{"id":150529,"date":"2018-08-31T00:02:15","date_gmt":"2018-08-31T03:02:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=150529"},"modified":"2018-08-30T22:30:37","modified_gmt":"2018-08-31T01:30:37","slug":"as-razoes-da-queda-na-vacinacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2018\/as-razoes-da-queda-na-vacinacao\/150529","title":{"rendered":"As raz\u00f5es da queda na vacina\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p> Ricardo Zorzetto\u00a0 |\u00a0 Pesquisa FAPESP\u00a0&#8212; Em agosto, o Brasil iniciou uma campanha de <strong><em>vacina\u00e7\u00e3o infantil<\/em><\/strong> em massa contra o sarampo e a poliomielite em meio a um quadro que causa apreens\u00e3o. As taxas de imuniza\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as contra 17 doen\u00e7as \u2013 entre elas o sarampo \u2013 atingiram em 2017 os n\u00edveis mais baixos em muitos anos.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e especialistas em imunologia, epidemiologia e sa\u00fade p\u00fablica ouvidos pela reportagem enumeram nove raz\u00f5es para explicar a queda abrupta nos n\u00fameros. Os motivos v\u00e3o da percep\u00e7\u00e3o enganosa de parte da popula\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o \u00e9 preciso vacinar porque as doen\u00e7as desapareceram a problemas com o sistema informatizado de registro de vacina\u00e7\u00e3o. Todas s\u00e3o causas plaus\u00edveis e prov\u00e1veis e possivelmente atuam em conjunto. Elas, por\u00e9m, ainda n\u00e3o foram quantificadas, o que ajudaria a identificar e a executar a\u00e7\u00f5es complementares \u00e0s campanhas de vacina\u00e7\u00e3o para resgatar os n\u00edveis de imuniza\u00e7\u00e3o elevados do passado.<\/p>\n<p>Uma consequ\u00eancia da redu\u00e7\u00e3o no n\u00famero de crian\u00e7as vacinadas se tornou evidente com o surto de sarampo em Roraima e no Amazonas. A taxa de cobertura da tr\u00edplice viral, que protege da doen\u00e7a e alcan\u00e7ava 96% das crian\u00e7as em 2015, baixou para 84% em 2017 e abriu caminho para o retorno da infec\u00e7\u00e3o ao pa\u00eds.<\/p>\n<p>Transmitido pelo ar, seu causador \u2013 um v\u00edrus do g\u00eanero\u00a0Morbilivirus\u00a0\u2013 provoca febre alta, mal-estar, tosse persistente, conjuntivite e deixa manchas vermelhas pelo corpo. Ele ataca as c\u00e9lulas do sistema imunol\u00f3gico e reduz por um per\u00edodo longo as defesas do organismo, favorecendo a ocorr\u00eancia de infec\u00e7\u00f5es secund\u00e1rias que podem matar. O v\u00edrus do sarampo havia sido eliminado do Brasil em 2016 e voltou agora via Venezuela. De fevereiro a 23 de julho, deixou 822 pessoas doentes \u2013 foram 272 casos em Roraima, 519 no Amazonas, 14 no Rio de Janeiro, 13 no Rio Grande do Sul, 2 no Par\u00e1, 1 em S\u00e3o Paulo e 1 em Rond\u00f4nia \u2013 e causou cinco mortes.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade reconhece a gravidade do problema. A soci\u00f3loga e epidemiologista Carla Domingues, coordenadora-geral do Programa Nacional de Imuniza\u00e7\u00f5es (PNI) do minist\u00e9rio, afirmou em um evento realizado em 26 de julho no Instituto de Infectologia Em\u00edlio Ribas, na cidade de S\u00e3o Paulo, que o surto atual de sarampo \u201cevidencia nossas inadequadas coberturas vacinais e a urgente necessidade de melhor\u00e1-las\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da queda na aplica\u00e7\u00e3o da tr\u00edplice viral, que tamb\u00e9m previne contra caxumba e rub\u00e9ola, dados divulgados em junho pelo minist\u00e9rio mostraram redu\u00e7\u00e3o importante em 2016 e 2017 na aplica\u00e7\u00e3o de outros nove imunizantes indicados para o primeiro ano de vida. Essas 10 vacinas est\u00e3o dispon\u00edveis gratuitamente nas unidades do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) e protegem de 17 doen\u00e7as causadas por v\u00edrus e bact\u00e9rias que, at\u00e9 40 anos atr\u00e1s, matavam todo ano milhares de pessoas no Brasil ou deixavam parte com danos irrevers\u00edveis.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s permanecer elevada por mais de uma d\u00e9cada para alguns imunizantes, a cobertura de seis vacinas despencou de 18 a 21 pontos percentuais em 2017, em compara\u00e7\u00e3o com 2015. Como resultado, 23% dos quase 3 milh\u00f5es de crian\u00e7as que nasceram ou completaram 1 ano em 2017 n\u00e3o haviam recebido prote\u00e7\u00e3o completa contra o v\u00edrus da poliomielite, que pode provocar paralisia permanente nas pernas e nos bra\u00e7os.<\/p>\n<p>Uma propor\u00e7\u00e3o semelhante ficou suscet\u00edvel aos v\u00edrus das hepatites A e B, que lesam o f\u00edgado, e a bact\u00e9rias associadas a infec\u00e7\u00f5es graves, como t\u00e9tano, difteria, pert\u00fassis (coqueluche) e meningite. S\u00f3 a vacina BCG, que estimula a produ\u00e7\u00e3o de defesas contra bact\u00e9rias que causam formas graves de tuberculose e \u00e9 aplicada em dose \u00fanica nas maternidades, atingiu os n\u00edveis de imuniza\u00e7\u00e3o recomendados pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS). A cobertura recomendada \u00e9 de 90% para a BCG e a vacina contra o rotav\u00edrus, causador de diarreia severa. Para os demais imunizantes, \u00e9 de 95%.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma redu\u00e7\u00e3o alarmante\u201d, afirma o imunologista Jorge Kalil Filho, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e membro do Comit\u00ea T\u00e9cnico Assessor em Imuniza\u00e7\u00f5es (CTAI), \u00f3rg\u00e3o consultivo do minist\u00e9rio que avalia as estrat\u00e9gias do PNI e orienta mudan\u00e7as no calend\u00e1rio vacinal.<\/p>\n<p>\u201cO programa brasileiro \u00e9 um dos mais bem-sucedidos do mundo. \u00c9 muito ruim para a imagem internacional do pa\u00eds deixar as taxas de cobertura, que eram pr\u00f3ximas de 95%, ca\u00edrem para cerca de 80%\u201d, afirma o pediatra Alexander Precioso, diretor de ensaios cl\u00ednicos e farmacovigil\u00e2ncia do Instituto Butantan, uma das institui\u00e7\u00f5es que produzem no pa\u00eds vacinas, soros e outros compostos imunobiol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0\u00a0Pesquisa FAPESP\u00a0em 13 de julho, Carla Domingues relatou que, al\u00e9m do sarampo, outra preocupa\u00e7\u00e3o atual \u00e9 o risco de retorno da poliomielite. \u201cA notifica\u00e7\u00e3o de um poss\u00edvel caso de paralisia causada pelo v\u00edrus da p\u00f3lio na Venezuela em abril causou um susto\u201d, contou. Exames posteriores descartaram, em princ\u00edpio, o v\u00edrus como causador da paralisia em um garoto de 2 anos e 9 meses, segundo boletim de junho da Organiza\u00e7\u00e3o Pan-americana da Sa\u00fade (Opas).<\/p>\n<p>Ainda assim, h\u00e1 motivos para inquieta\u00e7\u00e3o. Os n\u00fameros do minist\u00e9rio indicam que a propor\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as brasileiras imunizadas em 2017 contra a poliomielite \u00e9 a mais baixa desde 2000: em m\u00e9dia, 77% delas receberam as tr\u00eas doses injet\u00e1veis indicadas para o primeiro ano de vida. \u201c\u00c9 um problema nacional. A meta de vacina\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi alcan\u00e7ada em 22 das 27 unidades da federa\u00e7\u00e3o\u201d, afirma a coordenadora do PNI. Mais grave: 312 munic\u00edpios brasileiros (44 paulistas) estavam com menos da metade das crian\u00e7as imunizadas.<\/p>\n<p>Leia a not\u00edcia completa em:\u00a0.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ricardo Zorzetto\u00a0 |\u00a0 Pesquisa FAPESP\u00a0&#8212; Em agosto, o Brasil iniciou uma campanha de vacina\u00e7\u00e3o infantil em massa contra o sarampo e a poliomielite em meio a um quadro que causa apreens\u00e3o. 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