{"id":145219,"date":"2018-07-02T00:07:13","date_gmt":"2018-07-02T03:07:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=145219"},"modified":"2018-07-02T00:07:13","modified_gmt":"2018-07-02T03:07:13","slug":"mudancas-no-cheque-especial-nao-resolvem-alto-custo-do-credito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2018\/mudancas-no-cheque-especial-nao-resolvem-alto-custo-do-credito\/145219","title":{"rendered":"Mudan\u00e7as no cheque especial n\u00e3o resolvem alto custo do cr\u00e9dito"},"content":{"rendered":"<p> Com a entrada em vigor das novas regras para o uso <strong><em>cheque especial<\/em><\/strong>, a expectativa dos bancos \u00e9 evitar o superendividamento de clientes do servi\u00e7o e reduzir a inadimpl\u00eancia. Para especialistas ouvidos pela Ag\u00eancia Brasil, as medidas s\u00e3o bem-vindas, mas n\u00e3o atacam o problema estrutural do alto custo do cr\u00e9dito no pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cA quest\u00e3o central n\u00e3o est\u00e1 sendo atacada, uma vez que os juros do cheque especial, quando comparados com os juros da pr\u00f3pria economia [taxa Selic] s\u00e3o extremamente elevados\u201d, afirma o economista Gilberto Braga, professor de finan\u00e7as do Ibmec e da Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral. A taxa m\u00e9dia de juros do cheque especial cobrada no m\u00eas passado ficou acima dos 311% ao ano, segundo o Banco Central (BC).<\/p>\n<p>Em termos pr\u00e1ticos, explica a Federa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Bancos (Febraban), o cheque especial funciona como uma reserva que o cliente pode usar no caso de uma emerg\u00eancia e de um gasto inesperado, sem precisar recorrer ao banco, j\u00e1 que a linha est\u00e1 pr\u00e9-aprovada. \u201cJustamente por causa dessas carater\u00edsticas os juros s\u00e3o mais elevados em compara\u00e7\u00e3o a linhas de mais longo prazo\u201d, informa a entidade.<\/p>\n<p>\u201cMe explica como \u00e9 que voc\u00ea cobra mais de 20% de juros ao m\u00eas, se a taxa Selic est\u00e1 em 6,5% ao ano? Os bancos cobram mais em um m\u00eas do que a taxa de refer\u00eancia em um ano. Nada justifica, e nenhum pa\u00eds do mundo faz isso\u201d, questiona Newton Marques, professor licenciado de economia da Universidade de Bras\u00edlia (UnB) e membro do Conselho Regional de Economia do Distrito Federal.<\/p>\n<p>Para Marques, os bancos se anteciparam ao adotarem mudan\u00e7as nas regras do cheque especial como forma de evitar uma a\u00e7\u00e3o regulat\u00f3ria mais forte do BC que pudesse incidir sobre o spread, que \u00e9 a diferen\u00e7a entre o que os bancos pagam na capta\u00e7\u00e3o de recursos e o que eles cobram ao conceder um empr\u00e9stimo para uma pessoa f\u00edsica ou jur\u00eddica.<\/p>\n<p>Uma das principais medidas que entram em vigor \u00e9 a oferta autom\u00e1tica de parcelamento com custo reduzido para consumidores que usaram mais de 15% do limite dispon\u00edvel no cheque especial durante 30 dias consecutivos. A oferta ser\u00e1 feita nos canais de relacionamento e o cliente decide se adere \u00e0 proposta. Caso n\u00e3o aceite, novo contato dever\u00e1 ser feito a cada 30 dias. Para n\u00e3o confundir os clientes, os bancos v\u00e3o separar, no extrato banc\u00e1rio, o saldo da conta-corrente e o limite do cheque especial dispon\u00edvel.<\/p>\n<p>Para Gilberto Braga, professor do Ibmec, essas iniciativas devem ajudar os clientes banc\u00e1rios em dificuldades, mas tamb\u00e9m ter\u00e3o impacto positivo na lucratividade do sistema financeiro. \u201cQuando o banco prop\u00f5e um mecanismo de controle como esse, ele mitiga os riscos de recebimento, mas tamb\u00e9m fideliza o cliente em uma opera\u00e7\u00e3o de longo prazo. Ajuda o cliente, mas tamb\u00e9m ajuda o banco\u201d, diz.<\/p>\n<p>Democratizar o cr\u00e9dito<\/p>\n<p>Segundo Gilberto Braga, numa economia caracterizada pela extrema desigualdade social e de distribui\u00e7\u00e3o de renda, o cr\u00e9dito \u00e9 um elemento fundamental para o desenvolvimento, sobretudo para a popula\u00e7\u00e3o mais pobre e a classe m\u00e9dia. Para diminuir os juros do cheque especial, ele sugere taxas personalizadas para cada cliente, o que beneficiaria os bons pagadores.<\/p>\n<p>\u201cO custo do cr\u00e9dito \u00e9 caro mesmo para quem paga em dia. Essas taxas de juros do cheque especial poderiam ser livremente negociadas entre o cliente e o banco, a partir de padr\u00f5es de risco espec\u00edficos, por meio da an\u00e1lise do perfil individual, assim como fazem as seguradores de autom\u00f3vel ao calcularem o valor da ap\u00f3lice, levando em considera\u00e7\u00e3o os h\u00e1bitos de dire\u00e7\u00e3o do cliente\u201d, explica.<\/p>\n<p>Para Newton Marques, a alta concentra\u00e7\u00e3o do sistema banc\u00e1rio no pa\u00eds tamb\u00e9m dificulta uma redu\u00e7\u00e3o efetiva nas taxas cobradas. \u201cAl\u00e9m de uma a\u00e7\u00e3o mais efetiva do Banco Central em cima das escorchantes taxas de juros, seria fundamental abrir o mercado para a concorr\u00eancia no setor de cr\u00e9dito, a\u00ed eu queria ver os bancos cobrarem t\u00e3o caro para emprestar\u201d, argumenta.<\/p>\n<p>Educa\u00e7\u00e3o financeira<\/p>\n<p>Outro ponto lembrado pelos economistas \u00e9 a falta de uma pol\u00edtica de educa\u00e7\u00e3o financeira que comece desde cedo. Mesmo as novas regras para o cheque especial, segundo eles, n\u00e3o estabelecem medidas concretas nessa dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA pessoa que est\u00e1 devendo o cheque especial, em geral, j\u00e1 est\u00e1 em descontrole financeiro e perdeu a capacidade de pagamento. Poderia haver uma exig\u00eancia sobre quem pretende tomar cr\u00e9dito de fazer um treinamento em educa\u00e7\u00e3o financeira, como acontece com o motorista que tem a CNH suspenda e precisa fazer um curso de reciclagem para volta a dirigir\u201d, defende Newton Marques, professor da UnB.<\/p>\n<p>Para o economista Gilberto Braga, o ponto de partida deveria ser a pr\u00f3pria escola: \u201c\u00c9 fundamental introduzir a educa\u00e7\u00e3o financeira no curr\u00edculo geral do ensino do pa\u00eds. H\u00e1 muitas pessoas com curso superior, bem formadas, que n\u00e3o sabem fazer uma regra de tr\u00eas ou calcular um juro simples, coisas absolutamente indispens\u00e1veis em uma sociedade mediada pelo dinheiro\u201d.<\/p>\n<p> Pedro Rafael Vilela \u2013 Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil<br \/>\nEdi\u00e7\u00e3o: Wellton M\u00e1ximo<br \/>\n02\/07\/2018<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a entrada em vigor das novas regras para o uso cheque especial, a expectativa dos bancos \u00e9 evitar o superendividamento de clientes do servi\u00e7o e reduzir a inadimpl\u00eancia. 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