{"id":149746,"date":"2018-08-22T00:01:22","date_gmt":"2018-08-22T03:01:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=149746"},"modified":"2018-08-22T00:01:22","modified_gmt":"2018-08-22T03:01:22","slug":"conservar-a-amazonia-e-questao-ambiental-social-e-economica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2018\/conservar-a-amazonia-e-questao-ambiental-social-e-economica\/149746","title":{"rendered":"Conservar a Amaz\u00f4nia \u00e9 quest\u00e3o ambiental, social e econ\u00f4mica"},"content":{"rendered":"<p> Maria Fernanda Ziegler, de Manaus\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 A <strong><em>Amaz\u00f4nia<\/em><\/strong> \u00e9 \u00fanica. \u00c9 a maior extens\u00e3o de floresta tropical e o \u00fanico lugar onde a pr\u00f3pria floresta controla seu clima interno, impactando o mundo todo. Com sua biodiversidade \u00edmpar, a Amaz\u00f4nia possibilita a manuten\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os ecossist\u00eamicos e limpa a atmosfera do planeta. Por\u00e9m, para que haja um desenvolvimento social sustent\u00e1vel na regi\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1ria uma forte base cient\u00edfica capaz de subsidiar pol\u00edticas p\u00fablicas que atendam quest\u00f5es relacionadas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, biodiversidade, meio ambiente e economia.<\/p>\n<p>\u00c9 o que destacaram participantes no workshop \u201cAs dimens\u00f5es cient\u00edficas, sociais e econ\u00f4micas do desenvolvimento da Amaz\u00f4nia\u201d, realizado no dia 16 de agosto de 2018, em Manaus, pela FAPESP em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz\u00f4nia (Inpa) e com o Brazil Institute do Wilson Center, em Washington.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso ver a Amaz\u00f4nia a partir de v\u00e1rios aspectos diferentes. Ela n\u00e3o \u00e9 um jardim bot\u00e2nico, pois n\u00e3o tem um funcionamento ou um impacto linear, e \u00e9 chave para as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais\u201d, disse\u00a0, professor no Instituto de F\u00edsica da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e membro da coordena\u00e7\u00e3o do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas Globais.<\/p>\n<p>O funcionamento biol\u00f3gico da Floresta Amaz\u00f4nica regula o clima sobre a regi\u00e3o. \u201cA floresta controla o balan\u00e7o de energia, o fluxo de calor latente e sens\u00edvel, o vapor d\u2019\u00e1gua e os n\u00facleos de condensa\u00e7\u00e3o de nuvem que v\u00e3o intensificar o ciclo hidrol\u00f3gico. E isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel se houver uma extens\u00e3o muito grande de floresta. Quando ela \u00e9 fragmentada, deixa de ter essa propriedade\u201d, disse Artaxo, organizador do workshop, \u00e0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>Um exemplo do impacto da floresta est\u00e1 na sua capacidade de armazenar carbono da atmosfera, quest\u00e3o fundamental para as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>\u201cMas a capacidade da Floresta Amaz\u00f4nica em armazenar carbono e, de certa forma, limpar a atmosfera, est\u00e1 diminuindo. H\u00e1 tr\u00eas d\u00e9cadas, era relativamente mais intensa que hoje. O problema \u00e9 se a floresta passar a emitir mais di\u00f3xido de carbono que absorver, o que agravaria as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. O que acontece com a Amaz\u00f4nia interfere no mundo inteiro\u201d, disse\u00a0, professor do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da USP.<\/p>\n<p>De acordo com Martinelli, a hip\u00f3tese principal para a diminui\u00e7\u00e3o de estocagem de carbono tem rela\u00e7\u00e3o com os eventos extremos, como a seca, que est\u00e3o mais frequentes e intensos. Isso ocasiona a mortalidade das \u00e1rvores e a consequente perda em estocar carbono.<\/p>\n<p>\u201cTalvez j\u00e1 estejamos vendo o efeito das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas na Amaz\u00f4nia. E um interfere no outro, ou seja, o evento extremo degrada mais a floresta, degradando a floresta ela emite mais CO<sub>2<\/sub>\u00a0e aumenta a intensidade e frequ\u00eancia dos eventos extremos\u201d, disse Martinelli.<\/p>\n<p>Servi\u00e7os ecossist\u00eamicos<\/p>\n<p>Fora o evidente impacto ambiental das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, h\u00e1 ainda consequ\u00eancias sociais e econ\u00f4micas.<\/p>\n<p>\u201cSecas como as que tivemos em 2005 e 2010 provocaram um impacto social enorme. Munic\u00edpios ficaram completamente isolados, sem \u00e1gua e alimentos, pois os rios s\u00e3o o transporte na regi\u00e3o. J\u00e1 as cheias extremas deslocam popula\u00e7\u00f5es da beira de Manaus, por exemplo\u201d, disse Artaxo.<\/p>\n<p>Modelos clim\u00e1ticos t\u00eam previsto aumento significativo dos eventos extremos nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>\u201cO Brasil precisa ter um plano de adapta\u00e7\u00e3o para a Amaz\u00f4nia. O aumento da temperatura na regi\u00e3o foi da ordem de 1,6 \u00b0C, enquanto a m\u00e9dia no Brasil foi de 1,3 \u00b0C e a mundial de 1,1\u00b0C [desde o fim do s\u00e9culo 19]. Ent\u00e3o, a Amaz\u00f4nia, por estar em uma regi\u00e3o tropical, por receber muita radia\u00e7\u00e3o solar, \u00e9 uma regi\u00e3o sens\u00edvel ao aumento da temperatura e \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da precipita\u00e7\u00e3o. D\u00e1 para imaginar o impacto socioecon\u00f4mico de um dia de ver\u00e3o em Manaus com temperatura m\u00e9dia aumentada em at\u00e9 5 \u00baC. \u00c9 o que pode acontecer no futuro\u201d, disse Artaxo.<\/p>\n<p>Um ponto a ser investigado \u00e9 o dos diversos servi\u00e7os ecossist\u00eamicos da floresta, como o processamento de vapor d\u2019\u00e1gua e a absor\u00e7\u00e3o de uma quantidade enorme de CO<sub>2<\/sub>\u00a0da atmosfera.<\/p>\n<p>\u201cO valor dos servi\u00e7os ecossist\u00eamicos que a Floresta Amaz\u00f4nica realiza equivale a US$ 14 trilh\u00f5es. Atualmente, o pre\u00e7o da tonelada de CO<sub>2<\/sub>\u00a0no mercado internacional est\u00e1 em torno de US$ 100, e a Amaz\u00f4nia absorve uma quantidade gigantesca desse g\u00e1s. Isso vale muito\u201d, disse Artaxo.<\/p>\n<p>Mas existe uma lista maior de servi\u00e7os ecossist\u00eamicos, como, por exemplo, o vapor d\u2019\u00e1gua \u2013 essencial para a agricultura. Durante as apresenta\u00e7\u00f5es no workshop, foi destacada a depend\u00eancia da agricultura de todo o sul do Brasil e dos estados de Mato Grosso e Goi\u00e1s pelo vapor d\u2019 \u00e1gua processado pela Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>\u201cEssa floresta \u00e9 valorizada, \u00e9 valoriz\u00e1vel. Mas o seu modo de explora\u00e7\u00e3o atual, baseado em grandes projetos agropecu\u00e1rios, n\u00e3o beneficia necessariamente a popula\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o\u201d, disse Artaxo.<\/p>\n<p>Outro ponto destacado foi o crescimento nos \u00faltimos cinco anos do \u00edndice de desmatamento, que vinha decaindo consideravelmente nos \u00faltimos 30 anos.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o ter essa floresta em um cen\u00e1rio futuro de aquecimento significa n\u00e3o ter um ativo econ\u00f4mico que ter\u00e1 muita import\u00e2ncia para prevenir grandes preju\u00edzos no futuro. Fora isso, se o Brasil quer ter uma meta al\u00e9m dos 7% da produ\u00e7\u00e3o mundial [do agroneg\u00f3cio], \u00e9 bom valorizar a conserva\u00e7\u00e3o. Pois sem esse sistema gigante de irriga\u00e7\u00e3o, n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel atingir essa meta. \u00c9 uma quest\u00e3o econ\u00f4mica\u201d, disse Paulo Moutinho, pesquisador s\u00eanior do Instituto de Pesquisas Ambientais da Amaz\u00f4nia (Ipam). A import\u00e2ncia de conservar a biodiversidade tamb\u00e9m foi debatida no workshop. Para Maria Teresa Piedade, pesquisadora do Inpa, \u00e9 preciso criar um desenvolvimento sustent\u00e1vel que seja compat\u00edvel com a biodiversidade e n\u00e3o o contr\u00e1rio. \u201cA biodiversidade est\u00e1 aqui muito antes da nossa vinda e da regi\u00e3o se tornar a \u00faltima fronteira de acesso a bens e produtos\u201d, disse.<\/p>\n<p>Piedade orienta estudos de impacto na hidrel\u00e9trica de Balbina, obra da d\u00e9cada de 1980 no munic\u00edpio de Presidente Figueiredo (AM) e que tem desdobramentos at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>\u201cA hidrel\u00e9trica de Balbina tem sido apontada h\u00e1 tempos como um p\u00e9ssimo exemplo de sustentabilidade. Ela deslocou popula\u00e7\u00f5es tradicionais ind\u00edgenas, gerou massiva mortalidade de peixes e v\u00e1rios outros problemas. Fora isso, tem baixa efici\u00eancia\u201d, disse \u00e0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>\u201cHouve um achatamento da varia\u00e7\u00e3o de secas e cheias do rio. Estamos verificando a ocorr\u00eancia de mortalidade em massa de \u00e1rvores das por\u00e7\u00f5es mais baixas e a entrada de esp\u00e9cies de terra firme nas por\u00e7\u00f5es mais altas, anteriormente colonizadas por \u00e1rvores das \u00e1reas \u00famidas. Isso altera a biodiversidade local, a composi\u00e7\u00e3o flor\u00edstica e o banco de sementes para peixes que utilizam os rios da regi\u00e3o para se alimentar\u201d, disse Piedade.<\/p>\n<p>O workshop \u201cAs dimens\u00f5es cient\u00edficas, sociais e econ\u00f4micas do desenvolvimento da Amaz\u00f4nia\u201d ter\u00e1 continua\u00e7\u00e3o no dia 24 de setembro, no Wilson Center, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>No evento, a inten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m ser\u00e1 debater que o entendimento f\u00edsico, qu\u00edmico e biol\u00f3gico da Amaz\u00f4nia auxilia na compreens\u00e3o de suas fragilidades e resili\u00eancias, e que \u00e9 preciso olhar para as dimens\u00f5es sociais e econ\u00f4micas da regi\u00e3o de maneira integrada.<\/p>\n<p>Mais informa\u00e7\u00f5es:\u00a0.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Fernanda Ziegler, de Manaus\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 A Amaz\u00f4nia \u00e9 \u00fanica. \u00c9 a maior extens\u00e3o de floresta tropical e o \u00fanico lugar onde a pr\u00f3pria floresta controla seu clima interno, impactando o mundo todo. 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