{"id":146758,"date":"2018-07-23T10:49:48","date_gmt":"2018-07-23T13:49:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=146758"},"modified":"2018-07-23T10:49:48","modified_gmt":"2018-07-23T13:49:48","slug":"descoberta-variacao-genetica-que-dificulta-emagrecimento-em-adolescentes-obesos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2018\/descoberta-variacao-genetica-que-dificulta-emagrecimento-em-adolescentes-obesos\/146758","title":{"rendered":"Descoberta varia\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica que dificulta emagrecimento em adolescentes obesos"},"content":{"rendered":"<p> Maria Fernanda Ziegler\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Uma altera\u00e7\u00e3o em um gene que dificulta o <strong><em>processo de emagrecimento<\/em><\/strong> foi identificada em pesquisa feita na Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp).\u00a0<span style=\"font-family: -apple-system, BlinkMacSystemFont, 'segoe ui', Roboto, Oxygen-Sans, Ubuntu, Cantarell, 'helvetica neue', sans-serif;\">A pesquisa, feita com 76 adolescentes obesos entre 15 e 19 anos, mostrou que um polimorfismo no gene receptor da leptina \u2013 sinalizador da saciedade \u2013 altera de uma s\u00f3 vez a regula\u00e7\u00e3o neuroend\u00f3crina e o balan\u00e7o energ\u00e9tico.<\/span><\/p>\n<p>Durante um ano, adolescentes pesando entre 101 e 120 quilos participaram de um programa de emagrecimento que incluiu atividade f\u00edsica e acompanhamento cl\u00ednico, psicol\u00f3gico e nutricional por uma equipe multidisciplinar formada por m\u00e9dicos, nutricionistas, psic\u00f3logos, educadores f\u00edsicos e fisioterapeutas. No entanto, enquanto metade dos adolescentes perdeu em m\u00e9dia 10% do peso inicial, a outra perdeu 6%.<\/p>\n<p>\u201cEssa diferen\u00e7a nos intrigou. N\u00e3o \u00e9 que uma parte n\u00e3o obtivesse resultado \u2013 eles reduziram gordura visceral, corporal e tiveram melhoras nos exames bioqu\u00edmicos \u2013, mas n\u00e3o era poss\u00edvel que fosse apenas uma quest\u00e3o de maior ou menor empenho. Por isso, resolvemos estudar a parte gen\u00e9tica\u201d, disse Fl\u00e1via Corgosinho, autora principal do estudo publicado na revista\u00a0.<\/p>\n<p>O artigo \u00e9 resultado do doutorado de Corgosinho, com bolsa da Capes, e do projeto de pesquisa de sua orientadora, a professora\u00a0, da Unifesp, com\u00a0.<\/p>\n<p>Com a investiga\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica, os pesquisadores descobriram que os volunt\u00e1rios que respondiam de maneira inferior ao programa apresentavam uma determinada altera\u00e7\u00e3o no gene receptor da leptina (LEPR rs2767485).<\/p>\n<p>O estudo analisou os efeitos de um polimorfismo dentro de um \u00fanico gene entre os mais de 500 genes relacionados \u00e0 obesidade. Corgosinho conta que a varia\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica estudada \u00e9 do tipo recessiva e que metade dos volunt\u00e1rios apresentava pelo menos um dos alelos com a altera\u00e7\u00e3o, uma mostra significativa dos adolescentes obesos da cidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>\u201cComo n\u00e3o t\u00ednhamos grupo controle no estudo, n\u00e3o podemos extrapolar esse dado para a popula\u00e7\u00e3o em geral\u201d, disse Corgosinho \u00e0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>O estudo em adolescentes se mostra importante, sobretudo se for levado em conta que a dificuldade de emagrecimento aumenta com os anos de vida. \u201cNa inf\u00e2ncia e na adolesc\u00eancia ocorre a acelera\u00e7\u00e3o do metabolismo devido \u00e0 fase de crescimento. \u00c9 uma \u00f3tima oportunidade de favorecer o emagrecimento e modificar h\u00e1bitos n\u00e3o saud\u00e1veis. Fora isso, a chance de um adolescente obeso se tornar um adulto obeso \u00e9 estimada em 80%\u201d, disse D\u00e2maso.<\/p>\n<p>Mais fome<\/p>\n<p>O grupo de pesquisadores descobriu tamb\u00e9m que volunt\u00e1rios com a varia\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica que dificultava o emagrecimento apresentavam n\u00edveis de neuropept\u00eddeos da fome \u2013 neurotransmissores que regulam a saciedade \u2013 elevados, quando comparados ao outro grupo sem a varia\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica.<\/p>\n<p>\u201cMol\u00e9culas sinalizadoras da fome, conhecidas como NPY, AgRP e o Horm\u00f4nio Concentrador de Melanina (MCH), estavam mais elevadas naqueles que tinham altera\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica. Isso significa que teoricamente eles deveriam sentir mais fome\u201d, disse Corgosinho.<\/p>\n<p>O acompanhamento dos adolescentes mostrou que, com a terapia de emagrecimento, eles conseguiram reduzir o \u00edndice desses neuropept\u00eddeos para valores similares \u00e0queles que n\u00e3o tinham varia\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica. Com os exames de sangue provou-se que existe uma tend\u00eancia de regulariza\u00e7\u00e3o desses sinalizadores de fome, por\u00e9m, um deles (AgRP) continuou a subir.<\/p>\n<p>\u201cCom isso, percebe-se que o grupo j\u00e1 come\u00e7a a terapia com os sinalizadores da fome elevados. H\u00e1 at\u00e9 uma melhora durante o programa, mas ainda existe dificuldade em regular esses neuropept\u00eddios que ativam a fome. N\u00e3o por acaso, o processo de emagrecimento deles fica mais complicado\u201d, disse Corgosinho.<\/p>\n<p>N\u00edvel excessivo de leptina<\/p>\n<p>A leptina \u00e9 um horm\u00f4nio produzido e secretado principalmente pelo tecido adiposo que entre outras fun\u00e7\u00f5es participa do controle neuroend\u00f3crino do balan\u00e7o energ\u00e9tico. Embora sua produ\u00e7\u00e3o esteja diretamente relacionada \u00e0 massa adiposa, \u00e9 no hipot\u00e1lamo (c\u00e9rebro) que ela estimula neur\u00f4nios e neuropept\u00eddeos relacionados com a saciedade.<\/p>\n<p>Estudo anteriores j\u00e1 haviam demonstrado que\u00a0, apesar de a leptina estar em altas concentra\u00e7\u00f5es (hiperleptinemia), ela tem efeito reduzido ou ineficaz, n\u00e3o h\u00e1 boa inibi\u00e7\u00e3o da fome e concomitante aumento do gasto energ\u00e9tico.<\/p>\n<p>Corgosinho conta que existem alguns mecanismos propostos para que isso ocorra. \u201cUm deles \u00e9 que esse excesso de leptina poderia danificar o receptor. Outra hip\u00f3tese \u00e9 que o excesso de leptina superativaria o\u00a0feedback\u00a0negativo. O fato \u00e9 que ainda n\u00e3o est\u00e1 bem estabelecido o que provoca essa resposta\u201d, disse.<\/p>\n<p>Embora teoricamente quanto mais leptina, mais saciedade e aumento na oxida\u00e7\u00e3o de gorduras, no obeso ocorre o contr\u00e1rio: ele produz leptina em demasia e esse excesso acaba gerando uma inefici\u00eancia no receptor. Isso pode levar a um quadro de resist\u00eancia \u00e0 a\u00e7\u00e3o desse horm\u00f4nio (dificuldades de passar pela barreira hematoencef\u00e1lica, impedindo sua a\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>\u201cNo estudo, percebemos que ambos os grupos de adolescentes obesos apresentavam hiperleptinemia, o que era esperado, por\u00e9m apenas o grupo sem o polimorfismo conseguiu reduzir a leptina para valores normais depois do processo de emagrecimento\u201d, disse D\u00e2maso \u00e0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>Com o emagrecimento, o esperado era reduzir a leptina para n\u00edveis normais e voltar a ter uma regula\u00e7\u00e3o do sistema neuroend\u00f3crino, mediado por esse horm\u00f4nio, favorecendo tanto o aumento da saciedade quanto do gasto energ\u00e9tico. \u201cCom esse mecanismo ativo, a chance de voltar a engordar ou ter aquele efeito ioi\u00f4 s\u00e3o menores. H\u00e1 um controle maior sobre o apetite\u201d, disse D\u00e2maso.<\/p>\n<p>As pesquisadoras afirmam que o estudo tamb\u00e9m rendeu outros achados relacionados ao metabolismo lip\u00eddico e ao processo inflamat\u00f3rio \u2013 insulina, resist\u00eancia insul\u00ednica e colesterol \u2013 que est\u00e3o em vias de publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cPretendemos buscar estrat\u00e9gias para otimizar esse processo de emagrecimento. Identificamos a dificuldade e agora precisamos propor solu\u00e7\u00f5es. Talvez essa popula\u00e7\u00e3o precise de um alimento funcional para ter os mesmos benef\u00edcios, ou uma intensidade de exerc\u00edcio f\u00edsico diferente da utilizada no programa para alcan\u00e7ar os mesmos resultados\u201d, disse Corgosinho.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0LEPR polymorphism may affect energy balance during weight loss among Brazilians obese adolescents\u00a0(doi: 10.1016\/j.npep.2017.07.007), de Fl\u00e1via Campos Corgosinho, Sandro Soares Almeida, Lian Tock, Jo\u00e3o Bosco Pesquero, Ronaldo Carvalho Ara\u00fajo, Ana Paula Grotti Clemente, B\u00e1rbara Dal&#8217;Molin Netto, Raquel Munhoz da Silveira Campos, Deborah Cristina Landi Masquio, Joana Pereira de Carvalho Ferreira, Priscila de Lima Sanches, Aline de Piano Ganen, Marcelo Macedo Rogero, Lila Missae Oyama, SergioTufik, Marco T\u00falio de Mello, Ana Raimunda D\u00e2maso, pode ser lido na\u00a0Neuropeptides\u00a0em\u00a0.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Fernanda Ziegler\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Uma altera\u00e7\u00e3o em um gene que dificulta o processo de emagrecimento foi identificada em pesquisa feita na Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp).\u00a0A pesquisa, feita com 76 adolescentes obesos entre 15 e 19 anos, mostrou que um polimorfismo no gene receptor da leptina \u2013 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":37376,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_genesis_hide_title":false,"_genesis_hide_breadcrumbs":false,"_genesis_hide_singular_image":false,"_genesis_hide_footer_widgets":false,"_genesis_custom_body_class":"","_genesis_custom_post_class":"","_genesis_layout":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[22,5],"tags":[],"class_list":{"0":"post-146758","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-brasil","8":"category-saude-e-vida","9":"entry","10":"gs-1","11":"gs-odd","12":"gs-even","13":"gs-featured-content-entry"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/saude-doutor.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146758","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=146758"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146758\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37376"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=146758"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=146758"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=146758"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}