{"id":151802,"date":"2018-09-13T23:21:17","date_gmt":"2018-09-14T02:21:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=151802"},"modified":"2018-09-13T23:21:17","modified_gmt":"2018-09-14T02:21:17","slug":"a-influencia-da-brisa-maritima-no-clima-da-grande-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2018\/a-influencia-da-brisa-maritima-no-clima-da-grande-sao-paulo\/151802","title":{"rendered":"A influ\u00eancia da brisa mar\u00edtima no clima da Grande S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<p> Chlo\u00e9 Pinheiro\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Ao subir a serra, a brisa que vem do litoral pode mitigar as ilhas de calor que se formam na Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo, al\u00e9m de interferir na qualidade do ar ao promover temporariamente a dispers\u00e3o dos <strong><em>poluentes acumulados na atmosfera<\/em><\/strong>. \u00c9 o que indica um estudo publicado\u00a0na revista\u00a0e conduzido por Fl\u00e1via Noronha Dutra Ribeiro, docente do curso de Gest\u00e3o Ambiental na Escola de Artes, Ci\u00eancias e Humanidades da Universidade de S\u00e3o Paulo (EACH-USP). O trabalho teve\u00a0.<\/p>\n<p>As circula\u00e7\u00f5es termicamente dirigidas provenientes de lagos, mares e montanhas ajudam a determinar n\u00e3o s\u00f3 o clima, mas a qualidade do ar das \u00e1reas urbanas pr\u00f3ximas.<\/p>\n<p>O foco da pesquisa coordenada por Ribeiro \u00e9 entender a propaga\u00e7\u00e3o da brisa mar\u00edtima na Camada Limite Planet\u00e1ria (CLP), a faixa de ar mais pr\u00f3xima da superf\u00edcie, da Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo e seus efeitos locais.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 esperado que a brisa traga um ar mais \u00famido e um pouco mais frio da costa, mas havia poucas informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis sobre o impacto real dela no perfil vertical da atmosfera\u201d, disse Ribeiro, que tamb\u00e9m \u00e9 pesquisadora e orientadora do programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Sustentabilidade na EACH-USP.<\/p>\n<p>A CLP \u00e9 a camada mais pr\u00f3xima do solo da troposfera, \u00faltima camada da atmosfera, faixa gasosa que envolve a Terra e mant\u00e9m a temperatura e o clima do planeta, al\u00e9m de filtrar os raios ultravioleta. A CLP \u00e9 importante para o clima local, pois \u00e9 respons\u00e1vel pela troca de calor e umidade entre a superf\u00edcie e a atmosfera.<\/p>\n<p>Ribeiro explica que a CLP recebe a interfer\u00eancia direta do que ocorre na superf\u00edcie, como a capacidade de o solo refletir ou absorver o calor gerado pela radia\u00e7\u00e3o solar, tr\u00e1fego automotivo, ind\u00fastria, densidade demogr\u00e1fica e emiss\u00e3o de poluentes.<\/p>\n<p>E \u00e9 justamente nessa camada que se formam as ilhas de calor, anomalia t\u00e9rmica que torna o ambiente urbano mais quente e seco do que as zonas rurais, que cont\u00eam mais vegeta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cComo j\u00e1 temos uma regi\u00e3o mais quente, o calor antropog\u00eanico \u2013 promovido por atividades humanas \u2013 tende a criar movimentos ascendentes na atmosfera e gerar uma circula\u00e7\u00e3o maior de ilhas de calor\u201d, disse a pesquisadora.<\/p>\n<p>Nas cidades, o ar \u00e9 convergido para o centro, o que intensifica o efeito do fen\u00f4meno. E \u00e9 esse fen\u00f4meno que acelera a propaga\u00e7\u00e3o da brisa que, por sua vez, resfria o ar local.<\/p>\n<p>\u201cEm S\u00e3o Paulo, a chegada da brisa mar\u00edtima \u00e9 muito positiva, pois deixa a temperatura um pouco mais baixa, o clima mais \u00famido e o ar menos polu\u00eddo\u201d, disse Ribeiro.<\/p>\n<p>O efeito, contudo, \u00e9 tempor\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u201cA chegada da brisa provoca uma invers\u00e3o t\u00e9rmica que deixa a CLP mais est\u00e1vel, agindo como uma esp\u00e9cie de tampa na atmosfera. Assim, embora o ar limpo chegue, os poluentes continuam sendo emitidos e n\u00e3o conseguem se dispersar na vertical como deveria ocorrer\u201d, disse a pesquisadora.<\/p>\n<p>Brisas frequentes<\/p>\n<p>O estudo utilizou medi\u00e7\u00f5es feitas no projeto\u00a0, conduzido em 2013 na USP por Amauri Pereira de Oliveira, que realizou sondagens na regi\u00e3o metropolitana em diversos hor\u00e1rios do dia por meio de uma radiossonda.<\/p>\n<p>O equipamento forneceu o perfil vertical de temperatura, umidade relativa do ar e velocidade do vento. Depois, os dados foram analisados com o modelo atmosf\u00e9rico Weather Research and Forecast (WRF).<\/p>\n<p>\u201cTrata-se de um modelo num\u00e9rico computacional usado para previs\u00e3o do tempo e pesquisa, que simula a intera\u00e7\u00e3o entre superf\u00edcie e atmosfera e permite a an\u00e1lise da circula\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica\u201d, explica Ribeiro, que comparou o clima no topo do plat\u00f4 da Serra do Mar e de outros pontos da \u00e1rea urbana para calcular a propaga\u00e7\u00e3o da brisa.<\/p>\n<p>\u201cPelas simula\u00e7\u00f5es do modelo vimos que, mesmo no dia em que n\u00e3o havia brisa na cidade, havia um ar mais frio na esta\u00e7\u00e3o que ficava no final da serra\u201d, disse.<\/p>\n<p>Para a an\u00e1lise, os pesquisadores escolheram duas ocorr\u00eancias de brisa mar\u00edtima na regi\u00e3o metropolitana, uma durante o inverno e outra no ver\u00e3o, mas o fen\u00f4meno n\u00e3o \u00e9 raro.<\/p>\n<p>\u201cOutros estudos j\u00e1 haviam demonstrado que a brisa mar\u00edtima chega a S\u00e3o Paulo pelo menos em metade dos dias do ano. E, agora, confirmamos que ela sobe a serra quase todos os dias, mas depende de condi\u00e7\u00f5es sin\u00f3ticas [sistemas de ventos] para atingir a \u00e1rea urbana\u201d, disse Ribeiro.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a t\u00e3o marcante da brisa mesmo a cerca de 700 metros de altitude e 50 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia terrestre \u00e9 proporcionada pela topografia da Serra do Mar, que impulsiona a brisa mar\u00edtima.<\/p>\n<p>\u201cEla se estabelece na costa, mas \u00e9 propagada com a ajuda da circula\u00e7\u00e3o vale-montanha. Por conta da brisa de montanha, conforme a brisa mar\u00edtima sobe, esfria ainda mais, e, quando atinge o topo, essa diferen\u00e7a t\u00e9rmica provoca a movimenta\u00e7\u00e3o do ar em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 cidade\u201d, explicou Ribeiro.<\/p>\n<p>Os pesquisadores agora analisar\u00e3o o efeito da brisa mar\u00edtima na qualidade do ar da regi\u00e3o metropolitana com outro modelo num\u00e9rico, o Community Multiscale Air Quality (CMAQ), que analisa a evolu\u00e7\u00e3o da concentra\u00e7\u00e3o de poluentes na atmosfera, al\u00e9m de seguir usando o modelo WRF para verificar a influ\u00eancia dela em outras \u00e9pocas do ano.<\/p>\n<p>Outro objetivo do grupo \u00e9 avan\u00e7ar no conhecimento das ilhas de calor. \u201cFaremos uma simula\u00e7\u00e3o de 10 anos de dados sobre as ilhas de calor em S\u00e3o Paulo durante o m\u00eas de janeiro, para comparar o comportamento delas em diversas situa\u00e7\u00f5es sin\u00f3ticas\u201d, disse Ribeiro.<\/p>\n<p>O grupo pretende verificar, por exemplo, como as ilhas de calor respondem \u00e0s massas de ar maiores do que a brisa mar\u00edtima, como a frente fria.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0Effect of sea breeze propagation on the urban boundary layer of the metropolitan region of S\u00e3o Paulo, Brazil, de Fl\u00e1via N. D. Ribeiro, Amauri P. de Oliveira, Jacyra Soares Regina M. de Miranda, Michael Barlage e Fei Chen, pode ser lido em:\u00a0. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Chlo\u00e9 Pinheiro\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Ao subir a serra, a brisa que vem do litoral pode mitigar as ilhas de calor que se formam na Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo, al\u00e9m de interferir na qualidade do ar ao promover temporariamente a dispers\u00e3o dos poluentes acumulados na atmosfera. \u00c9 o que indica um estudo publicado\u00a0na revista\u00a0e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":148155,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_genesis_hide_title":false,"_genesis_hide_breadcrumbs":false,"_genesis_hide_singular_image":false,"_genesis_hide_footer_widgets":false,"_genesis_custom_body_class":"","_genesis_custom_post_class":"","_genesis_layout":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[22,388],"tags":[],"class_list":{"0":"post-151802","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-brasil","8":"category-destaques","9":"entry","10":"gs-1","11":"gs-odd","12":"gs-even","13":"gs-featured-content-entry"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/previsao-tempo-regiao.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/151802","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=151802"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/151802\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/148155"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=151802"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=151802"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=151802"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}