{"id":144957,"date":"2018-06-27T19:12:12","date_gmt":"2018-06-27T22:12:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=144957"},"modified":"2018-06-27T19:12:12","modified_gmt":"2018-06-27T22:12:12","slug":"nivel-de-melatonina-pode-indicar-grau-de-malignidade-de-tumores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2018\/nivel-de-melatonina-pode-indicar-grau-de-malignidade-de-tumores\/144957","title":{"rendered":"N\u00edvel de melatonina pode indicar grau de malignidade de tumores"},"content":{"rendered":"<p> Karina Toledo\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Avaliar a capacidade das c\u00e9lulas tumorais de produzir o horm\u00f4nio <strong><em>melatonina<\/em><\/strong> pode se tornar uma estrat\u00e9gia inovadora de medir o grau de malignidade em alguns tipos de c\u00e2ncer, entre eles tumores do sistema nervoso central, pulm\u00e3o, intestino, p\u00e2ncreas e bexiga. Em estudos conduzidos no Instituto de Bioci\u00eancias da Universidade de S\u00e3o Paulo (IB-USP), o grupo coordenado pela professora\u00a0\u00a0mostrou que, nesses casos, o n\u00edvel de express\u00e3o dos genes codificadores das enzimas que sintetizam e degradam melatonina permite predizer que tumores menos agressivos produzem maior quantidade desse horm\u00f4nio.<\/p>\n<p>As an\u00e1lises revelaram ainda que a maior produ\u00e7\u00e3o local se correlacionava com uma maior sobrevida dos pacientes. \u201cEstamos agora avaliando em parceria com o professor\u00a0, da USP de S\u00e3o Carlos, a possibilidade de criar um kit para medir o n\u00edvel de melatonina em amostras de tecido tumoral obtidas por bi\u00f3psia. Al\u00e9m de auxiliar no progn\u00f3stico da doen\u00e7a, a tecnologia abriria caminho para novas abordagens terap\u00eauticas\u201d, disse Markus \u00e0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>Os trabalhos da pesquisadora com melatonina tiveram in\u00edcio ainda nos anos 1990. Por meio de estudo com roedores, ela demonstrou que o horm\u00f4nio que sinaliza para o organismo que est\u00e1 escuro e, portanto, \u00e9 hora de descansar poderia ser produzido em outros locais do organismo al\u00e9m da gl\u00e2ndula pineal, situada dentro do c\u00e9rebro, como at\u00e9 ent\u00e3o era conhecido.<\/p>\n<p>Demonstrou ainda a import\u00e2ncia da produ\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica de melatonina na regula\u00e7\u00e3o de processos inflamat\u00f3rios em diferentes contextos fisiol\u00f3gicos e fisiopatol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>\u201cMostramos inicialmente em roedores que, quando h\u00e1 um est\u00edmulo inflamat\u00f3rio em um tecido perif\u00e9rico e o sistema imune precisa montar uma resposta de defesa, como diante de uma infec\u00e7\u00e3o bacteriana, por exemplo, ocorre o bloqueio da s\u00edntese de melatonina pela pineal. Como esse horm\u00f4nio impede a migra\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas de defesa da corrente sangu\u00ednea para o local da infec\u00e7\u00e3o, a sua redu\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial para que as c\u00e9lulas imunes atinjam o local agredido\u201d, disse Markus. A pesquisadora abordou o tema em apresenta\u00e7\u00e3o no dia 10 de maio no congresso \u201c\u201d, promovido pelo A.C.Camargo Cancer Center em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Depois que a amea\u00e7a \u00e9 reduzida, as pr\u00f3prias c\u00e9lulas de defesa passam a secretar melatonina no tecido afetado para evitar danos desnecess\u00e1rios. Em seguida, o organismo deve retornar \u00e0 condi\u00e7\u00e3o normal, ou seja, cessar a produ\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica de melatonina e restaurar a produ\u00e7\u00e3o no sistema nervoso central.<\/p>\n<p>A essa comunica\u00e7\u00e3o bidirecional entre a gl\u00e2ndula pineal e o sistema imune o grupo da USP chamou de eixo imune-pineal. Trabalhos posteriores revelaram que a transi\u00e7\u00e3o entre a s\u00edntese pineal e extrapineal de melatonina \u00e9 regulada por um complexo proteico chamado NF-?B (fator nuclear kappa B), um conhecido mediador inflamat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Uma revis\u00e3o sobre o tema, reunindo os principais achados de mais de 20 anos de pesquisa, foi publicada em 2017 no\u00a0. Entre os autores principais, al\u00e9m de Markus, est\u00e3o\u00a0\u00a0e\u00a0, ambos do IB-USP.<\/p>\n<p>Produ\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica e c\u00e2ncer<\/p>\n<p>Segundo Markus, h\u00e1 casos em que o organismo n\u00e3o consegue, por algum motivo, voltar \u00e0 condi\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica e a produ\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica de melatonina \u00e9 mantida. Ou ent\u00e3o a produ\u00e7\u00e3o pela pineal n\u00e3o \u00e9 recuperada e o organismo, que aparentemente est\u00e1 bem, fica mais propenso ao surgimento de doen\u00e7as. \u201cFoi com esse racioc\u00ednio que resolvemos investigar a rela\u00e7\u00e3o entre melatonina e c\u00e2ncer\u201d, disse.<\/p>\n<p>O estudo come\u00e7ou com a observa\u00e7\u00e3o de amostras de gliomas \u2013 um tipo de c\u00e2ncer que afeta o sistema nervoso central \u2013 obtidos de pacientes envolvidos em um estudo coordenado por\u00a0, da Faculdade de Medicina da USP.<\/p>\n<p>\u201cDecidimos avaliar, nas c\u00e9lulas tumorais, como estava a express\u00e3o das duas enzimas-chave para a s\u00edntese de melatonina: a ASMT e a AANAT. Chamou a nossa aten\u00e7\u00e3o o fato de a express\u00e3o de ASMT estar muito baixa, mas o n\u00famero de amostras era pequeno e decidimos investigar em linhagens j\u00e1 estabelecidas de gliomas\u201d, disse Markus.<\/p>\n<p>O grupo ent\u00e3o notou que, enquanto as linhagens mais agressivas (gliomas de grau 4) praticamente n\u00e3o tinham secre\u00e7\u00e3o local de melatonina, a express\u00e3o das enzimas de s\u00edntese era maior em gliomas de grau 1 e 2, considerados de menor malignidade.<\/p>\n<p>O passo seguinte foi analisar dados de tumores depositados no banco p\u00fablico mantido pelo Cancer Genome Atlas (), nos Estados Unidos. Al\u00e9m de informa\u00e7\u00f5es sobre express\u00e3o g\u00eanica no tecido tumoral, o reposit\u00f3rio tamb\u00e9m oferece acesso a dados cl\u00ednicos, permitindo aos pesquisadores fazer correla\u00e7\u00f5es entre os achados sobre a express\u00e3o da melatonina e o desfecho cl\u00ednico de cada paciente.<\/p>\n<p>\u201cInvestigamos a s\u00edntese de melatonina em praticamente todos os tipos de tumores depositados no banco. Para isso, criamos um \u00edndice com base na express\u00e3o do gene\u00a0ASMT\u00a0e tamb\u00e9m do gene\u00a0CYP1B1, que codifica a principal enzima respons\u00e1vel por degradar a melatonina [se esse gene estiver muito expresso o horm\u00f4nio ser\u00e1 rapidamente metabolizado e o n\u00edvel de melatonina ser\u00e1 baixo na c\u00e9lula]\u201d, disse Markus.<\/p>\n<p>O estudo mostrou que, quanto maior era o \u00edndice (ou seja, maior era a produ\u00e7\u00e3o preditiva local de melatonina), menos agressivo era o glioma e maior era o tempo de sobrevida dos pacientes. Resultados semelhantes foram observados para outros tipos de tumores s\u00f3lidos como pulm\u00e3o, p\u00e2ncreas, colorretal e bexiga, mas n\u00e3o em tumores n\u00e3o s\u00f3lidos como a leucemia e os linfomas.<\/p>\n<p>Os resultados da investiga\u00e7\u00e3o com dados de gliomas foram publicados em 2016 no\u00a0\u00a0e comp\u00f5em a tese de doutorado de Kinker, que, atualmente, continua os estudos do sistema melaton\u00e9rgico em gliomas no Weizmann Institute of Science, em Israel.<\/p>\n<p>\u201cPartimos ent\u00e3o para investigar por quais mecanismos a melatonina estava agindo nas c\u00e9lulas do c\u00e2ncer e, atualmente, estamos em processo de patenteamento de m\u00e9todos progn\u00f3sticos e agentes melaton\u00e9rgicos para o tratamento de alguns tumores s\u00f3lidos\u201d, disse Markus.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora, a melatonina em si n\u00e3o poder\u00e1 ser usada no tratamento porque atua por m\u00faltiplos mecanismos de a\u00e7\u00e3o e pode n\u00e3o favorecer a conten\u00e7\u00e3o do tumor em alguns pacientes.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 fundamental conhecer as poss\u00edveis vari\u00e1veis do sistema antes de intervir, pois s\u00e3o diferentes em cada paciente. Acreditamos que o ideal seja uma terapia individual precedida por exame laboratorial mostrando que o tratamento n\u00e3o ser\u00e1 prejudicial. Por esse motivo, estamos trabalhando no desenvolvimento de um kit para avaliar a produ\u00e7\u00e3o de melatonina no tecido tumoral. Acreditamos que seja poss\u00edvel fazer um teste barato, semelhante ao usado para medir glicose no sangue\u201d, disse a professora do IB-USP.<\/p>\n<p>Os pesquisadores ressaltam, contudo, que antes de lan\u00e7ar a tecnologia para avalia\u00e7\u00e3o do progn\u00f3stico ser\u00e1 preciso valid\u00e1-la em amostras de bi\u00f3psia dos diversos tipos de tumores s\u00f3lidos estudados, processo que deve demorar cerca de tr\u00eas anos.<\/p>\n<p>\u201cTamb\u00e9m precisamos estabelecer o melhor processo para fazer essa an\u00e1lise e uma forma de adaptar a metodologia para uso comercial. Agora \u00e9 hora de pensar em como transformar conhecimento em produto, uma etapa que temos muito a aprender com o Instituto Weizmann de Israel\u201d, disse Markus.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Avaliar a capacidade das c\u00e9lulas tumorais de produzir o horm\u00f4nio melatonina pode se tornar uma estrat\u00e9gia inovadora de medir o grau de malignidade em alguns tipos de c\u00e2ncer, entre eles tumores do sistema nervoso central, pulm\u00e3o, intestino, p\u00e2ncreas e bexiga. 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