{"id":149959,"date":"2018-08-25T16:06:55","date_gmt":"2018-08-25T19:06:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=149959"},"modified":"2018-08-25T16:07:07","modified_gmt":"2018-08-25T19:07:07","slug":"motores-da-epidemia-de-obesidade-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2018\/motores-da-epidemia-de-obesidade-no-brasil\/149959","title":{"rendered":"Motores da epidemia de obesidade no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/saude-corrida-150x112.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"112\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-148274\" srcset=\"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/saude-corrida-150x112.jpg 150w, https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/saude-corrida-265x198.jpg 265w, https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/saude-corrida-485x360.jpg 485w\" sizes=\"auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/>Elton Alisson\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Se o ritmo atual de crescimento da <em><strong>obesidade<\/strong><\/em> no Brasil for mantido, o pa\u00eds poder\u00e1 apresentar em 2020 uma tend\u00eancia de preval\u00eancia semelhante \u00e0 dos Estados Unidos e do M\u00e9xico, com excesso de peso em 35% da popula\u00e7\u00e3o. A avalia\u00e7\u00e3o foi feita por pesquisadores participantes do evento com o tema \u201cObesidade\u201d no Ciclo de Palestras ILP-FAPESP, realizado no dia 20 de agosto na Assembleia Legislativa do Estado de S\u00e3o Paulo (Alesp).<\/p>\n<p>A preval\u00eancia de obesidade no Brasil se intensificou a partir dos anos 2000 e mudan\u00e7as no padr\u00e3o alimentar da popula\u00e7\u00e3o contribuem para a escalada do problema. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, o brasileiro passou a substituir alimentos tradicionais, como arroz, feij\u00e3o e salada, por prepara\u00e7\u00f5es ultraprocessadas.<\/p>\n<p>\u201cHouve uma intensifica\u00e7\u00e3o de um ambiente alimentar obesog\u00eanico [que causa obesidade] que influenciou o estilo de vida e contribuiu para o aumento do problema no pa\u00eds\u201d, disse\u00a0, professora do Departamento de Nutri\u00e7\u00e3o da Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica da Universidade de S\u00e3o Paulo (FSP-USP).<\/p>\n<p>De acordo com a mais recente Pesquisa Nacional de Sa\u00fade publicada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), 20,8% da popula\u00e7\u00e3o adulta brasileira \u2013 26 milh\u00f5es de pessoas \u2013 est\u00e1 obesa. A preval\u00eancia desse problema de sa\u00fade tem sido registrada em todas as faixas et\u00e1rias e n\u00edveis de renda e em maior propor\u00e7\u00e3o em mulheres do que homens.<\/p>\n<p>A fim de entender melhor a rela\u00e7\u00e3o do aumento da preval\u00eancia da obesidade com a alimenta\u00e7\u00e3o, cientistas do N\u00facleo de Pesquisas Epidemiol\u00f3gicas em Nutri\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade da USP (Nupens), do qual Constante Jaime faz parte, estudaram o padr\u00e3o alimentar do brasileiro nas \u00faltimas d\u00e9cadas a partir da Pesquisa de Or\u00e7amentos Familiares do IBGE.<\/p>\n<p>A mais recente edi\u00e7\u00e3o da pesquisa \u2013 que \u00e9 realizada a cada 10 anos \u2013, publicada em 2009, indicou que o brasileiro tem consumido menos arroz, feij\u00e3o, carne, leite, a\u00e7\u00facar, \u00f3leos e gorduras, em troca de mais p\u00e3es, biscoitos, refrigerantes e outros grupos de alimentos. Mas a constata\u00e7\u00e3o de que tem diminu\u00eddo o consumo de a\u00e7\u00facar, \u00f3leos e gorduras \u2013 nutrientes relacionados ao desenvolvimento da obesidade \u2013 intrigou os integrantes do Nupens.<\/p>\n<p>\u201cSe tem diminu\u00eddo o consumo desses nutrientes e a obesidade no Brasil est\u00e1 aumentando, algo n\u00e3o fazia sentido na interpreta\u00e7\u00e3o desse fen\u00f4meno\u201d, disse Constante Jaime.<\/p>\n<p>Os pesquisadores passaram a analisar a alimenta\u00e7\u00e3o a partir do paradigma do n\u00edvel de processamento dos alimentos e n\u00e3o mais de nutrientes. A an\u00e1lise da dieta por esse ponto de vista indicou diminui\u00e7\u00e3o no consumo de alimentos b\u00e1sicos e aumento no de ultraprocessados.<\/p>\n<p>Ultraprocessados s\u00e3o formula\u00e7\u00f5es industriais com ingredientes derivados de alimentos, como prote\u00edna texturizada da soja, adicionada com aditivos para conferir mais sabor, textura e aroma. Estudos feitos com\u00a0\u00a0mostraram que esses produtos respondem por 20% das calorias totais da dieta dos brasileiros.<\/p>\n<p>\u201cOs produtos aliment\u00edcios ultraprocessados n\u00e3o s\u00e3o alimentos industrializados, mas formula\u00e7\u00f5es industriais. Eles passam por uma s\u00e9rie de processos que fazem com que n\u00e3o seja poss\u00edvel identificar sua matriz alimentar e contribuem mais para o aumento do consumo de a\u00e7\u00facar e gorduras, saturadas e trans\u201d, disse Constante Jaime.<\/p>\n<p>Os produtos aliment\u00edcios ultraprocessados, segundo a pesquisadora, s\u00e3o hiperpalat\u00e1veis \u2013 concentram sabores que s\u00e3o agrad\u00e1veis e os tornam irresist\u00edveis \u2013, promovem a adi\u00e7\u00e3o de consumo de ingredientes como o a\u00e7\u00facar e alteram o processo natural de controle da saciedade. \u201cH\u00e1 estudos que mostram que essas formula\u00e7\u00f5es industriais causam altera\u00e7\u00f5es nos mecanismos neurol\u00f3gicos relacionados \u00e0 saciedade\u201d, disse.<\/p>\n<p>Gordura, neur\u00f4nios e melatonina<\/p>\n<p>Na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), cientistas do Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades () \u2013 um\u00a0\u00a0apoiado pela FAPESP \u2013 t\u00eam constatado que uma dieta rica em gordura saturada \u00e9 capaz de danificar circuitos neuronais relacionados \u00e0 saciedade.<\/p>\n<p>Por meio de experimentos com camundongos, foi demonstrado que gorduras saturadas (como o \u00e1cido este\u00e1rico) provocam a morte de um grupo de neur\u00f4nios existente no hipot\u00e1lamo (regi\u00e3o do c\u00e9rebro), conhecidos como neur\u00f4nios POMC.<\/p>\n<p>Essas c\u00e9lulas s\u00e3o sensores de nutrientes e t\u00eam a fun\u00e7\u00e3o de avisar para o corpo que est\u00e1 na hora de parar de comer e que h\u00e1 energia dispon\u00edvel para gastar. Ap\u00f3s a perda desses sensores, os indiv\u00edduos passam a sentir cada vez mais necessidade de consumir alimentos ricos em gordura e a\u00e7\u00facar. Por outro lado, ficam com o metabolismo mais lento e armazenam grande parte da energia fornecida pela dieta desbalanceada.<\/p>\n<p>\u201cTemos ind\u00edcios de que outros nutrientes podem causar a recupera\u00e7\u00e3o desses neur\u00f4nios que controlam o gasto energ\u00e9tico\u201d, disse\u00a0, coordenador do OCRC, durante o evento (leia mais em\u00a0).<\/p>\n<p>Al\u00e9m de mudan\u00e7as no padr\u00e3o alimentar, outros fatores que podem contribuir para o desenvolvimento da obesidade s\u00e3o dist\u00farbios no sono, nos ritmos biol\u00f3gicos e na produ\u00e7\u00e3o de melatonina. Foi o que comentou\u00a0, professor do Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas (ICB) da USP.<\/p>\n<p>Esses tr\u00eas fatores s\u00e3o respons\u00e1veis pela regula\u00e7\u00e3o do balan\u00e7o energ\u00e9tico e do peso corp\u00f3reo. Regulam tamb\u00e9m a s\u00edntese de secre\u00e7\u00e3o da insulina e de outros horm\u00f4nios importantes para o organismo.<\/p>\n<p>Segundo Cipolla Neto, a troca do per\u00edodo de descanso da noite pelo dia, a redu\u00e7\u00e3o ou priva\u00e7\u00e3o do sono e a diminui\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de melatonina pela ilumina\u00e7\u00e3o noturna podem causar ruptura na distribui\u00e7\u00e3o r\u00edtmica dessas fun\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas \u2013 chamada cronorruptura \u2013 e desencadear o desenvolvimento da obesidade.<\/p>\n<p>\u201cUma regula\u00e7\u00e3o r\u00edtmica di\u00e1ria, que permita a altern\u00e2ncia entre os estados de vig\u00edlia durante o dia e o descanso noturno, al\u00e9m do sono e da produ\u00e7\u00e3o adequada de melatonina possibilitam uma boa regula\u00e7\u00e3o do balan\u00e7o energ\u00e9tico e do peso corp\u00f3reo\u201d, disse.<\/p>\n<p>Outro fator que pode contribuir para o desenvolvimento da obesidade \u00e9 a gen\u00e9tica, disse Carla Barbosa Nonino, coordenadora do Laborat\u00f3rio de Estudos em Nutrigen\u00f4mica, vinculado \u00e0 Faculdade de Medicina de Ribeir\u00e3o Preto da USP.<\/p>\n<p>De acordo com Nonino, s\u00e3o conhecidos mais de 100 genes associados ao gasto energ\u00e9tico, apetite, saciedade, forma\u00e7\u00e3o de tecido adiposo e aos metabolismos lip\u00eddico e insul\u00ednico, entre outros fatores.<\/p>\n<p>\u201cTemos procurado analisar a intera\u00e7\u00e3o da nutri\u00e7\u00e3o com o genoma e a sa\u00fade de pacientes com obesidade. Essa \u00e1rea da ci\u00eancia, chamada nutrigen\u00f4mica, \u00e9 relativamente nova e a cada dia s\u00e3o descobertos outros genes associados \u00e0 obesidade\u201d, disse.<\/p>\n<p>Em um estudo,\u00a0, Nonino e colaboradores analisaram pacientes com diferentes padr\u00f5es gen\u00e9ticos e com determinados polimorfismos nos genes ligados \u00e0 obesidade. Os resultados indicaram que o padr\u00e3o gen\u00e9tico pode determinar tanto o \u00edndice de massa corporal como a quantidade de gordura corporal.<\/p>\n<p>\u201cA gen\u00e9tica n\u00e3o \u00e9 o fator determinante para o desenvolvimento da obesidade, mas \u00e9 um gatilho\u201d, disse.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elton Alisson\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Se o ritmo atual de crescimento da obesidade no Brasil for mantido, o pa\u00eds poder\u00e1 apresentar em 2020 uma tend\u00eancia de preval\u00eancia semelhante \u00e0 dos Estados Unidos e do M\u00e9xico, com excesso de peso em 35% da popula\u00e7\u00e3o. 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