{"id":14888,"date":"2009-10-22T19:00:34","date_gmt":"2009-10-22T23:00:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=14888"},"modified":"2009-10-22T19:00:34","modified_gmt":"2009-10-22T23:00:34","slug":"castigos-fisicos-mesmo-com-carater-educativo-causam-danos-a-saude-de-criancas-e-adolescentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2009\/castigos-fisicos-mesmo-com-carater-educativo-causam-danos-a-saude-de-criancas-e-adolescentes\/14888","title":{"rendered":"Castigos f\u00edsicos, mesmo com car\u00e1ter &#8220;educativo&#8221;, causam danos \u00e0 sa\u00fade de crian\u00e7as e adolescentes"},"content":{"rendered":"<p>Estudos demonstram que <strong>crian\u00e7as<\/strong> expostas \u00e0 <strong>viol\u00eancia dom\u00e9stica<\/strong> podem acabar se transformando tamb\u00e9m em agressores. A linha que separa o <strong>castigo corporal<\/strong> autorizado do <strong>maltrato infantil<\/strong> \u00e9 muito t\u00eanue. Castigos podem gerar problemas de sa\u00fade mental e comportamento anti-social.\u00a0O castigo f\u00edsico contra a crian\u00e7a e o adolescente dentro do pr\u00f3prio lar \u00e9 uma das formas mais comuns de viol\u00eancia familiar cometida no Brasil e no mundo, praticada h\u00e1 tempos e socialmente aceita como m\u00e9todo corretivo pela maioria dos pais. Para muitos, dar uma palmada ou puxar a orelha dos filhos quando se comportam mal, entre outras formas de castigo corporal, \u00e9 uma maneira eficaz de educ\u00e1-los, contribuindo para o controle e a disciplina.<\/p>\n<p>Segundo o relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) lan\u00e7ado no \u00faltimo m\u00eas de agosto, somente 24 pa\u00edses pro\u00edbem os castigos f\u00edsicos legalmente, e destes, apenas tr\u00eas s\u00e3o membros da Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos (OEA): Uruguai, Venezuela e Costa Rica. Por outro lado, pa\u00edses como Peru, Brasil, Canad\u00e1 e Nicar\u00e1gua apresentaram recentemente iniciativas legislativas para proibir o castigo corporal contra as pessoas com menos de 18 anos. Em seu documento, a CIDH pede que os Estados pro\u00edbam toda forma de viol\u00eancia contra a inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia e solicita pol\u00edticas p\u00fablicas que enfoquem integralmente os direitos da crian\u00e7a. Estabelece, ainda, que at\u00e9 2011, os pa\u00edses formalizem mecanismos de preven\u00e7\u00e3o contra a viol\u00eancia infantil, incluindo medidas que possibilitem aos meninos e meninas denunciar maus tratos e, principalmente, serem ouvidos.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio Mundial sobre a Viol\u00eancia e a Sa\u00fade (2002) e o Relat\u00f3rio sobre a Viol\u00eancia contra as Crian\u00e7as, produzido pelo especialista Paulo S\u00e9rgio Pinheiro em 2006 para a ONU, conceituam a viol\u00eancia como o uso deliberado da for\u00e7a f\u00edsica ou do poder contra uma crian\u00e7a por uma pessoa ou por um grupo, seja por uma amea\u00e7a ou de forma efetiva, que cause ou tenha muitas probabilidades de causar preju\u00edzo efetivo ou potencial \u00e0 sa\u00fade dessa crian\u00e7a, \u00e0 sua sobreviv\u00eancia, seu desenvolvimento ou sua dignidade. Uma grande propor\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e adolescentes em todo o mundo sofre significativa viol\u00eancia em seus lares. O estudo afirma, ainda, que grande parte da viol\u00eancia exercida contra o p\u00fablico infanto-juvenil permanece, por muitas causas, acobertada, dificultando a aplica\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a. Uma das raz\u00f5es para isso \u00e9 o medo: muitas crian\u00e7as t\u00eam temor de denunciar os epis\u00f3dios de viol\u00eancia que sofrem. Em outros casos, pais e m\u00e3es, que deveriam proteger seus filhos, tamb\u00e9m por medo preferem o sil\u00eancio, principalmente se o respons\u00e1vel pela viol\u00eancia \u00e9 o c\u00f4njuge ou algum membro da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>A aceita\u00e7\u00e3o social da viol\u00eancia \u00e9 um fator fundamental. Tanto as jovens v\u00edtimas quanto os agressores podem aceitar a viol\u00eancia f\u00edsica, sexual e psicol\u00f3gica como algo inevit\u00e1vel. E a disciplina cumprida mediante castigos f\u00edsicos e humilhantes, intimida\u00e7\u00e3o e abuso sexual, com frequ\u00eancia \u00e9 percebida como algo normal, especialmente quando n\u00e3o produz danos f\u00edsicos &#8220;vis\u00edveis&#8221; ou imediatos.<\/p>\n<p>Na publica\u00e7\u00e3o Situa\u00e7\u00e3o Mundial da Inf\u00e2ncia 2007, o Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia &#8211; Unicef aponta que, todos os anos, 275 milh\u00f5es de meninos e meninas de todo mundo sofrem viol\u00eancia dom\u00e9stica e padecem das consequ\u00eancias de uma turbulenta vida familiar. No pr\u00f3prio lar podem ser identificados diferentes tipos de viol\u00eancia como a f\u00edsica, gerada ao se aplicar castigos corporais; a verbal e psicol\u00f3gica, manifestada por palavras ofensivas, xingamentos, humilha\u00e7\u00f5es, gritos e insultos; e a viol\u00eancia sexual contra crian\u00e7as e adolescentes, que consiste em praticar condutas sexuais seja por amea\u00e7as, agress\u00e3o f\u00edsica ou chantagem emocional.<\/p>\n<p>Mesmo que meninos e meninas n\u00e3o sejam o alvo imediato da viol\u00eancia familiar, as consequ\u00eancias para seu desenvolvimento futuro s\u00e3o grandes e graves. Estudos demonstram que algumas crian\u00e7as que foram expostas \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica acabaram se transformando tamb\u00e9m em agressores, perpetuando o c\u00edrculo vicioso durante gera\u00e7\u00f5es. Pesquisas realizadas em alguns dos principais pa\u00edses em desenvolvimento &#8211; como China, Col\u00f4mbia, Egito, Filipinas, \u00cdndia, M\u00e9xico e \u00c1frica do Sul &#8211; indicam que existe uma not\u00e1vel correla\u00e7\u00e3o entre a viol\u00eancia contra as mulheres e a viol\u00eancia contra a inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>J\u00e1 na maioria dos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, segundo a organiza\u00e7\u00e3o Save the Children Su\u00e9cia, a magnitude do problema do maltrato infantil n\u00e3o est\u00e1 suficientemente vis\u00edvel. As estat\u00edsticas que descrevem a viol\u00eancia f\u00edsica contra meninos e meninas correspondem a fontes de informa\u00e7\u00e3o parciais, uma vez que em nenhum desses pa\u00edses existem dados oficiais centralizados que quantifiquem as diferentes interven\u00e7\u00f5es de institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas que cuidam das v\u00edtimas infanto-juvenis.<\/p>\n<p>Les\u00f5es F\u00edsicas e Psicol\u00f3gicas<\/p>\n<p>A efic\u00e1cia do castigo f\u00edsico diminui com o tempo e o grau de severidade tem que ser aumentado sistematicamente. O castigo corporal contra crian\u00e7as e adolescentes pode lhes causar n\u00e3o s\u00f3 les\u00f5es, mas danos permanentes e at\u00e9 lev\u00e1-los \u00e0 morte. Atitudes extremas como essas constituem o maltrato infantil, forma distinta de castigo f\u00edsico. Nos Estados Unidos, uma revis\u00e3o de 66 casos de maltrato infantil concluiu que tanto o abuso quanto o maltrato ocorrem na maioria das vezes como &#8220;uma extens\u00e3o de a\u00e7\u00f5es disciplinares que, em algum momento, e aos poucos, cruzam a linha que separa o castigo corporal autorizado do maltrato infantil n\u00e3o autorizado&#8221;.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio mundial sobre Viol\u00eancia e Sa\u00fade da Organiza\u00e7\u00e3o Pan-americana de Sa\u00fade, divulgado em 2003, investigou provas de que enfermidades importantes da idade adulta &#8211; entre elas a cardiopatia isqu\u00eamica, o c\u00e2ncer, doen\u00e7a pulmonar cr\u00f4nica, a s\u00edndrome do intestino irrit\u00e1vel e a fibromialgia &#8211; podem estar relacionadas com experi\u00eancias de maltrato durante a inf\u00e2ncia. Em casos extremos, apanhar quando pequeno pode trazer, ainda, consequ\u00eancias mais graves para a sa\u00fade, como transtornos psiqui\u00e1tricos e comportamento suicida.<\/p>\n<p>De acordo com uma investiga\u00e7\u00e3o feita pelo professor Murray Straus, da Universidade de New Hampshire, nos Estados Unidos, meninos e meninas castigados fisicamente apresentam, depois de quatro anos, um coeficiente intelectual baixo em compara\u00e7\u00e3o com os que nada sofreram. No grupo mais jovem, as crian\u00e7as que n\u00e3o apanharam apresentaram 4 pontos a mais em seu coeficiente de intelig\u00eancia do que as crian\u00e7as que foram castigadas fisicamente. No grupo de crian\u00e7as entre os 5 e 9 anos de idade, aqueles que n\u00e3o apanharam tiveram 2.8 pontos a mais em seu coeficiente intelectual que do os que sofreram castigos f\u00edsicos, depois de quatro anos.<\/p>\n<p>J\u00e1 um informe elaborado por profissionais da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, destacou que o castigo f\u00edsico p\u00f5e em risco as crian\u00e7as, gerando problemas de sa\u00fade mental e comportamento anti-social. Os castigos corporais n\u00e3o melhoram a conduta dos pequenos, como se pensa. Ao contr\u00e1rio disso, as v\u00edtimas tendem a perder a concentra\u00e7\u00e3o nos estudos e aumentam suas possibilidades de se tornarem pessoas agressivas, competidoras e com predisposi\u00e7\u00e3o a desenvolver, no futuro, rela\u00e7\u00f5es violentas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudos demonstram que crian\u00e7as expostas \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica podem acabar se transformando tamb\u00e9m em agressores. 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