{"id":143543,"date":"2018-06-08T00:07:00","date_gmt":"2018-06-08T03:07:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=143543"},"modified":"2018-06-08T00:07:00","modified_gmt":"2018-06-08T03:07:00","slug":"sustentabilidade-da-amazonia-e-fator-chave-para-frear-mudancas-climaticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2018\/sustentabilidade-da-amazonia-e-fator-chave-para-frear-mudancas-climaticas\/143543","title":{"rendered":"Sustentabilidade da Amaz\u00f4nia \u00e9 fator-chave para frear mudan\u00e7as clim\u00e1ticas"},"content":{"rendered":"<p> Karina Toledo\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 O combate ao <strong><em>desmatamento da Amaz\u00f4nia<\/em><\/strong> e a promo\u00e7\u00e3o de iniciativas de reflorestamento em larga escala visando aumentar o armazenamento de carbono na biosfera terrestre s\u00e3o estrat\u00e9gias essenciais para evitar o agravamento das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, segundo avalia\u00e7\u00e3o feita pelos participantes da\u00a0\u00a0na tarde de ter\u00e7a-feira (05\/06\/2018).<\/p>\n<p>Realizado pelo N\u00facleo de Apoio \u00e0 Pesquisa sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (NapMC-Incline), em parceria com o Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de S\u00e3o Paulo (IEE-USP) e o Instituto de Astronomia, Geof\u00edsica e Ci\u00eancias Atmosf\u00e9ricas (IAG-USP), o evento tem o objetivo de celebrar o anivers\u00e1rio de 90 anos do f\u00edsico Jos\u00e9 Goldemberg, presidente da FAPESP, e reconhecer sua atua\u00e7\u00e3o expressiva no debate sobre o papel das energias renov\u00e1veis no desenvolvimento, sustentabilidade das florestas e nas negocia\u00e7\u00f5es internacionais para o combate \u00e0s mudan\u00e7as no clima.<\/p>\n<p>O painel dedicado ao tema \u201cFlorestas Tropicais e Sustentabilidade\u201d foi coordenado por\u00a0, membro do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e vice-presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC). A pesquisadora apresentou dados divulgados em 2014, no Quinto Relat\u00f3rio de Avalia\u00e7\u00e3o do IPCC, e destacou a importante contribui\u00e7\u00e3o das florestas tropicais como sumidouros de carbono, ou seja, para a absor\u00e7\u00e3o de parte do CO2 emitido pelas atividades humanas.<\/p>\n<p>\u201cDas emiss\u00f5es totais anuais, 30% aproximadamente acabam retornando para a biosfera terrestre e outros 30% s\u00e3o sequestrados pelos oceanos. Cerca de 40% permanecem na atmosfera. O CO2 \u00e9 considerado um dos gases mais cr\u00edticos, pois cerca de 30% permanecem por mais de cem anos na atmosfera\u201d, disse.<\/p>\n<p>Segundo Krug, na \u00faltima d\u00e9cada houve uma mudan\u00e7a significativa nas fontes de emiss\u00f5es antr\u00f3picas de CO2 devido a dois fatores principais: iniciativas de reflorestamento em larga escala adotadas na China e a significativa queda no desmatamento da Amaz\u00f4nia registrada a partir de 2004. \u201cO desmatamento era o nosso grande vetor de emiss\u00f5es e hoje passou a ser a agricultura e a gera\u00e7\u00e3o de energia\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Krug lembrou ainda que na confer\u00eancia que antecedeu a assinatura do Acordo de Paris, em 2015, o Brasil se comprometeu a reduzir em 37% as emiss\u00f5es at\u00e9 2025, tendo como ponto de partida as emiss\u00f5es de 2005, podendo chegar a uma redu\u00e7\u00e3o de 43% at\u00e9 2030.<\/p>\n<p>\u201cO Brasil fez o exerc\u00edcio de dizer como seria poss\u00edvel atingir essa meta e a mudan\u00e7a no uso da terra tem contribui\u00e7\u00e3o significativa. Isso inclui combate ao desmatamento ilegal na Amaz\u00f4nia, recupera\u00e7\u00e3o de florestas e \u00e1reas degradadas e reflorestamento\u201d, disse.<\/p>\n<p>, coordenador do Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia para Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas \u2013 um dos INCTs apoiados pela FAPESP e pelo CNPq no Estado de S\u00e3o Paulo \u2013, falou sobre como os impactos causados pela mudan\u00e7a no uso da terra podem prejudicar a capacidade da floresta amaz\u00f4nica de se autossustentar.<\/p>\n<p>Nobre lembrou que, a partir dos anos 1970, os pa\u00edses amaz\u00f4nicos adotaram um modelo de substitui\u00e7\u00e3o da floresta para expans\u00e3o de suas fronteiras agr\u00edcolas, o que colocou em xeque a ideia de que a Amaz\u00f4nia \u00e9 um elemento essencial para a estabilidade planet\u00e1ria por sua capacidade de armazenar carbono, regular a hidrologia e o balan\u00e7o energ\u00e9tico em diversas regi\u00f5es e abrigar pelo menos 10% da biodiversidade do planeta, entre outros fatores.<\/p>\n<p>\u201cO Inpe teve o papel de nos acordar para a realidade. No fim dos anos 1980 divulgou os primeiros n\u00fameros [sobre o desmatamento] que chocaram o planeta. A partir de ent\u00e3o, o interesse em descobrir cientificamente o que poderia acontecer caso o desmatamento continuasse aumentou muito\u201d, disse o pesquisador aposentado do Inpe.<\/p>\n<p>Nobre comentou sobre sua participa\u00e7\u00e3o em pesquisas que permitiram levantar a hip\u00f3tese da savaniza\u00e7\u00e3o da floresta. Segundo essa teoria, se o desmatamento atingir um determinado limite, em torno de 40%, a altera\u00e7\u00e3o no clima regional ser\u00e1 t\u00e3o profunda que a \u00e1rea desmatada nunca voltar\u00e1 a ser uma floresta e assumir\u00e1 caracter\u00edsticas de savana.<\/p>\n<p>Falou ainda sobre proje\u00e7\u00f5es mais recentes que levaram em conta, al\u00e9m do desmatamento, outros fatores que come\u00e7aram a impactar o ciclo hidrol\u00f3gico amaz\u00f4nico, como as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e o uso indiscriminado do fogo por agropecuaristas durante per\u00edodos secos \u2013 com o objetivo de eliminar \u00e1rvores derrubadas e limpar \u00e1reas para transform\u00e1-las em lavouras ou pastagens.<\/p>\n<p>Segundo Nobre, a combina\u00e7\u00e3o desses tr\u00eas fatores indica que o novo ponto de inflex\u00e3o a partir do qual ecossistemas na Amaz\u00f4nia Oriental, Sul e Central podem deixar de ser floresta seria atingido se o desmatamento alcan\u00e7ar entre 20% e 25% da floresta original \u2013 algo que est\u00e1 muito perto de ocorrer, segundo o pesquisador (leia mais em:\u00a0).<\/p>\n<p>\u201cAt\u00e9 2004, havia uma ideia clara entre os economistas de que o desmatamento era controlado pela demanda de gr\u00e3os e prote\u00edna animal e de que a economia controlava a taxa de ocupa\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia. Mas tivemos uma pol\u00edtica muito bem-sucedida a partir de 2004, refor\u00e7ada em 2008, e com muita vigil\u00e2ncia e conscientiza\u00e7\u00e3o o desmatamento despencou. No entanto, o pre\u00e7o da carne e da soja continuou a subir e a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola s\u00f3 aumentou no per\u00edodo. Isso mostra que h\u00e1 um desacoplamento entre os dois fatores\u201d, disse.<\/p>\n<p>Apesar disso, ponderou Nobre, a press\u00e3o para a expans\u00e3o da fronteira agropecu\u00e1ria permanece e os pa\u00edses amaz\u00f4nicos, entre eles o Brasil, ter\u00e1 de escolher qual trajet\u00f3ria seguir. \u201cSou otimista e acredito que vamos privilegiar a preserva\u00e7\u00e3o, mas para isso \u00e9 preciso ampliar o conhecimento e us\u00e1-lo como base da sustentabilidade da Amaz\u00f4nia\u201d, disse.<\/p>\n<p>Mortes precoces<\/p>\n<p>, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaz\u00f4nia (Ipam), tamb\u00e9m destacou a import\u00e2ncia da ci\u00eancia para extinguir o desmatamento na maior floresta tropical do planeta.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, a \u00e1rea j\u00e1 desmatada equivale a duas vezes o tamanho da Alemanha ou do Estado de S\u00e3o Paulo \u2013 cerca de 74 milh\u00f5es de hectares. Desse total, 65% s\u00e3o usados em pastagens de baixa efici\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cO desmatamento ocorrido entre 2007 e 2016 [7.502 km2] adicionou R$ 453 milh\u00f5es em valor bruto da produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria, o que equivale a 0,013% do Produto Interno Bruto (PIB) m\u00e9dio no per\u00edodo\u201d, disse.<\/p>\n<p>Por outro lado, acrescentou, o desmate causou centenas de mortes precoces devido \u00e0s queimadas e um gasto de R$ 15 milh\u00f5es para o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) com o tratamento de doen\u00e7as relacionadas \u00e0 fuma\u00e7a, gerou conflitos sociais e provocou aumento de 0,5\u00baC nas temperaturas da bacia do Xingu. \u201cN\u00e3o h\u00e1 motivos que justifiquem a derrubada da floresta. Sabemos como fazer, j\u00e1 derrubamos as taxas. Mas agora estamos estagnados\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Para avan\u00e7ar, Moutinho sugeriu quatro eixos de a\u00e7\u00e3o: o desenvolvimento de pol\u00edticas p\u00fablicas ambientais efetivas, perenes e coerentes; a promo\u00e7\u00e3o de usos sustent\u00e1veis da floresta e de melhores pr\u00e1ticas agr\u00edcolas; a restri\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica do mercado a produtos associados a novos desmatamentos (dando como exemplo a Morat\u00f3ria da Soja); e o engajamento de eleitores, investidores e consumidores nos esfor\u00e7os de combate ao desmatamento.<\/p>\n<p>\u201cTemos 70 milh\u00f5es de hectares de florestas que correspondem a \u00e1reas p\u00fablicas que n\u00e3o foram destinadas. Um estudo recente mostrou que 30% do desmatamento amaz\u00f4nico em 2017 aconteceu nessas \u00e1reas. Portanto, uma das a\u00e7\u00f5es essenciais \u00e9 estancar a grilagem de terras p\u00fablicas. Elas precisam continuar p\u00fablicas e florestas, n\u00e3o com uma cerca em volta e intoc\u00e1veis, mas como uma cobertura florestal cont\u00ednua funcionante, exercendo seu papel ecol\u00f3gico. As \u00e1reas protegidas foram um dos fatores que ajudaram a derrubar as taxas de desmatamento\u201d, disse Moutinho.<\/p>\n<p>Em seguida, o diretor de Concess\u00e3o Florestal e Monitoramento do Servi\u00e7o Florestal Brasileiro, Marcus Vinicius da Silva Alves, falou sobre a import\u00e2ncia do manejo sustent\u00e1vel e sobre como a possibilidade de conceder a empresas e comunidades o direito de manejar florestas p\u00fablicas para extrair madeira, produtos n\u00e3o madeireiros e oferecer servi\u00e7os de turismo pode funcionar como um vetor de redu\u00e7\u00e3o da press\u00e3o sobre a Amaz\u00f4nia e como instrumento de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, a diretora da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental World Resources Institute Brasil (WRI Brasil), Rachel Biderman, falou sobre a exist\u00eancia de um movimento global que visa acabar com o desmatamento no mundo e promover a restaura\u00e7\u00e3o de 350 milh\u00f5es de hectares florestais como forma de evitar a emiss\u00e3o de 4,5 bilh\u00f5es a 8,8 bilh\u00f5es de toneladas de CO2 por ano at\u00e9 2030. O n\u00famero \u00e9 equivalente \u00e0 remo\u00e7\u00e3o de todo o di\u00f3xido de carbono produzido por 1 bilh\u00e3o de carros que circulam hoje no mundo.<\/p>\n<p>Uma ampla coaliz\u00e3o de governos, ind\u00fastria e indiv\u00edduos endossou o compromisso materializado na Declara\u00e7\u00e3o de Nova York sobre florestas, em 2014.<\/p>\n<p>\u201cDetectamos que uma parte da solu\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica pode se dar at\u00e9 2030 pelo sequestro de carbono. Aqui no Brasil n\u00f3s estamos trabalhando na implementa\u00e7\u00e3o da Pol\u00edtica Nacional para Recupera\u00e7\u00e3o da Vegeta\u00e7\u00e3o Nativa, conhecida como Proveg\u201d, disse<\/p>\n<p>A 5\u00aa Confer\u00eancia Regional sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas Globais continuou nesta quarta-feira (06\/06\/2018) com um painel sobre o Futuro do Combate \u00e0 Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica e com uma sess\u00e3o em homenagem aos 90 anos do professor Goldemberg realizada no audit\u00f3rio da Biblioteca Brasiliana Guita e Jos\u00e9 Mindlin, na USP.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 O combate ao desmatamento da Amaz\u00f4nia e a promo\u00e7\u00e3o de iniciativas de reflorestamento em larga escala visando aumentar o armazenamento de carbono na biosfera terrestre s\u00e3o estrat\u00e9gias essenciais para evitar o agravamento das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, segundo avalia\u00e7\u00e3o feita pelos participantes da\u00a0\u00a0na tarde de ter\u00e7a-feira (05\/06\/2018). Realizado pelo N\u00facleo de Apoio [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":21074,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_genesis_hide_title":false,"_genesis_hide_breadcrumbs":false,"_genesis_hide_singular_image":false,"_genesis_hide_footer_widgets":false,"_genesis_custom_body_class":"","_genesis_custom_post_class":"","_genesis_layout":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[],"class_list":{"0":"post-143543","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-brasil","8":"entry","9":"gs-1","10":"gs-odd","11":"gs-even","12":"gs-featured-content-entry"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/previsao-tempo-nebulosidade-21.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/143543","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=143543"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/143543\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21074"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=143543"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=143543"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=143543"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}