{"id":142866,"date":"2018-05-30T18:26:59","date_gmt":"2018-05-30T21:26:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=142866"},"modified":"2018-05-30T18:26:59","modified_gmt":"2018-05-30T21:26:59","slug":"remedio-contra-diabetes-e-testado-contra-cancer-de-cabeca-e-pescoco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2018\/remedio-contra-diabetes-e-testado-contra-cancer-de-cabeca-e-pescoco\/142866","title":{"rendered":"Rem\u00e9dio contra diabetes \u00e9 testado contra c\u00e2ncer de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o"},"content":{"rendered":"<p> Karina Toledo\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Em um estudo feito com mais de 2 mil volunt\u00e1rios em cinco hospitais do Estado de S\u00e3o Paulo, o uso de <strong><em>metformina<\/em><\/strong> \u2013 um dos medicamentos antidiab\u00e9ticos mais prescritos no mundo \u2013 foi associado a uma redu\u00e7\u00e3o no risco de c\u00e2ncer de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o. A diminui\u00e7\u00e3o foi mais acentuada, em torno de 60%, entre os volunt\u00e1rios considerados de alto risco para a doen\u00e7a \u2013 aqueles que consumiam mais de 40 gramas de \u00e1lcool por dia (o equivalente a tr\u00eas latas de cerveja) e mais de 40 ma\u00e7os de cigarro em um ano.<\/p>\n<p>Os dados foram apresentados por Victor W\u00fcnsch Filho, professor da Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica da Universidade de S\u00e3o Paulo (FSP-USP), no congresso &#8220;&#8221;, organizado pelo A.C. Camargo Cancer Center.<\/p>\n<p>\u201cEstudos anteriores j\u00e1 haviam mostrado uma associa\u00e7\u00e3o entre diabetes, uso de metformina e uma redu\u00e7\u00e3o no risco de outros tipos de c\u00e2ncer, como pulm\u00e3o, c\u00f3lon e p\u00e2ncreas. No caso dos tumores de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o, por\u00e9m, os dados existentes na literatura cient\u00edfica eram muito contradit\u00f3rios. Por isso decidimos investigar melhor\u201d, contou W\u00fcnsch.<\/p>\n<p>O estudo do tipo caso-controle foi realizado durante o\u00a0\u00a0de Rejane Figueiredo, como parte do projeto\u00a0, que re\u00fane cientistas de diversas institui\u00e7\u00f5es e \u00e9 apoiado pela FAPESP.<\/p>\n<p>Os resultados foram publicados na revista\u00a0.<\/p>\n<p>Foram inclu\u00eddos, ao todo, 1.021 portadores de c\u00e2ncer de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o \u2013 um conjunto heterog\u00eaneo de tumores que afeta locais como a cavidade oral (l\u00e1bios, l\u00edngua, assoalho da boca ou palato), os seios da face, a faringe e a laringe \u2013 al\u00e9m das gl\u00e2ndulas, vasos sangu\u00edneos, m\u00fasculos e nervos da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Mais prevalente nos pa\u00edses em desenvolvimento, representa o 9\u00ba tipo de c\u00e2ncer mais comum no mundo, com 700 mil novos casos anuais segundo dados da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS). Tabaco e \u00e1lcool s\u00e3o ainda considerados os principais fatores de risco, embora tenha crescido nos \u00faltimos anos o n\u00famero de casos associados \u00e0 infec\u00e7\u00e3o pelo papilomav\u00edrus humano (HPV), principalmente entre os pacientes mais jovens.<\/p>\n<p>Na pesquisa, os portadores da doen\u00e7a foram divididos em cinco subgrupos: cavidade oral, orofaringe, hipofaringe, laringe e orofaringe\/hipofaringe n\u00e3o especificado.<\/p>\n<p>J\u00e1 no grupo-controle, foram inclu\u00eddos 1.063 participantes sem a doen\u00e7a \u2013 selecionado entre pessoas que visitavam pacientes internados no hospital ou que estavam no servi\u00e7o de sa\u00fade para atendimento ambulatorial de problemas n\u00e3o relacionados ao c\u00e2ncer, como doen\u00e7as de pele, trato urin\u00e1rio, fraturas ou quest\u00f5es oftalmol\u00f3gicas, por exemplo.<\/p>\n<p>\u201cExclu\u00edmos aqueles que tinham doen\u00e7as associadas ao uso de \u00e1lcool e tabaco e tamb\u00e9m os visitantes de pacientes com c\u00e2ncer de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o, dada a grande probabilidade de eles estarem expostos aos mesmos fatores de risco dos doentes, o que poderia enviesar os resultados\u201d, explicou o pesquisador.<\/p>\n<p>Todos os participantes responderam a um question\u00e1rio com dados sobre o perfil sociodemogr\u00e1fico, estilo de vida (consumo de cigarro e \u00e1lcool, entre outros fatores) e condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade (se eram portadores de diabetes, se faziam uso de metformina e se tinham hist\u00f3rico familiar de c\u00e2ncer, entre outros). Tamb\u00e9m foram coletadas amostras de sangue que, no presente estudo, foram usadas para fazer o teste hemoglobina glicada, um dos mais precisos para diagnosticar o diabetes.<\/p>\n<p>\u201cCruzamos as informa\u00e7\u00f5es dos question\u00e1rios, dos prontu\u00e1rios m\u00e9dicos e dos testes de sangue para fazer as an\u00e1lises estat\u00edsticas e esse foi um dos diferenciais do estudo. Se tiv\u00e9ssemos considerado como diab\u00e9ticos apenas aqueles que se apresentaram como tal o n\u00famero seria muito menor\u201d, contou W\u00fcnsch.<\/p>\n<p>Os participantes com diabetes foram depois subdivididos entre os que faziam ou n\u00e3o uso de metformina. \u201cConsideramos no grupo metformina somente os pacientes em que a informa\u00e7\u00e3o sobre o uso do f\u00e1rmaco constava do prontu\u00e1rio m\u00e9dico. Ficaram de fora nesse quesito, portanto, os volunt\u00e1rios que estavam no hospital apenas como visitantes\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Nas an\u00e1lises que consideraram o uso de metformina, foram inclu\u00eddos 1.021 casos (pacientes com c\u00e2ncer de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o) e 587 controles hospitalares.<\/p>\n<p>Diabetes e consumo de \u00e1lcool<\/p>\n<p>An\u00e1lises estat\u00edsticas mostraram que no grupo dos casos de c\u00e2ncer a porcentagem de fumantes (68,0%) e bebedores (53,6%) foi bem maior que no grupo-controle (16,3% e 43,5% respectivamente). Ao todo, 359 participantes foram confirmados como portadores de diabetes, sendo 150 (14,7%) entre os portadores de c\u00e2ncer e 209 (19,7%) entre os controles.<\/p>\n<p>O diagn\u00f3stico de diabetes foi inversamente associado ao c\u00e2ncer de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o tanto em homens quanto em mulheres e em todos os subtipos da doen\u00e7a considerados no estudo. Contudo, a redu\u00e7\u00e3o do risco foi estatisticamente significativa apenas no sexo masculino (32% menor) e no c\u00e2ncer de faringe (57% menos risco).<\/p>\n<p>Em geral, indiv\u00edduos com diabetes que usavam metformina apresentaram risco 46% menor de ter c\u00e2ncer de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o quando comparados aos participantes sem diabetes. Entre indiv\u00edduos com diabetes que n\u00e3o usavam metformina n\u00e3o foi evidenciada estatisticamente uma diminui\u00e7\u00e3o do risco.<\/p>\n<p>Entre os indiv\u00edduos com alto consumo de tabaco e \u00e1lcool, os que eram portadores de diabetes e usavam metformina apresentavam 69% menos probabilidade de ter c\u00e2ncer que os indiv\u00edduos sem diabetes.<\/p>\n<p>\u201cInicialmente pensamos em investigar apenas a associa\u00e7\u00e3o entre o c\u00e2ncer de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o e o diabetes. A ideia de incluir a metformina surgiu quando participei de um congresso sobre c\u00e2ncer e metabolismo, no qual pude perceber a import\u00e2ncia do medicamento. De forma simples, ele ativa uma enzima chamada AMPK [prote\u00edna quinase ativada por AMP], que pode inibir a prolifera\u00e7\u00e3o celular\u201d, contou Figueiredo.<\/p>\n<p>Os achados, avaliou a pesquisadora, apontam para a necessidade de estudos mais aprofundados sobre a a\u00e7\u00e3o da metformina no c\u00e2ncer de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso tentar entender melhor o mecanismo de prote\u00e7\u00e3o, o tempo de uso e a dosagem da droga por meio de estudos espec\u00edficos. Somente assim poderemos avaliar se \u00e9 vi\u00e1vel us\u00e1-la na quimiopreven\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a ou para prolongar a sobrevida dos pacientes com c\u00e2ncer\u201d, disse.<\/p>\n<p>Segundo W\u00fcnsch, at\u00e9 o momento, s\u00f3 foi poss\u00edvel avaliar o efeito da metformina associado ao diabetes, pois s\u00e3o os portadores dessa doen\u00e7a os principais usu\u00e1rios do medicamento.<\/p>\n<p>\u201cMas j\u00e1 h\u00e1 evid\u00eancias de que o f\u00e1rmaco tem um efeito protetor importante por si s\u00f3, que precisa come\u00e7ar a ser estudado na profilaxia do c\u00e2ncer e tamb\u00e9m no tratamento. Trata-se de uma droga barata e com poucos efeitos colaterais, ent\u00e3o pode ser muito interessante\u201d, disse o pesquisador.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0Diabetes mellitus, metformin and head and neck cancer\u00a0(doi:\u00a0https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.oraloncology.2016.08.006), de Rejane Augusta de Oliveira Figueiredo, Elisabete Weiderpass, Eloiza Helena Tajara, Peter Str\u00f6m, Andr\u00e9 Lopes Carvalho, Marcos Brasilino de Carvalho, Jossi Ledo Kanda, Raquel Ajub Moyses e Victor W\u00fcnsch-Filho, pode ser lido em\u00a0.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Em um estudo feito com mais de 2 mil volunt\u00e1rios em cinco hospitais do Estado de S\u00e3o Paulo, o uso de metformina \u2013 um dos medicamentos antidiab\u00e9ticos mais prescritos no mundo \u2013 foi associado a uma redu\u00e7\u00e3o no risco de c\u00e2ncer de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o. 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