{"id":147512,"date":"2018-08-01T01:02:31","date_gmt":"2018-08-01T04:02:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=147512"},"modified":"2018-08-06T17:51:14","modified_gmt":"2018-08-06T20:51:14","slug":"aumento-da-divida-publica-desafia-proximo-presidente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2018\/aumento-da-divida-publica-desafia-proximo-presidente\/147512","title":{"rendered":"Aumento da d\u00edvida p\u00fablica desafia pr\u00f3ximo presidente"},"content":{"rendered":"<p> Seja quem for o pr\u00f3ximo presidente do Brasil, uma coisa parece certa a esta altura: ir\u00e1 conviver com um aumento constante da <strong><em>d\u00edvida p\u00fablica<\/em><\/strong>. Conforme proje\u00e7\u00e3o do Tesouro Nacional para investidores, a propor\u00e7\u00e3o do endividamento passar\u00e1 dos atuais 75,7% do Produto Interno Bruto (PIB) para 82% em 2022, \u00faltimo ano do mandato. Mesmo que o pr\u00f3ximo mandat\u00e1rio venha a ser reeleito, s\u00f3 ver\u00e1 a d\u00edvida cair em 2025 \u2013 terceiro ano de um hipot\u00e9tico segundo mandato.<\/p>\n<p>A vis\u00e3o do Tesouro \u00e9 compartilhada por economistas de matizes diferentes, dentro e fora do governo. A Ag\u00eancia Brasil ouviu o mesmo diagn\u00f3stico na academia (PUC-RJ, FGV-IBRE, Unicamp e UFMG) e em outras institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas (Ipea e Senado). Especialistas acrescentam que a alta da d\u00edvida acompanhar\u00e1 o pr\u00f3ximo presidente mesmo com ajuste fiscal.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s temos no momento um quadro em que a d\u00edvida p\u00fablica se encontra em eleva\u00e7\u00e3o, e tende a se manter nessa trajet\u00f3ria mesmo diante de um esfor\u00e7o fiscal que o governo venha a fazer no sentido de reduzir despesas e aumentar receitas\u201d, alerta o diretor-adjunto de Estudos e Pol\u00edticas Macroecon\u00f4micas do Ipea, Marco Cavalcanti.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o existe m\u00e1gica a ser feita aqui. Temos uma d\u00edvida alta. Essa d\u00edvida gera uma necessidade de pagamento de juros. Al\u00e9m disso, h\u00e1 o d\u00e9ficit prim\u00e1rio que n\u00e3o consegue reduzir a zero ou tornar superavit\u00e1rio em pouco tempo\u201d, acrescenta o pesquisador do Ipea. O d\u00e9ficit prim\u00e1rio \u00e9 o resultado negativo das contas do governo desconsiderando o pagamento dos juros da d\u00edvida p\u00fablica. <\/p>\n<p>Cen\u00e1rios<br \/>\nO Minist\u00e9rio do Planejamento Desenvolvimento e Gest\u00e3o desenhou dois cen\u00e1rios fiscais. Em ambos, a diferen\u00e7a entre as receitas e despesas do setor p\u00fablico seguem negativas nos pr\u00f3ximos anos. Enquanto as contas p\u00fablicas estiverem vermelhas, a d\u00edvida federal seguir\u00e1 pressionada.<\/p>\n<p>No primeiro cen\u00e1rio, s\u00e3o adotadas \u201calgumas reformas estruturantes que viabilizam o equil\u00edbrio fiscal de longo prazo\u201d. Nessas condi\u00e7\u00f5es, as contas p\u00fablicas ficam negativas at\u00e9 2022. No segundo cen\u00e1rio, al\u00e9m das reformas estruturantes, est\u00e3o em vigor \u201creformas microecon\u00f4micas que elevam o potencial de crescimento\u201d e assim o resultado prim\u00e1rio torna-se positivo um ano antes (2021).<\/p>\n<p>O caminho poder\u00e1 ser mais longo e tortuoso sem crescimento econ\u00f4mico. \u201cIndicador de atividade econ\u00f4mica mais baixo afeta a trajet\u00f3ria da d\u00edvida\u201d, resume Felipe Salto, diretor-executivo da Institui\u00e7\u00e3o Fiscal Independente, do Senado Federal. O retrospecto recente dos dados do Tesouro e do IBGE evidenciam que a d\u00edvida p\u00fablica come\u00e7ou a subir quando a economia perdeu for\u00e7a, a partir de 2014.<\/p>\n<p>\u201cS\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel pensar na estabiliza\u00e7\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica brasileira com a retomada do crescimento. [Tamb\u00e9m] n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de estabilizar o d\u00e9ficit p\u00fablico com a queda do PIB\u201d, aponta Pedro Rossi, professor do Instituto de Economia da Unicamp.<\/p>\n<p>Vilma Pinto, pesquisadora da \u00e1rea de Economia Aplicada da FGV-IBRE, mostra como o quadro de piora da economia repercute na deteriora\u00e7\u00e3o fiscal. Ela analisa a \u00faltima d\u00e9cada da economia e aponta que entre 2008 (ano da crise financeira internacional) e 2018, \u201chouve queda de 2,5 pontos percentuais das receitas prim\u00e1rias e aumento de 3,2 pontos percentuais nas despesas prim\u00e1rias. O saldo l\u00edquido \u00e9 uma piora de 5,7 pontos percentuais do PIB\u201d.<\/p>\n<p>Repercuss\u00e3o pol\u00edtica<br \/>\nPara Carlos Ranulfo, professor titular do Departamento de Ci\u00eancia Pol\u00edtica da UFMG, a situa\u00e7\u00e3o fiscal ser\u00e1 um grande desafio para o pr\u00f3ximo presidente da Rep\u00fablica. Ao buscar a retomada do crescimento, o novo governo n\u00e3o poder\u00e1 criar mais d\u00e9ficit.<\/p>\n<p>Em sua opini\u00e3o, al\u00e9m do PIB baixo, o eleito em outubro de 2018 sofrer\u00e1 com ass\u00e9dio dispendioso de um futuro Congresso \u201cmuito pragm\u00e1tico e muito clientelista\u201d. O Poder Legislativo \u00e9, tradicionalmente, um foco de press\u00e3o por gastos p\u00fablicos, j\u00e1 que tenta atender as diversas demandas, muitas delas  corporativistas,  de grupos de  eleitores.<\/p>\n<p>O cientista pol\u00edtico avalia que, durante a campanha, a situa\u00e7\u00e3o da d\u00edvida poder\u00e1 favorecer candidatos que tenham uma performance mais fiscalista e falas que sensibilizem o mercado financeiro &#8211; que quer estabiliza\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas. Esse perfil, no entanto, n\u00e3o costuma ser popular entre os eleitores. \u201cNingu\u00e9m faz campanha vendendo cautela, mas vendendo esperan\u00e7a\u201d, comenta.<\/p>\n<p>Entre discursos prudentes e falas espont\u00e2neas que despertem expectativas de melhora imediata da situa\u00e7\u00e3o fiscal, o economista Jos\u00e9 M\u00e1rcio Camargo (PUC-RJ) teme an\u00fancios de calotes da d\u00edvida p\u00fablica e promessas n\u00e3o detalhadas de limita\u00e7\u00e3o de gastos com a d\u00edvida.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o vejo problema em limitar a d\u00edvida, desde que diga o que vai fazer com o que sobrar\u201d, assinala. \u201cSuponha que o tal limite estabele\u00e7a que o governo s\u00f3 pode pagar um d\u00e9ficit do PIB de at\u00e9 4%. Suponha que o d\u00e9ficit real, por\u00e9m, tenha sido de 8%. Como vai ser coberta essa diferen\u00e7a? Vai ser coberta com emiss\u00e3o de moeda? Isso significa infla\u00e7\u00e3o. Vai ser coberta com a redu\u00e7\u00e3o da despesa? Ou vai ser coberto via aumento de impostos?\u201d, indaga.<\/p>\n<p>Gilberto Costa &#8211; Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil<br \/>\nEdi\u00e7\u00e3o: Sabrina Craide<br \/>\n01\/08\/2018<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Seja quem for o pr\u00f3ximo presidente do Brasil, uma coisa parece certa a esta altura: ir\u00e1 conviver com um aumento constante da d\u00edvida p\u00fablica. Conforme proje\u00e7\u00e3o do Tesouro Nacional para investidores, a propor\u00e7\u00e3o do endividamento passar\u00e1 dos atuais 75,7% do Produto Interno Bruto (PIB) para 82% em 2022, \u00faltimo ano do mandato. 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