignocelul\u00f3sica \u00e9 dif\u00edcil, principalmente por causa de sua resist\u00eancia, o que dificulta a sua desconstru\u00e7\u00e3o. Essa resist\u00eancia \u00e9 devida principalmente \u00e0 presen\u00e7a da lignina contida na parede celular da planta\u201d, disse.<\/p>\n<p>A lignina \u00e9 uma macromol\u00e9cula encontrada nas plantas terrestres. Est\u00e1 associada \u00e0 hemicelulose e \u00e0 celulose na parede celular e tem a fun\u00e7\u00e3o de conferir rigidez, impermeabilidade e resist\u00eancia a ataques biol\u00f3gicos e mec\u00e2nicos aos tecidos vegetais.<\/p>\n<p>\u201cA lignina pode ser quebrada ou removida da parede celular da planta por tratamentos com custo elevado e que necessitam de produtos qu\u00edmicos, altas temperaturas e alta press\u00e3o. A lignina na biomassa lignocelul\u00f3sica \u00e9 resistente ao ataque de microrganismos, mas alguns fungos produzem enzimas que podem degradar a lignina\u201d, disse.<\/p>\n<p>Por conta disso, o grupo do professor Segato investiga o uso de enzimas produzidas por fungos termof\u00edlicos (ou term\u00f3filos) na degrada\u00e7\u00e3o de lignina. Esses microrganismos s\u00e3o capazes de sobreviver a temperaturas elevadas, acima de 45 \u00b0C. Alguns desses fungos (hipertermof\u00edlicos) podem resistir a temperaturas pr\u00f3ximas a 70 \u00b0C. Dentre as principais esp\u00e9cies de fungos estudadas pelos pesquisadores est\u00e3o\u00a0Aspergillus niveus\u00a0(recentemente reclassificado como\u00a0A. fumigatus var niveus) e\u00a0Myceliophthora thermophila.<\/p>\n<p>A pesquisa tem\u00a0\u00a0e \u00e9 conduzida em colabora\u00e7\u00e3o com cientistas da USP, do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), da Universidade Estadual Paulista (Unesp), da University of Nebraska em Lincoln (UNL), onde Segato foi professor visitante, e da Oklahoma State University (OSU).<\/p>\n<p>Segundo Segato, mecanismos para degradar materiais lignocelul\u00f3sicos foram identificados a partir da an\u00e1lise do transcriptoma (conjunto de RNAs de um organismo, \u00f3rg\u00e3o, tecido ou linhagem celular) e do secretoma (conjunto de prote\u00ednas secretadas) de fungos termof\u00edlicos. \u201cAl\u00e9m disso, foi verificado um aumento de at\u00e9 2,5 vezes na atividade de sacarifica\u00e7\u00e3o da biomassa, quando os extratos enzim\u00e1ticos de diferentes esp\u00e9cies foram misturados\u201d, disse.<\/p>\n<p>\u201cEsses resultados levaram o nosso grupo a investigar enzimas que poderiam estar agindo em conjunto para melhorar a sacarifica\u00e7\u00e3o da biomassa lignocelul\u00f3sica. Para isso, utilizamos t\u00e9cnicas de an\u00e1lise de alta taxa de produ\u00e7\u00e3o, biologia molecular e express\u00e3o heter\u00f3loga de prote\u00ednas como ferramentas para compreender melhor a intera\u00e7\u00e3o enzim\u00e1tica que levou a aumentar a sacarifica\u00e7\u00e3o de biomassa lignocelul\u00f3sica\u201d, disse.<\/p>\n<p>Realizada no Centro Belga de Hist\u00f3rias em Quadrinhos, a FAPESP Week Belgium foi organizada pela FAPESP em conjunto com as organiza\u00e7\u00f5es belgas F.R.S.-FNRS, o Departamento de Economia, Ci\u00eancia e Inova\u00e7\u00e3o (EWI), a Funda\u00e7\u00e3o de Pesquisa \u2013 Flanders (FWO) e a Wallonie-Brussels International (WBI).<\/p>\n<p>Mais informa\u00e7\u00f5es:\u00a0.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Heitor Shimizu, de Bruxelas\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Desenvolvimento sustent\u00e1vel \u00e9 \u201co desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gera\u00e7\u00f5es futuras de suprir suas pr\u00f3prias necessidades\u201d, de acordo com o Relat\u00f3rio Brundtland, publicado em 1987 pela Comiss\u00e3o Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. 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