{"id":140184,"date":"2018-04-24T01:54:40","date_gmt":"2018-04-24T04:54:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=140184"},"modified":"2018-04-24T01:54:40","modified_gmt":"2018-04-24T04:54:40","slug":"parceria-quer-impulsionar-a-descoberta-de-farmacos-a-partir-da-biodiversidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2018\/parceria-quer-impulsionar-a-descoberta-de-farmacos-a-partir-da-biodiversidade\/140184","title":{"rendered":"Parceria quer impulsionar a descoberta de f\u00e1rmacos a partir da biodiversidade"},"content":{"rendered":"<p> Maria Fernanda Ziegler\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), o Ach\u00e9 Laborat\u00f3rios e a empresa Phytobios firmaram uma parceria com o objetivo de identificar subst\u00e2ncias da biodiversidade brasileira que permitam desenvolver <strong><em>novos f\u00e1rmacos<\/em><\/strong> para as \u00e1reas de oncologia e dermocosm\u00e9tico.<\/p>\n<p>O investimento inicial \u00e9 de R$ 10 milh\u00f5es, sendo a metade desse valor paga pela Ach\u00e9, 33% pela Empresa Brasileira de Pesquisa e Inova\u00e7\u00e3o Industrial (Embrapii) e 17% a encargo do CNPEM. A Phytobios executa as expedi\u00e7\u00f5es para coleta das amostras biol\u00f3gicas a serem testadas. Como o CNPEM \u00e9 uma unidade da Embrapii, contratualmente trata-se de uma divis\u00e3o 50% Ach\u00e9 e 50% Embrapii.<\/p>\n<p>A parceria atuar\u00e1 em um velho problema da ind\u00fastria farmac\u00eautica: a dificuldade de descobrir novos princ\u00edpios ativos para f\u00e1rmacos. Embora novos medicamentos sejam lan\u00e7ados, h\u00e1 uma queda significativa no n\u00famero de novas estruturas moleculares que possam ser usadas como medicamentos. Isso limita a inova\u00e7\u00e3o na ind\u00fastria.<\/p>\n<p>\u201cDescobrir novas subst\u00e2ncias envolve risco porque, \u00e0s vezes, o retorno financeiro da descoberta acaba n\u00e3o compensando. Por isso, \u00e9 mais interessante para as farmac\u00eauticas migrarem para um modelo de inova\u00e7\u00e3o aberta, em vez de criar novos departamentos e bibliotecas pr\u00f3prias de biodiversidade. J\u00e1 para a Phytobios, a parceria, al\u00e9m de impulsionar o nosso trabalho, tamb\u00e9m nos permite diversificar os parceiros de inova\u00e7\u00e3o, no que tange \u00e0 plataforma criada em parceria com o LNBio [Laborat\u00f3rio Nacional de Bioci\u00eancias, que integra o CNPEM]\u201d, disse Cristina Ropke, presidente da Phytobios, \u00e0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>H\u00e1 tr\u00eas anos, a empresa criou, em parceria com o CNPEM, uma biblioteca qu\u00edmica com 1,5 mil amostras. Em uma triagem-piloto foram encontrados 500 extratos vegetais, que resultaram em 40\u00a0hit fractions, ou seja, poss\u00edveis novas subst\u00e2ncias bioativas em extratos vegetais.<\/p>\n<p>Com apenas 10 funcion\u00e1rios e focada 100% em pesquisa, a Phytobios \u00e9 o bra\u00e7o de pesquisa do Grupo Centroflora, que produz extratos vegetais para a ind\u00fastria farmac\u00eautica. A descoberta de novas subst\u00e2ncias se deu a partir de expedi\u00e7\u00f5es realizadas pelo grupo de pesquisadores da Phytobios na Floresta Amaz\u00f4nica, Cerrado, Caatinga e Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n<p>Nessas expedi\u00e7\u00f5es, a equipe de pesquisadores faz a coleta de material vegetal para mais tarde estudar as subst\u00e2ncias contidas nessas plantas. A partir da coleta, as folhas s\u00e3o secas e mo\u00eddas para se fazer um extrato bruto, utilizando solvente etan\u00f3lico.<\/p>\n<p>Para garantir que haja material suficiente para repeti\u00e7\u00f5es, estabeleceu-se que cada lote de extrato seja baseado em pelo menos 5 quilos de droga vegetal (a parte da planta a ser utilizada, folha, flor, fruto, casca ou raiz). Depois que essa mistura \u00e9 filtrada, o \u00e1lcool evapora e o que sobra \u00e9 o extrato que cont\u00e9m os metab\u00f3litos vegetais para os quais se busca atividade.<\/p>\n<p>Com essa primeira etapa conclu\u00edda, o material \u00e9 enviado ao CNPEM, onde ser\u00e1 feito o fracionamento. Cada extrato produz nove fra\u00e7\u00f5es cromatogr\u00e1ficas.<\/p>\n<p>\u201cCom isso, \u00e9 poss\u00edvel reduzir a complexidade. Fica mais f\u00e1cil saber que subst\u00e2ncia est\u00e1 interferindo, por exemplo, em uma determinada enzima ligada a uma doen\u00e7a. Com menor complexidade, h\u00e1 mais chances de encontrar uma subst\u00e2ncia ativa para aquele determinado alvo que est\u00e1 sendo testado\u201d, disse Eduardo Pagani, gerente de desenvolvimento de f\u00e1rmacos do LNBio.<\/p>\n<p>Paralelamente, ocorre a identifica\u00e7\u00e3o bot\u00e2nica em um herb\u00e1rio. \u201cAs primeiras prospec\u00e7\u00f5es s\u00e3o totalmente aleat\u00f3rias, j\u00e1 as seguintes buscam preencher lacunas. O objetivo \u00e9 preencher as fam\u00edlias bot\u00e2nicas, dentro de um conceito que a diversidade biol\u00f3gica est\u00e1 relacionada \u00e0 diversidade qu\u00edmica. \u00c9 essa diversidade qu\u00edmica que aumenta a nossa chance de identificar novos princ\u00edpios ativos\u201d, disse Pagani.<\/p>\n<p>Reinven\u00e7\u00e3o farmac\u00eautica<\/p>\n<p>Para Ropke, a necessidade da ind\u00fastria farmac\u00eautica de se reinventar pode representar uma grande oportunidade para que o Brasil melhore sua performance como provedor de tecnologia.<\/p>\n<p>\u201cPodemos passar de exportadores de\u00a0commodities, como alimentos, para exportadores de novas solu\u00e7\u00f5es em alta tecnologia para a ind\u00fastria farmac\u00eautica. \u00c9 interessante economicamente, principalmente pelo fato de termos a expertise e a maior biodiversidade vegetal do mundo. Cerca de 20% de todas as angiospermas descritas s\u00e3o encontradas em territ\u00f3rio brasileiro. Al\u00e9m disso, os processos de produ\u00e7\u00e3o, armazenamento e gest\u00e3o desse rico acervo est\u00e3o totalmente profissionalizados e usam tecnologias que s\u00f3 est\u00e3o dispon\u00edveis h\u00e1 poucos anos, como o\u00a0molecular networking\u201d, disse.<\/p>\n<p>Pagani concorda com as oportunidades que a parceria pode gerar. \u201cA biodiversidade brasileira \u00e9 muito estrat\u00e9gica na descoberta de novas subst\u00e2ncias. Processos e descobertas baseados em\u00a0high throughput screening\u00a0[triagem de alto rendimento] s\u00e3o executados corriqueiramente pelas grandes ind\u00fastrias h\u00e1 mais de quatro d\u00e9cadas, usando principalmente bibliotecas qu\u00edmicas sint\u00e9ticas. As possibilidades de se descobrirem esqueletos qu\u00edmicos novos est\u00e3o se esgotando. Os produtos naturais agregam um novo universo de possibilidades\u201d, disse.<\/p>\n<p>Pesquisa de campo e big data<\/p>\n<p>A expectativa \u00e9 que, com a parceria, a biblioteca da biodiversidade brasileira se expanda. Al\u00e9m das expedi\u00e7\u00f5es e coleta de amostras da natureza, a Biblioteca de Produtos Naturais envolve um grande volume de dados (big data).<\/p>\n<p>Ropke explica que com o aux\u00edlio de t\u00e9cnicas de espectrometria de massas e de redes moleculares \u00e9 poss\u00edvel fazer o diagn\u00f3stico das estruturas qu\u00edmicas presentes na biblioteca. \u201cCom esses dados conseguimos direcionar nossas expedi\u00e7\u00f5es para a busca de grupos vegetais que contenham determinadas estruturas\u201d, disse.<\/p>\n<p>A presidente da Phytobios ressalta que a din\u00e2mica das pesquisas com a biodiversidade brasileira tornou-se mais simples a partir da Lei 13.123 de 20 de maio de 2015. Conhecida como Marco da Biodiversidade, a nova legisla\u00e7\u00e3o regulamentou o acesso \u00e0 biodiversidade e reparti\u00e7\u00e3o de benef\u00edcios, al\u00e9m de garantir a seguran\u00e7a jur\u00eddica necess\u00e1ria para programas de inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pagani ressalta que o investimento das farmac\u00eauticas na descoberta de novos princ\u00edpios ativos \u00e9 de alto risco, com retorno em m\u00e9dia 15 anos depois. \u201cPor outro lado, quem faz isso tem uma chance de depois chegar a ter um produto muito inovador.\u201d<\/p>\n<p>Ele faz uma compara\u00e7\u00e3o com o d\u00e9ficit da balan\u00e7a comercial farmac\u00eautica no Brasil, de cerca de US$ 7 bilh\u00f5es ao ano. \u201cA maioria dos princ\u00edpios ativos utilizados \u00e9 importada. No entanto, esse d\u00e9ficit poderia ser muito atenuado com um \u00fanico produto\u00a0blockbusterde alto faturamento. Um \u00fanico produto com essas caracter\u00edsticas atenuaria nosso d\u00e9ficit e melhoraria muito o posicionamento de nossas ind\u00fastrias no cen\u00e1rio internacional. Depois da parceria com os Laborat\u00f3rios Ach\u00e9, n\u00e3o tem uma semana que n\u00e3o tenha algu\u00e9m querendo conversar com a gente\u201d, disse o gerente de desenvolvimento de f\u00e1rmacos do LNBio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Fernanda Ziegler\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), o Ach\u00e9 Laborat\u00f3rios e a empresa Phytobios firmaram uma parceria com o objetivo de identificar subst\u00e2ncias da biodiversidade brasileira que permitam desenvolver novos f\u00e1rmacos para as \u00e1reas de oncologia e dermocosm\u00e9tico. 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