{"id":142732,"date":"2018-05-29T11:17:18","date_gmt":"2018-05-29T14:17:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=142732"},"modified":"2018-05-29T11:17:18","modified_gmt":"2018-05-29T14:17:18","slug":"risco-de-transmissao-de-dengue-e-medido-com-base-no-numero-de-femeas-do-aedes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2018\/risco-de-transmissao-de-dengue-e-medido-com-base-no-numero-de-femeas-do-aedes\/142732","title":{"rendered":"Risco de transmiss\u00e3o de dengue \u00e9 medido com base no n\u00famero de f\u00eameas do Aedes"},"content":{"rendered":"<p> Peter Moon\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Um novo \u00edndice que permite medir o risco de <strong><em>transmiss\u00e3o de dengue<\/em><\/strong> em uma cidade ou regi\u00e3o com base no n\u00edvel de infesta\u00e7\u00e3o por f\u00eameas adultas do mosquito\u00a0Aedes aegyptifoi descrito por pesquisadores brasileiros na revista\u00a0.<\/p>\n<p>A metodologia foi desenvolvida por Maisa Carla Pereira Parra e colaboradores, sob a supervis\u00e3o de\u00a0, da Faculdade de Medicina de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto (Famerp), e\u00a0, da Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica da Universidade de S\u00e3o Paulo (FSP-USP).<\/p>\n<p>O estudo faz parte do Projeto Tem\u00e1tico \u201c\u201d, apoiado pela FAPESP.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o dos pesquisadores, o novo m\u00e9todo seria mais pr\u00e1tico e confi\u00e1vel do que o chamado \u00cdndice de Breteau \u2013 valor num\u00e9rico que corresponde \u00e0 raz\u00e3o entre o n\u00famero de larvas de\u00a0Aedes\u00a0encontrado e a quantidade total de resid\u00eancias inspecionadas por agentes de sa\u00fade. Esse \u00e9 o sistema atualmente usado pela vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica para determinar o n\u00edvel de infesta\u00e7\u00e3o pelo mosquito transmissor da dengue.<\/p>\n<p>\u201cO \u00cdndice de Breteau calculado em S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto no in\u00edcio de 2018 foi o maior de todos os tempos. Foi superior inclusive ao \u00edndice de 2013, quando a regi\u00e3o passou pela pior epidemia de dengue de sua hist\u00f3ria, com 18 mil casos. No entanto, em 2018 foram notificados apenas 44 casos da doen\u00e7a at\u00e9 o momento. Ou seja, pelo menos em nossa regi\u00e3o, o \u00cdndice de Breteau n\u00e3o guarda mais rela\u00e7\u00e3o com a preven\u00e7\u00e3o da dengue\u201d, disse Nogueira.<\/p>\n<p>A explica\u00e7\u00e3o para tamanha disparidade, na avalia\u00e7\u00e3o do pesquisador, pode estar relacionada com a imunidade adquirida por parte da popula\u00e7\u00e3o durante as epidemias recentes.<\/p>\n<p>\u201cO problema do \u00cdndice de Breteau \u00e9 que ele \u00e9 uma medida da quantidade de larvas do mosquito, fase em que esse inseto vive na \u00e1gua. Mas o que realmente interessa \u00e9 a fase adulta. Somente as f\u00eameas adultas transmitem o v\u00edrus ap\u00f3s o acasalamento, quando buscam sangue humano para produzir e botar ovos\u201d, explicou Chiaravalloti-Neto.<\/p>\n<p>Foi a partir dessa constata\u00e7\u00e3o que surgiu a ideia de desenvolver um novo \u00edndice que levasse em conta apenas o n\u00famero de f\u00eameas adultas. \u201cAch\u00e1vamos que seria mais fidedigno e mais f\u00e1cil de calcular. A l\u00f3gica por tr\u00e1s \u00e9 que, quanto maior a quantidade de f\u00eameas adultas no ambiente, maior ser\u00e1 a quantidade de pessoas infectadas\u201d, disse Nogueira.<\/p>\n<p>Metodologia<\/p>\n<p>No caso do \u00cdndice de Breteau, agentes de sa\u00fade precisam visitar todas as casas da regi\u00e3o que se quer aferir, verificar todos os reservat\u00f3rios em busca de larvas de mosquito e somar o total encontrado. O trabalho tem que ser repetido com regularidade, mobilizando uma grande for\u00e7a de trabalho a um custo elevado.<\/p>\n<p>J\u00e1 para calcular o novo \u00edndice foram espalhadas em S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto 56 armadilhas especiais, que liberam no ambiente um odor semelhante ao da pele humana \u2013 capaz de atrair as f\u00eameas de mosquito sedentas por sangue. Ao entrar no dispositivo, ficam aprisionadas e morrem.<\/p>\n<p>\u201cAs armadilhas eram posicionadas com um espa\u00e7amento de 200 a 400 metros, que \u00e9 a metade do raio de voo do mosquito. Recolh\u00edamos no dia seguinte para a contagem das f\u00eameas adultas\u201d, contou Nogueira.<\/p>\n<p>O experimento foi feito duas vezes por semana, permitindo reunir dados de at\u00e9 62 resid\u00eancias por semana, ao longo de um ano \u2013 entre a 36\u00aa semana de 2012 e a 19\u00aa semana de 2013.<\/p>\n<p>\u201cAo final do trabalho de campo, reunimos dados de mais de 1,5 mil armadilhas. Al\u00e9m de coletar as f\u00eameas, tamb\u00e9m verificamos via an\u00e1lise molecular quais eram positivas ou negativas para dengue&#8221;, contou Chiaravalloti-Neto.<\/p>\n<p>Com base no n\u00famero de f\u00eameas adultas capturadas por armadilha foi calculado um \u00edndice entomol\u00f3gico, que corresponde ao n\u00famero de f\u00eameas de\u00a0Aedes aegypti\u00a0por 100 resid\u00eancias (aquelas vizinhas ao local da armadilha) ao longo de uma semana.<\/p>\n<p>&#8220;A quantidade de f\u00eameas coletadas em uma \u00fanica armadilha em uma resid\u00eancia pode ser pequena, mas serve de amostragem para calcularmos o tamanho da infesta\u00e7\u00e3o na vizinhan\u00e7a&#8221;, disse Chiaravalloti-Neto.<\/p>\n<p>Desse modo, o grupo construiu um mapa da regi\u00e3o de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto, com \u00edndices da quantidade de f\u00eameas adultas por bairro durante as 52 semanas do ano. Ao todo, as armadilhas capturaram 1.333 mosquitos do g\u00eanero\u00a0Aedes\u00a0(536 machos e 797 f\u00eameas) e 4.691 do g\u00eanero\u00a0Culex\u00a0(3.325 machos e 1.366 f\u00eameas) \u2013 somando 6.024 insetos.<\/p>\n<p>Os esp\u00e9cimes de\u00a0Aedes\u00a0foram agrupados em 893 tubos e testados para a presen\u00e7a do v\u00edrus da dengue. O sorotipo 4 do pat\u00f3geno (DENV-4) foi encontrado em 25 mosquitos (ou 2,8% dos tubos), dos quais 19 eram f\u00eameas e seis machos.<\/p>\n<p>\u201cCriamos bancos de dados com informa\u00e7\u00f5es sobre a armadilha e sobre os casos de dengue: endere\u00e7o, data de instala\u00e7\u00e3o, data de coleta, n\u00famero de esp\u00e9cimes, esp\u00e9cies de mosquitos e resultado da an\u00e1lise molecular. O banco de dados de casos de dengue incluiu os endere\u00e7os das notifica\u00e7\u00f5es de dengue, a data de in\u00edcio dos sintomas, tipo e resultados de an\u00e1lises laboratoriais\u201d, explicou Nogueira.<\/p>\n<p>Por fim, o resultado do \u00edndice entomol\u00f3gico foi confrontado com os dados da vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica para casos de dengue na cidade entre a 36a semana de 2012 e a 19a semana de 2013.<\/p>\n<p>\u201cAo obter todos os casos notificados, fizemos uma modelagem para verificar se haveria uma rela\u00e7\u00e3o entre o n\u00famero de casos e a quantidade maior ou menor de f\u00eameas&#8221;, disse Chiaravalloti-Neto.<\/p>\n<p>Mais de 2,5 mil casos suspeitos de dengue foram relatados na \u00e1rea de estudo. Destes, 1.137 casos foram registrados como confirmados. Houve 820 casos que testaram positivo para DENV (72,1%) e 317 que combinaram com crit\u00e9rios epidemiol\u00f3gicos cl\u00ednicos (27,9%). Como controle, foram usados 1.450 casos que testaram negativo para DENV.<\/p>\n<p>Segundo Chiaravalloti-Neto, o resultado da modelagem n\u00e3o poderia ter sido melhor. \u201cQuando aumentou o n\u00famero de f\u00eameas, observou-se um correspondente aumento no risco de incid\u00eancia de dengue\u201d, contou.<\/p>\n<p>\u201cNosso \u00edndice entomol\u00f3gico correlaciona-se positivamente com a incid\u00eancia de dengue, particularmente durante os intervalos em que as medidas de controle de vetores foram aplicadas de forma menos intensiva\u201d, disse Nogueira.<\/p>\n<p>Os pesquisadores est\u00e3o agora repetindo o experimento em uma outra vizinhan\u00e7a com o objetivo de validar os resultados do primeiro trabalho e mostrar que, de fato, o novo m\u00e9todo \u00e9 uma alternativa confi\u00e1vel ao \u00cdndice de Breteau.<\/p>\n<p>\u201cO estudo atual \u00e9 mais amplo que o primeiro. Al\u00e9m de dengue, estamos testando o novo m\u00e9todo para medir o risco de transmiss\u00e3o de Zika e chikungunya. Mas os resultados ainda devem demorar\u201d, disse Nogueira.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0Using adult Aedes aegypti females to predict areas at risk for dengue transmission: A spatial case-control study, de Maisa Carla Pereira Parra, Eliane Aparecida F\u00e1varo, Margareth Regina Dibo, Adriano Mondini, \u00c1lvaro Eduardo Eiras, Erna Geessien Kroon, Mauro Martins Teixeira, Mauricio Lacerda Nogueira e Francisco Chiaravalloti-Neto, pode ser lido em:\u00a0.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Peter Moon\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Um novo \u00edndice que permite medir o risco de transmiss\u00e3o de dengue em uma cidade ou regi\u00e3o com base no n\u00edvel de infesta\u00e7\u00e3o por f\u00eameas adultas do mosquito\u00a0Aedes aegyptifoi descrito por pesquisadores brasileiros na revista\u00a0. 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