{"id":144237,"date":"2018-06-18T00:42:21","date_gmt":"2018-06-18T03:42:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=144237"},"modified":"2018-06-18T00:42:21","modified_gmt":"2018-06-18T03:42:21","slug":"juros-do-credito-caem-em-ritmo-lento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2018\/juros-do-credito-caem-em-ritmo-lento\/144237","title":{"rendered":"Juros do cr\u00e9dito caem em ritmo lento"},"content":{"rendered":"<p> Mesmo com a redu\u00e7\u00e3o da <strong><em>taxa b\u00e1sica de juros<\/em><\/strong> do pa\u00eds, a Selic, para o menor n\u00edvel hist\u00f3rico, os juros do cr\u00e9dito ao consumidor caem em ritmo lento. Nesta semana, o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) do Banco Central (BC) vai definir a Selic novamente e a expectativa do mercado financeiro \u00e9 de manuten\u00e7\u00e3o da taxa em 6,5% ao ano.<\/p>\n<p>Em maio, ap\u00f3s um ciclo de cortes que come\u00e7ou em outubro de 2016, o Copom optou por manter a Selic em 6,5% ao ano. No in\u00edcio desse ciclo de redu\u00e7\u00f5es, a taxa passou de 14,25% para 14% ao ano. Entre outubro de 2016 e mar\u00e7o deste ano, quando ocorreu o \u00faltimo corte, a Selic caiu 54,4%. Enquanto isso, a taxa m\u00e9dia de juros para as fam\u00edlias caiu 23,6%, ao passar de 74,33% ao ano, em outubro de 2016, para 56,79% ao ano, em abril de 2018. A taxa do cheque especial, uma das modalidades de cr\u00e9dito mais caras, passou de 328,52% para 320,96% ao ano.<\/p>\n<p>No Relat\u00f3rio de Econ\u00f4mica Banc\u00e1ria, divulgado esta semana, o BC explicou que a Selic afeta os juros do cr\u00e9dito por meio de seu efeito no custo de capta\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o custo que as institui\u00e7\u00f5es t\u00eam para conseguir dinheiro. \u201cEntretanto, o custo de capta\u00e7\u00e3o \u00e9 uma m\u00e9dia de diversas taxas de capta\u00e7\u00e3o, que possuem maior ou menor liga\u00e7\u00e3o com a taxa Selic\u201d, diz o BC.<\/p>\n<p>Por exemplo, quando o dinheiro para os empr\u00e9stimos v\u00eam das cadernetas de poupan\u00e7a, o custo de capta\u00e7\u00e3o est\u00e1 \u201cbastante\u201d ligado \u00e0 taxa b\u00e1sica, quando a Selic est\u00e1 abaixo de 8,5% ao ano. Isso acontece porque a remunera\u00e7\u00e3o da poupan\u00e7a muda quando a Selic est\u00e1 abaixo de 8,5% ao ano. \u201cO custo m\u00e9dio de capta\u00e7\u00e3o depende tamb\u00e9m do volume de dep\u00f3sitos \u00e0 vista, que n\u00e3o possuem qualquer remunera\u00e7\u00e3o \u2013 e, portanto, nenhuma conex\u00e3o com a taxa Selic. Mas o custo de capta\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es financeiras envolve tamb\u00e9m a remunera\u00e7\u00e3o de instrumentos de capta\u00e7\u00e3o bastante ligados \u00e0 taxa Selic, como CDBs [Certificados de Dep\u00f3sito Banc\u00e1rio] indexados ao CDI [Certificado de Dep\u00f3sito Interbanc\u00e1rio]\u201d, diz o BC.<\/p>\n<p>Segundo a institui\u00e7\u00e3o, mesmo que redu\u00e7\u00f5es na taxa Selic sejam repassadas integralmente para as taxas de juros das opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito, a queda nos custos do cr\u00e9dito ser\u00e1 menor que dos juros b\u00e1sicos. Isso porque a Selic \u00e9 apenas um dos ingredientes na forma\u00e7\u00e3o do custo de cr\u00e9dito. \u201cE, quanto menor for a participa\u00e7\u00e3o da Selic no custo do cr\u00e9dito, como no caso de modalidades com altas taxas de inadimpl\u00eancia, menor ser\u00e1 o impacto em termos percentuais\u201d, diz o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Na composi\u00e7\u00e3o das taxas de juros, segundo o BC, o custo da inadimpl\u00eancia responde pela maior parte (38,27%), depois v\u00eam as despesas administrativas (25,55%) dos bancos, os tributos (22,13%) e o lucro (14,04%).<\/p>\n<p>Concentra\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria<br \/>\nPara o professor de Finan\u00e7as da Escola de Administra\u00e7\u00e3o de Empresas da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV) Fabio Gallo, os juros poderiam estar mais baixos porque al\u00e9m de a Selic estar menor, a inadimpl\u00eancia das pessoas f\u00edsicas tamb\u00e9m caiu: passou de 6,16%, em outubro de 2016, para 5,08%, em abril de 2017. \u201cRealmente a inadimpl\u00eancia \u00e9 alta, mas tem sido estabilizada para baixo nos \u00faltimos anos. Ainda temos perto de 60 milh\u00f5es de brasileiros negativados, mas esse n\u00famero n\u00e3o tem crescido\u201d, disse Gallo.<\/p>\n<p>Para o professor, o problema est\u00e1 na concentra\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria, com poucos bancos atuando no mercado. Em 2017, os quatro maiores bancos do pa\u00eds \u2013 Ita\u00fa-Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil e Caixa Econ\u00f4mica Federal \u2013 concentraram 78,51% do cr\u00e9dito do pa\u00eds. \u201cA concentra\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria explica muito isso. Os bancos podem manter o n\u00edvel de ganhos como desejarem\u201d, diz Gallo.<\/p>\n<p>O diretor executivos de estudos e pesquisas da Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Executivos em Finan\u00e7as (Anefac), Miguel Jos\u00e9 Ribeiro de Oliveira, tamb\u00e9m atribui \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria a dificuldade em reduzir os juros mais rapidamente para o consumidor. Ele destaca que houve muitas incorpora\u00e7\u00f5es de bancos nos \u00faltimos anos, reduzindo o n\u00famero de participantes no mercado. Ele cita tamb\u00e9m outros fatores, como baixa oferta de cr\u00e9dito, carga tribut\u00e1ria alta e os dep\u00f3sitos compuls\u00f3rios (recursos que os bancos s\u00e3o obrigados a deixar depositados no BC). No caso dos dep\u00f3sitos compuls\u00f3rios, ele lembra que recentemente o BC reduziu o volume que precisa ser recolhido pelos bancos.<\/p>\n<p>Para o BC, maior concorr\u00eancia entre os bancos n\u00e3o requer necessariamente menor n\u00edvel de concentra\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria. \u201cO Banco Central monitora a concentra\u00e7\u00e3o do Sistema Financeiro Nacional e est\u00e1 atento aos riscos para o sistema e aos poss\u00edveis efeitos sobre o spread [diferen\u00e7a entre taxa de capta\u00e7\u00e3o do dinheiro pelos bancos e a taxa cobrada dos clientes] banc\u00e1rio e outros pre\u00e7os. Entretanto, a rela\u00e7\u00e3o entre concentra\u00e7\u00e3o e spreads n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o direta quanto o senso comum pode sugerir\u201d, pondera no Relat\u00f3rio de Economia Banc\u00e1ria. De acordo com o BC, outros fatores estruturais s\u00e3o importantes para se explicar o custo do cr\u00e9dito: despesas administrativas, impostos, margem financeira (lucro) e inadimpl\u00eancia. De acordo com o relat\u00f3rio, em 2016, o Brasil estava no grupo de pa\u00edses com os sistemas banc\u00e1rios mais concentrados, o que inclui Austr\u00e1lia, Canad\u00e1, Fran\u00e7a, Holanda e Su\u00e9cia.<\/p>\n<p>Queda gradual<br \/>\nMesmo que a Selic seja mantida no atual patamar nesta semana, Oliveira acredita que os juros ao consumidor v\u00e3o continuar a cair, mas seguir\u00e3o em ritmo lento de redu\u00e7\u00e3o. \u201cAs taxas de juros sobem de elevador, bem r\u00e1pido, e caem como se estivessem de escada, com um passo de cada vez, muito lentamente\u201d, disse Oliveira. Segundo ele, os juros do cr\u00e9dito devem cair porque ainda est\u00e3o muito altos. \u201cComo subiram muito antes e tem gordura para queimar, a tend\u00eancia \u00e9 que as taxas de juros caiam mesmo com a manuten\u00e7\u00e3o da Selic. Ser\u00e3o pequenas quedas, gradualmente, a n\u00e3o ser que o quadro externo ou pol\u00edtico se agrave. Isso pode trazer inseguran\u00e7a\u201d, avaliou.<\/p>\n<p>Para o professor da FGV, os consumidores s\u00f3 devem pegar empr\u00e9stimos se houver realmente necessidade. \u201cN\u00e3o \u00e9 momento para ficar tomando cr\u00e9dito. \u00c9 um momento de muito risco, um grau de incerteza muito grande\u201d, disse.<\/p>\n<p>Em nota, a Federa\u00e7\u00e3o Brasileira de Bancos (Febraban) disse que as institui\u00e7\u00f5es financeiras seguem \u201ccomprometidas com a melhoria do ambiente de cr\u00e9dito no Brasil, contribuindo com estudos, propostas e a\u00e7\u00f5es concretas para reduzir estruturalmente o spread\u201d. \u201cPara isso, \u00e9 preciso atacar os custos excessivos que oneram a concess\u00e3o de cr\u00e9dito no Brasil, com a\u00e7\u00f5es que envolvam, tamb\u00e9m, o Legislativo, o Executivo e o Judici\u00e1rio\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Para a Febraban, um estudo recente indicou que a raz\u00e3o principal pela qual os spreads s\u00e3o mais altos no Brasil, em compara\u00e7\u00e3o a outros pa\u00edses, est\u00e1 nos custos elevados da intermedia\u00e7\u00e3o financeira. \u201cOs custos associados a inadimpl\u00eancia, tributa\u00e7\u00e3o, dep\u00f3sitos compuls\u00f3rios e outros elementos do sistema de regula\u00e7\u00e3o s\u00e3o bem mais altos no Brasil que em pa\u00edses emergentes relevantes, como Chile e Turquia, por exemplo\u201d, diz a federa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Kelly Oliveira \u2013 Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil<br \/>\nEdi\u00e7\u00e3o: Denise Griesinger<br \/>\n17\/06\/2018<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesmo com a redu\u00e7\u00e3o da taxa b\u00e1sica de juros do pa\u00eds, a Selic, para o menor n\u00edvel hist\u00f3rico, os juros do cr\u00e9dito ao consumidor caem em ritmo lento. Nesta semana, o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) do Banco Central (BC) vai definir a Selic novamente e a expectativa do mercado financeiro \u00e9 de manuten\u00e7\u00e3o da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":57585,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_genesis_hide_title":false,"_genesis_hide_breadcrumbs":false,"_genesis_hide_singular_image":false,"_genesis_hide_footer_widgets":false,"_genesis_custom_body_class":"","_genesis_custom_post_class":"","_genesis_layout":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[22,7],"tags":[],"class_list":{"0":"post-144237","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-brasil","8":"category-economia","9":"entry","10":"gs-1","11":"gs-odd","12":"gs-even","13":"gs-featured-content-entry"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/analise-economia.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/144237","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=144237"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/144237\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57585"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=144237"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=144237"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=144237"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}