{"id":145083,"date":"2018-06-29T00:36:45","date_gmt":"2018-06-29T03:36:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=145083"},"modified":"2018-06-29T00:36:45","modified_gmt":"2018-06-29T03:36:45","slug":"curativo-com-alto-poder-cicatrizante-e-feito-da-proteina-do-abacaxi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2018\/curativo-com-alto-poder-cicatrizante-e-feito-da-proteina-do-abacaxi\/145083","title":{"rendered":"Curativo com alto poder cicatrizante \u00e9 feito da prote\u00edna do abacaxi"},"content":{"rendered":"<p> Maria Fernanda Ziegler\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Os efeitos <strong><em>anti-inflamat\u00f3rios<\/em><\/strong> de uma prote\u00edna encontrada no abacaxi foram somados \u00e0 nanocelulose bacteriana. O resultado \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de um curativo \u2013 na forma de emplastro ou gel \u2013 que pode ser usado para a cicatriza\u00e7\u00e3o de ferimentos, queimaduras e at\u00e9 de feridas ulcerativas.<\/p>\n<p>A novidade vem de um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Sorocaba (Uniso) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O trabalho,\u00a0, teve resultados publicados na\u00a0, do grupo Nature.<\/p>\n<p>Em testes feitos em laborat\u00f3rio, membranas de nanocelulose bacteriana foram submersas por 24 horas em solu\u00e7\u00e3o de bromelina, a prote\u00edna do abacaxi. O resultado foi um aumento de nove vezes na atividade antimicrobiana da nanocelulose bacteriana.<\/p>\n<p>\u201cQuem tem ferimentos graves sabe muito bem a diferen\u00e7a que faz um bom curativo. Ele precisa criar uma barreira contra microrganismos, evitando contamina\u00e7\u00f5es, e tamb\u00e9m ser capaz de propiciar atividade antioxidante para diminuir o processo inflamat\u00f3rio de c\u00e9lulas mortas e pus\u201d, disse\u00a0, coordenadora do Laborat\u00f3rio de Microbiologia Industrial e Processos Fermentativos (LaMInFe) da Uniso e uma das autoras do artigo.<\/p>\n<p>Com a bromelina, os pesquisadores perceberam que, al\u00e9m de aumentar a propriedade antimicrobiana da nanocelulose bacteriana, tamb\u00e9m foi criada uma barreira seletiva que potencializou a atividade proteica e outras atividades importantes para a cicatriza\u00e7\u00e3o, como o aumento de antioxidantes e da vasculariza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cUma pele n\u00e3o \u00edntegra tem como maior problema a contamina\u00e7\u00e3o. O paciente fica suscet\u00edvel a ter uma infec\u00e7\u00e3o seja em casos de queimaduras, ferimentos ou feridas ulcerativas. A bromelina cria essa barreira t\u00e3o importante\u201d, disse Jozala.<\/p>\n<p>Tanto a nanocelulose bacteriana como a bromelina s\u00e3o velhas conhecidas da ci\u00eancia e das ind\u00fastrias farmac\u00eautica e aliment\u00edcia. A prote\u00edna do abacaxi \u00e9 usada como amaciante de carne e sua propriedade de quebra de prote\u00ednas, conhecida por debridamento celular, \u00e9 objeto de interesse para a ind\u00fastria farmac\u00eautica.<\/p>\n<p>A grosso modo, a bromelina tem car\u00e1ter de limpar o tecido necrosado do ferimento e ainda formar uma barreira protetora contra os microrganismos. No entanto, por ser uma enzima, ela tem limita\u00e7\u00f5es de uso na ind\u00fastria, uma vez que \u00e9 facilmente desnaturada e degradada, al\u00e9m de ser inst\u00e1vel em algumas formula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>J\u00e1 a nanocelulose bacteriana pode ser aplicada como substitui\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria sobre a pele ou como curativo no tratamento de les\u00f5es ulcerativas, pois alivia a dor, protege contra infec\u00e7\u00f5es bacterianas e contribui no processo de regenera\u00e7\u00e3o do tecido.<\/p>\n<p>Assim como a celulose vegetal, a nanocelulose bacteriana \u00e9 produzida na forma pura sem outros pol\u00edmeros. Isso confere a ela a capacidade de ser moldada em estruturas tridimensionais, capazes de reter grande quantidade de \u00e1gua sem impedir a troca gasosa.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma biof\u00e1brica. A bact\u00e9ria\u00a0Gluconacetobacter xylinus, por exemplo, produz a celulose como se tricotasse pol\u00edmeros de glicose. O que fizemos em nosso estudo foi potencializar, com a bromelina, a a\u00e7\u00e3o cicatrizante dessa nanocelulose que j\u00e1 est\u00e1vamos produzindo na nossa plataforma de bioprodutos\u201d, disse Jozala.<\/p>\n<p>Casamento perfeito<\/p>\n<p>De acordo com o estudo, 30 minutos ap\u00f3s ser incorporada a membranas de nanocelulose bacteriana, foi observada uma libera\u00e7\u00e3o maior de bromelina e com maior capacidade de a\u00e7\u00e3o antimicrobiana. As membranas de nanocelulose bacteriana atuaram na sele\u00e7\u00e3o da absor\u00e7\u00e3o ou libera\u00e7\u00e3o de bromelina.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da associa\u00e7\u00e3o entre a bromelina e a nanocelulose bacteriana, o trabalho contou com outra parceria importante. A equipe de pesquisadores da Uniso criou, com o aux\u00edlio da FAPESP, uma plataforma para a produ\u00e7\u00e3o e purifica\u00e7\u00e3o de bioprodutos. Nesse novo laborat\u00f3rio, a nanocelulose bacteriana est\u00e1 sendo produzida.<\/p>\n<p>Outro projeto, tamb\u00e9m\u00a0, e realizado na Faculdade de Ci\u00eancias Farmac\u00eauticas da Unicamp, passou a estudar a extra\u00e7\u00e3o da bromelina presente no talo e no fruto do abacaxi.<\/p>\n<p>\u201cEst\u00e1vamos produzindo nanocelulose bacteriana, no entanto quer\u00edamos ampliar os poderes curativos do produto. A partir de uma reuni\u00e3o com o grupo da Unicamp, que j\u00e1 extra\u00eda a bromelina usando cascas da sobra da ind\u00fastria de polpa, vimos que a jun\u00e7\u00e3o tinha futuro\u201d, disse Jozala.<\/p>\n<p>Tanto a produ\u00e7\u00e3o de bromelina como de nanocelulose bacteriana \u2013 e a parte de purifica\u00e7\u00e3o das subst\u00e2ncias \u2013 tiveram o custo barateado pelo fato de utilizarem res\u00edduos e sobras da ind\u00fastria aliment\u00edcia, como cascas de abacaxi de empresas que produzem polpa de fruta. Agora os pesquisadores buscam criar novas parcerias e despertar o interesse de empresas para a produ\u00e7\u00e3o em larga escala do novo curativo.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0Bacterial Nanocellulose Loaded with Bromelain: Assessment of Antimicrobial, Antioxidant and Physical-Chemical Properties(doi: 10.1038\/s41598-01718271-4), de Jana\u00edna Artem Ataide, Nath\u00e1lia Mendes de Carvalho, M\u00e1rcia de Ara\u00fajo Rebelo, Marco Vin\u00edcius Chaud, Denise Grotto, Marli Gerenutti, Mahendra Rai, Priscila Gava Mazzola &amp; Angela Faustino Jozala, pode ser lido na\u00a0Scientific Reports\u00a0em\u00a0. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Fernanda Ziegler\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Os efeitos anti-inflamat\u00f3rios de uma prote\u00edna encontrada no abacaxi foram somados \u00e0 nanocelulose bacteriana. 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